“Um povo educado não aceitaria as condições de miséria e desemprego como as que temos”
Florestan Fernandes faria 100 anos neste 22 de julho. Considerado um dos principais sociólogos do Brasil e pensadores da Educação. #Florestan100anos
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22 de jul. de 2020
16 de jul. de 2020
Darcy Ribeiro: um homem de fazimentos. Eis um dos meus principais faróis
Quisera a glória de ficar depois de mim, por muito tempo,
cavalgando na memória dos netos do filho que nunca tive.
Permanecer? Mas como? Não sei.
Permanecer? Mas como? Não sei.
Darcy Ribeiro
EIS UM DOS MEUS PRINCIPAIS FARÓIS
Para uma breve biografia de um condenado à FELICIDADE, cabem algumas impressões babilônicas aos leitores que não são familiarizados com a trajetória de Darcy Ribeiro. O propósito não é analisar seu extenso percurso intelectual e político, mas apenas esboçar o perfil desse antropólogo, político e escritor que se autodenominava um homem de muitos fazimentos.
Mineiro de Montes Claros, Darcy Ribeiro nasceu em 26 de outubro de 1922. Em 1939 mudou-se para Belo Horizonte a fim de estudar medicina, mas abandonou o curso depois de constatar sua falta de vocação para a carreira e em 1943 retornou à cidade natal. No ano seguinte, após contato com o sociólogo americano Donald Pierson, que lhe ofereceu uma bolsa de estudos, mudou-se para a capital paulista e matriculou-se na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, onde se formou em 1946, com especialização em etnologia.
Em 1947 Darcy foi contratado como naturalista pelo Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Nos anos seguintes, viveu longos períodos em comunidades indígenas do sul do Mato Grosso e da floresta amazônica, desenvolvendo estudos etnológicos. Em 1950 publicou seu primeiro livro, Religião e mitologia kadiwéu, que lhe valeu o Prêmio Fábio Prado. Em 1952 assumiu a direção da Seção de Estudos do SPI e por sua iniciativa foi inaugurado no Rio de Janeiro, no ano seguinte, o Museu do Índio, no qual, dois anos depois, organizou o primeiro curso de pós-graduação em antropologia cultural do Brasil.
Darcy Ribeiro ingressou no campo da educação - do qual não mais se afastaria - em meados dos anos 1950, quando também passou a integrar o corpo docente da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, como responsável por cadeiras de etnologia brasileira. Em 1957 o pedagogo Anísio Teixeira - de quem sofreu forte influência - designou-o para dirigir a divisão de estudos sociais do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE), vinculado ao Ministério da Educação. Junto com Anísio, cerrou fileiras em defesa da escola pública, laica e gratuita. Em 1959 foi encarregado, pelo presidente Juscelino Kubitschek - com o qual havia colaborado na definição das diretrizes de seu governo para o setor educacional -, de planejar a Universidade de Brasília (UnB). Em 1961, com a inauguração dessa universidade, foi nomeado seu primeiro reitor.
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Em agosto de 1962 assumiu a chefia do Ministério da Educação do governo João Goulart, compondo o gabinete chefiado pelo então primeiro-ministro Hermes Lima. Em janeiro de 1963, com a volta do país ao regime presidencialista, deixou o ministério e assumiu a chefia do Gabinete Civil da Presidência da República. O descontentamento de setores conservadores, civis e militares com os rumos do governo levou ao golpe que depôs o presidente em 31 de março de 1964. Darcy deixou o país nos primeiros dias de abril e exilou-se no Uruguai.
De 1964 a 1976, seus 12 anos de exílio, estabeleceu residência em quatro países latino-americanos - Uruguai, Venezuela, Chile e Peru -, nos quais lecionou antropologia e participou de reformas dos sistemas universitários. Em 1971 transferiu-se para o Chile, onde assessorou o presidente Salvador Allende. Em seguida, aceitou convite para colaborar com o governo do general Juan Velasco Alvarado e participar do programa de criação do Centro de Estudos de Participação Popular, resultante de parceria entre o governo peruano e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Em dezembro de 1974, vítima de um câncer pulmonar, Darcy foi autorizado pelo governo brasileiro a voltar ao Brasil para submeter-se a uma cirurgia, e permaneceu seis meses no país antes de retornar ao Peru. Voltou definitivamente em 1976 e, com a Lei de Anistia, de 1979, foi reintegrado ao Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Em 1980, com a extinção do bipartidarismo, uniu-se a Leonel Brizola na organização do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Em 1982, por esse partido, foi lançado candidato a vice-governador do Rio de Janeiro, na chapa de Brizola. Com a vitória nas urnas, Darcy acumulou o cargo com o de secretário de Ciência e Cultura. Foi, também, encarregado de coordenar o Programa Especial de Educação (PEE), cujo principal objetivo era a implantação dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs).
1986 concorreu ao governo do estado do Rio de Janeiro, perdendo a eleição para Wellington Moreira Franco, candidato do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Em setembro de 1987 foi chamado, pelo governador de São Paulo Orestes Quércia, para colaborar com Oscar Niemeyer na implantação do Memorial da América Latina, inaugurado em janeiro de 1989.
Em outubro de 1990 elegeu-se senador pelo estado do Rio de Janeiro na legenda do PDT. No mesmo pleito Leonel Brizola foi eleito, mais uma vez, governador do estado. Em setembro de 1991 Darcy licenciou-se de sua cadeira no Senado para assumir a Secretaria Extraordinária de Programas Especiais do governo fluminense, cuja principal meta era promover a retomada da implantação dos CIEPs e coordenar a criação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), em Campos. Voltou ao Senado no final de 1992.
Em 1994 ele ainda concorreria como candidato a vice-presidente da República na chapa encabeçada por Leonel Brizola, do PDT. O resultado das urnas deu à chapa a quinta colocação, entre oito concorrentes. Em dezembro do mesmo ano, Darcy Ribeiro foi internado, no Rio de Janeiro, para tratar de novo câncer em estado avançado, mas cerca de um mês depois deixou o hospital sem ordem médica e instalou-se em sua casa de praia em Maricá (RJ), porque, segundo declarou, precisava refugiar-se para terminar o livro O povo brasileiro, publicado no ano seguinte. Retornou ao Senado em seguida, concentrando suas atividades na elaboração da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), sancionada em 1996. Durante esse ano, manteve coluna semanal no jornal Folha de S. Paulo e publicou Diários índios, que recebeu o Prêmio Sérgio Buarque de Hollanda na categoria Ensaio Social.
Mesmo uma apresentação sumária da biografia de Darcy Ribeiro tem que registrar sua atividade como literato. Seu primeiro e mais elogiado romance, Maíra, foi lançado em 1976 e depois traduzido em várias línguas. A ele se seguiram O Mulo, Utopia selvagem e Migo, paralelamente a tantos outros livros, entre os quais se destacam os seis títulos que compõem os Estudos de Antropologia da Civilização - série encerrada com O povo brasileiro.
Darcy morreu em 17 de fevereiro de 1997, em Brasília, aos 74 anos, mas conviveu cerca de vinte anos com a possibilidade da morte, o que - conforme atestam colaboradores - o levou a imprimir urgência e dedicação total a seus investimentos intelectuais e políticos.2 Além do sentido de urgência na relação com o trabalho, a perspectiva da morte alimentou uma pulsão autobiográfica, expressa nos vários textos em que reviu sua trajetória e se definiu como intelectual e político. A angústia da finitude e o temor do esquecimento são objetos de reflexão em Testemunho, publicado em 1990, em Confissões, que escreveu em 1996 e não chegou a ver publicado, e no romance Migo, de 1988, que classifica como "romance confessional" (Ribeiro, 1997, p.515). Em Migo, lê-se:
19 de mar. de 2016
Um livro cada vez mais imprescindível: A Sociedade do Espetáculo de Guy Debord
Um livro cada vez mais imprescindível
A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO
GUY DEBORD
Tradução de Estela dos Santos Abreu
240 páginas -- de R$ 44,00 por R$ 26,40 no site da editora
A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO
GUY DEBORD
Tradução de Estela dos Santos Abreu
240 páginas -- de R$ 44,00 por R$ 26,40 no site da editora
A notícia da morte de Guy Debord, em 30 de novembro de 1994, foi para a primeira página de quase toda a imprensa francesa, que o tratou como um dos mais importantes pensadores do século. Dias depois, a televisão exibiu “Guy Debord, son art et son temps”. Em seguida, o filme-documentário “A sociedade do espetáculo” também foi levado ao ar, pela primeira vez. Nada a estranhar, a não ser pelo fato de que o trabalho de Debord, em vida, fora sistematicamente ignorado por essa mesma mídia que ensaiou resgatá-lo depois de sua morte.
Filósofo, agitador social, diretor de cinema, Guy Debord se definia como “doutor em nada” e pensador radical. Ligou-se na década de 1950 à geração herdeira do dadaísmo e do surrealismo. Em julho de 1957, com artistas e escritores de diferentes países, fundou na Itália a Internacional Situacionista, cuja revista, editada por mais de dez anos, inaugurou o discurso libertário que ganharia o mundo a partir dos acontecimentos de Maio de 1968. Um ano antes da eclosão do movimento, Debord publicou a mais importante obra teórica dos situacionistas, “A sociedade do espetáculo”, um livro espantosamente lúcido e demolidor, precursor de toda análise crítica da moderna sociedade de consumo. Quanto mais o tempo passa, mais atual se torna este texto, pois, como disse Jean-Jacques Pauvert, “ele não antecipou 1968, antecipou o século XXI”.
A primeira edição brasileira de “A sociedade do espetáculo”, neste volume, sai acompanhada de dois trabalhos posteriores – um de 1979, outro de 1988 – em que Debord comenta a própria obra. “Posso me gabar de ser um raro exemplo contemporâneo de alguém que escreveu sem ser imediatamente desmentido pelos acontecimentos”, ele diz: “Não estou me referindo a ser desmentido cem ou mil vezes, como os outros, mas a nem uma única vez. Não duvido que a confirmação encontrada por todas as minhas teses continue até o fim do século, e além dele. Por um simples motivo: compreendi os fatores constitutivos do espetáculo (...) considerando o conjunto do movimento histórico que pôde edificar esta ordem e que agora começa a dissolvê-la. Nesta escala, os anos passados [desde a primeira edição do livro] foram apenas um momento da sequência necessária daquilo que eu havia escrito: o espetáculo aproximou-se ainda mais do seu conceito...”
Debord estava certo: nunca a tirania das imagens e a submissão alienante ao império da mídia foram tão fortes como agora. Nunca os profissionais do espetáculo tiveram tanto poder: invadiram todas as fronteiras e conquistaram todos os domínios – da arte à economia, da vida cotidiana à política –, passando a organizar de forma consciente e sistemática o império da passividade moderna. O que o leitor tem em mãos é a mais aguda crítica à sociedade que se organiza em torno dessa falsificação geral da vida comum.
César Benjamin
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29 de jan. de 2015
Leitura obrigatória: A publicidade dos atos do governo e a propaganda dos governantes
Todos
apregoam e desejam uma administração pública eficiente, o que se traduz pelo
bom aproveitamento dos recursos públicos materiais e imateriais, isto é, por
sua utilização voltada para o atendimento da sociedade, especialmente dos
segmentos em que a presença do Estado se faz essencial, necessária. E o Estado,
em suas diversas esferas de poder, é ator que prepondera em quase todas as
cenas do nosso dia-a-dia, hajam vista os desequilíbrios que nos marcam enquanto
nação estabelecida há meio milênio em Terrae
Brazilis. Uma nação forjada pela paradoxal lógica do pacto
colonial, que, como se sabe, de pacto nada tinha, senão uma relação de
mandonismo e promiscuidade calcada nos postulados do mercantilismo, do
absolutismo e do monoteísmo católico complacente com a escravização de seres
humanos nativos e d’África.
Talvez
a maior dificuldade em implantar, por aqui, a República e seus primados –
embora seja ela a forma de governo proclamada há cento e vinte e cinco anos –
consista em nos desvencilharmos de valores tão arraigados quanto os que levam
em conta a máxima segundo a qual “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. O
latifúndio, a extrema desigualdade econômica vivencial e a profunda distinção
de tratamento entre gêneros completam o quadro caótico de nossa formação.
Implantar
a República significa vocacionar, com a transparência necessária, os diversos
setores governamentais, estruturada e sincronizadamente, para a persecução do
interesse público. A eficiência da máquina estatal se medirá pelo grau e pela intensidade
do atendimento aos reclamos comunitários de todos os rincões nacionais e pela
efetivação dos direitos sociais – o que os alemães chamam de “mínimo
existencial” – previstos no art. 6º da Constituição Federal. Quanto maior for o
fosso que separa ricos e pobres – aqui incluídos os remediados que não resistem
a três meses de desemprego –, mais distantes estaremos da concretização do
princípio da eficiência administrativa e, portanto, maiores os desafios a serem
enfrentados pelo eleitorado e pelos gestores públicos. E nada disso se realiza
sem o indispensável fortalecimento dos mecanismos de controle da pública
administração.
Por Jorge Hélio, Advogado, professor e colunista diário da
Tribuna Band News FM (101.7).
Sugestão de pauta: Paulo Humberto Freire Castelo Branco.
Enviado por Eri Santos Castro.
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2 de nov. de 2014
21 de abr. de 2014
Aldo Fornazieri: " A vida de um filósofo, sociólogo e pequeno camponês"
VIDA
DE PEQUENO CAMPONÊS: Todo pequeno camponês que se prese tem suas
criações. Eu tenho gansos. galos e galinhas, marrecos e cães. Os gansos
cumprem a função de sentinelas avançados na divisa. Sempre que algum
inimigo se aproxima eles dão o alerta e os cães passam a ficar em
prontidão.
Nas noites que faz calor, aparece sempre também o Chico (sapo). Ele entra na varanda para pegar mosquitos e outros insetos. Todos os meus animais são de estimação, jamais para consumo, pois até parei de comer carne. Eles têm plena confiança em mim e fazer algo de ruim para com eles seria crime de alta traição. Mas eles me dão uma alegria indescritível, pois têm sensibilidade e sabedoria.
Não há nada de mais encantador para um camponês do que ouvir o galo cantando nas madrugadas, chamando uma aurora risonha. Sempre rezo para que São Francisco de Assis os proteja, assim como aos animais das florestas e aos pássaros dos céus.
Nas noites que faz calor, aparece sempre também o Chico (sapo). Ele entra na varanda para pegar mosquitos e outros insetos. Todos os meus animais são de estimação, jamais para consumo, pois até parei de comer carne. Eles têm plena confiança em mim e fazer algo de ruim para com eles seria crime de alta traição. Mas eles me dão uma alegria indescritível, pois têm sensibilidade e sabedoria.
Não há nada de mais encantador para um camponês do que ouvir o galo cantando nas madrugadas, chamando uma aurora risonha. Sempre rezo para que São Francisco de Assis os proteja, assim como aos animais das florestas e aos pássaros dos céus.

2 de dez. de 2013
PM prende negros por estarem em Shopping, no Espírito Santo
"Sábado, 30 de novembro, fim de tarde. Várias viaturas da Polícia Militar, Rotam e Batalhão de Missões Especiais cercaram o Shopping Vitória, na Enseada do Suá, no Espírito Santo. Missão: proteger lojistas e consumidores ameaçados por uma gente preta, pobre e funkeira que, “soube-se depois”, não ocuparam o shopping para consumir ou para saquear, mas para se proteger da violência da polícia, que acabara de encerrar à força o baile Funk que acontecia no Pier ao lado. Amedrontados, lojistas e consumidores chamaram a polícia e o que se viu foram cenas clássicas de racismo: Nenhum registro de violência, depredação ou qualquer tipo de crime. Nada além da presença física. Nada além do corpo negro, em quantidade e forma inaceitável para aquele lugar, território de gente branca, de fala contida, de roupa adequada."
Leia a íntegra de "Shopping Vitória: corpos negros no lugar errado", de Douglas Belchior: http://bit.ly/1866TXB
Leia a íntegra de "Shopping Vitória: corpos negros no lugar errado", de Douglas Belchior: http://bit.ly/1866TXB
21 de jul. de 2013
Wallerstein: Levantes aqui, ali e em toda parte
13 de jun. de 2013
23 de mai. de 2013
A interferência do poder econômico e político na ética jornalística e o interesse público
Por Antonio Nelson
A interferência do poder econômico e político na
ética jornalística e o interesse público. A credibilidade do A Tarde,
Correio*, Tribuna da Bahia e demais veículos no país. A distribuição
gratuita dos jornais impressos, o fim do jornal impresso no Brasil com o
advento do jornalismo online, o jornalismo de mercado, as posturas mais
antiéticas cometidas pelas grandes empresas de comunicação brasileira
com relação ao profissional de mídia e a veiculação da informação, a participação cidadã na qualidade informativa, a morte do Estadão e outros assuntos num diálogo com o jornalista, mestre em História Social, pesquisador de História da mídia e no cibermundo com o blog
...Ver mais
21 de mar. de 2013
A SOCIOLOGIA COMO ARTESANATO INTELECTUAL
O
XVI Congresso Brasileiro de Sociologia tem como tema A Sociologia como
Artesanato Intelectual, expressão cunhada por Charles Wright Mills em
fins dos anos 50, em seu famoso e clássico livro A Imaginação
Sociológica.
Olhe o site do congresso: http:// www.sbs2013.sinteseeventos.com. br/
Olhe o site do congresso: http://
20 de jan. de 2013
Tarso Genro: 'É possível fazer o bem através do mal?'
Um dos debates morais, de influência direta na política, que se trava aqui no Brasil no momento, está aberto pelo moralismo udenista, tanto promovido pela extrema esquerda anti-Lula, como pelo conglomerado demo-tucano. Trata-se da questão relacionada com a política de alianças, ou seja, a demonização do PT pela sua“abertura” na política de alianças. O artigo é de Tarso Genro.
Tarso Genro (*)
Creio que é hora de um debate no interior da
esquerda pensante, que remonta ao amanhecer das ideias socialistas
emergentes depois das primeiras revoluções do século XX, tanto no campo
socialista propriamente dito, como na experiência socialdemocrata
moderna. É um debate sobre as complexas relações e interaçõesentre
ética, moral e política.
Muitos fatos e textos teóricos poderiam servir de referência para este diálogo, mas lembro dois pontos de partida interessantes, que podem ajudar algo nesta polêmica: um é a posição de Robespierre perante os dissensos da Convenção, identificando a revolução com a nação, de uma parte, e, de outra, combinando a ideia de que aqueles que se opunham a ele (que encarnava a revolução), eram traidores da nação e deveriam ser eliminados.
Outro ponto de partida é um texto de Lukács, cujo título é “O bolchevismo como problema moral”, publicado em 1918, pouco antes de aderir ao partido comunista húngaro, no qual ele indaga se é possível, por meios desumanos - através de formas e meios “injustos”- chegar à justiça e à virtude. Em última análise significa o seguinte: é possível fazer o“bem”, através do “mal”, já que os bolcheviquesfuzilaram inclusive os filhos do Czar, ainda crianças, para não permanecer qualquer dúvida a respeito das suas intenções de poder permanente.
Tanto a tática política de Robespierre -para manter e consolidar sua ditadura republicana- como a pergunta feita pelo grande filósofo húngaro pouco antes de aderir ao marxismo, encerravam posições pré-constituídas na esfera da socialidade. Principalmente na esfera da política e da cultura, com objetivos determinados para incidir sobre as lutas reais que ocorriam nos respectivos períodos históricos.
Seus objetivos encarnavam convicções altruístas sobre o que seria o bem do país e o melhor para os destinatários do projeto nacional, no âmbito de uma revolução justa contra a velha ordem (Robespierre) e pela necessidade de acabar, na Europa Oriental, com os restos da ordem já varrida pela revolução na França, através de regimes socialistas inspirados na revolução russa (Lukács).
Robespierre estava dotado da convicção que havia uma identidade total entre “revolução” e “nação” e que o mero descaso ou omissão -em relação às questões candentes da nação- já era traição. E os traidores deveriam ser eliminados. Lukács fazia um ajuste de contas inconsciente, provavelmente, com o seu mestre Georg Simmel, para submeter-se-na ação política- ao comando da revolução russa sobre as demais revoluções socialistas. (O seu artigo manifestava ressalvas antecipadas, na transição para o marxismo forjado na cultura soviética, que permaneceriam até a sua morte em 1971).
Ambos, Robespierre e Lukács, não tinham dúvidas a respeito da fundamentação ética das suas definições e a partir desta fundamentação (tendo a sua própria socialidade como“fundamento inalienável da vida ética”), promoveram definições políticas para implementá-las e assumiram “partido”. Robespierre, ao mesmo tempo estimulando e apoiado pelos que viam na guilhotina, de forma generalizada, o método para solucionar as controvérsias políticas sobre a nação. Lukács, acordando com Stalin -por longo tempo- a sua sobrevivência e o seu direito de escrever como herege e de lutar contra o nazismo.
O espaço que está situado entre os fundamentos éticos da decisão, historicamente adequada (lutar contra o atraso e a opressão) e os objetivos altruístas a serem alcançados -fundar a nação e a república (Robespierre), e instituir uma sociedade justa (Lukács)- é o lugar das mediações políticas e morais. Nele, ética e política se integram e se repelem: a moralidade, que expressa as regras sociais, os costumes, as normas jurídicas, que interpretam o patrimônio ético de uma sociedade -patrimônio este supostamente universal- nem sempre são coerentes com este patrimônio.
A ação política para buscar um determinado fim altruísta -ou pelo menos tido como altruísta pelos sujeitos em confronto- pode enfrentar determinados obstáculos morais e legais, para alcançar aqueles fins. Desta forma, “fins” e“meios” podem ser confrontados e os valores neles contidos se repelirem. Por exemplo, comprar votos numa eleição ou comprar votos de parlamentares, para permitir uma reeleição, é ofender um “valor”,contido em normas jurídicas, sujeitando o ofensor a uma sanção (“pena”). Naqueles casos concretos os atos também ofendem um sentimento moral dominante na sociedade: ofendem a moral, tornam-se atos imorais.
A diferença é que, se a violação legal é flagrada e torna-se punível, e se sanção (a “pena”) é decorrente de um julgamento segundo leis legítimas, o processo judicial promove o encontro da política e da moral com o Direito. Mas, se o objetivo do comprador de votos é atingido e ele se elege sem responder judicialmente (ou a reeleição é“comprada” com sucesso), sem qualquer sanção judicial, tudo passa a ser decidido no terreno puro da luta política.
Ao fim e ao cabo é no plano da política, que vai se dar a disputa para que aquelas ações ilegais bem sucedidas sejam, ou não, absorvidas pela moral dominante. A disputa política, de corte moralista, também é importante quando as ações penais, que versam sobre ilegalidades na produção de políticas públicas, tornam-se, elas mesmas, conflitos políticos, para promover a aniquilação de uma das partes em confronto, como ocorreu com a ação penal 470.
No caso da compra de votos para a reeleição do Presidente Fernando Henrique - independentemente de qual tenha sido a posição pessoal do Presidente- após uma rápida sequência de notícias pela imprensa, o fato sequer tornou-se processo judicial. Esta mudança de pauta interessava ao conglomerado político que lhe dava sustentação (que tinha a mídia majoritariamente a seu favor), o que sequer permitiu que a “compra” se tornasse um problema de natureza moral na sociedade: ela foi plenamente absorvida, em termos jurídicos, políticos e morais, porque isso favorecia o“status quo” neoliberal, que até melhorava a vida de uma parte da sociedade, pela redução da inflação.
Através de outro exemplo, que é mera hipótese, pode-se demonstrar claramente a existência de uma “interdependência dialética entre fins e meios”, que, frequentemente, aparece na confluência entre política e moral, em diversas circunstâncias. O Estado, num determinado sinistro (um incêndio de um grande hospital, por exemplo) “militariza” uma parte do serviço público que está em greve, cuja volta ao trabalho é fundamental para salvar a vida de centenas de pessoas. Muitas vidas são salvas e aquele ato de força do Estado dá bons resultados.
A supressão da liberdade das pessoas, com um fim altruísta -a defesa da vida das pessoas ameaçadas pelo incêndio- tem respaldo em fundamentos éticos universais (“faz para o outro aquilo que gostarias que fizessem para ti, nas mesmas circunstâncias”) e, ao mesmo tempo, é ato respaldado pela moral dominante, em qualquer sociedade medianamente civilizada. Os milhares de voluntários, movidos por sentimentos de amor ao próximo, que aparecem em momentos dramáticos de uma cidade ou de um país, comprovam esta aprovação, que promove por um meio não democrático e “ilegal”, uma política legítima de defesa da vida e da dignidade humana.
O mesmo Lukács, no seu “Ontologia do ser social”, ao polemizar com o Weber do dilema “ética da convicção-ética da responsabilidade”, dizia que era impossível dissociar o “momento da exteriorização” ( por exemplo, “executar”uma ação política baseada num princípio ético com finalidade altruísta), do “momento da objetivação” (a configuração daquele ato social como “resultado” para os outros). A partir desta configuração é que as mediações -as“formas” que adquirem aquela exteriorização da vontade ética para alcançar o objetivo-podem ser avaliadas com maior segurança. Depois de concretizadas, as mediações podem ser incompatíveis com os seus objetivos altruístas, voltando-se contra seus próprios fins.
Tanto a guilhotina francesa como o assassinato das crianças do Czar, na revolução russa, foram ações políticas, que não só aniquilaram os fins altruístas daqueles períodos das revoluções francesa e russa, mas também se configuraram como repetição dos atos de barbárie que expandiram o colonialismo e o capitalismo no mundo, que precisamente pretendiam ser superados, tanto pelo iluminismo democrático, como pelo denominado socialismo proletário.
Um dos debates morais, de influência direta na política, que se trava aqui no Brasil no momento, está aberto pelo moralismo udenista, tanto promovido pela extrema esquerda anti-Lula, como pelo conglomerado demo-tucano. Trata-se da questão relacionada com a política de alianças, ou seja, a demonização do PT pela sua“abertura” na política de alianças. O ataque centra-se, principalmente, na consideração que o PT relaciona-se -para sermos delicados- com grupos e pessoas que tem métodos não republicanos de participação na gestão do Estado. Eu penso que temos, sim, problemas sérios na composição das alianças, quanto à frequente ausência de parâmetros programáticos para realizá-las, mas os argumentos moralistas da extrema esquerda são frutos de mero oportunismo político, pois compete ao partido hegemônico, nas alianças, impor seus critérios morais para tratar do interesse público nas coalizões da governo.
Quanto à direita conservadora nem é preciso responder. Mas, em relação à extrema esquerda devemos lembrá-los que métodos não republicanos de fazer política podem estar presentes em todas as alianças, tanto de governos, como pontuais e conjunturais, feitas nos parlamentos locais, regionais e nacionais. Ela mesma, a extrema esquerda, faz estas alianças com o conservadorismo neoliberal, com a mídia hegemônica, com as bases de direita das corporações mais privilegiadas do serviço público, para atacar e tentar desestabilizar os governos progressistas e de esquerda no país. Inclusive promovendo uma aliança clara, tanto com a mídia tradicional como com a direita neoliberal, na aventura de golpismo político promovida contra o primeiro governo Lula.
Um exemplo desta interdependência dialética entre fins e meios -ação política com finalidades estratégicas-foi o comportamento da extrema esquerda, composta pelos seus pequenos partidos em aliança com o antigo PFL e com alguns intelectuais corregedores do marxismo, no episódio de implementação do Prouni, que hoje já levou milhões de jovens filhos de trabalhadores para as Universidades privadas do país. Seu elitismo esquerdista decidiu que era necessário bloquear o Prouni, ou seja, bloquear a entrada, na Universidade, de milhões de jovens pobres, porque, catalogando o Prouni como um projeto “neoliberal”do MEC de Lula, isso facilitaria a desmoralização de um governo com respaldo nas classes trabalhadoras, que assim viriam para o leito da sua liderança iluminada.
O objetivo escolhido como altruísta -a igualdade pela revolução socialista no horizonte- fornecia fundamentos éticos para promoverem uma política irracional de ataques a um dos programas mais revolucionários, em termos democráticos, do governo do Presidente Lula. Programa este que estava sob ataque da mídia hegemônica, que estava sendo severamente bloqueado pela direta neoliberal e pelas universidades empresariais privadas do país. Nesta ação desesperada, não hesitaram em promover ações típicas das SA nazistas, como ocorreu na Câmara de Vereadores de São Paulo, inclusive tentando impedir que ocorressem debates públicos sobre o Programa.
Porque assim o fizeram e fazem? Porque entendem que os seus fins éticos altruístas (a revolução socialista) lhes dá superioridade moral para estabelecerem relações com seus inimigos de classe, através de “exteriorizações” (ações políticas), que se“materializariam” no tecido social, como capital político “revolucionário”, que acumulariam ao longo da História, para levar os trabalhadores ao poder. É fácil desmontar este projeto. Quem instrumentaliza quem, na maioria destes episódios? A extrema esquerda promove-se, com a ajuda da direita neoliberal, ou a direita neoliberal atiça o“povo” contra o PT, ajudado pela chamada extrema esquerda?
As duas coisas acontecem, de fato, mas o fim altruísta não fica mais próximo. Ele não pode ser conquistado com uma aliança na qual ninguém hegemoniza ninguém, mas trata-se, apenas, de uma relação determinada por mera contingência oportunista, de ambas as partes, para atacar quem governa, com erros e acertos -mais acertos do que erros- e está mudando o Brasil para melhor. A extrema esquerda não lida com a possibilidade, nem neste período histórico, de um bloco social dirigente que inclua pelo menos parte dos setores médios superiores e setores empresariais. E a direita neoliberal apenas aproveita o udenismode contingência eleitoral da extrema esquerda para “purificar-se” eleitoralmente, no leito da autenticidade de quem, aparentemente, não quer governar dentro da ordem.
Assim como é impossível julgar uma ação exclusivamente pelos seus “efeitos” imediatos na prática social (o resultado empírico e datado daquela ação), seja ela uma ação política defensiva, seja ela uma ação ofensiva em termos de poder, também é impossível aceitar que os “resultados” da ação sejam sempre legitimados porque os seus “fins últimos” derivaram supostamente uma ética universal. Os problemas que estão aí colocados pela engenharia genética dos humanos e pela bioética, são suficientemente enigmáticos para nos propor certa prudência filosófica.
A estratégia de uma esquerda que propõe a questão democrática como uma questão não subsidiária, mas integrante de um projeto socialista inovador de longo curso, não pode nem balizar-se pelos udenismos moralistas de ocasião e rejeitar alianças que sejam programáticas, nem podem desdenhar da moralidade política –esta, inscrita na Constituição e nas leis legítimas- que estabelece os limites normativos para a dependência recíproca entre fins e meios, visando alcançar determina dos objetivos.
A reforma política, o financiamento público das campanhas, a democratização efetiva da circulação da opinião pelos meios de comunicação, a participação da cidadania - especialmente das classes populares- na produção e na implementação das políticas públicas são, hoje, elementos essenciais da revolução democrática no país. Estas grandes transições sempre promoveram comoções sociais e políticas, que sempre oferecem oportunidades de retrocesso ou avanço. Isso mais tarde ou mais cedo vai ocorrer no Brasil, que já está sofrendo uma grande mutação na sua estrutura de classes e consequentemente preparando novas lideranças políticas para o futuro. Daí, será uma nova Constituinte, desta feita originária? Esta é uma boa ideia.
(*) Governador do Rio Grande do Sul
Muitos fatos e textos teóricos poderiam servir de referência para este diálogo, mas lembro dois pontos de partida interessantes, que podem ajudar algo nesta polêmica: um é a posição de Robespierre perante os dissensos da Convenção, identificando a revolução com a nação, de uma parte, e, de outra, combinando a ideia de que aqueles que se opunham a ele (que encarnava a revolução), eram traidores da nação e deveriam ser eliminados.
Outro ponto de partida é um texto de Lukács, cujo título é “O bolchevismo como problema moral”, publicado em 1918, pouco antes de aderir ao partido comunista húngaro, no qual ele indaga se é possível, por meios desumanos - através de formas e meios “injustos”- chegar à justiça e à virtude. Em última análise significa o seguinte: é possível fazer o“bem”, através do “mal”, já que os bolcheviquesfuzilaram inclusive os filhos do Czar, ainda crianças, para não permanecer qualquer dúvida a respeito das suas intenções de poder permanente.
Tanto a tática política de Robespierre -para manter e consolidar sua ditadura republicana- como a pergunta feita pelo grande filósofo húngaro pouco antes de aderir ao marxismo, encerravam posições pré-constituídas na esfera da socialidade. Principalmente na esfera da política e da cultura, com objetivos determinados para incidir sobre as lutas reais que ocorriam nos respectivos períodos históricos.
Seus objetivos encarnavam convicções altruístas sobre o que seria o bem do país e o melhor para os destinatários do projeto nacional, no âmbito de uma revolução justa contra a velha ordem (Robespierre) e pela necessidade de acabar, na Europa Oriental, com os restos da ordem já varrida pela revolução na França, através de regimes socialistas inspirados na revolução russa (Lukács).
Robespierre estava dotado da convicção que havia uma identidade total entre “revolução” e “nação” e que o mero descaso ou omissão -em relação às questões candentes da nação- já era traição. E os traidores deveriam ser eliminados. Lukács fazia um ajuste de contas inconsciente, provavelmente, com o seu mestre Georg Simmel, para submeter-se-na ação política- ao comando da revolução russa sobre as demais revoluções socialistas. (O seu artigo manifestava ressalvas antecipadas, na transição para o marxismo forjado na cultura soviética, que permaneceriam até a sua morte em 1971).
Ambos, Robespierre e Lukács, não tinham dúvidas a respeito da fundamentação ética das suas definições e a partir desta fundamentação (tendo a sua própria socialidade como“fundamento inalienável da vida ética”), promoveram definições políticas para implementá-las e assumiram “partido”. Robespierre, ao mesmo tempo estimulando e apoiado pelos que viam na guilhotina, de forma generalizada, o método para solucionar as controvérsias políticas sobre a nação. Lukács, acordando com Stalin -por longo tempo- a sua sobrevivência e o seu direito de escrever como herege e de lutar contra o nazismo.
O espaço que está situado entre os fundamentos éticos da decisão, historicamente adequada (lutar contra o atraso e a opressão) e os objetivos altruístas a serem alcançados -fundar a nação e a república (Robespierre), e instituir uma sociedade justa (Lukács)- é o lugar das mediações políticas e morais. Nele, ética e política se integram e se repelem: a moralidade, que expressa as regras sociais, os costumes, as normas jurídicas, que interpretam o patrimônio ético de uma sociedade -patrimônio este supostamente universal- nem sempre são coerentes com este patrimônio.
A ação política para buscar um determinado fim altruísta -ou pelo menos tido como altruísta pelos sujeitos em confronto- pode enfrentar determinados obstáculos morais e legais, para alcançar aqueles fins. Desta forma, “fins” e“meios” podem ser confrontados e os valores neles contidos se repelirem. Por exemplo, comprar votos numa eleição ou comprar votos de parlamentares, para permitir uma reeleição, é ofender um “valor”,contido em normas jurídicas, sujeitando o ofensor a uma sanção (“pena”). Naqueles casos concretos os atos também ofendem um sentimento moral dominante na sociedade: ofendem a moral, tornam-se atos imorais.
A diferença é que, se a violação legal é flagrada e torna-se punível, e se sanção (a “pena”) é decorrente de um julgamento segundo leis legítimas, o processo judicial promove o encontro da política e da moral com o Direito. Mas, se o objetivo do comprador de votos é atingido e ele se elege sem responder judicialmente (ou a reeleição é“comprada” com sucesso), sem qualquer sanção judicial, tudo passa a ser decidido no terreno puro da luta política.
Ao fim e ao cabo é no plano da política, que vai se dar a disputa para que aquelas ações ilegais bem sucedidas sejam, ou não, absorvidas pela moral dominante. A disputa política, de corte moralista, também é importante quando as ações penais, que versam sobre ilegalidades na produção de políticas públicas, tornam-se, elas mesmas, conflitos políticos, para promover a aniquilação de uma das partes em confronto, como ocorreu com a ação penal 470.
No caso da compra de votos para a reeleição do Presidente Fernando Henrique - independentemente de qual tenha sido a posição pessoal do Presidente- após uma rápida sequência de notícias pela imprensa, o fato sequer tornou-se processo judicial. Esta mudança de pauta interessava ao conglomerado político que lhe dava sustentação (que tinha a mídia majoritariamente a seu favor), o que sequer permitiu que a “compra” se tornasse um problema de natureza moral na sociedade: ela foi plenamente absorvida, em termos jurídicos, políticos e morais, porque isso favorecia o“status quo” neoliberal, que até melhorava a vida de uma parte da sociedade, pela redução da inflação.
Através de outro exemplo, que é mera hipótese, pode-se demonstrar claramente a existência de uma “interdependência dialética entre fins e meios”, que, frequentemente, aparece na confluência entre política e moral, em diversas circunstâncias. O Estado, num determinado sinistro (um incêndio de um grande hospital, por exemplo) “militariza” uma parte do serviço público que está em greve, cuja volta ao trabalho é fundamental para salvar a vida de centenas de pessoas. Muitas vidas são salvas e aquele ato de força do Estado dá bons resultados.
A supressão da liberdade das pessoas, com um fim altruísta -a defesa da vida das pessoas ameaçadas pelo incêndio- tem respaldo em fundamentos éticos universais (“faz para o outro aquilo que gostarias que fizessem para ti, nas mesmas circunstâncias”) e, ao mesmo tempo, é ato respaldado pela moral dominante, em qualquer sociedade medianamente civilizada. Os milhares de voluntários, movidos por sentimentos de amor ao próximo, que aparecem em momentos dramáticos de uma cidade ou de um país, comprovam esta aprovação, que promove por um meio não democrático e “ilegal”, uma política legítima de defesa da vida e da dignidade humana.
O mesmo Lukács, no seu “Ontologia do ser social”, ao polemizar com o Weber do dilema “ética da convicção-ética da responsabilidade”, dizia que era impossível dissociar o “momento da exteriorização” ( por exemplo, “executar”uma ação política baseada num princípio ético com finalidade altruísta), do “momento da objetivação” (a configuração daquele ato social como “resultado” para os outros). A partir desta configuração é que as mediações -as“formas” que adquirem aquela exteriorização da vontade ética para alcançar o objetivo-podem ser avaliadas com maior segurança. Depois de concretizadas, as mediações podem ser incompatíveis com os seus objetivos altruístas, voltando-se contra seus próprios fins.
Tanto a guilhotina francesa como o assassinato das crianças do Czar, na revolução russa, foram ações políticas, que não só aniquilaram os fins altruístas daqueles períodos das revoluções francesa e russa, mas também se configuraram como repetição dos atos de barbárie que expandiram o colonialismo e o capitalismo no mundo, que precisamente pretendiam ser superados, tanto pelo iluminismo democrático, como pelo denominado socialismo proletário.
Um dos debates morais, de influência direta na política, que se trava aqui no Brasil no momento, está aberto pelo moralismo udenista, tanto promovido pela extrema esquerda anti-Lula, como pelo conglomerado demo-tucano. Trata-se da questão relacionada com a política de alianças, ou seja, a demonização do PT pela sua“abertura” na política de alianças. O ataque centra-se, principalmente, na consideração que o PT relaciona-se -para sermos delicados- com grupos e pessoas que tem métodos não republicanos de participação na gestão do Estado. Eu penso que temos, sim, problemas sérios na composição das alianças, quanto à frequente ausência de parâmetros programáticos para realizá-las, mas os argumentos moralistas da extrema esquerda são frutos de mero oportunismo político, pois compete ao partido hegemônico, nas alianças, impor seus critérios morais para tratar do interesse público nas coalizões da governo.
Quanto à direita conservadora nem é preciso responder. Mas, em relação à extrema esquerda devemos lembrá-los que métodos não republicanos de fazer política podem estar presentes em todas as alianças, tanto de governos, como pontuais e conjunturais, feitas nos parlamentos locais, regionais e nacionais. Ela mesma, a extrema esquerda, faz estas alianças com o conservadorismo neoliberal, com a mídia hegemônica, com as bases de direita das corporações mais privilegiadas do serviço público, para atacar e tentar desestabilizar os governos progressistas e de esquerda no país. Inclusive promovendo uma aliança clara, tanto com a mídia tradicional como com a direita neoliberal, na aventura de golpismo político promovida contra o primeiro governo Lula.
Um exemplo desta interdependência dialética entre fins e meios -ação política com finalidades estratégicas-foi o comportamento da extrema esquerda, composta pelos seus pequenos partidos em aliança com o antigo PFL e com alguns intelectuais corregedores do marxismo, no episódio de implementação do Prouni, que hoje já levou milhões de jovens filhos de trabalhadores para as Universidades privadas do país. Seu elitismo esquerdista decidiu que era necessário bloquear o Prouni, ou seja, bloquear a entrada, na Universidade, de milhões de jovens pobres, porque, catalogando o Prouni como um projeto “neoliberal”do MEC de Lula, isso facilitaria a desmoralização de um governo com respaldo nas classes trabalhadoras, que assim viriam para o leito da sua liderança iluminada.
O objetivo escolhido como altruísta -a igualdade pela revolução socialista no horizonte- fornecia fundamentos éticos para promoverem uma política irracional de ataques a um dos programas mais revolucionários, em termos democráticos, do governo do Presidente Lula. Programa este que estava sob ataque da mídia hegemônica, que estava sendo severamente bloqueado pela direta neoliberal e pelas universidades empresariais privadas do país. Nesta ação desesperada, não hesitaram em promover ações típicas das SA nazistas, como ocorreu na Câmara de Vereadores de São Paulo, inclusive tentando impedir que ocorressem debates públicos sobre o Programa.
Porque assim o fizeram e fazem? Porque entendem que os seus fins éticos altruístas (a revolução socialista) lhes dá superioridade moral para estabelecerem relações com seus inimigos de classe, através de “exteriorizações” (ações políticas), que se“materializariam” no tecido social, como capital político “revolucionário”, que acumulariam ao longo da História, para levar os trabalhadores ao poder. É fácil desmontar este projeto. Quem instrumentaliza quem, na maioria destes episódios? A extrema esquerda promove-se, com a ajuda da direita neoliberal, ou a direita neoliberal atiça o“povo” contra o PT, ajudado pela chamada extrema esquerda?
As duas coisas acontecem, de fato, mas o fim altruísta não fica mais próximo. Ele não pode ser conquistado com uma aliança na qual ninguém hegemoniza ninguém, mas trata-se, apenas, de uma relação determinada por mera contingência oportunista, de ambas as partes, para atacar quem governa, com erros e acertos -mais acertos do que erros- e está mudando o Brasil para melhor. A extrema esquerda não lida com a possibilidade, nem neste período histórico, de um bloco social dirigente que inclua pelo menos parte dos setores médios superiores e setores empresariais. E a direita neoliberal apenas aproveita o udenismode contingência eleitoral da extrema esquerda para “purificar-se” eleitoralmente, no leito da autenticidade de quem, aparentemente, não quer governar dentro da ordem.
Assim como é impossível julgar uma ação exclusivamente pelos seus “efeitos” imediatos na prática social (o resultado empírico e datado daquela ação), seja ela uma ação política defensiva, seja ela uma ação ofensiva em termos de poder, também é impossível aceitar que os “resultados” da ação sejam sempre legitimados porque os seus “fins últimos” derivaram supostamente uma ética universal. Os problemas que estão aí colocados pela engenharia genética dos humanos e pela bioética, são suficientemente enigmáticos para nos propor certa prudência filosófica.
A estratégia de uma esquerda que propõe a questão democrática como uma questão não subsidiária, mas integrante de um projeto socialista inovador de longo curso, não pode nem balizar-se pelos udenismos moralistas de ocasião e rejeitar alianças que sejam programáticas, nem podem desdenhar da moralidade política –esta, inscrita na Constituição e nas leis legítimas- que estabelece os limites normativos para a dependência recíproca entre fins e meios, visando alcançar determina dos objetivos.
A reforma política, o financiamento público das campanhas, a democratização efetiva da circulação da opinião pelos meios de comunicação, a participação da cidadania - especialmente das classes populares- na produção e na implementação das políticas públicas são, hoje, elementos essenciais da revolução democrática no país. Estas grandes transições sempre promoveram comoções sociais e políticas, que sempre oferecem oportunidades de retrocesso ou avanço. Isso mais tarde ou mais cedo vai ocorrer no Brasil, que já está sofrendo uma grande mutação na sua estrutura de classes e consequentemente preparando novas lideranças políticas para o futuro. Daí, será uma nova Constituinte, desta feita originária? Esta é uma boa ideia.
(*) Governador do Rio Grande do Sul
15 de nov. de 2012
14 de nov. de 2012
Presídios medievais... Ministro prefere morte a ficar preso no Brasil
À frente da pasta da Justiça, Cardozo afirma que vida nas cadeias é degradante
Responsável pela segurança pública no país admite, em palestra a empresários, que não suportaria viver nas prisões incapazes, em sua opinião, de reinserir os detentos na sociedade
O ministro da Justiça, José Cardozo, disse ontem, em palestra a empresários, em São Paulo, que preferiria morrer a ter que viver nas prisões brasileiras, classificadas pr ele como "medievais". Responsável pela pasta que cuida da segurança pública no país, Cardozo afirmou que a vida nas cadeiras é "desrespeitosa" e "não dignificante". "Os presídios no Brasil ainda são medievais. Entre passar anos num presídio no Brasil e perde a vida, porque não há nada mais degradante para um ser humano do que ser violado em seus direitos humanos".
Responsável pela segurança pública no país admite, em palestra a empresários, que não suportaria viver nas prisões incapazes, em sua opinião, de reinserir os detentos na sociedade
O ministro da Justiça, José Cardozo, disse ontem, em palestra a empresários, em São Paulo, que preferiria morrer a ter que viver nas prisões brasileiras, classificadas pr ele como "medievais". Responsável pela pasta que cuida da segurança pública no país, Cardozo afirmou que a vida nas cadeiras é "desrespeitosa" e "não dignificante". "Os presídios no Brasil ainda são medievais. Entre passar anos num presídio no Brasil e perde a vida, porque não há nada mais degradante para um ser humano do que ser violado em seus direitos humanos".
Do Jornal Pessoal Eri Castro com conteúdo O Globo.
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16 de jun. de 2012
A 'ocidentalização' do Oriente
Lamentável o que ocorre no oriente, principalmente no Japão. Uma cultura milenar está se deteriorando-se. A indústria cultural, que uniformaliza padrões, conceitos e noções, age pela 'ocidentalização' do oriente.
O padrão de beleza é arredondar os olhos, pintar os cabelos de louros, afinar o nariz, aumentar a boca...Assim, o oriente vai perdendo a sua identidade.

O padrão de beleza é arredondar os olhos, pintar os cabelos de louros, afinar o nariz, aumentar a boca...Assim, o oriente vai perdendo a sua identidade.
Enviado por Eri Santos Castro.
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13 de jun. de 2012
Leandro Konder: 'O dinheiro não é valor'
Economia
O dinheiro não é um valor
Leandro Konder
"Os 'valores' traduzidos em preços têm utilidade imediata, porém permanecem presos aos horizontes das preocupações imediatas. Veja artigo completo aqui!
Saiu no Controvérsia.
Enviado por Eri Santos Castro.
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29 de mai. de 2012
Quem é progressista e quem é de direita hoje no mundo?
Por Emir Sader
Os dois maiores eixos do poder no mundo de hoje
são a hegemonia imperial norteamericana e o modelo neoliberal. A
direita se articula em torno da liderança nortamericana e desenvolve
políticas de livre comércio e de mercantilização de todas as sociedades.
Diante desse quadro, progressistas são, em primeiro lugar, os governos,
as forças politicas e as instituições que lutam pela construção de um
mundo multipolar.
27 de mai. de 2012
Os homens mais perigosos
13 de nov. de 2011
Tarso Genro analisa a crise econômica mundial
Em entrevista ao jornal Página/12, da Argentina, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), fala sobre a doença de Lula e manifesta convicção de que o ex-presidente superará sua enfermidade da mesma maneira que o fez a atual presidenta brasileira. Além disso, analisa a crise econômica mundial, defendendo que o Brasil está preparado para enfrentá-la em melhores condições que a maioria dos outros países. "O primeiro assalto do neoliberalismo mundial é o assalto aos direitos sociais e, agora, vergonhosamente, começa o assalto aos direitos políticos".
Página/12: Assim que os médicos manifestaram otimismo sobre a recuperação de Lula, reapareceram especulações jornalistas sobre a candidatura dele em 2014...
Tarso Genro: Até agora ninguém fez uma análise profunda do impacto, esperamos que seja uma questão passageira, que o presidente supere o problema como já o superou a presidenta Dilma (curada de um câncer linfático). Creio que ninguém no PT está analisando isso desde esta perspectiva. Espero que Lula permaneça sendo o ponto de equilíbrio do PT e siga sendo o maior líder popular da América Latina, em nossa opinião.
Página/12: Está descartado um terceiro mandato de Lula?
Tarso Genro: A volta do presidente não está influenciada pela doença, mas é certo que há uma torrente de solidariedade que pode abrir a possibilidade de ele voltar. Em minha opinião, Lula pode voltar, mas não para suceder a Dilma (em 2014). O presidente vai sair desta, tem muita saúde e se ele quiser voltar mais tarde (2018) será muito bem acolhido por nós todos, por toda a esquerda e inclusive pelo centro democrático.
Página/12: Qual sua análise sobre as comemorações do câncer que apareceram na internet?
Tarso Genro: O que se observa é que a doença de Lula causou duas reações em duas direitas. Há uma direita civilizada, que compartilha os princípios da democracia política, e outra direita mais fascistóide, que revelou nutrir um ódio de classe em relação a Lula, algo que já conhecíamos, e esse asco circulou por meio de algumas notas na imprensa e, principalmente, das redes sociais. Não há um pensamento unânime na direita.
Página/12: Dilma disse no G20 que o Brasil está em condições de suportar a crise, mas o PIB mostra uma desaceleração e fechará o ano abaixo de 4%.
Tarso Genro: Não tenho dúvidas de que essa crise europeia e, de modo mais geral, do capitalismo, não terá nenhum efeito no Brasil, no governo da presidenta Dilma e nos governos que o sucederem, se forem da mesma extração programática e ideológica que este. O Brasil não está exposto a um quadro como o da Grécia. É preciso compreender que o primeiro assalto do neoliberalismo mundial é o assalto aos direitos sociais e, agora, vergonhosamente, começa o assalto aos direitos políticos.
Quando o poder financeiro mundial reage ante à proposta de um referendo na Grécia e tutela politicamente o governo de Papandreu está impondo uma força normativa sobre a Constituição grega. Isso significa uma crise profunda no sistema neoliberal que se vê obrigado a fazer isso. Quando Dilma diz que não somos completamente imunes, ela faz uma advertência: nós não vamos dançar a dança que eles estão promovendo, não seguiremos seus ritmos, suas políticas, por isso temos políticas anticíclicas, com taxas de juros subsidiadas para as nossas indústrias, com políticas de promoção da agricultura familiar, aumento de salários, reforço do setor público. O Brasil tem que ser precavido porque o assalto aos países emergentes vai continuar.
Página/12: Qual o impacto da reeleição de Cristina em uma região que também sofre alguns efeitos da crise?
Tarso Genro: Creio que, nestas eleições, houve dois candidatos afinados em suas posições sobre a globalização, que são a presidenta Cristina e, pelo que conheço do debate, o candidato Binner. Creio que a vitória da presidenta fez justiça ao nível de confiança que ela conquistou entre os trabalhadores, setores médios e setores produtivos que sabem que a conexão com a globalização não deve ocorrer de joelhos. Creio que a vitória coincide com o sentimento que há hoje na América Latina de que nós devemos reforçar nossas relações continentais, ter um projeto de cooperação independente com a União Europeia, reforçar os Brics e promover reformas internas que distribuam renda gerando novos protagonistas e novas demandas, incluindo centenas de milhares de pessoas no mercado formal, no consumo, na educação e na saúde, de modo que essas pessoas se tornem cada vez mais exigentes. O caso da Argentina é muito interessante. O presidente Kirchner tomou medidas independentes, que não levaram em conta as recomendações do setor financeiro. Com isso, a Argentina se recuperou e voltou a conviver com o sistema financeiro mundial, porque ninguém existe sem conviver com esse sistema.
Página/12: O Brasil paga as taxas de juro mais altas do mundo. Isso pode tornar o país mais vulnerável diante das turbulências internacionais? O poder político ainda não conseguiu romper sua dependência do poder financeiro?
Tarso Genro: Isso é certo, o poder político ainda não conseguiu ser completamente independente do poder financeiro. A força normativa do capital financeiro é uma força tremenda, eu diria que é supraconstitucional, ela afeta os princípios jurídicos submetendo os países de diferentes maneiras. Nós sabemos que é preciso fazer concessões, mas sabemos quais serão nossos próximos passos para nos liberarmos dessa tutela e o governo de Dilma já começou a reduzir as taxas de juro. Isso é um sinal de uma postura de mais força frente às exigências do sistema financeiro global.
Página/12: Na América do Sul o debate sobre a democratização dos meios de comunicação está na ordem do dia. O Brasil se somará a essa corrente?
Tarso Genro: Esse debate está aberto no país. Há quem, desde a perspectiva de certos meios de comunicação, dizem que queremos controlar a comunicação. Isso pode ser ignorância ou má fé. Ignorância, porque o controle da imprensa está vedado na Constituição, e se a autoridade quisesse não poderia fazê-lo, e não fará isso. O Brasil é um país que adquiriu um nível de maturidade democrática. Pode ser má fé da parte de quem teme o direito à livre circulação da opinião, que não tem nada a ver com censura. O processo de circulação de opiniões na América Latina está controlado pelos proprietários dos meios de comunicação e, quando nós falamos de democratização, nos referimos ao direito de as pessoas, as classes sociais, os grupos, os partidos, os agentes sindicais tenham um acesso mais consolidado para fazer circular seus pontos de vista.
Dou um exemplo. Nós estivemos durante 30 anos submetidos pelos grandes meios à divulgação unilateral de ideias que diziam que as experiências políticas humanitárias igualitárias não existiam mais, que tudo seria mercado e neoliberalismo, e agora vemos, na verdade, que tudo isso era falso. Foram 30 anos de lavagem cerebral. Não queremos estatizar os meios de comunicação, nem impedir que as empresas obtenham lucro com a informação, queremos um sistema institucional que permita que as opiniões circulem com mais equilíbrio. Isso é o que está em jogo hoje no Brasil.
Darío Pignotii - Página/12.
Editado por Eri Santos Castro.
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7 de set. de 2011
Moniz Bandeira: "A CIA se converteu em uma organização paramilitar"
Em entrevista à Carta Maior, o historiador e cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira aponta a ação de forças especiais dos EUA, Inglaterra e França na Líbia e Síria e critica a política externa do governo Obama que "usa os direitos humanos para justificar intervenções em qualquer parte do mundo". "A CIA mais e mais se torna uma força paramilitar, deixando de ser uma agência de espionagem e inteligência. Os drones, aviões sem pilotos, mataram desde 2001 mais de 2.000 supostos militantes e civis em vários países", diz.
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Da Carta Maior.
Editado por Eri Santos Castro.
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