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21 de fev. de 2017

Pepe Mujica questiona a PF sobre indiciamento de Lula

A PF quer obstruir a candidatura de Lula
A PF também vai indiciar o ministro do STF Celso de Mello por "obstruir" a justiça ao acatar a nomeação do Moreira Franco ?

28 de nov. de 2015

O roteiro do suicídio político do PT, que vai custar caro à esquerda

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Um vai em 2016, o outro em seguida…
por Luiz Carlos Azenha
Como escrevemos anteriormente, aqui e no Facebook, o mar de lama da Samarco teve também uma dimensão simbólica.
Explicitou que a captura das instituições públicas brasileiras pelo poder econômico é absoluta.
A Samarco disse que a lama não era tóxica, que estava “monitorando” a enxurrada, etc. etc.
A empresa e uma de suas controladoras, a Vale, assumiram papeis que cabiam ao Estado, dentre os quais distribuir água.
Das autoridades não saiu um pio, a não ser pelo anúncio de multas milionárias que afinal não serão pagas.
O governo de Minas cassou a licença para a Samarco operar em Mariana, como se ela ainda fosse capaz de fazê-lo.
Duas decisões judiciais tomadas no caso favoreceram a empresa: uma rapidíssima liminar para desbloquear a ferrovia por onde passa minério e o habeas corpus preventivo que impede a prisão do presidente da Samarco.
Toda uma bacia hidrográfica destruída, praias e oceano poluídos…uma verdadeira catástrofe.
Enquanto isso, quatro jovens foram presos por “crime ambiental”: sujaram de lama um corredor do Congresso.
É óbvio que esta múltipla falencia de orgãos engloba o PT e o governo Dilma.
Um breve roteiro do suicídio político, incluindo apenas fatos recentes:
1. Ganhar uma eleição e governar com o programa econômico alheio;
2. Colocar toda a conta da austeridade nas costas dos trabalhadores;
3. Propor uma lei antiterrorista que, lá adiante, em 2018, servirá para a direita demolir os movimentos sociais, permitindo a ela aprofundar ainda mais, se necessário, a depressão econômica do Levy.
Para completar, Delcídio do Amaral, denunciado aqui e aqui como homem que articulava barbaridades contra o Brasil e os movimentos sociais, é flagrado em conluio com um banqueiro para evitar uma delação premiada.
Por mais que seja um petista de DNA tucano, é o líder do governo Dilma no Senado!
A partir dos depoimentos, a mídia fará, obviamente, o que sempre fez: criminalizar alguns e poupar os seus.
Mas o suicídio político é do PT. Por exemplo, ao sugerir que sua bancada votasse pela soltura de Delcídio.
Para todos os efeitos, 25 de novembro é o dia em que o PT se afogou em público, sob os olhares dos 300 picaretas do Congresso.
O que virá? A delação do Cerveró, possivelmente do próprio Delcídio, do banqueiro Esteves… um efeito em cascata que vai arrastar gente graúda, com o efeito prático de paralisar o governo Dilma.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, um quadro de primeira qualidade, acusou o baque numa entrevista ao Estadão:
“Quando você tem um sonho de transformar a sociedade em favor da igualdade e você se desvia para se apropriar de recursos ou para beneficiar quem quer que seja, você está cometendo dois crimes: o primeiro é colocar a mão em recurso público, o segundo, você está matando um projeto político”.
Uma delicada nota de falecimento.
Quanto à esquerda que sobreviver ao PT, tem encontro marcado com a lei antiterrorismo logo ali adiante. A não ser que, como o PT, priorize os gabinetes.

8 de out. de 2015

Executado pelos militares a serviço da CIA, Che Guevara vive nas lutas do povo latino-americano

No dia 8 de outubro de 1967, o comandante Ernesto Che Guevara foi preso na Bolívia pelos militares a serviço da CIA. Executado no dia seguinte, vive nas lutas do povo latino-americano.
Com Renato Simões.

6 de set. de 2015

Depois de destruir nacionalismo árabe, EUA preparam o bote na América do Sul

A lista é impressionante: Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria. Em menos de 15 anos, os quatro países se transformaram em Estados zumbis. É algo muito grave, a indicar a direção para onde aponta a política expansionista dos Estados Unidos no século XXI.
Com o fim da Guera Fria, deixaram de ter qualquer anteparo para sua estratégia de fazer tombar todos os governos que signifiquem ameaça ao controle do petróleo no Oriente Médio (ou em outras partes do planeta).
Saddam Hussein (Iraque) não era um santo. Todos sabemos. Muamar Gadafi (Líbia), tampouco. Os dois, ao lado da família Assad na Síria, faziam parte de um movimento (o nacionalismo árabe) a significar um grito de independência desses países – que, no passado, haviam estado sob domínio turco ou europeu.
Outra característica unia os três (e era a marca também do regime forte no Egito, comandado por Mubarak, que tombou na tal “primavera árabe”): conduziam estados laicos, com um discurso pautado mais pelo “orgulho nacional” do que pela religião. Eram países comandados por regimes fortes, organizados, com projetos de nações independentes. Apesar de longe, muito longe, de qualquer princípio democrático.
Em nome da democracia, os Estados Unidos varreram do mapa esses governantes. A Líbia foi retalhada, já não existe, debate-se em crise permanente com o confronto entre pelo menos 4 facções armadas. A Síria é um semi-estado, em que Assad resiste em Damasco, mas vê o Estado Islâmico (EI), de um lado, e os “rebeldes” armados pelos EUA/Europa, de outro, avançando sobre grandes porções do território. O Iraque é agora um protetorado ocidental, sem qualquer margem para se organizar de forma independente.
Vejo alguns analistas “liberais”, na imprensa brasileira, dizendo que Washington “fracassou” porque derrubou governos autoritários e, em vez de democracias, colheu o caos no Oriente Médio. Coitados. Tão ingênuos esses norte-americanos.
Ora, ora. Pode haver algo mais fácil de controlar do que populações desorganizadas, que se matam em guerras sem fim, sem a proteção de nada parecido com um Estado organizado?
O projeto dos EUA era – e é – o caos, a criação de uma grande franja que (do norte da África ao Tigre e Eufrates, chegando às montanhas do Afeganistão) debate-se no caos. É o que tenho chamado de “Estados zumbis”.
Mais recentemente, a intervenção de Washington avançou para a Ucrânia. De novo, vejo quem lamente que a intervenção não tenha levado a uma democracia ucraniana em estilo ocidental. Como se o objetivo fosse esse…
Está claro que, também na Ucrânia, o objetivo era criar um estado de caos e inoperância – que, de toda forma, é melhor do que uma Ucrânia forte, unificada, pró-Russia (essa era a ameaça antes da famosa rebelião fascista da Praça Maidan, insuflada pelos EUA, em Kiev).
A diferença é que na Ucrânia os norte-americanos encontraram resposta russa, que puxou para si a Criméia  e as regiões do leste  ucraniano (onde a cultura dominante e a língua são russas). “Ok, vocês podem criar o caos na sua  Ucrânia; mas na nossa, não” – esse parece ter sido o recado de Putin a Obama.
Evidentemente, a derrubada dos governos em cada um desses países (do norte da África ao Afeganistão, da Ucrânia ao Tigre/Eufrates) seguiu motivações e roteiros próprios. Mas todas essas intervenções são parte de um mesmo movimento de afirmação da hegemonia dos Estados Unidos.
O poder imperial, em relativa crise econômica, se afirma pelas armas de forma impressionante, mundo afora – e isso em apenas 15 anos.
Vivemos o período das “operações especiais”, das guerras não-declaradas, das rebeliões movidas a whatsapp e vendidas como “gritos pela democracia”.
O mundo se ajoelha ao poder imperial. O nacionalismo árabe, que oferecia alguma resistência ao avanço dos EUA e seus parceiros da OTAN, foi destroçado.
Outro pólo de oposição é o que se desenha na Eurásia, com a parceria energética e logística entre russos e chineses. Por isso, Putin está sob cerco econômico, e ali – mais à frente – será jogada a partida decisiva no xadrez mundial.
Antes disso, no entanto, a política de intervenção de Washington se move para a América do Sul. Honduras e Paraguai foram ensaios, bem-sucedidos.
Venezuela, Argentina e Brasil: aqui, agora, vemos avançar o projeto de criar novos Estados zumbis. Depois do nacionalismo árabe, chegou a hora de destruir o nacionalismo latino-americano. Não é por outro motivo que “bolivarianismo” virou o anátema, o palavrão, o inimigo a ser derrotado – numa ofensiva que é política, econômica e sobretudo midiática.
Claro que todos esses país possuem problemas. Não quero dizer que todos os dilemas da América do Sul sejam responsabilidade do Império do Norte. Não. Simplesmente, Washington aproveita as contradições e fraquezas internas, em cada um desses países, para assoprar a faísca do caos.
Aqui, no Brasil, a intervenção não precisa ser diretamente militar. Basta atiçar setores sob hegemonia da cultura (e da grana) dos Estados Unidos.
Num encontro social (em São Paulo, claro), recentemente, ouvi a proposta pouco sutil: “bom mesmo é que o Obama invadisse isso aqui, e acabasse com essa bagunça”. Esse é o projeto dos paneleiros no Brasil. O fim da Nação, a anexação ao Império.
A próxima batalha – parece –  será travada na Venezuela.
Maduro fustigou os Estados Unidos, mandando embora parte do pessoal da embaixada dos EUA em Caracas. Agora Washington reage e declara a Venezuela uma ameaça à segurança dos Estados Unidos (leia aqui).
A escalada verbal favorece os setores mais duros do chavismo. Ameaça de intervenção do Império pode dar a justificativa para um governo chavista mais forte, em que o poder já não estaria com Maduro, mas com os militares chavistas. A burguesia que hoje bate panelas em Caracas talvez tenha que seguir o caminho da elite cubana, em direção a Miami. Mas haveria guerra civil. O caos. Uma Líbia, ou um Iraque, às portas do Brasil.
Com um governo muito mais moderado, o Brasil também vive em estado de pré-convulsão política. Reparem: é o Estado (e não o “petismo”) que pode se desmanchar. Petrobras, políticas sociais, a própria ideia de desenvolvimento. Tudo isso está em cheque. E não é à toa.
Na Argentina, já se fala abertamente no envolvimento de serviços de inteligência estrangeiros, na morte do procurador Nisman – com o objetivo de desestabilizar Cristina Kirchner - leia mais aqui, no texto de Paul Craig Roberts (sugestão do site O Empastelador).
No Brasil, vivemos uma venezuelização de mão única: apenas um dos lados aposta no confronto total. Os paneleiros querem sangue; o governo mantem a moderação verbal. Até quando?
O cenário é de um confronto que ameça não o governo Dilma, mas a própria ideia de um Estado nacional com projeto próprio.
A manifestação do dia 15 é só um capítulo da guerra. A própria batalha do impeachment é parte de uma guerra muito mais ampla.
Essa guerra será dura, e pode durar muitos anos. O tempo da conciliação acabou.
P.S.:
Nos anos 80, quando se falava na participação direta dos Estados Unidos na derrubada de TODOS os governos do Cone Sul (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai), ocorrida uma ou duas décadas antes, certos liberais uspianos sorriam, e atribuíam a afirmação a “teorias conspiratórias”; com a abertura dos arquivos em Washington, conheceu-se a verdade.
Parece “teoria conspiratória” que, depois de eliminar o nacionalismo árabe, os EUA preparem-se para um ataque contra a América do Sul bolivariana?
Por Rodrigo Vianna, no Escrivinhador.
Enviado por Eri Santos Castro.
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28 de ago. de 2015

Pepe Mujica se reúne com 5 mil estudantes no Rio: 'A melhor coisa do mundo é a generosidade e a pior são os bancos'

Um encontro de jovens com o ex-presidente do Uruguai, José "Pepe" Mujica, lotou o anfiteatro – também conhecido como Concha Acústica – da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) na noite desta quinta-feira (26). O evento terminou às 20h30 e Mujica se despediu tirando uma foto à frente dos quase 5 mil participantes que estiveram no local.
Devido à lotação do espaço, a Uerj colocou um telão em um estacionamento próximo ao anfiteatro, para que outras pessoas pudessem assistir à palestra. O local também ficou lotado.
O ex-presidente do Uruguai veio ao Brasil a convite da Federação de Câmaras de Comércio e Indústria da América do Sul (Federasur) para um seminário fechado que aconteceu pela manhã.
A iniciativa de realizar o encontro com os estudantes partiu do próprio político, que foi ovacionado pelo público ao ser anunciado no microfone, por volta das 18h30 (veja no vídeo abaixo). Ele demonstrou muita simpatia e discursou logo após sua apresentação. O ex-presidente tornou o Uruguai um dos países de legislação mais avançadas em relação às drogas.
Oex-presidente respondeu perguntas sobre diversos temas, como o que pensa sobre "movimentos golpistas" na América do Sul, os maiores desafios da América Latina atualmente, opinou sobre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul).
Os participantes também quiseram saber quem são os exemplos históricos e os livros que mudaram a percepção de vida de Mujica. "Queridos, a vida é um livro aberto", brincou.
Confiança
"Necessitamos de confiança. Temos que aprender que a mensagem é uma: nós podemos andar em um fusca. Somos consequência do interesse do nosso povo [...] O problema mais grave da América Latina é a desigualdade. Temos que ter recurso e isso se chama política fiscal. Na América do Sul o rico não paga quase nada", disse para a plateia. 
Multidão ouviu o ex-presidente do Uruguai José Mujica na Uerj (Foto: Marcelo Elizardo/G1)Multidão ouviu o ex-presidente do Uruguai José Mujica na Uerj (Foto: Marcelo Elizardo/G1)
"O mundo está se agrupando em gigantescas unidades. A União Europeia está criando uma fabulosa unidade de capital. Qual é nosso destino, ser compradores de conhecimento de ponta? Que a batalha para liberdade seja também no campo da investigação", declarou.
Mujica também foi questionado sobre a redução da maioridade penal. Ele afirmou que "não considera um caminho ideal". Perguntado se o Brasil teria capacidade para legalizar as drogas, ele se ateve a falar sobre sua experiência com o tema enquanto foi presidente do Uruguai.
"Nós temos que pensar como espécie e não como países. E isso engloba o mundo inteiro. Os pobres da África não são da África, são do mundo inteiro. Os homens que atravessam o Mediterrâneo são nossos. Todos são nossos conterrâneos. A liberdade não se vende, se ganha fazendo algo pelos demais", disse o ex-presidente.
Ex-presidente do Uruguai José Mujica durante debate com jovens (Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo)Ex-presidente do Uruguai José Mujica durante debate com jovens (Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo)
Feijoada e rabada
Durante a tarde, Mujica almoçou no Bar do José, na esquina das ruas Barão de Ubá e Santa Amélia, na Tijuca, Zona Norte. No restaurante, foi servido feijoada, rabada com agrião, cerveja e caipirinha.
A clientela ficou surpresa ao se deparar com o ex-presidente na hora do almoço, como noticiou o jornal "O Dia".
O ex-presidente ainda esteve na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) pela manhã. O elevador da ABI deu um susto nos jornalistas que cobriam o evento. Ele teria descido até o poço devido ao excesso de passageiros, segundo a assessoria de imprensa do local.
O ex-presidente do Uruguai José Mujica almoça em um boteco da Praça da Bandeira e bebe cerveja (Foto: Fábio Motta / Estadão Conteúdo)Mujica bebeu cerveja em bar da Praça da Bandeira (Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo)
O ex-presidente do Uruguai José Mujica almoça feijoada em um boteco da Praça da Bandeira, na região central do Rio de Janeiro, após receber homenagem da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da América do Sul (Federasur) (Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo)Mujica almoçou feijoada (Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo)
Ex-presidente do Uruguai, Mujica está na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) (Foto: Marcelo Elizardo / G1)Antes do ex-presidente chegar, anfiteatro estava lotado (Foto: Marcelo Elizardo/G1)
 Do G1.
Enviado por Pepe Eri.
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15 de abr. de 2015

Uma dor continental, por Tarso Genro

Para os militantes da minha geração, que estavam juntos na época da Guerra Fria, nos períodos dos regimes de exceção e de lutas legais e clandestinas nos anos 70, a morte de Eduardo Galeano, traz a dor da recordação e a lembrança de tempos que martelam na nossa memória. E a amassam. Raul Bopp num dos seus memoráveis poemas diz, a certa altura, num um dos seus melhores: “negro velho fuma diamba para amassar a memória”.
A morte de Galeano amassa a nossa memória e dela saem, na extremidade do nosso passado, as recordações que iluminam o presente: não pensem, aqueles que querem novamente um regime forte e de exceção no país, que os crimes cometidos à época, o foram somente contra os que pegavam em armas ou que eram contra os regimes ditatoriais.
Uma fúria repressiva que não tem freios, como ocorreu -por exemplo- aqui no Uruguai, onde estou neste momento, ou, com maior ou menor intensidade, em todos os países da América Latina, não tem limites. Milhares de jovens de todas as classes e de todas as origens políticas, que nada tinham a ver com a resistência, também foram abatidos ou torturados, pela simples suspeita levantada por uma cabelo longo, por contestar um professor que integrava os “serviços reservados” ou, simplesmente, por abrigar um amigo perseguido. Às vezes, inclusive, sem consciência do que pessoa tinha feito ou estava envolvida.
É uma simples lembrança, que registro sem expectativa que tenha influência em alguém que esteja com a cabeça pronta para defender a volta de um improvável regime militar no país, no qual as Forças Armadas cumprem um papel garantidor da soberania sobre o nosso território. Mas é uma lembrança que faço em homenagem a Eduardo Galeano, que escrevia e falava sempre se reportando principalmente aos jovens, que ele via como a verdadeira energia garantidora da ampliação dos territórios da liberdade e da igualdade.
Quis o destino que estivesse em Montevideo no dia do velório de Galeano. Anteontem à noite — bem tarde da noite —, nas antigas ruas da cidade velha, um vento úmido e quente soprava vindo do rio. As folhas caídas dos plátanos escorriam, melancolicamente, sobre as ruas da cidade na qual ele tanto amou e lutou. Foi uma dor imensa, só revelada depois. Quando uma grande lágrima continental, dos pobres, dos excluídos, dos torturados, se derramou como uma sinfonia noturna. E então Galeano viveu para sempre.
Tarso Genro foi governador do Estado do Rio Grande do Sul, prefeito de Porto Alegre, Ministro da Justiça, Ministro da Educação e Ministro das Relações Institucionais do Brasil.

13 de abr. de 2015

A morte mente

"A morte mente. Quando se imagina que uma pessoa morreu, ela está viva na memória, nas conversas, nas decisões." Eduardo Galeano que se "ENCANTOU", nesta manhã de abril.
www.erisantoscastro.blogspot.com.br

Encantou-se Eduardo Galeano, nesta manhã de abril

Foto de um usuário.
Encantou-se Eduardo Galeano, hoje (13), por volta das 9h. A informação foi confirmada por Eric Nepomuceno, cujo irmão é casado com a filha do escritor uruguaio. A teoria dos seis graus afirma que entre quaisquer duas pessoas no mundo há, no máximo, seis graus de relação pessoal; ou seja, por meio de seis contatos pessoais, você e o Papa podem estar conectados. Com Galeano, eu, que nunca o vi pessoalmente, só preciso transpor um único grau, representado pelo meu amigo Rogério Tomaz, frequentador da casa dele. Por isso, envio um abraço enlutado ao Rogério.
Assim, sinto abraçar também ao mais distinto cidadão da nossa Pátria Grande-A AMÉRICA LATINA- e desejo luz para sua passagem. Sua obra já é parte da nossa história, da nossa alma, e servirá ainda, por muitos anos, à causa da nossa emancipação.
Em 2009, o presidente da Venezuela Hugo Chávez presenteou seu colega americano, Barack Obama, com o livro As Veias Abertas da América Latina, clássico ensaio do escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano. O exemplar estaria autografado pelo autor.
Seu último livro Espelhos (2008) consiste em quase 600 histórias breves que, segundo Galeano, proporcionam ao leitor “viajar através de todos os mapas de todos os tempos, sem limites”.
Os espelhos estão cheios de gente.
Os invisíveis nos vêem.
Os esquecidos nos lembram.
Quando nos vemos, os vemos.
Quando nos vamos, eles se vão?
Este livro foi escrito para que não partam.
Nestas páginas unem-se o passado e o presente.
Renascem os mortos, os anônimos têm nome:
os homens que ergueram os palácios e os templos de seus amos;
as mulheres, ignoradas por aqueles que ignoram o que temem;
o sul e o oriente do mundo, desprezados por aqueles que
desprezam o que ignoram;
os muitos mundos que o mundo contém e esconde;
os pensadores e os que sentem;
os curiosos, condenados por perguntar, e os rebeldes e
os perdedores e os lindos loucos que foram e são o
sal da terra.

24 de mar. de 2015

Moniz Bandeira: "EUA promovem desestabilização na América Latina por meio da CIA, NSA e ONGs a eles vinculadas

reprodução

Moniz Bandeira: Iniciativas como a criação do Banco do Brics e o regime de partilha para o pré-sal contrariam seriamente os interesses norte-americanos


O cientista político e historiador Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira denunciou hoje (17) que os Estados Unidos, por meio de órgãos como CIA, NSA (Agência Nacional de Segurança) e ONGs a eles vinculadas, continuam na tentativa de desestabilizar governos de esquerda e progressistas da América Latina, como os da Venezuela, Argentina e Brasil.

Em entrevista ao PT na Câmara, por e-mail, Moniz Bandeira disse que ‘’evidentemente há atores, profissionais muito bem pagos, que atuam tanto na Venezuela, Argentina e Brasil, integrantes ou não de ONGs, a serviço da USAID, National Endowment for Democracy (NED) e outras entidades americanas”, para desestabilizar esses países, com a utilização de instrumentos que incluem protestos de rua.

"As demonstrações de 2013 e as últimas, contra a eleição da presidente Dilma Russeff, não foram evidentemente espontâneas", disse o cientista político.

“Os atores, com o suporte externo, fomentam e encorajam a aguda luta de classe no Brasil, intensificada desde que um líder sindical, Lula, foi eleito presidente da República. Os jornais aqui na Alemanha salientaram que a maior parte dos que participaram nas manifestações de domingo, dia 15, era gente da classe média alta para cima, dos endinheirados’’, disse Moniz Bandeira, que reside na Alemanha e é autor de vários livros sobre as relações Brasil—EUA.

No caso do Brasil especificamente, citou iniciativas do PT e aliados que contrariam Washington, como a criação do Banco do Brics, uma alternativa ao FMI e ao Banco Mundial e o regime de partilha para o pré-sal, que conferiu papel estratégico à Petrobras, deslocando as petroleiras estrangeiras. Ele lembrou também que a presidenta Dilma foi espionada pela NSA e não se alinhou com os EUA em outras questões de política internacional, entre as quais a dos países da América Latina.

Eis a entrevista:

O líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), comentou nas redes sociais que a CIA tem atuado nas tentativas de desestabilização de governos democráticos na América Latina . Como o senhor avalia isso, diante de vários episódios históricos que mostram os EUA por trás da desestabilização de governos de esquerda e progressistas?

Washington há muito tempo está a criar ONGs com o fito de promover demonstrações empreendidas, com recursos canalizados através da USAID, National Endowment for Democracy (NED) e CIA; Open Society Foundation (OSF), do bilionário George Soros, Freedom House, International Republican Institute (IRI), sob a direção do senador John McCain, etc.

Elas trabalham diretamente com o setor privado, municípios e cidadãos, como estudantes, recrutados para fazerem cursos nos EUA.

A estratégia é aproveitar as contradições domésticas do país, os problemas internos, a fim de agravá-los, gerar turbulência e caos até derrubar o governo sem recorrer a golpes militares.

Na Ucrânia, dentro do projeto TechCamp, instrutores, a serviço da Embaixada dos EUA, então chefiada pelo embaixador Geoffrey R. Pyatt, estavam a preparar, desde pelo menos 2012, especialistas, profissionais em guerra de informação e descrédito das instituições do Estado, a usar o potencial revolucionário da mídia moderna – subvencionando a imprensa escrita e falada, TVs e sites na Internet — para a manipulação da opinião pública, e organização de protestos, com o objetivo de subverter a ordem estabelecida no país e derrubar o presidente Viktor Yanukovych, em fevereiro de 2014.

Essa estratégia baseia-se nas doutrinas do professor Gene Sharp e de Political Defiance, i. e., o desafio político, termo usado pelo coronel Robert Helvey, especialista da Joint Military Attache School (JMAS), operada pela Defence Intelligence Agency (DIA), para descrever como derrubar um governo e conquistar o controle das instituições, mediante o planejamento das operações e mobilizações populares no ataque às fontes de poder nos países hostis aos interesses e valores do Ocidente (Estados Unidos).

Essa estratégia pautou em larga medida a política de 'regime change', a subversão em outros países, sem golpe militar, incrementada pelo presidente George W. Bush, desde as chamadas “revoluções coloridas” na Europa e Eurásia, assim como na África do Norte e no Oriente Médio. Explico, em detalhes e com provas, como essa estratégia se desenvolve em meu livro A Segunda Guerra Fria, e, no momento estou a pesquisar e escrever outra obra – A desordem mundial — onde aprofundo o estudo do que ocorreu e ocorre em vários países, sobretudo na Ucrânia.

Além da CIA, como os EUA atuam contra os governos de esquerda da América Latina?

Não se trata de uma questão ideológica, mas de governos que não se submetem às diretrizes de Washington. Uma potência mundial, como os EUA, é mais perigosa quando está a perder a hegemonia do que quando expandia seu Império. E o monopólio que adquiriu após a II Guerra Mundial de produzir a moeda internacional de reserva – o dólar – está a ser desafiado pela China, Rússia e também o Brasil, que está associado a esses países na criação do banco internacional de desenvolvimento, como alternativa para o FMI, Banco Mundial etc.

Ademais, a presidenta Dilma Rousseff denunciou na ONU a espionagem da NSA, não comprou os aviões-caça dos EUA, mas da Suécia, não entregou o pré-sal às petrolíferas americanas e não se alinhou com os Estados Unidos em outras questões de política internacional, entre as quais a dos países da América Latina.

O governo da Venezuela tem denunciado a participação de Washington em tentativas de golpe. O mesmo poderia estar acontecendo em relação ao Brasil?
Veja continuação abaixo via Viomundo. 

3 de nov. de 2014

Mujica é o grande vencedor nas eleições do Uruguai com Taberé

Juan Pessoa compartilhou a foto de Nilmário Miranda.

Duas boas notícias do Uruguai: Tabaré teve quase 48% no primeiro turno e os dois conservadores tiveram 31% e 13%. Ou seja, Tabaré chegou tão perto da vitória emprimeiro turno e dificilmente perderá no segundo. A outra boa notícia é que 53% dos uruguaios, em plebiscito, rejeitaram a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.
Mujica, aos 79 anos, com seu fusquinha 87, morando em sua chácara nos cinco anos de mandato presidencial, foi eleito senador. Lá, como o voto é em lista, a Frente Ampla fez maioria no Congresso. Quem elege o presidente elege a maioria para que não necessite de alianças esdrúxulas.

22 de abr. de 2014

As amazonicas diferenças entre o Gabriel Garcia Márques e o direitista José Sarney

“Gabriel García Márquez foi o intelectual mais comprometido da nossa época. Durante toda a sua vida foi um ativista político engajado com a América Latina, sempre solidário ao povo latino-americano e à Revolução Cubana”. Já o 'estadista' José Sarney...era o presidente do partido da ditadura.

17 de abr. de 2014

A literatura existe porque a vida não basta. Vive Gabriel Garcia Márques!!!

A literatura existe porque a vida não basta. Vive Gabriel Garcia Márques! Que os jovens maranhenses conheçam o mestre do realismo fantástico.Vive a América Latina. LUTO, LUTO, LUTO...

Gabriel García Márquez presente

Um dos mais renomados e admirados autores latinos da história faleceu hoje.
Gabriel García Márquez, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1982 e um dos pais do realismo mágico, havia completado 87 anos no último dia 6 de março.
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