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2 de nov. de 2015

A crise dos partidos e o fim do monopólio da política, por Aldo Fornazieri

A crise global da política, que é também uma crise da política global, tem vários de seus aspectos relacionados à crise dos partidos. A crise afeta os partidos de centro-direita, de centro e de centro esquerda. Nas bordas dessa crise, nos últimos tempos, em alguns países, houve um crescimento de partidos de extrema-direita e de esquerda radical. A própria Grécia é exemplar nesse fenômeno: ao mesmo tempo em que o Syriza venceu três eleições consecutivas, a extrema-direita do Aurora Dourada também cresceu. Isto ocorre, em maior ou menor grau, também em outros países.
O surgimento de Partidos-Movimentos, a exemplo do Syriza e do Podemos na Espanha, foi saudada pela intelectualidade de esquerda como uma nova esperança de organização política mais aberta, menos burocrática e mais propícia de encaminhar uma luta política anti-sistêmica no plano global. Esses dois partidos, no entanto, são também expressão dos limites que as novas organizações de esquerda padecem. Com três vitórias eleitorais – uma no início do ano, o referendo sobre o acordo da dívida e a nova eleição que reconduziu Alexis Tsipras novamente à condição de primeiro-ministro – o Syriza não conseguiu fugir ao acordo atenuando, mas mesmo assim imposto pelo FMI, pelo Banco Central Europeu e pela Alemanha. O Podemos está em processo de desidratação eleitoral com a recuperação econômica da Espanha, que coloca o conservador Partido Popular na liderança das intenções de votos, seguido pelo tradicional PSOE, de centro-esquerda.
Os Partidos-Movimentos foram vistos como organizações que saberiam combinar a democracia representativa com a democracia direta em seu interior. Até agora, esta esperança não se confirmou. Embora, de fato, tenham permitido uma maior participação de militantes, através de reuniões abertas e de plataformas participativas, tanto o Podemos quanto o Syriza não deixam de ser organizações bastante centralizadas. Convém lembrar o vaticínio de Robert Michels que afirmou que o destino de todos os partidos é a burocratização, a centralização e a oligarquização. O que se pode dizer até agora é que os Partidos-Movimentos são rebentos ainda em formação da crise da esquerda tradicional, que foi cooptada pelo sistema global e se corrompeu. Que tipo de alternativa eles poderão constituir e se são viáveis ou não, são questões ainda abertas.
O Fim do Monopólio Político e o Monopólio da Representação

Leia artigo completo de Aldo Fornaziere, clique abaixo !


30 de set. de 2015

Dilma veta financiamento privado de campanha, mas Aécio, Cunha e o Tucanato defendem (Entendeu ou quer que desenhe?)

A Presidenta da República segue entendimento do Supremo Tribunal Federal, para o qual “o poder de eleger é do cidadão, não é de segmentos econômicos”, segundo o ministro Marco Aurélio
Dilma Rousseff
Da Rede Brasil Atual– Como esperado, a presidenta Dilma Rousseff vetou o financiamento privado de campanhas eleitorais ao sancionar, hoje (29), a minirreforma eleitoral. A decisão seguiu o julgamento do Supremo Tribunal Federal, encerrado no último dia 17, que considerou o financiamento privado inconstitucional por oito votos a três.
Segundo a assessoria do líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-SP), o veto deve ser publicado em edição extra do Diário Oficial da União desta terça-feira.
A imprensa em Brasília divulgou hoje que os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), estão articulando uma solução para driblar a decisão do Supremo. Renan estaria tentando uma forma de “acelerar” a votação da PEC da reforma política, aprovada em agosto, retomando o financiamento privado das campanhas.
Se isso ocorrer, mesmo sendo por meio de Proposta de Emenda à Constituição, a autorização da participação financeira de pessoas jurídicas no processo eleitoral terá de ser objeto de apreciação pelo STF novamente, por meio de ação direta de inconstitucionalidade ajuizada por alguma entidade que tenha competência constitucional para isso, como partidos políticos, Conselho Federal da OAB, confederação sindical ou entidade de classe no âmbito nacional.
Segundo juristas, advogados e até ministros do STF, a decisão do Supremo contra o financiamento privado é definitiva e não pode ser revertida nem mesmo por uma PEC. “Ainda que o Senado venha a aprovar a PEC em tramitação naquela casa, ela vai ser considerada inconstitucional pelo Supremo. Porque o tribunal entendeu que (o financiamento de empresas) fere cláusulas pétreas. Se for aprovada, a PEC também cairá”, disse, por exemplo, o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), ex-presidente da seção do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, após o julgamento, afirmou que “para o Supremo Tribunal Federal, essa questão está encerrada”.
À RBA, o ministro Marco Aurélio Mello disse que “a decisão se aplica às eleições municipais de 2016” e que “a premissa” do tribunal foi “que o poder de eleger é do cidadão, não é de segmentos econômicos, porque, quem deve estar representado no Congresso e nas casas legislativas, nos executivos, é o povo, é o cidadão, é o eleitor”.

Da assessoria da CUT.
Enviado por Eri Santos Castro.
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25 de mai. de 2015

Rubens Pereira jr: O que defendo para a reforma política

Artigo do vice-líder do PCdoB na Câmara, Rubens Pereira Jr (MA), publicado originalmente no Jornal Pequeno

Rubens Pereira Jr: um destacado parlamentar da esquerda brasileira

Nesta semana que se inicia, deve começar o debate mais importante desde que ingressei no Congresso Nacional em Brasília. A Câmara dos Deputados irá votar a prometida e tão esperada reforma política. É louvável que este momento finalmente chegue. Mas questiono seriamente o conteúdo até agora apresentado e temo pelo que possa sair dessa discussão.

A partir da terça-feira serão votadas, pela ordem, sistema eleitoral; financiamento de campanhas; proibição ou não da reeleição; duração dos mandatos de cargos eletivos; coincidência de mandatos; cota de 30% para as mulheres; fim da coligação proporcional; e, por fim, cláusula de barreira.

Infelizmente, o relatório apresentado pelo relator na última semana tem tudo de pior que poderia se esperar. Por um lado, legaliza o que há de mais nefasto no sistema político atual: o financiamento privado de campanha. Por outro, altera o sistema de forma a agravar ainda mais suas distorções.

O debate sobre quem paga a eleição é fundamental. Com o financiamento privado, ou seja, com a doação de empresas para que os candidatos paguem suas campanhas, formamos algumas situações gravíssimas. Na prática, quem tem mais dinheiro, quem tem mais empresas apoiando, é aquele que sai vitorioso no final das contas. Pior, o sistema é uma porta de entrada para a corrupção, como o vimos de forma desnudada nos fatos revelados pela Operação Lava Jato.

Além de quem paga, temos de fazer um debate sobre quanto se gasta. É inacreditável que um sistema de escolha de servidores públicos para atender à população custe milhões. Temos de impor um limite a cada campanha. A Constituição já prevê isso. Falta o Congresso estabelecer uma lei, a cada eleição, definindo o limite. Apresentei proposta neste sentido, visando estabelecer um teto para os gastos da eleição do ano que vem. É uma discussão que considero essencial.

Precisamos debater melhor, parlamentares e sociedade, qual a melhor forma de escolher os representantes do povo a partir das próximas eleições. Um desafio enorme ao qual convido todos a se lançarem. E coloco meu mandato à disposição para debatermos esse tema pelas redes sociais.

10 de mar. de 2015

Movimentos sociais convocam ato em defesa da Petrobras e pela Constituinte, dia 13

Movimentos sociais convocam ato em defesa da Petrobras e pela Constituinte
http://goo.gl/OXgwkK
As mobilizações devem acontecer em todas as capitais do país no dia 13. Em SP, espera-se 40 mil pessoas.

9 de mar. de 2015

O panelaço dos ricos: as panelas batem por que as viagens a Miami e os gastos de brasileiros no exterior continuam crescendo?

"Será que essas panelas batem por que não há carros de luxo para pronta entrega nas concessionárias, já que a oferta está muito menor do que a demanda? Será que batem por que as filas de espera em restaurantes de luxo continuam grandes? Ou será que batem por que as viagens a Miami e os gastos de brasileiros no exterior continuam crescendo?", questiona o prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Luiz Marinho; "Só tenho certeza que elas não batem pelos milhões de brasileiros que nos últimos anos, durante os governos Lula e Dilma, deixaram a linha da pobreza. Ou pelos outros milhões que chegaram à classe média?"

19 de fev. de 2015

"Eu vim para servir", eis o lema da Campanha da Fraternidade 2015


A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou nesta quarta-feira (18) a 52ª Campanha da Fraternidade, na sede da entidade, em Brasília. Neste ano, o tema do projeto é "Fraternidade: Igreja e sociedade", e o lema "Eu vim para servir", tema proposto pelo Papa Francisco para as igrejas mundiais para o período da quaresma.

A campanha é um projeto de evangelização para as comunidades católicas durante o período de 40 dias que antecede a Páscoa, com reflexão de temas sugeridos pelo Papa por todas as dioceses do país.
De acordo com o secretário-executivo da campanha, Luiz Carlos Dias, o Papa pede que discípulos vivenciem a quaresma com reflexão, participando de todas as dinâmicas da sociedade e servindo aos outros.

"No teor da mensagem, ele exorta a vivência da quaresma, a apreciação do tema, reflexão, para que dessa forma a igreja possa contribuir especificamente em relação a esse tema na sociedade, tendo em vista a superação da situação de injustiça em busca de uma sociedade justa e fraterna", disse.

Dias afirmou que durante a campanha, o CNBB pretende impulsionar a coleta de assinaturas para o projeto de iniciativa popular de reforma política a ser enviado para o Congresso Nacional. "Precisamos de 1,6 milhão de assinaturas, quase 2 milhões. Precisamos do empenho das comunidades para esse projeto", disse.

O secretário também falou sobre a campanha lançada no ano passado para combater a violência ("Somos pela Paz") e comentou sobre a preocupação com os segmentos mais pobres da sociedade.

Reforma política

O presidente da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, afirmou que a OAB e a CNBB, junto a outras cem entidades da sociedade civil, se uniram para levar o projeto à frente. "A Campanha da Fraternidade traz a necessidade de a Igreja se aproximar da sociedade e contribuir com mudanças importantes, e a população brasileira exige a reforma política, que venha a ampliar a igualdade de participação de todos nas disputas eleitorais", disse.  

"Não queremos um sistema político em que o fato de alguns candidatos amealharem mais recursos financeiros ser fator decisivo sobre quem serão os eleitos. Isso está no germe dos grandes desvios de conduta e também de representatividade do sistema eleitoral brasileiro. A OAB e CNBB, junto com outras cem entidades civis, estão aliadas na defesa de reforma política democrática que exclua o poder excessivo do dinheiro em campanha."

Durante o evento, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, falou sobre o papel do Estado na busca de políticas públicas para combate a fome e a pobreza. "Nosso compromisso com a Campanha da Fraternidade é procurarmos, dentro das nossas limitações, colocarmos em prática o ensinamento de Jesus, 'vim para servir", disse.

Ananias falou em buscar 'pontos de convergência' entre a campanha e o desenvolvimento agrário no país. "A aliança é muito clara, a meu ver. A campanha da fraternidade fala em igreja e sociedade, portanto devemos procurar os pontos de convergência entre Estado democrático de direito, que é o Estado laico, mas que também devemos incorporar valores éticos da tradição cristã católica", disse.

O ministro disse ainda que o país ainda vive um modelo ultrapassado na política. "Vivemos num modelo passado, do súdito, vivemos experiências históricas de autoritarismo, mas estamos construindo um novo modelo, da participação popular, onde [as pessoas] exercem definitivamente o seu poder", disse.

Da assessoria.
Enviado por Eri Santos Castro.
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9 de dez. de 2014

Diário do Centro do Mundo publica a mais completa entrevista de Flávio Dino depois de eleito, veja

Flávio e um novo horizonte para o Maranhão e o Brasil.
“A principal dívida do PT é não ter feito a regulação da mídia”, diz o governador eleito do Maranhão, Flávio Dino

Toma posse no governo do Maranhão em 1º de janeiro o comunista Flávio Dino. O candidato do PCdoB derrotou no primeiro turno, com 63,53% dos votos, Lobão Filho, do PMDB e uma coligação de outros 17 partidos, do DEM ao PT, com apoio do Palácio do Planalto. Como Dilma não foi ao estado, corria nas ruas e bastidores que a presidenta (que teve ali 78,76% dos votos) torcia calada por Dino. A militância petista, por sua vez, fez campanha aberta pelo nome que derrotaria o império econômico e midiático das famílias Sarney e Lobão, que detêm jornais e emissoras de rádio e TV, inclusive retransmissoras da Globo e do SBT no estado.

A coligação de Flávio Dino tem legendas que se opõem a Dilma, como PP, PPS, e o vice, Carlos Brandão, do PSDB. Como entender as complexas alianças admitidas pelo desgastado sistema eleitoral brasileiro? O advogado Flávio Dino, professor de Direito da Universidade Federal do Maranhão, vê na frente que liderou o “sentido da modernização da política e da transformação da vida do povo”. Já na aliança com o PMDB, para ele o PT superestimou a capacidade do partido de Sarney de contribuir com a governabilidade.
D
ino começou a militância nos anos 1980. Foi advogado do Sindicato dos Bancários do Piauí quando presidido por Wellington Dias – que, aliás, também toma posse no governo vizinho em janeiro. Em 1994, ingressou na carreira de juiz federal, na qual permaneceu por 12 anos. Deixou a magistratura em 2006, filiou-se ao PCdoB e se elegeu deputado federal. Conhecedor profundo dos três poderes, Flávio Dino brinca que a presidenta Dilma não terá um único dia de tédio neste início de segundo mandato. 

Ele vê na Operação Lava Jato uma tempestade política, mas discorda de “catastrofistas” que dizem que o fim do mundo se avizinha. E aposta: essa tempestade ainda pode ter como principal saldo positivo o fim das doações de empresas a campanhas.
Com DCM.

2 de nov. de 2014

Tarso Genro fala da instrumentalização do PT maranhense pelo conservadorismo lovcal



Desprestígio da Política - A necessidade da Reforma Política

Este não é um texto de reflexão sobre as eleições no RS, que, como já afirmei -mesmo com as imperfeições do sistema político atual- teve resultados que dão legitimidade suficiente ao Governador eleito, para governar e aplicar suas propostas nos próximos quatro anos. Pretendo, com ele, apenas adiantar alguns argumentos para motivar todos os que, independentemente de partidos, querem algo mais da democracia brasileira, para dar qualidade à esfera da política e recuperar uma autenticidade mínima das representações partidárias.

A Presidenta nem assumiu o seu segundo Governo e um dos principais partidos de sustentação do seu mandato, que tem - nada mais nada menos - que o Vice-presidente da República, já se prepara para bloquear as iniciativas governamentais e promover disputa interna, para colocar na Presidência da Câmara - o terceiro posto na ordem da sucessão presidencial - um líder do Partido que é governo, mas que 
apoiou o candidato da oposição, Aécio Neves, nas eleições presidenciais.

No Estado do Maranhão, onde o PT apoiou oficialmente o candidato indicado pelo ex-Presidente José Sarney, abandonando (felizmente não a maioria dos militantes) um aliado histórico da esquerda e do PT, Flávio Dino (PCdoB), o ex-Presidente é flagrado votando no candidato da oposição, adiantando, de uma parte, o grande racha interno na sustentação do Governo e, de outra, comprovando a total instrumentalização do PT maranhense pelo conservadorismo local.

No Rio de Janeiro, as mesmas contingências levaram a presidenta Dilma a não apoiar o candidato do PT, Lindbergh Farias, mas o candidato vencedor, Governador Pezão, que apoiou a Presidenta formalmente, mas todo o seu "staff" (pemedebista) da coalizão vitoriosa, deu sustentação à candidatura Aécio Neves. No Rio de Janeiro é bom parar por aqui, sob pena da gente cair, pela esquerda, num arroubo de direita, tipo Lobão, e dizer que dá vontade de sair do País... Mas como amamos nosso País, o negócio é permanecer aqui, na briga pela Reforma Política.

No Rio Grande do Sul o candidato a Vice-Presidente na chapa da presidenta Dilma -apoiada por nós do PT- veio a Porto Alegre e deu apoio ao candidato da oposição que, por seu turno, como ato de coerência, sequer foi recebê-lo. Já não diria o mesmo da ação do Vice-Presidente, que veio ao Rio Grande tentar fortalecer candidatura que lutava contra a sua própria chapa, logo, contra a sua eleição e a eleição da Presidenta Dilma.

Outros exemplos poderiam ser arrolados à exaustão e "pescados" em quase todos os Estados da Federação. Seria até cômico, se não fosse trágico, pois se é verdade que a grande mídia faz uma campanha contra os partidos e contra a política, com o objetivo de manter uma influência mais forte do que os partidos na formação da opinião - para transitar seu programa mínimo de integração subserviente às políticas de austeridade da globalização neoliberal - não é menos verdade que os partidos colaboram, com seu desprestígio, através destes festivais de incoerência e irresponsabilidade cívica.

Poder-se-ia dizer que isso lembra Ionesco e seu Teatro do Absurdo. Mas a situação lembra mais a decadência da República de Weimar. A Constituição de Weimar (1919) nasceu sob o signo do compromisso de distintas forças políticas, nem todas elas fiéis aos princípios da Democracia e da República e espelhou, de maneira contraditória, avanços sociais e escassos instrumentos institucionais e financeiros para materializá-los. 


O mesmo aconteceu no Brasil, com a Constituição de 88: promoveu o absurdo tabelamento da taxa de juros, mas não criou instrumentos efetivos, por exemplo, para o acesso à terra para quem dela precisa para trabalhar, nem instituiu um sistema fiscal e tributário, capaz de prover fundos para o Estado responder aos Direitos Fundamentais que a própria Constituição declarou.

Impasses como este que estamos vivendo, só se resolvem pela iniciativa política consciente, para repactuar o País através de um sistema político oxigenado e com novas normas de regulamentação democrática dos partidos. Alianças verticais, para dar identidade nacional aos Partidos, fim do financiamento empresarial das campanhas e votação em Lista Fechada, para valorizar os partidos. 


Eis o que pode ser um programa mínimo, para que a nossa Weimar tropical não tenha o mesmo destino imprimido, naquela época, pela má consciência da aristocracia alemã, com sua burguesia de escasso iluminismo e baixa taxa de apreço à República.

Sugestão de pauta: Gilberto Castro.


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1 de out. de 2014

A mídia conservadora nacional se associa aos capitalistas contra o PT

A mídia conservadora nacional se associa aos capitalistas contra o PT, veja as manchetes dos 4 principais jornais:

Manchete da Folha: “Com Dilma em alta, Bolsa tem maior queda em 3 anos”.
Manchete do Estadão: “Bolsa cai e dólar dispara com cenário eleitoral”.
Manchete do Valor: “Efeito eleitoral derruba mercados”.
Manchete de O Globo: “Bolsa tem maior queda em 3 anos e dólar sobe”.

A receita do filósofo Marcos Nobre para uma reforma política que enterre o ‘pemedebismo’

 
A reforma política virou protagonista nas eleições de 2014. Mais de um ano após as “Jornadas de Junho”, as suas ressonâncias ainda são facilmente sentidas. E as teorias sobre a sua dimensão para a história do Brasil ganham força à medida em que discursos que relembram as reivindicações da época, como o de Luciana Genro (PSOL), recebem mais espaço no debate público.

“Só a sociedade irá fazer com que as reformas necessárias aconteçam”, diz Marcos Nobre, professor de Filosofia da Unicamp e pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). “São as pessoas que precisam obrigar o sistema político a mudar, porque, por conta própria, ele não irá fazer isso”, sentenciou.

Para ele, as vozes das ruas podem, a médio prazo, promover uma mudança na homogeneização da classe política, pouco ou nada interessada em estabelecer posições antagônicas e contrastantes para resolver os problemas que se apresentam. A esse comportamento, Nobre deu o nome de “pemedebismo”, uma espécie de cultura conservadora que caracteriza o sistema político brasileiro desde o início do seu processo de redemocratização.

Nesta entrevista – concedida ao jornalista Gustavo Carratte -, o autor do livro “Imobilismo em movimento – Da abertura democrática ao governo Dilma” e do e-book “Choque de democracia – Razões da Revolta” fala sobre os significados de Junho de 2013; o momento em que o PT, apesar de suas notáveis diferenças ideológicas, aceitou entrar no jogo da governabilidade; e os cenários que se apresentam como possíveis em um futuro próximo.

Diário do Centro do Mundo – Por que as manifestações de junho de 2013 foram tão importantes?
Marcos Nobre – Junho de 2013 foi um marco porque, para mim, trata-se do final do processo de redemocratização do Brasil. A partir daquele mês, não está mais em causa a criação das instituições democráticas, como aconteceu na década de 80, nem a consolidação destas instituições, como vinha acontecendo desde meados de 1990. Em junho de 2013, o que passa a estar em questão é como as instituições democráticas do Brasil devem funcionar. Deixa de existir um período de transição, de redemocratização, e começa a haver um processo de aprofundamento desta democracia. É um outro patamar de discussão.

E qual é a dimensão disso, historicamente?
A dimensão histórica é muito grande porque, além de tudo o que pode ser discutido sobre essa nova fase, também é algo inédito. A nossa redemocratização durou cerca de 33 anos, a grosso modo, se levarmos em conta a aprovação da lei do pluripartidarismo, no final de 1979, até as manifestações de 2013. Antes disso, o nosso período democrático não foi mais do que um curto verão, de menos de 20 anos, da Constituição de 1946 até o Golpe Militar de 1964. Não houve sequer tempo de consolidar a democracia, de deixá-la se estabelecer devidamente. Quer dizer, pela primeira vez nós temos mais de três décadas de democracia – ainda pouco democrática, mas ainda assim uma democracia – e, mais do que isso, o seu aprofundamento. As Revoltas de Junho iniciam um longo ciclo na história deste país.

A maior parte de sua explicação para essa “nova fase democrática”, certamente, está na maior conscientização da população. A falta de unidade que passou a existir nas manifestações após poucos dias de seu início – não apenas com a multiplicação de pautas, mas às vezes até com a ausência delas em alguns protestos – não enfraquece essa teoria?
Realmente, a proporção que as manifestações tomaram não teve ligação direta com o estopim, que foram as ações do Movimento Passe Livre e, em algumas cidades, os protestos contra os gastos da Copa. Mas, por outro lado, existe um traço de união entre todas as reivindicações, que é justamente a rejeição à maneira como funciona o sistema político no Brasil. Isso não transforma as Revoltas de Junho em uma unidade clara e bem definida, mas é um elemento importante, que fornece algum traço de união a tudo o que aconteceu. É daí que nasce a ideia de fim do processo de redemocratização do país.

Até o dia 13, o apoio às manifestações ainda não era majoritário na população. A partir dali, quando ocorreu o ápice da repressão policial, a mídia tradicional não conseguiu mais insistir no discurso de que quem estava nas ruas eram apenas vândalos tentando destruir o patrimônio público. O que explica essa mudança de comportamento repentina, e qual foi o papel disso para que o movimento crescesse tanto?
Eu penso que o que aconteceu ali não foi uma simples “mudança tática”, de criticar a repressão por ter tido repórteres que a sofreram na pele ou de tirar proveito eleitoral daquilo. Foi muito mais profundo do que isso. Naquele momento, ficou claro para a grande mídia tradicional que, ao longo dos anos 2000, houve uma revolução que tem como consequência natural a queda do monopólio na hora de formar a opinião da população. Antes as pessoas tinham a oportunidade de ser contra ou a favor determinada reportagem, mas agora, com a internet, elas têm não apenas uma série de fontes de informação alternativas, mas também o poder de debater publicamente, com blogs próprios, redes sociais, janelas de comentários e tudo mais. Isso traz uma mentalidade democrática, uma maneira de ver o debate político, que até então não existia. Os veículos que compõem a mídia tradicional continuam importantes, mas agora são “um” elemento, e não mais “o” elemento.

E a repressão policial?
Foi um fator muito relevante, porque a polícia é o último braço do sistema político. O pensamento é mais ou menos assim: “A gente já se sente impotente para modificar, de fato, a estrutura política, e aí quando são feitas manifestações absolutamente legítimas, que reclamam dos preços abusivos do transporte público por uma péssima qualidade de serviço, vocês ainda mandam a polícia?”. Então aí eclode mesmo, porque o grau de desfaçatez já passa a ser inaceitável. A polícia entrou na agenda deste país e, enquanto não se tornar mais democrática, não vai sair. A polícia precisa ter clareza de que a sua concepção não é bélica, e que está ali para proteger os direitos das pessoas, não para tirá-los delas em nome do “combate ao crime”.

Essa sensação de impotência perante o sistema político nasce da sua conjuntura atual, por você chamada de “pemedebismo”?
Nem tão atual assim. Na época do impeachment do Collor, em 1992, o sistema político criou a explicação de que aquilo aconteceu não porque “ele não tinha apoio no Congresso”, mas porque “ele não tinha uma supermaioria” – superblocos parlamentares, gigantescos, o que também pode ser interpretado como a segunda figura do Centrão, da década anterior. A grande mídia teve um papel decisivo para convencer a sociedade de que aquela explicação era plausível, e assim, evidentemente, cria-se uma enorme pasteurização do sistema político.

Quais são as características fundamentais do pemedebismo?
São muitas, mas a principal delas é o acordo da governabilidade. Quem está no poder, se não quiser ser alvo de um monte de cotoveladas durante o trajeto que irá percorrer para aprovar uma proposta qualquer, precisa ter uma supermaioria a seu favor. Esse enorme bloco acaba por reproduzir os seus grupos e as suas máquinas dentro do Estado, e aí o projeto de blindar o sistema político contra a sociedade é alcançado.

O pemedebismo não é a flexibilização ideológica, então, mas a quase ausência de qualquer ideologia em prol de um sistema político longe do alcance da sociedade?
A impressão é que sim. Prefiro me referir a isso como “condomínio pemedebista”, porque “presidencialismo de coalização” passa a ideia de que realmente há partidos que se unem por um objetivo comum, e não é isso o que acontece. O PP (Partido Progressista), por exemplo, que é um ordeiro do partido que sustentou a Ditadura Militar, está no atual condomínio do governo. Quer dizer, que país é esse?

Hoje, não há uma real oposição para o governo federal?
Ela existe, é claro. Residualmente existem membros que fazem oposição ideológica. Mas o que quero dizer é que, na imensa maioria do bloco de oposição, não há a vontade de mudar o sistema político. O que existe, apenas, é a vontade de se tornar o síndico da vez deste enorme condomínio. As manifestações de junho, embora tenham tido alguma generalização abstrata – do tipo “somos a favor da saúde, da educação, da segurança, da paz e da felicidade no mundo” – podem trazer a médio prazo uma mudança nesta homogeneização da classe política. Talvez fique claro que há a necessidade de posições antagônicas e contrastantes para resolver os problemas que as pessoas colocaram nas ruas.

Quando Lula assumiu, pelo menos, essa situação era diferente. O que aconteceu no meio do caminho para o PT aceitar esse jogo?
O Mensalão – que é a contraprova do que estou querendo dizer a respeito deste acordo de governabilidade. Quando Lula assume, passa a existir o primeiro governo de minoria desde o Collor. E ele está lá, negociando, aprovando a reforma da previdência com o apoio da oposição, passando uma outra lei qualquer com o apoio da oposição, e assim vai. Quando o Mensalão aparece, o fantasma do impeachment vem junto. Naquele instante é decidida a adesão ao acordo de governabilidade, até então veementemente recusado, apesar das pressões constantes de todos os lados.

O PT falhou nesta tarefa de reformar o sistema político, ou ainda é cedo para dizer?
Ele foi eleito, basicamente, com duas missões: a primeira era essa, de reformar radicalmente o sistema político; e a segunda era diminuir as desigualdades sociais do país. Depois do Mensalão, o PT virou-se para a parcela organizada da sociedade que o apoiava e disse: “Olha, não é possível fazer as duas coisas. Eu vou ter de fazer um pacto com esse sistema político tal qual ele funciona, para, assim, poder diminuir a desigualdade”. E assim o fez.

A reforma política é viável?
Quando se fala em reforma política no Brasil, está se falando em reforma eleitoral. Talvez melhore um pouco, mas mudar a forma de eleição não é algo que irá reestruturar, de fato, todo o sistema. Por que são necessários 400 deputados para governar? Por que são necessários 60 senadores? Nem vou discutir o número de ministérios – porque podem ter 50, desde que eles funcionem -, mas atualmente só existem 39 porque você tem uma base de apoio gigantesca e precisa acomodar a todos. Para existir uma reforma verdadeira, o que precisa acabar é a cultura da supermaioria. E só a sociedade irá fazer com que essas reformas aconteçam. As pessoas precisam obrigar o sistema político a mudar, porque, por conta própria, ele não irá fazer isso.

Em que medida a transição suave que o Brasil teve entre a ditadura e o início do seu processo de redemocratização influencia o pemedebismo de hoje?
A ligação entre essas duas coisas é total. Após a ditadura, a forma que o conservadorismo encontrou para promover uma transição lenta e paquidérmica foi o progressismo, com aquela “união de todos que eram contra a ditadura e a favor da democracia” – e neste grupo estão, inclusive, aqueles que apoiavam a ditadura até pouco antes do barco afundar, que saíram com ele já naufragando. Hoje, temos a segunda figura desta unidade forçada. São maneiras de controlar a democratização da sociedade. É o conservadorismo em sua versão democrática.

Quais são os cenários que se apresentam como alternativas ao pemedebismo?
Acredito que há dois caminhos possíveis. O primeiro aconteceria se o sistema político conseguisse pelo menos se repolarizar, voltando a ter situação e oposição devido aos seus posicionamentos ideológicos, assim como era durante o governo FHC, com o PT e seus aliados históricos fazendo oposição e deixando isso claro a todo instante. Essa opção não teria força para reformar o cenário radicalmente, mas já seria alguma coisa. E o segundo, um pouco mais próximo do que seremos quando passarmos pela reforma, seria com plataformas políticas que não fossem baseadas na produção de supermaiorias. É possível ter uma maioria, simplesmente, e por meio desta maioria, formada por motivos ideológicos, tentar transformar o país com embates de verdade.

É possível imaginar que, em vez de aceitar a necessária e clamada reforma, o sistema político encontre uma nova maneira de suavizar essas mudanças, mantendo as suas estruturas intactas?
É possível. Daqui a dez anos, em uma nova conversa, talvez o assunto seja uma terceira figura do conservadorismo em tempos democráticos. Não acho que seja isso, mas é uma possibilidade. O que espero é que o pemedebismo seja característico da redemocratização, e que ele tenha ficado para trás. O Brasil precisa de uma revolução do que é o seu sistema político, e não de uma mutação do que ele é hoje.

Enviado por Eri Santos Castro.
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5 de set. de 2014

Tarso Genro e a reforma política

Sou a favor da reforma política porque essa é uma luta pela renovação e pelo fortalecimento da nossa democracia.

Até o dia 7 de setembro, vote no plebiscito popular pela reforma política nas urnas físicas em vários pontos ou pelo site http://www.plebiscitoconstituinte.org.br/

13 de dez. de 2013

Financiamento privado de campanha: STF a um passo de uma decisão histórica

O STF (Supremo Tribunal Federal) caminha para uma decisão histórica, a de proibir o financiamento privado de campanha, no julgamento da ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) proposta pelo Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
Os argumentos levantados em favor da tese foram consistentes, o relatório do Ministro Luiz Fux bem embasado, as estatísticas sobre os financiadores eloquentes. Um percentual ínfimo das empresas brasileiras contribuem para as campanhas. Financiam os dois partidos melhor colocados e garantem os deputados que fazem o seu jogo.
 
Não bate a tese de que o fim do financiamento privado legal estimularia o caixa 2. Pelo contrário: é a legalização do financiamento que facilita o caixa 2, por dificultar a separação entre as legais e as por baixo do pano. Com a proibição, todo financiamento será facilmente identificado e criminalizado.
 
Além disso, em um gesto de surpreendente bom senso - para um MInistro que conseguiu trancar toda a pauta de votação do Senado, no episódio dos royalties de petróleo - Fux propos um prazo de 24 meses para a entrada em vigor das nossas regras, impedindo um vácuo de legislação para as próximas eleições.
 
Espera-se que a votação caminhe para o desfecho adequado, de proibir o financiamento e que os Ministros - especialmente Fux e Barbosa - não se prevaleçam desse apoio unânime da opinião pública para confrontos retóricos com o Congresso.
 
O julgamento mostra também o ganho da cidadania brasileira, com o renascimento da OAB nacional. 

Enviado por Eri Santos castro.
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