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29 de mai. de 2015

"O Mundo não acabou", por André Singer

Reproduzo o texto do jornalista André Singer, publicado na Folha de São Paulo:
"O Mundo não acabou"
Maio entra na reta final sob o signo de alguma rearticulação no campo progressista da política brasileira. Depois do atordoamento provocado pelo que parecia a tempestade perfeita dos primeiros meses do ano, surgem sinais de vida no lado esquerdo do espectro ideológico. O gesto emblemático foi feito pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ), ao se erguer contra a MP 665, a qual, entre outros cortes, restringe o acesso ao seguro-desemprego no momento em que ele se torna mais necessário, e pedir a saída do ministro da Fazenda. A resistência dos senadores obrigou a Casa a postergar a votação.
É possível que a enorme pressão que desabou sobre o parlamentar carioca o faça hesitar na batalha que se anuncia para a próxima semana, mas a sua atitude corresponde a um sentimento espraiado em setores significativos do Partido dos Trabalhadores. Sem abrir mão da responsabilidade de sustentar Dilma Rousseff, vista com calorosa simpatia na sigla, cresce a rejeição ao pacote liderado por Joaquim Levy.
Não por acaso, o ex-governador Tarso Genro, junto com um dos dirigentes da esquerda petista, Valter Pomar, decidiu assinar manifesto "pela mudança da política econômica e contra o ajuste", o qual embasou a resistência à MP no Senado. Poucos dias antes, Tarso havia insinuado que poderia apoiar o candidato Marcelo Freixo, do PSOL, a prefeito do Rio de Janeiro no ano que vem, num passo voltado para a formação de frente ampla com vistas a recompor o campo mais afetado pela ofensiva conservadora de 2015. À insinuação do ex-ministro da Justiça de Lula seguiram-se especulações de que ele sairia do PT. Tarso negou a saída, reafirmando pertencer a um bloco minoritário da agremiação que já presidiu.
Embora posições como as de Genro, de fato, não correspondam às resoluções oficiais do PT, à medida que a base sindical começa a sentir o perigo de demissões em massa opera-se um deslocamento na ecologia interna petista. Note-se que o ex-presidente Lula afirmou, na mesma quarta-feira em que o manifesto firmado por Tarso e Pomar repercutia no Parlamento, que as MPs tinham "defeitos", os quais poderiam ser "corrigidos" por negociações com os trabalhadores. Convém lembrar, igualmente, que foi Lula quem abriu a porta para a candidatura de Lindbergh a governador do Estado do Rio, pouco tempo atrás.
Nada disso implica que haverá, de imediato, uma reviravolta, seja na orientação geral da economia, seja na correlação de forças estabelecida no Congresso, a qual desfavorece a esquerda. Mas aos poucos parece reconstruir-se um polo alternativo à orientação neoliberal. Caso tenha êxito, ajudará a preservar tanto a classe trabalhadora quanto a própria vitalidade da democracia no Brasil. Veremos.

5 de jan. de 2015

Singer critica campanha 'à esquerda' e governo 'à direita' de Dilma

Ricardo Stuckert: Brasilia, DF, 01-01-20  Presidenta Dilma durantes desfile em carro aberto antes de jurar a constutuição no congresso. Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula


Segundo o cientista político André Singer, que foi porta-voz de Lula, existe 'desconexão entre atos e palavras' da presidente reeleita Dilma Rousseff; "Ao jurar que nenhum direito será diminuído, Dilma concorda com isso. Ao diminuí-los, adere ao contrário. Como dizia o velho barbudo, é na prática que se demonstra a verdade", diz ele, parafraseando Karl Marx, no portal Brasil 247.

2 de dez. de 2014

Uma crítica ao lulismo pela esquerda, com André Singer


Lula: o original, o genérico e o similar
Beijando a cruz, parte 2- De André Singer na Folha.

Em artigo publicado no mês de maio de 2003, o filósofo Paulo Arantes afirmava que o primeiro governo Lula havia optado por beijar a cruz, isto é, "vender confiança aos mercados e reduzir os custos da incerteza, que podem ser fatais num sistema desenhado para operar sob a ameaça permanente da morte súbita". Para tanto, via-se obrigado a dar repetidas demonstrações de conversão à ortodoxia neoliberal.

Agora o fenômeno se repete, e não como farsa. Dilma Rousseff, a heroína da resistência à ditadura de direita, a mãe do PAC, a condutora do ensaio desenvolvimentista de 2011-2012, nomeia ministro da Fazenda um liberal duro, da área do PSDB e hoje dirigente de grande banco. Na escolha de Sofia, escolheu o credo do capital financeiro, relegando aos arquivos universitários a linguagem de esquerda utilizada na eleição.

Para além da revolta que grassa entre militantes sinceros da última campanha dilmista, é necessário compreender o significado profundo da opção feita. Um trecho do referido texto de Arantes ajuda a entender, ainda que pela negativa, aspecto importante da situação atual. Citando "alto dignitário" do governo Lula, Paulo considerava que a linha mercadista tinha vindo "para ficar, pois a crise internacional seria permanente".

A realidade, porém, foi algo diferente. Em 2004, a economia mundial cresceu 5%, a maior taxa em décadas, iniciando um ciclo expansionista até 2008. As commodities, de que o Brasil é grande exportador, se valorizaram em 100%, o que não acontecia há vinte anos. Foi então que o lulismo deu o inesperado pulo do gato: utilizou a bonança para melhorar, por vários caminhos, a vida dos pobres, ativando o mercado interno por baixo.

Em 2006, com a ida de Guido Mantega para o mais alto cargo da economia, aumentaram os investimentos públicos e se acelerou a valorização do salário mínimo. Depois, com a troca de guarda no Banco Central, em 2011, houve tentativa combinada de redução dos juros e desvalorização do real, com o fito de estimular a indústria. Em resumo, para surpresa de muitos, comendo o mingau pelas bordas, o lulismo trilhou caminhos considerados heréticos pela ideologia dominante.

Agora, contudo, resolveu começar do zero, voltando a 2003. Teremos novo ciclo de juros altos, corte de gastos e contração, com possível desemprego e diminuição da renda dos trabalhadores. O gesto suscita, de imediato, duas perguntas. Será que desta vez a estranha conjuntura mundial voltará a soprar a favor e, em caso positivo, quando? Será que as classes beneficiadas pela evolução do lulismo terão paciência para o trabalho de Sísifo que ele parece propor à sociedade brasileira?

Com Análise de Mídia.
Enviado por Eri Santos Castro.
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10 de nov. de 2012

André Singer na Folha de hj: Política lulista tem de dialogar com a classe ascendente

O lulismo já descobriu o caminho para beneficiar os mais pobres. Mas agora será necessário desenhar políticas capazes de dialogar com o “novel proletariado” que o próprio lulismo gera e cujos contornos ninguém conhece muito bem.

23 de out. de 2012

Estudantes promovem ato "São Paulo quer Mudança", na USP

O Coletivo de Estudantes em Defesa da Educação Pública promove nesta terça (23), às 17h, na USP, o ato “São Paulo quer Mudança”. O evento terá a presença de Marilena Chauí, Mario Sergio Salerno, Zé Sérgio, Nabil Bonduki, André Singer, Sylvia Garcia, Leda Paulani, Paula Feldmann, Ricardo Musse, Pedro Dallari, Deisy Ventura, Amelia Cohn, Homero Santiago, Ismail Xavier, Sergio Cardoso, Mamede Jarouche, Alfredo Bosi, José Carlos Vaz, Gustavo Bambini e Wagner Iglecias, entre outros.

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Enviado por Eri Santos Castro.
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15 de ago. de 2011

Intelectuais ligados ao PT se unem em apoio a Haddad para prefeito de São Paulo

Um grupo de cerca de 30 intelectuais ligados ao PT se reuniu na sexta-feira na casa do ministro Fernando Haddad (Educação) em um jantar de apoio à sua pré-candidatura a prefeito de São Paulo no ano que vem. Aliados do ministro articulam a divulgação de um manifesto de acadêmicos em apoio à candidatura, embora o tema não tenha sido debatido durante o jantar. Entre os participantes do encontro estiveram os filósofos Vladimir Safatle, que é colunista da Folha, e Marilena Chauí, o cientista político André Singer, o jornalista Eugenio Bucci e a psicanalista Maria Rita Kehl.
Novato em disputas na sigla, Haddad iniciou há duas semanas um périplo pelos diretórios zonais do partido, em caravanas que reúnem todos os pré-candidatos. Paralelamente, busca apoios que legitimem sua candidatura para além da preferência já manifestada pelo ex-presidente Lula. A Folha apurou que, no jantar, Haddad fez um diagnóstico da cidade e criticou o "esgarçamento" da relação entre o PT e setores médios da sociedade, entre os quais a intelectualidade.
Disse que deseja implantar o ensino integral em toda a rede da cidade, criticou a parceria com Organizações Sociais na saúde e disse que a prefeitura deveria conter a especulação imobiliária. Alguns dos participantes do jantar têm antiga relação de amizade e profissional com Haddad. Eugenio Bucci e ele militaram no mesmo grupo político no Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, no início dos anos 1980. "O ministro Haddad é a pessoa mais vocacionada que conheço para exercer um cargo no Executivo", disse Bucci há duas semanas.

29 de mar. de 2011

Nossa agenda no Rio, SP e Brasília

Estou impossibilitado de postar. Ocupo-me de intensas atividades, desde sábado ( 28), fora do Maranhão. No Rio, encontrei-me, em companhia do meu irmão Drº Leo, com o cineasta Sílvio Tendler, o poeta Ferreira Gullar e o pintor Marçal de Ataide.

O primeiro, convidamos para pilotar os projetos 'MARANHÃO: TERRA DE OPORTUNIDADES', um filme sobre as nossas potencialidades e 'SÃO LUÍS DOS EXCLUÍDOS', um filme em comemoração aos 400 anos da nossa capital. O segundo, conversamos sobre poesia, pois tanto Leo quanto eu estamos com livros no prelo e o terceiro convidamos para participar desses nossos trabalhos, ilustrando alguns poemas.

Também no Rio encontrei-me com alguns outros amigos. Discutir o programa 'SEMANA SANTA SEM FOME', para o Maranhão e ainda ações no Pará. Ainda em abril,  iremos ter audiência com o governador Simão Jatene, do Pará, para encaminhamento de alguns projetos.

Amanhã ( 30), em São Paulo, terei reunião com os executivos da Tribo de Jah. Na pauta, 'Tributo a Bob Marley', que completa, em Maio, 30 anos de falecimento; o novo CD, denominado 'PEDRA DE SALÃO'; o São João do Norte e Nordeste e 10 versões do 'FESTIVAL INTERNACIONAL DO REGGAE', que acontecerá nos próximos meses de outubro e novembro. Ainda em São Paulo, falarei com o amigo Igor Matos Lago.

Na quinta (31), estarei em Brasília. Estou articulando com o professor Dimas Salustiano, Zé Inácio, Fauze Baidon, Sandow Feques, Berenice e outros a realização de um seminário político por 'UM NOVO PT', para o início de maio,  no interior do PT, com presenças de lideranças nacionais. Há possibilidades da participação de  Zé Dirceu, André Singer e Marcos Rolim, no referido seminário. O PT precisa se afirmar enquanto polo de poder real, apontando para a superação dos entraves históricos do desenvolvimento do Maranhão.

Enviado por Eri Santos Castro.
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2 de jan. de 2011

André Singer da Mensagem ao Partido-PT, no Estadão de hoje

  EXCELENTE ENTREVISTA DE ANDRÉ SINGER, da corrente Mensagem ao Partido, do PT, no Estadão de hoje.

"Maior legado de Lula foi a inclusão social"
Enviado por Eri Santos Castro.

3 de nov. de 2010

O lulismo e seu futuro

tribuna livre da luta de classes
Reproduzo artigo de André Singer muito interessante, vale ler e comentar.
Numa passagem de O 18 Brumário de Luís Bonaparte, Marx mostra como é frequente os atores de uma determinada época buscarem inspiração nos acontecimentos de outra. Se o período histórico evocado pelos homens contemporâneos pode ser revelador da natureza das tarefas que eles pretendem realizar, mesmo que o resultado final possa ser diferente do esperado, vale a pena deter-se na consideração do seu significado. O Brasil do ano eleitoral que se encerra tem algo da atmosfera imaginária na qual, há mais de meio século, a democracia norte-americana criou o arcabouço de leis, instituições e ações do New Deal.

Conjunto de programas iniciados na primeira Presidência de Franklin D. Roosevelt para fazer frente à crise de 1929, o New Deal permitiu um salto na qualidade de vida dos pobres e propiciou maior igualdade entre os cidadãos americanos. Ter instaurado tal ambiente é um legado dos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele pode moldar o “marco regulatório”, para usar uma expressão do mundo jurídico, no qual ocorrerão as próximas disputas eleitorais. Isto é, partidos e candidatos divergirão quanto aos meios, mas os fins estão fixados de antemão.

Veja artigo completo, clique aqui.
Enviado por Eri Santos Castro.