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9 de nov. de 2015

Zizek: superar capitalismo, ou viver em mundo triste

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Para filósofo, nada garante que revoluções derrubarão ordem atual: tudo depende de nossos gestos. E ações mais radicais são, às vezes, as que parecem menos heróicas.
Entrevista a Michel Schulson, no Salon | Tradução: Antonio Martins
À medida que as disciplinas acadêmicas tornam-se mais especializadas, o filósofo esloveno Slavoj Žižek flerta na linha entre memória e rebeldia. Seus interesses são descaradamente amplos – de Hegel à psicanálises, de cinema à cultura pop. E seus temas são indesculpavelmente vastos: o futuro do capitalismo global; a natureza da ideologia; a experiência da realidade.
Žižek escreveu mais de 60 livros, e estrelou uma longa sequência de documentários. Em “Problemas no Paraíso”, lançado este ano no Brasil, o autor busca maneiras de “pensar além do capitalismo e da democracia liberal como a estrutura final de nossas vidas”. Seu principal tema é a fusão do capitalismo com várias formas de autoritarismo – e os tipos de descontentamento que podem emergir contra esta fusão. No estilo típico de Žižek, o livro também inclui uma exegese de O Cavaleiro das Trevas, meditações sobre a Coreia do Norte e dezenas de piadas.
Em Problemas no Paraíso, você fala de revolução – de um “autêntico processo emancipatório”. De onde isso virá?
Talvez não venha. Sou muito claro quanto a isso, e talvez um pessimista.
É verdade?
Não vejo garantia histórica alguma de que algum grande evento revolucionário ocorrerá. Mas estou certo de que, se nada ocorrer, vamos nos aproximar, pouco a pouco, talvez não de uma catástrofe global, mas de uma sociedade extremamente triste. Muito mais autoritária, com novos apartheids internos, claramente dividida entre os que estão dentro e os que estão fora.
Talvez eu devesse ter perguntado: de onde este processo viria, se fosse ocorrer?
Não virá de um lugar específico. Vejo espaços potenciais de tensão. Por exemplo, há literalmente centenas de milhares, talvez milhões, de estudantes na Europa em meio a seus cursos. Eles estão cientes de que, em inúmeros casos, não terão chance alguma de um emprego correspondente. Este é um grupo.
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Penso, cada vez mais, neste problema da Europa: deveria haver um muro? Aqueles que vêm de fora da União Europeia (UE) – imigrantes, refugiados – deveriam ser autorizados a entrar no continente? Não sou um liberal de esquerda estúpido, dizendo: “Oh, que horror, as pessoas estão se lançando ao Mediterrâneo a partir da África, deveríamos abrir nossas portas para elas”. Não, isso é estupidez. Se a Europa abrisse totalmente suas fronteiras, teríamos em meio ano uma revolução xenófoba anti-imigrante. O que estou dizendo é que o problema vai se agravar – a divisão entre os que estão dentro e os que estão fora.
De fato, parece haver um tipo de levante em gestação.
Não tenho esperanças muito grandes. Não sou como aqueles velhos pseudo-marxistas que clamam: “Estamos no começo, temos apenas que esperar. Os povos, as massas, irão se organizar por si mesmas”. Não é possível vencer o capitalismo desta maneira arcaica.
Veja entrevista completa, clique abaixo:

9 de jul. de 2013

Slavoj Žižek: Problemas no Paraíso

Problemas no Inferno parecem compreensíveis – sabemos por que as pessoas estão protestando na Grécia ou na Espanha, mas por que é que há problemas no Paraíso, em países prósperos ou que, ao menos, passam por um período de rápido desenvolvimento, como a Turquia, a Suécia e o Brasil? Por Slavoj Žižek


Veja artigo aqui!
Enviado por Eri Santos Castro.
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3 de jun. de 2013

Com Zizek, nem casamento, nem divórcio


Em meados da década de 1960 Che Guevara foi questionado sobre como estava sua relação com Fidel Castro: “com Fidel, nem casamento, nem divórcio”, disse o argentino, que aquela altura começava a perceber os primeiros sinais de sovietização da revolução cubana, ao passo que se encantava com as notícias que chegavam sobre experiência chinesa. Talvez a frase de Che seja a mais adequada para definir minha atual relação com o filosofo e psicanalista esloveno Slavoj Zizek.

Casado com Marx, de caso com Lacan e apaixonado por Hegel, Zizek há algum tempo está na moda. Diferentemente do habitual para um filosofo, quanto mais um marxista, seu nome é visto com mais frequência nos grandes meios de comunicação do que na academia. O professor do Instituto de Sociologia e Filosofia da Universidade da Liubliana tornou-se uma espécie de rock star rebelde que encanta multidões de jovens outrora desinteressados pelos ideais revolucionários dos velhos comunistas. Por outro lado desperta a ira, o desprezo e talvez a inveja de muitos colegas que o acusam de repetitivo e totalitário, entre outras coisas.

De certo, Zizek, dono de uma produção acadêmica considerável em se tratando de quantidade, é extremamente repetitivo em seus temas e metáforas. Seu profundo apego a uma visão de modernidade tradicional, que para muitos já se transformou e para outros nem existe mais, também é fortemente questionável. No entanto seus críticos realmente acertam em cheio quando apontam a total ausência de uma mínima descrição em sua teoria de algum sujeito revolucionário. 
 Zizek também é um personagem, cuja a característica principal é ser um polemista, o que incomoda alguns, encanta a outros e atrai muitos holofotes. De comportamento grotesco, aparência desleixada e hábitos obsessivos, o filosofo gosta mostrar ao mundo que tem um quadro de Stalin na pendurado na entrada de casa e proferir frases como “Gandhi era mais violento do que Hitler”. Na vida acadêmica também gosta de alimentar polêmicas: Antonio Negri, Judith Butler e Ernesto Laclau são suas vitimas prediletas de ataques em longos e interessantes debates. 

Não é só de polêmica, obsessões e metáforas repetidas vive o filosofo. Algumas de suas qualidades devem ser observadas para poder entender o fenômeno que cerca seu nome. Seus livros são de leitura envolvente e vocabulário simples, acessível a qualquer um minimamente familiarizado com as ciências sociais. É uma escolha interessante em contraposição ao academicismo elitista de alguns autores que parecem escrever unicamente para seus pares. A cultura pop, tão renegada pelos marxistas tradicionais, é mais do que presente, é fundamental para a teoria de Zizek, um cinéfilo de carteirinha. Sem dúvida o pensamento marxiano ganhou alguns holofotes graças ao trabalho do esloveno.

Por falar em teoria, não são muito profundos ou originais os temas abordados pelo filosofo, mesmo assim são de grande importância para a esquerda. Em tempos de consenso liberal, Zizek gasta boa parte da sua obra denunciando a farsa do liberalismo político, que jamais cumpriu o que prometeu. Outro tema que permeia suas análises é a crítica voltada às lutas culturais que abandonam a luta anti sistêmica.  Frente a isso ele nos convida a repetir Lenin, acreditar que é possível derrotar o capitalismo – Sistema esse que, segundo Zizek, já está morto; bastaria todos se darem conta disso – ter a ousadia de tentar construir o comunismo. 

Gênio, louco, fascista ou uma farsa, cada um tem uma opinião sobre Zizek. Enquanto isso, seus livros vendem que nem água, sua conta bancária cresce e até personagem de filme ele já virou. Ao mesmo tempo ele não foge da militância: na Grécia esteve durante as eleições para apoiar firmemente o Syriza (coalização de esquerda que é a principal oposição ao governo e a troika) e em Wall Street leu uma carta de solidariedade e incentivo ao movimento de ocupação que lá estava em 2011. Certa vez um entrevistador pediu para que Zizek contasse um segredo e sem titubear ele cochichou: “o comunismo vencerá”.  


Dicas

Leia "Às portas da revolução - Escrito de Lenin de 1917".
Não leia "Como ler Lacan".
Assista "Zizek!" online e com legendas em português clicando aqui.  

Por Rafael Broz, no Blogue Cachaça Crítica, aqui!
Enviado por Eri Santos Castro.
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14 de mar. de 2013

Lançamento Boitempo: Menos que nada: Hegel e a sombra do materialismo dialético, de Slavoj Žižek


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Acaba de chegar às livrarias Menos que nada: Hegel e a sombra do materialismo dialético, o maior e mais importante livro teórico de Slavoj Žižek!

Na semana que vem haverá uma sessão de autógrafos com o filósofo esloveno na livraria Saraiva do Shopping Paulista (SP). Mais detalhes sobre a vinda de Žižek ao Brasil ao final deste post!

O livro já está à venda na SaraivaLivraria Cultura e Livraria da Travessa

Leia abaixo a orelha do livro:
A filosofia ocidental tem se desenvolvido à sombra de Georg Wilhelm Friedrich Hegel, de cuja influência cada novo pensador tenta, em vão, escapar. Seu idealismo absoluto tornou-se, assim, uma espécie de bicho-papão, obscurecendo o fato de ele ser o filósofo dominante da histórica transição à modernidade – período com o qual nosso tempo ainda guarda espantosas semelhanças. Hoje, à medida que o capitalismo global se autodestrói, iniciamos uma nova transição. 
Slavoj Žižek, um dos filósofos mais ambiciosos da atualidade, defende neste livro que é imperativo não apenas voltar a Hegel, mas repetir e exceder seus triunfos, superar suas limitações e ser ainda mais hegeliano que o mestre em si. Tal abordagem permite que o autor, sempre à luz da metapsicologia de Jacques Lacan, diagnostique nossa condição atual e trave um diálogo crítico com as principais vertentes do pensamento contemporâneo – Martin Heidegger, Alain Badiou, Gilles Deleuze, o realismo especulativo, a física quântica e as ciências cognitivas. Obra-prima de Žižek, Menos que nada retoma o legado hegeliano e apresenta um desenvolvimento sistemático de sua filosofia. 

Sobre o livro 
Slavoj Žižek finalmente escreveu a declaração definitiva de sua filosofia. Se alguém está realmente interessado em compreender seu pensamento como um todo, vendo como as diversas partes se encaixam, Menos que nada é a resposta possível. – Adam Kotsko 
Žižek consegue tanto solapar os argumentos pós-modernistas em sua dependência de uma recusa a Hegel quanto endossar as objeções à totalidade que são chave nesses argumentos. – Steven Connor 
Em Menos que nada, Žižek permanece resoluto em sua posição de que o “capitalismo não pode ser reformado”, de que não há nada passível de redenção ou de salvação no seu presente ou passado. – Matthew Cole 
Tudo sobre este livro gira em torno de questões de tamanho – literal e metafórico, possível e sublime, fantasmático e mundano. Menos que nadaé a ferramenta sarcasticamente intitulada por Žižek para seu “megalivro sobre Hegel”. – Peter Osborne

Žižek no Brasil
Žižek estará no Brasil para uma série de conferências que integram o Seminário Internacional Marx: a criação destruidora - um mega evento que passa por seis cidades brasileiras e reúne pensadores como David Harvey, Michael Heinrich, Roberto Schwarz, José Arthur Giannotti, Franscisco de Oliveira, Jorge Grespan, Ruy Braga e José Paulo Netto entre outros. Confira a programação completa aqui.


SENTAR, ESPERAR E REFLETIR
Slavoj Žižek

http://bit.ly/Z2lWH8

SENTAR, ESPERAR E REFLETIR
Slavoj Žižek

Da assessoria.
Enviado por Eri Santos Castro.
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7 de mar. de 2013

Žižek e a psicanálise

Emir Sader compartilhou a foto de Boitempo Editorial.
Christian Dunker ministrou ontem a aula "Žižek e a psicanálise" no curso de introdução à obra do pensador esloveno!

Baixe gratuitamente a apostila completa do curso que a Boitempo produziu especialmente para o evento!

http://bit.ly/166KGEG

23 de dez. de 2012

Os filhos dos dias de Eduardo Galeano

Livros bons foram publicados muitos em 2012 (basta olhar o catalogo da Boitempo, com Marx, Zizek, Harvey, entre outros). Mas escolho o livro do ano, pelo seu valor e pela censura que sofre da velha midia daqui, que tentamos minimizar reproduzindo textos aqui diariamente, Os filhos dos dias, do Eduardo Galeano.

10 de ago. de 2012

O filósofo Slovoj Zizek faz análise do filme 'Batman- O cavaleiro das Trevas Ressurge'. Imperdível leitura.


Do álbum: Badiou + Žižek
De Boitempo Editorial
Em "Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge", vemos o confronto entre Batman/Bruce Wayne (cuja riqueza advém da fabricação de armas e especulação financeira) e Bane, terrorista cuja dureza e violência tem origem em sua maior arma: o amor incondicional, o mesmo encontrado em Che Guevara e Jesus Cristo.

Confira a análise do filósofo Slavoj Žižek no Blog da Boitempo: http://goo.gl/Y2lG2

English version: http://goo.gl/PYJYl

4 de jul. de 2012

Debate marca lançamento de livros de Zizek, Badiou e da revista Margem Esquerda


A Boitempo Editorial, em parceria com o Espaco Revista CULT, promove nesta quarta-feira, às 19h, o debate de lancamento dos livros "Vivendo no fim dos tempos" (Slavoj Žižek), "A hipótese comunista" (Alain Badiou) e da revista Margem esquerda nº18. O evento terá a participação de Paulo Arantes (Departamento de Filosofia/USP), Christian Dunker (Instituto de Psicologia/USP) e Vladimir Safatle (Departamento de Filosofia/USP).

Enviado por Eri Santos Castro.
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6 de mai. de 2012

Em seu 2º programa, Assange entrevista Zizek e Horowitz: “Esquerda e direita no século 21"

No segundo programa de “The World Tomorrow”, da Russia Today, Julian Assange entrevista o esloveno Slavoj Zizek e o ex-radical de esquerda David Horowitz

Entrevista transcrita e traduzida pelo Coletivo Vila Vudu

(veja aqui o vídeo)
Julian Assange: Hoje, temos conosco dois intelectuais superstars. O filósofo esloveno Slavoj Zizek, ex-dissidente e anticomunista, que hoje se autodescreve como  “comunista”. Convidamos também David Horowitz, ex-radical de esquerda, aliado dos Panteras Negras, hoje ardente direitista. Quero saber o que pensam sobre o futuro da Europa e dos EUA. A conversa esquentou. Zizek teve de ser fisicamente contido. Gritaram, discutiram, depois falamos mais tranquilamente sobre nazistas e palestinos, os Panteras Negras, Obama, Romney e Stálin.

David [para Horowitz], você se autodescreve como conservador. Zizek, você se autodescreve como comunista. Apesar disso, os dois têm [tiveram?] retratos de Stálin [o telefone toca na casa de Horowitz, que atende: ‘Não posso falar agora. Estou numa conferência internacional’.

Veja entrevista aqui!
Enviado por Eri Santos Castro.
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