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2 de mai. de 2015

Que o nosso trabalho valha o nosso espaço de vida, por Pedro Duaillibe


Trabalho e Vida.

Nessa vida complexa e acelerada, parece que o mundo é construído e moldado por iluminados e não pelo nosso trabalho.

Há algo secreto que desvincula criador e criação. Nosso esforço e suor são diluídos e suprimidos do palco da vida.

A frase vazia de que “o trabalho dignifica o homem”, serve apenas para impulsionar nossos braços cansados na construção de espaço de glória alheia.

Que o nosso trabalho valha o nosso espaço de vida! 
Que a dignidade do trabalho seja a harmonia e equacionamento da relação entre criador e criação! 

Parabéns aqueles que, com esforço, suor, lágrimas e sorriso, arquitetam e imprimem forma, duração e beleza ao mundo!

8 de mar. de 2015

Carta de amor de Marx para sua mulher Jenny



Manchester, 21 de Junho de 1865

Minha querida,

Escrevo-te outra vez porque me sinto sozinho e porque me perturba ter um diálogo contigo na minha cabeça, sem que tu possas saber nada, ou ouvir, ou responder...

A ausência temporária faz bem, porque a presença constante torna as coisas demasiado parecidas para que possam ser distinguidas. A proximidade diminui até as torres, enquanto as ninharias e os lugares comuns, ao perto, se tornam grandes. Os pequenos hábitos, que podem irritar fisicamente e assumir uma forma emocional, desaparecem quando o objecto imediato é removido do campo de visão. As grandes paixões, que pela proximidade assumem a forma da rotina mesquinha, voltam à sua natural dimensão através da magia da distância. É assim com o meu amor. Basta que te roubem de mim num mero sonho para que eu saiba imediatamente que o tempo apenas serviu, como o sol e a chuva servem para as plantas, para crescer.

No momento em que tu desapareces, o meu amor mostra-se como aquilo que na verdade é: um gigante onde se concentra toda a energia do meu espírito e o carácter do meu coração. Faz-me sentir de novo um homem, porque sinto um grande amor. (...) Não o amor do homem Feuerhach, não o amor do metabolismo, não o amor pelo proletariado - mas o amor pelos que nos são queridos e especialmente por ti, faz um homem sentir-se de novo um homem.

Há muitas mulheres no mundo e algumas delas são belas. Mas onde é que eu podia encontrar um rosto em que cada traço, mesmo cada ruga, é uma lembrança das melhores e mais doces memórias da minha vida? Até as dores infinitas, as perdas irreparáveis... eu leio-as na tua doce fisionomia e a dor desaparece num beijo quando beijo a tua cara doce.

Adeus, minha querida, beijo-te mil vezes da cabeça aos pés, 

Sempre teu,

Karl

Tradução do inglês de António Santos.

Sugestão de pauta: Pedro Dualibe.
Enviado por Eri Santos Castro.
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4 de nov. de 2012

UNE: a retina guardou as cores dessa feliz e instigante vivência

Foi no Congresso de 89 que fui eleito vice-presidente Norte da UNE.  Juliano Corberllini, o marketing-man de Edivaldo e Flávio Dino, foi eleito secretário de Comunicação e o saudoso Valmir Santos presidente. Nós três éramos da corrente política CAMINHANDO, do PRC-Partido Revolucionário Comunista- um partido clandestino que atuava no interior do PT, o partido de massas.
Juliano seria eleito presidente da entidade no Congresso seguinte. Aqui no Maranhão Wal, Isael, Pedro Dualibe,  Augusto Lobato, Genilson, Jarbas Couto, Diniz, Jockson Laonê, Romeno, Josinaldo, Eurípedes, Josely...e eu construíamos a Caminhando.
A retina guardou as cores dessa feliz e instigante vivência.
"A Une ao lado dos trabalhadores" ....
"A Une ao lado dos trabalhadores" ....

5 de jan. de 2011

O PRC, O DIA DA DESFORRA E AS AGRURAS DE CESARE BATTISTI

1987. Participo num sítio, nos arredores da cidade de São Paulo, do III Congresso do PRC- Partido Revolucionário Comunista, como delegado de uma célula de quatro militantes, do Maranhão (Eu, Pedro Dualibe,  Isael Gomes e Wal Oliveira). Nesse Congresso erámos pouco mais de 60 camaradas, entre eles Tarso Genro, Genoíno, Ronald de Oliveira, Chico Mendes, Marcos Rolim... Os trabalhos eram dirigidos  pelo porta-voz do partido, o cearense Ozeas Duarte. 
 
A tese vencedora  do III Congresso foi a dissolução do PRC. Junto com os camaradas do Acre, Pará, Minas, Amazonas e Ceará, votei contra o fim do PRC. Foram oito dias de discussões. O discurso final coube ao velho camarada Ozeas. Saí daquele sítio arrazado. Junto com o fim do PRC, Euclides- meu nome na organização clandestina- morreria. 
 
Antes de voltar para o Maranhão, passei alguns dias num hotelzinho barato do Centro Velho de São Paulo, aguardando definições sobre os rumos que tomarímos  dentro do PT. A partir do PRC foram criadas duas tendências de atuação interna ao PT. A Nova Esquerda que aderir e a tendência maxista.

Durante três dias que aguardava contato do pessoal, só saía para almoçar, comprar jornal... e assistir ao bangue-bangue do cinema que ficava logo embaixo.

Tudo mudara repentinamente demais na minha vida. Então, o western revolucionário de Sergio Sollima me distraía das inquietações e ajudava a suportar a inusitada solidão, além de revigorar meus ideais, servindo quase como uma reafirmação de valores.

O Dia da Desforra é sobre um peão mexicano (Thomas Milian) que participa do levante camponês de Juarez e, quando este é derrotado, torna-se um homem permanentemente em fuga e, por falta de alternativa, um pequeno marginal.

Por haver visto um ricaço estuprar e matar uma menina, atiram-lhe a culpa, marcando-o para morrer. E um ex-xerife (Lee Van Cleef) lhe move longa perseguição, até perceber a verdade.

Como é honesto, recusa-se a limpar a sujeira dos poderosos. Toma, isto sim, o partido do injustiçado, produzindo o desfecho catártico antecipado no título.

O filme virou cult. Tem ótimo roteiro, ação empolgante e dá muitos toques sobre a desigualdade social, a opressão imposta aos humildes e a instrumentalização da lei pelos interesses dominantes.

É um arraso o tema principal da (belíssima!) trilha de Ennio Morricone, "Run, Man, Run", falando sobre a existência de um lugar onde os homens não se matam e veem um ao outro como irmãos; um lugar onde o eterno fugitivo vai poder viver sem medo e, afinal, será livre...

Mas, até encontrar esta terra, deverá continuar correndo, a fronte voltada para o sol, contra tudo e contra todos, até chegar à liberdade, até chegar aonde eles nunca, nunca, nunca terão de novo prisões para ele.

"Run, Man, Run" sempre toca em mim. Foi a música que me veio à cabeça ao pensar nas agruras do companheiro Cesare Battisti, que tanto correu de país em país, tanto amargou a privação injusta da liberdade e agora, finalmente, está chegando aonde nunca mais haverá cárceres à sua espera.
 
Enviado por Eri Santos Castro.