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20 de nov. de 2014
4 de nov. de 2012
UNE: a retina guardou as cores dessa feliz e instigante vivência
Foi no Congresso de 89 que fui eleito vice-presidente Norte da UNE. Juliano Corberllini, o marketing-man de Edivaldo e Flávio Dino, foi eleito secretário de Comunicação e o saudoso Valmir Santos presidente. Nós três éramos da corrente política CAMINHANDO, do PRC-Partido Revolucionário Comunista- um partido clandestino que atuava no interior do PT, o partido de massas.
Juliano seria eleito presidente da entidade no Congresso seguinte. Aqui no Maranhão Wal, Isael, Pedro Dualibe, Augusto Lobato, Genilson, Jarbas Couto, Diniz, Jockson Laonê, Romeno, Josinaldo, Eurípedes, Josely...e eu construíamos a Caminhando.
A retina guardou as cores dessa feliz e instigante vivência.
"A Une ao lado dos trabalhadores" ....
5 de jan. de 2011
O PRC, O DIA DA DESFORRA E AS AGRURAS DE CESARE BATTISTI
1987. Participo num sítio, nos arredores da cidade de São Paulo, do III Congresso do PRC- Partido Revolucionário Comunista, como delegado de uma célula de quatro militantes, do Maranhão (Eu, Pedro Dualibe, Isael Gomes e Wal Oliveira). Nesse Congresso erámos pouco mais de 60 camaradas, entre eles Tarso Genro, Genoíno, Ronald de Oliveira, Chico Mendes, Marcos Rolim... Os trabalhos eram dirigidos pelo porta-voz do partido, o cearense Ozeas Duarte.
A tese vencedora do III Congresso foi a dissolução do PRC. Junto com os camaradas do Acre, Pará, Minas, Amazonas e Ceará, votei contra o fim do PRC. Foram oito dias de discussões. O discurso final coube ao velho camarada Ozeas. Saí daquele sítio arrazado. Junto com o fim do PRC, Euclides- meu nome na organização clandestina- morreria.
Antes de voltar para o Maranhão, passei alguns dias num hotelzinho barato do Centro Velho de São Paulo, aguardando definições sobre os rumos que tomarímos dentro do PT. A partir do PRC foram criadas duas tendências de atuação interna ao PT. A Nova Esquerda que aderir e a tendência maxista.
Durante três dias que aguardava contato do pessoal, só saía para almoçar, comprar jornal... e assistir ao bangue-bangue do cinema que ficava logo embaixo.
Tudo mudara repentinamente demais na minha vida. Então, o western revolucionário de Sergio Sollima me distraía das inquietações e ajudava a suportar a inusitada solidão, além de revigorar meus ideais, servindo quase como uma reafirmação de valores.
O Dia da Desforra é sobre um peão mexicano (Thomas Milian) que participa do levante camponês de Juarez e, quando este é derrotado, torna-se um homem permanentemente em fuga e, por falta de alternativa, um pequeno marginal.
Por haver visto um ricaço estuprar e matar uma menina, atiram-lhe a culpa, marcando-o para morrer. E um ex-xerife (Lee Van Cleef) lhe move longa perseguição, até perceber a verdade.
Como é honesto, recusa-se a limpar a sujeira dos poderosos. Toma, isto sim, o partido do injustiçado, produzindo o desfecho catártico antecipado no título.
O filme virou cult. Tem ótimo roteiro, ação empolgante e dá muitos toques sobre a desigualdade social, a opressão imposta aos humildes e a instrumentalização da lei pelos interesses dominantes.
É um arraso o tema principal da (belíssima!) trilha de Ennio Morricone, "Run, Man, Run", falando sobre a existência de um lugar onde os homens não se matam e veem um ao outro como irmãos; um lugar onde o eterno fugitivo vai poder viver sem medo e, afinal, será livre...
Mas, até encontrar esta terra, deverá continuar correndo, a fronte voltada para o sol, contra tudo e contra todos, até chegar à liberdade, até chegar aonde eles nunca, nunca, nunca terão de novo prisões para ele.
"Run, Man, Run" sempre toca em mim. Foi a música que me veio à cabeça ao pensar nas agruras do companheiro Cesare Battisti, que tanto correu de país em país, tanto amargou a privação injusta da liberdade e agora, finalmente, está chegando aonde nunca mais haverá cárceres à sua espera.
Enviado por Eri Santos Castro.
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