26/02/2012

Cresce no país o uso de contêineres na construção de casas

Módulos de aço permitem obras mais baratas, rápidas e sustentáveis



Casa com vista para o mar em Florianópolis foi feita com contêineres
Foto: Divulgação/ Lívia Ferraro

Casa com vista para o mar em Florianópolis foi feita com contêineres Divulgação/ Lívia Ferraro
Na Inglaterra, casa e ateliê para artistas em região portuária. Em Amsterdã, vila para estudantes. E no Brasil, um novo jeito, mais econômico e sustentável, de morar. Ainda são poucas as pessoas que investem na ideia, mas vem crescendo a procura por contêineres para serem usados como base para a construção de casas. Tanto que nos últimos dois anos, os preços dos contêineres reciclados simplesmente duplicaram: de R$ 3 mil para R$ 6 mil.

Sim, porque as grandes caixas são as mesmas que por dez, 15 anos transportaram de medicamentos a televisores, de roupas a carros, pelos mares, e, na hora da aposentadoria, encontram nova utilidade, ainda mais longa — especialistas estimam que as casas-contêineres podem durar até 90 anos.

A arquiteta Lívia Ferraro, de Florianópolis, começou a estudar o assunto na universidade. Seu primeiro projeto de casa-contêiner foi o de conclusão do curso, em 2009. Daí, descobriu o mercado e abriu uma empresa. Desde então, já construiu, com o sócio Lair Schweig, dez casas com os módulos, sem deixar de lado a inovação arquitetônica. Como a do terreno com vista para o mar, em Florianópolis, que ganhou fachadas de vidro e madeira de reflorestamento, além de deck de acesso preso por cabos de aço.

— Nós já fizemos desde casas compactas, de dois contêineres, até residências de 250 metros quadrados. Costumamos dizer que é como brincar de lego. Só precisamos descobrir novas maneiras de ir encaixando as pecinhas — diverte-se Lívia, informando ainda que hoje está trabalhando no projeto de uma casa de 200 metros quadrados dentro de um condomínio. — Uma barreira que está sendo vencida: uso de materiais alternativos em condomínios, até então restritos à alvenaria. Este projeto prova que os contêineres podem dar um caráter arrojado e de alto padrão à arquitetura.

Outro arquiteto que tem se especializado no tema é o paulista Danilo Corbas. No ano passado, ele construiu sua própria casa utilizando quatro contêineres marítimos e resolveu abrir o espaço à visitação. Hoje, toca quatro novos projetos. Um deles, localizado em Penedo, Estado do Rio, vai contar com seis contêineres de 20 pés — cerca de 15 metros quadrados cada um:

— Uma das vantagens do material é que ele permite que a obra seja feita em etapas. Então, acaba viabilizando uma construção maior.
Segundo Corbas, a economia na obra gira em torno de 35%, se comparada a uma construção tradicional. Grande parte dela na fundação da casa, que, no caso dos contêineres, exige intervenção bem menor. A questão do entulho também é importante. Em sua casa, de 196 metros quadrados, só foram retiradas duas caçambas de resíduos, o que, normalmente, passaria de cem. Além disso, quem assume a estética do contêiner, economiza em revestimento externo. O custo costuma ficar em torno de R$ 1.200, o metro quadrado. Mas quem são as pessoas que optam por morar em casas de aço?

— Normalmente, quem tem disposição de morar num lugar diferente é alinhado à questão da sustentabilidade, mas também quer economizar.
É esse exatamente o caso de um de seus clientes: o diretor teatral Calé Miranda, da casa de Penedo. A ideia era construir uma moradia sustentável e, ao saber da possibilidade de usar contêineres, ele logo se interessou.

— No início, achei que poderia dar a sensação de confinamento. Mas os ambientes podem ser bem amplos. Além disso, era uma boa solução para o terreno, que é inclinado, e seria mais econômico — conta Calé, que optou por cozinha e sala integradas, dois quartos e três terraços que ajudarão a ampliar os espaços.


Lojas e escritórios também vêm investindo no uso de contêineres
Além da economia na obra, a construção em que contêineres são a base é muito mais rápida: leva de 60 a 90 dias. E boa parte se dá fora do canteiro, já que os módulos podem ser transportados para o terreno quase prontos. Talvez por isso, venha crescendo o número de empresas interessadas em instalar suas sedes em ambientes do tipo.

Prova disso é a chegada da Tempohousing, empresa holandesa que criou uma vila de estudantes em contêineres em Amsterdã, em 2005, para três mil pessoas, e aporta no Brasil nos próximos meses para vender produtos, que incluem ainda escritórios e hotéis.

— Para as empresas, além da mobilidade e da economia, há ganhos em termos de imagem — defende o arquiteto Danilo Corbas, que, além das casas, trabalha num projeto de agências bancárias em contêineres que seriam usadas para testar novas praças.

Algumas construtoras também têm encomendado contêineres para fazer estandes de vendas de seus lançamentos, já que eles podem ser reutilizados em novas obras, o que já garante alguma economia para as empresas. E há também lojas que estão escolhendo os módulos de aço como solução construtiva. A Decameron, que vende móveis em São Paulo, por exemplo, contratou os arquitetos Marcio Kogan e Mariana Simas, da MK 27, para tocar o projeto de seu novo espaço.

— O ambiente foi construído com uma solução mista com contêineres e uma estrutura metálica especificamente desenhada. Apesar da limitação espacial dos módulos, a peça tem impressionantes peculiaridades estruturais que possibilitam que sejam empilhadas — diz Kogan.
Especializado em lojas e estandes para empresas, o grupo Container foi o criador do projeto da Container Ecology Store, loja multimarcas que surgiu há três anos na gaúcha Xangri-lá, e hoje já tem cem franquias em todo o país (uma delas aqui no Rio, na Barra). E a empresa começa agora a investir em hotelaria. Há dois hotéis em construção: um no interior de São Paulo, mais econômico, e outro em Recife. Nesse caso, um hotel design na praia de Boa Viagem. Em São Paulo, serão 120 quartos de 15 metros quadrados. E em Recife, 88 de 60 metros quadrados.

— Estamos conseguindo mostrar que o contêiner é viável e pode ser utilizado para diversos fins. Nosso início foi muito difícil, me chamaram de louco, mas conseguimos transformar a marca em negócio — diz André Krai, sócio-fundador do grupo Container.


Nos Estados Unidos, prédio comercial de contêineres
Se, por aqui, o novo mercado ainda começa a se fortalecer, lá fora, construções desse tipo se tornam cada vez mais comuns. No estado americano de Rhode Island já existe até um prédio comercial feito somente com os módulos de aço. Projetado pelo Distill
Studio, o Box Office tem três andares e 12 salas, 75% delas alugadas em quatro meses.

— Projetamos o prédio para que economizasse 65% de energia, mas, depois de um ano, a economia chegou a 75%. Isso mostra que bom design e eficiência de energia podem andar lado a lado — diz Joe Haskett, diretor do Distill Studio e arquiteto responsável pelo projeto.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/imoveis/cresce-no-pais-uso-de-conteineres-na-construcao-de-casas-4071259#ixzz1nVDEInKG
Sugestão de pauta: Luiz Raimundo Azevedo.
Enviado por Eri Santos Castro.
Compartilhe.

Washington Luiz fará reunião com presidente do Ibope, nesta segunda


O vice-governador Washington Luiz Oliveira em companhia do professor Dimas Salustiano e de sua chefa de gabinete Berenice Silva embarcam hoje à noite para o Rio de Janeiro. Amanhã eles terão uma reunião o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro.

Missão de Montenegro: Interpretar a mensagem dos eleitores de São Luís onde Dilma teve quase 75% dos votos válidos para presidente e o PSDB de Castelo-Serra menos de 10%. Ademais, 54% votaria no PT para governar São Luís.

24/02/2012

Uma agenda para a esquerda só pode ser mundial


Por uma São Luís  do Maranhão, do Brasil e do Mundo* Grifo meu

O que pode unificar distintas matizes da "nova" e da "velha" esquerda - contra as políticas de decomposição das funções públicas do Estado - é o exercício, pelo Estado, de políticas antagônicas às ditadas pelas agências privadas, que hoje orientam políticas e são responsáveis pela crise. O neoliberalismo teve a hegemonia abalada, mas não sucumbiu. Se os partidos de esquerda não reduzirem as taxas de pragmatismo e não se unificarem numa agenda avançada, o que obtivemos até aqui pode ser perdido. O artigo é de Tarso Genro.

Conceber a obtenção de conquistas reais dentro do regime capitalista da selvageria financeira, implica considerar que o capitalismo – ele próprio – pode ser mais democrático, política e economicamente. Isso supõe aceitar que ele também pode sair da "enrascada" em que se encontra - sem que haja uma revolução - ainda mais forte, mais agressivo e ainda mais autoritário do que no presente. E que, via de consequência, essa saída pode e deve ser disputada, mesmo que não haja uma ruptura, pois dela podem resultar coisas piores, ou melhores para a humanidade. Nesta última hipótese, para perspectivas de menos guerras, menos injustiças e desigualdades, com a criação de um ambiente mundial política e culturalmente mais favorável aos ideais democráticos do socialismo: ou seja, criar condições fora da antítese do "quanto pior, melhor", pois a vida tem demonstrado que "quanto pior, pior".

Para que se concorde com esta análise sumária é preciso ter em consideração que a sua base histórica é a seguinte: parte-se do pressuposto que a disputa, hoje, é entre saídas neoliberais para crise, de um lado, e saídas neo-sociais-democratas, de outro. Não, infelizmente, entre saídas capitalistas e saídas socialistas "strictu sensu". Esta última possibilidade, saída socialista, implicaria em conceber que estaríamos "novamente" à beira da crise geral do sistema, tanto do seu poder político, como militar. Como isso não é possível supor, é razoável entender que a disputa, na verdade, é sobre qual vai ser a próxima correlação de forças no período subsequente à crise, bem como as influências que ela deixará sobre as democracias políticas do ocidente.

O presente artigo, não tem o propósito de apresentar uma agenda “unitária” para a esquerda mundial, mas visa chamar atenção para a necessidade de construí-la, a partir das forças políticas de “dentro” de cada país. Este “dentro” contém “em si”, o “fora”, o mundo globalizado por inteiro na sua política e na sua economia. A repressão, o constrangimento, a repressão de “dentro”, no próprio sistema democrático, contém o “fora” sistemicamente. O “dentro” e o “fora” integram a mesma totalidade. O que implica dizer que não existem mais estratégias políticas “contra o fora”, como no período de formação dos estados nacionais, mas somente estratégias “com o fora”, ou seja, a transformação nacional e internacional está contida no mesmo processo transformador.

A internacionalização radical da política outorgada pela teoria ao proletariado universal foi realizada pelo anti-humanismo universal do capital financeiro, que capturou os estados e suprimiu soberanias. Quando se fala em agenda "unitária" em termos globais, porém, não se quer dizer "fechada", totalizante, a ponto de criar a ilusão de que os movimentos "esquerdistas", naquele sentido já clássico do jargão leninista, possam - por exemplo - valorizar eleições e governos, conquistas dentro da ordem e integração entre lutas sociais e ações de governo: políticas concretas de redução das desigualdades, reformas educacionais dentro da democracia política e crescimento econômico, com inclusão social e produtiva.

A reestruturação produtiva do capital mudou o perfil do mundo do trabalho e reorganizou as formas de compra da força de trabalho, nas regiões mais desenvolvidas do sistema capitalista global. Tal processo mudou a realidade que a esquerda deve lidar, porque as revoluções produtivas também vem alterando o modo de vida e a subjetividade do conjunto de grupos e frações de classes, de todos os setores assalariados e não assalariados. Aos excluídos, em geral, alocados como exércitos de reserva da produção industrial, somam-se -nos dias de hoje- os excluídos do conhecimento, dos novos padrões tecnológicos e das técnicas de acesso ao conhecimento. A vanguarda do trabalho produtivo e socialmente útil, está submetida, também, a um funil de passagem cada vez mais estreito e com diferenciações salariais internas cada vez mais gritantes. Inclusive já baseadas em novos tipos de sub-empregos, precariedades e intermitências.

Refiro-me, nesta análise, à situação do mundo do trabalho, não somente assalariado, dos países que formam o núcleo e a periferia industrializada do sistema-mundo. São os lugares onde tem chances de ocorrer os movimentos políticos e as lutas mais agudas, com alguma capacidade de interferir na situação caótica do mundo globalizado.

Neste quadro, as "mensagens", as "palavras-de-ordem" tradicionais e análises clássicas da esquerda, alicerçadas naquilo que foi conformado pelo marxismo dominante (como ideologia do proletariado clássico), não mais se reportam aos verdadeiros dramas do mundo do trabalho. Ele está espremido pelo desemprego tradicional, nas novas formas "livres" de prestação de serviços, na desvalorização do trabalho mecânico da fábrica moderna e no império do trabalho imaterial nas redes. A predominância da ética da descartabilidade vem liquidando com a velha ética do trabalho fabril, que chamava as consciências para o público e não para a privatização das emoções.

Nos territórios do ocidente em que isso ocorre, as mudanças expressivas na produção material e imaterial, também já passaram a não respeitar, integralmente, as fronteiras entre tempo de trabalho e tempo privado: entre vida cotidiana e processos do trabalho, entre lazer a trabalho. A dependência jurídica – e a submissão política no interior da fábrica moderna - se é verdade que vem libertando da tutela patronal direta os trabalhadores da vanguarda produtiva (os ligados aos "bits", à info-digitalidade e à informação, por exemplo) e criando, ao lado deles, legiões de excluídos e baixos assalariados, vem também intensificando as formas mais duras de expropriação do trabalho imaterial. Seus métodos de dominação impulsionam a adesão a novos "modos de vida", cuja sociabilidade tende a reproduzir, em tempo integral, a exploração da força de trabalho imaterial.

As novas formas de produção também vêm reduzindo a responsabilidade social das empresas -cada vez mais alheias à preservação de um estoque mínimo de trabalhadores comuns qualificados - e, ainda, aumentando o controle pelo resultado e a fragmentação de tarefas. Tanto na concepção como na realização. Assim, fica mais reduzida a subordinação direta contratual: reduz-se a integração do trabalhador na vida coletiva da empresa e também a responsabilidade empresarial sobre os contratos, mas aumenta a subordinação geral, de classe, pois os movimentos coletivos dos trabalhadores ficam mais fragilizados. Nesta hipótese, há uma transcendência da dominação tradicional da subordinação fabril, para uma dominação completa da vida por inteiro.

Tal contexto abarca a natureza do consumo, a redução do espaço público para a fruição livre, a uniformização de uma indumentária que integra, pela aparência, os setores assalariados com os padrões das classes privilegiadas. É notório, ainda que, cada vez mais, o próprio lazer é "produzido" como lazer mercantil, ditado e ocupado por inteiro pela acumulação. Os mega-shows dos mega-artistas, com mega-públicos e mega-custos, constituem os mega-espaços "rebeldes", onde rebelião, mercadoria e consumo, dominação e liberdades formais, erguem os novos templos das culturais globais. Estas, já iconizadas num espaço onde tudo é aparente identidade coletiva, mas, para cada um dos indivíduos ali presentes, tudo é expressão da sua concreta singularidade.

Lukács dizia, para justificar a passividade dos operários alemães, perante as propostas revolucionárias, que eles ainda "tinham anõezinhos nos jardins", para atrair "sorte" e espantar o "mal", o que seria o símbolo do seu atraso. Isso corresponderia, hoje, a dizer que os potenciais de rebelião da maioria dos jovens de todos os setores assalariados de renda média e baixa, contra as injustiças, estão temporariamente suspensos pelas luzes feéricas dos concertos de Elton John e pelas lembranças das belas canções de Fred Mercury, embora estes artistas não tenham gerado a sua arte para esta finalidade. É lazer, cultura, artes visuais com novas tecnologias, subjetividades pulsantes, mais drogas e álcool, não como livre opção existencial, mas como decurso da lógica do mercado: modo de vida capturado para o anonimato em busca de um sentido.

Os novos e antigos movimentos sociais, que estão no centro da questão democrática, os "sem" teto, terra, proteção social, os hóspedes das praças, os rebeldes das redes sociais, os que não cabem no sistema, os indignados, querem os seus direitos e a sua parte no sistema. Parte destes setores, originários da classe média fragmentada, nem imagina que as suas demandas integrais por inclusão, não podem ser acolhidas no sistema, pois a transição para o "cume", isoladamente, nos melhores postos de trabalho, só pode ser molecular. Podem compreender, porém, que é possível uma transição de parte deles -de alguns grupos que estão "fora", para "dentro" do sistema, abrindo fendas na sua ossatura férrea. No caso , podendo gerar novos mecanismos democráticos de gestão no sistema, alargando a influência da ação política para a resolução da crise que os expeliu.

É o capítulo da disputa pela a hegemonia, portanto, para instituir políticas de desenvolvimento e políticas públicas de coesão social, que apontem para um novo Contrato Social, cuja bases não são somente as instituições republicanas clássicas, mas as combinações destas instituições com as formas de democracia direta, presenciais e virtuais. O sistema atual é, por natureza, limitadamente democrático e centralizador, e a sua unicidade supranacional é determinada pela força coercitiva do capital financeiro globalizado. A participação direta na gestão pública é, por natureza, democrática e aberta. A sua unidade global é demandada pela democracia política, que repele, dentro dos quadros da constituição política, o autoritarismo e a centralização burocrática inerentes ao sistema.

Só a democracia política exercida de forma plena, sobre a gestão do Estado e na definição das suas políticas globais, é capaz de expor a desumanidade das contradições que separam, cada vez mais, regime democrático e capitalismo. O desequilíbrio entre o regime de acumulação, forçado pela especulação, e a necessidade de tomada de decisões públicas no âmbito da democracia, sugerida pela política limitada pela representação, institui desigualdades cada vez mais graves, entre as classes sociais, internamente, e os estados nacionais na geoeconomia global.

Estas desigualdades também ocorrem na escala salarial interna da empresas e na estrutura de salários do funcionalismo estatal. São diferenciais de renda que também são apropriados - a partir das "sobras para poupança" dos altos salários - para fortalecer os laços do capital financeiro com esta nova massa de "rentistas". Ela faz fluir parte dos seus recursos para a ciranda do lucro financeiro.

As formas e os meios pelos quais as crises serão solucionadas -sejam as soluções engendradas pela soberania estatal ou pelas agências de risco- é que determinarão a correlação de forças no próximo período. Só a recuperação da força normativa e da legitimidade política do Estado é que pode gerar um centro aglutinador de poder para enfrentar, concomitantemente -na esfera da política e da economia- uma nova saída neoliberal, ainda mais autoritária e elitista, para a crise do capital, que certamente estender-se-á, no mínimo, por mais cinco anos.

A crise emendou a vitória do tatcherismo sobre a esquerda européia com o fim da URSS; a crise do "sub-prime" com o "euro"; a ocupação do Iraque com o fracasso do Presidente Obama; a emergência do Brasil no cenário mundial com a "flexibilização" da social-democracia européia. O que pode, neste contexto, unificar distintas matizes da "nova" e da "velha" esquerda -contra as políticas de decomposição das funções públicas do Estado- é o exercício, pelo Estado, de políticas antagônicas às ditadas pelas agências privadas, que hoje orientam as políticas de Estado e são responsáveis pela crise. Não é a derrubada do Estado para a instalação de uma nova ordem, que, de resto sequer tem suporte social para configurá-la, que está na ordem do dia.

Os leninistas clássicos precisam compreender que a classe operária é vanguarda apenas para defender os seus direitos no emprego, o que é potencialmente transformador; os sociais-democratas tradicionais precisam compreender que já se afundaram demais no liberalismo economicista e faliram, tanto quanto o regime soviético - e que o resgate dos ideais sociais-democratas só é possível com mais democracia, não com menos -; os radicais do corporativismo precisam compreender que nem revolução, nem cirurgia, podem ser "permanentes" (senão gangrenam), mas que, se as saídas da crise atual se derem nos marcos da rendição grega, mais distantes todos estaremos de qualquer utopia.

Trata-se de um período não revolucionário e de reação política, de falência tanto dos modelos socialistas dito marxistas, como dos modelos da social-democracia clássica: o neoliberalismo está com a sua hegemonia abalada, mas ainda não sucumbiu.

As demandas por direitos, dos movimentos sociais que lutam pela água, pela defesa das suas culturas, das suas terras, do ambiente natural protegido da lógica mercantil; as lutas pela inclusão educacional, pelo direito ao trabalho produtivo ou improdutivo (este voltado para recuperação da natureza depredada), para o cuidado dos velhos e das crianças; as lutas para melhorar as prestações sociais do Estado, as lutas dos trabalhadores por seus direitos, as lutas democráticas pela transparência e pela ética pública, não terão resultados práticos nem estimularão demandas mais complexas, se não tiverem resultados no cotidiano das pessoas, que está subjugado pela ideologia do mercado. Para que o resultado possa ocorrer, porém, é preciso subtrair o Estado da tutela do capital financeiro, que crescentemente esgota a sua capacidade de financiar políticas públicas de dignificação da vida comum. Isso certamente não ocorrerá fora da política, seja ela processada na sociedade civil, para interferir sobre a gestão do Estado, seja ela intra-estatal, a saber, a que se processa entre as instituições e agências políticas, administrativas e financeiras do próprio Estado.

A integração, portanto, das "lutas sociais" com as "lutas políticas" tradicionais, promovidas pelas esquerdas modernas e pós-modernas, pode ser baseada numa agenda comum, que remeta para a recuperação das funções públicas do Estado. Todavia ela não surtirá efeito sem um confronto que tenha diversas origens no cenário global, seja através de eventos como o Fórum Social Mundial, de manifestações pontuais (ainda que impotentes até agora), como as dos indignados espanhóis e dos rebeldes e Wall Street, ou mesmo como as reformas do neo-constitucionalismo boliviano, com a sua árdua tarefa de compatibilizar modos de vida secularmente arraigados e "arcaicos" - tanto do ponto de vista do capitalismo como do socialismo por razões diferentes - com a república, a modernização produtiva e a agregação de valor.

Num outro lugar destas lutas, mas olhando para uma mesma direção, estão as eleições periódicas nas democracias capitalistas mais avançadas, como as que ocorrerão brevemente na França. São elas que, até agora, tem tido potência para -no âmago do Estado- tanto dar sustentação, como desenvolver contrapontos fortes ao neoliberalismo. Os governos nacionais, regionais e locais, que se opõem à "tutela grega" podem ser, juntamente com os movimentos sociais e os partidos de esquerda e do centro democrático, os "agendeiros" do próximo período de lutas, como o Brasil fez na América do Sul.

Embora nosso país tenha começado um novo modelo econômico e desenvolvido uma política de articulação global, para reduzir os efeitos da dominação dos bancos e das agências privadas sobre a nossa economia, sabemos que o desfecho deste processo não é ,nunca, um desfecho exclusivamente nacional. Seu desfecho, ou é vitorioso também no espaço político global ou será derrotado. A extorsão permanente do nosso trabalho e do desenvolvimento industrial e comercial do país, continua sendo processada através da drenagem de riquezas através dos juros e serviços da dívida, que ajudam o sistema especulativo global a manter-se forte. A "confiança" dos investidores no Brasil -refiro-me aos investidores da especulação financeira- é a confiança do “senhor” sobre o “escravo”, pois o “senhor” sabe que o “escravo” não tem outra saída, por enquanto, que não a de continuar submetido.

Se os partidos de esquerda não reduzirem as suas taxas de pragmatismo e não se unificarem numa agenda política avançada, inclusive em termos de reforma política, não atentarem para esta nova etapa estratégica -que deverá ser enfrentada pelo nosso Estado Democrático e suas instituições políticas- tudo que obtivemos até agora poderá ser perdido. O fortalecimento democrático, financeiro, político e militar, do Estado brasileiro (combinado com ousadas políticas de combate às desigualdades sociais e regionais), é a grande contribuição que o nosso país pode dar ao mundo para uma saída da crise por fora da tragédia grega.

As eleições municipais deste ano no Brasil e as eleições nacionais na França, constituem uma modesta preliminar deste novo enredo em direção a 2014 e aos próximos dez anos, para formatar a próxima correlação de forças em escala política globalizada.

Não é de graça que a esfera da política é tão udenisticamente atacada pelos principais meios de comunicação que sempre apoiaram as reformas neoliberais, e também tão atacada pelos pequenos partidos esquerdistas com o mesmo viés moralista. Uns e outros descartam o fortalecimento de um Estado público. Os primeiros porque isso faz mal ao neoliberalismo. Os segundos, porque o fortalecimento democrático do Estado descarta a ilusão revolucionária, que alimenta os seus rarefeitos adeptos que esperam a “crise geral”. Agora sim, sem saída.
Por Tarso Genro, governador do Estado do Rio Grande do Sul.
Enviado por Eri Santos Castro.
Compartilhe.

Saudades Pery Ribeiro

Participe da Campanha estadual pelo Direito à Educação Pública de Qualidade


Boas Notícias: Mais três municípios resolveram aderir à Campanha Estadual pelo Direito Humano à Educação Pública de Qualidade - São Mateus, Alto Alegre do Maranhão e Peritoró. Decidiram também enviar delegações para o lançamento da campanha, que ocorrerá dia 16 de março, em São Luís. Até agora 17 núcleos municipais de entidades se dispuseram a fazer o levantamento dos dados do sistema educacional nos municípios. Atendendo à convocação para a luta, disseram em alto e bom tom: "se é para ir para a luta, eu vou!"

Esclarecimentos da assessoria da Vice-governadoria


    • Berenice Silva Meu caro Eri, o nosso Vice-governador foi convidado pelo Dom Belizário para o Lançamento da Campanha da Fraternidade amanhã e se fará presente. Sei que tudo é importante, mas hoje fomos informados que seria uma coletiva com a imprensa.

NA CABEÇA DE QUEM VC ACHA QUE ESTA ESFERA DEVERIA TER CAÍDO?

Não parece cenas do filme 'Eram os Deuses Austronautas?'

Bomba Bomba...CASO DE CORRUPÇÃO EM PAÇO DO LUMIAR : CNJ solicita informações a Desembargadora do TJMA.

Por ter tomado uma decisão suspeita, equivocada, anormal, absurda, sem sentido, TERATOLÓGICA, o autor deste blog, que acompanha os atos do judiciário maranhense, representou contra a desembargadora no TJMA e no CNJ.


CNJ
Corregedoria


RECLAMAÇÃO DISCIPLINAR  0000003-62.2012.2.00.0000
Reclamante: Edgar Silva Ribeiro
Reclamado: Raimunda Santos Bezerra


DECISÃO/OFÍCIO_________/2012
Trata-se de reclamação disciplinar apresentada por Edgar Silva Ribeiro contra a Desembargadora Raimunda Santos Bezerra, do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão.
De ordem da Exma. Ministra Corregedora Nacional de Justiça, oficie-se à Exma. Desembargadora Raimunda Santos Bezerra, do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão, solicitando-lhe informações, a serem prestadas no prazo de 15 (quinze) dias, sobre as alegações constantes da inicial.
Envie-se cópia da petição inicial. Os demais documentos poderão ser examinados na página eletrônica de consulta processual do CNJ.
Cópia do presente servirá como ofício.
A resposta deverá citar o nº 0000003-62.2012.2.00.0000 e ser enviada eletronicamente, nos termos da Portaria nº 52/2010 da Presidência deste Conselho.
NICOLAU LUPIANHES NETO
Juiz Auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça
Esse Documento foi Assinado Eletronicamente por NICOLAU LUPIANHES NETO em 17 de Fevereiro de 2012 às 11:31:39
A decisão da desembargadora para beneficiar a prefeita de Paço do Lumiar foi desesperada e provocou constrangimentos ao judiciário maranhense. 
A decisão de retornar Bia Venâncio ao cargo pela 3ª vez foi anunciada dois dias antes em blogs e carro de som no Maiobão.
Por Edgar Ribeiro.
Enviado por Eri Santos Castro.
Compartilhe.

A ausência de Washington Luiz no lançamento da Campanha da Fraternidade

Estou agora na Arquidiocese de São Luís, onde está ocorrendo o lançamento maranhense da Campanha da Fraternidade. Todos falam da ausência de algém representando o governo do Estado. O tema deste ano é Saúde. Todos sentem inclusive a ausência do ex-sindicalista e vice-governador Washington Luiz, logo ele que tem origem nos movimentos sociais!
A assessoria da Vice-governadoria tem que corrigir essas falhas, para que esse espaço não seja figurativo.
Em tempo: A assessoria da Vice-governadoria passou-me uma mensagem tentando esclarecer que hoje era somente uma coletiva com a imprensa. Isso é verdade, mas nessa coletiva estavam todos os principais parceiros dessa campanha da Igraja Católica no Maranhão (Entidades, Poderes Legislativos de São luís e do Maranhão, Prefeitura, personalidades diversas, menos o Governo do Estado e logo o vice-governador Washington Luiz, que tem origem nos próprios movimentos sociais maranhenses. É mais uma falha, queres que aponte a falha do Carnaval... e  outras?
Postagem acrescida de informação às 11h31min, em 24.02.2012

O show dos palhaços tristes


Sobre o curioso sucesso crítico e popular de “O Palhaço”, filme com uma triste visão do humor e do cinema.




Assistir a este longa brasileiro depois de longos meses de exibição pode apresentar algumas dificuldades. É complicado escapar à repercussão da mídia, aos prêmios, ao grande número de rankings “melhores de 2011” em que O Palhaço figurou. Falaram em “maturidade artística” do diretor e ator Selton Mello, em “ator completo”, em alguém que teria um código de ética exemplar durante as filmagens, respeitando todos ao redor. Alguém que teria conseguido conciliar crítica e público numa produção de orçamento modesto.
Mas existe também o filme em si, o material que precedeu todas estas frases e prêmios e que, por uma razão desconhecida, chegou até este grande reconhecimento do público. A surpresa inicial não é com a baixa qualidade da obra, mas com esta imagem e esta sociedade que quase nunca se vê no cinema brasileiro. Se em Feliz Natal a burguesia brasileira era enquadrada como num filme da argentina Lucrécia Martel, o lado circense desta segunda realização levou o diretor a uma estética muito mais fantasista, ilusória.

Por Bruno Carmelo, do Discurso-Imagem, leia mai aqui.
Enviado por Eri Santos Castro.
Compartilhe. 

23/02/2012

Lula e Chávez seriam suicidas?


No último fim de semana, as imprensas de Brasil e Venezuela – ambas de oposição aos governos desses países – empreenderam ataques idênticos aos dois maiores líderes políticos sul-americanos: Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez Frías. As armas usadas foram os cânceres que acometem a ambos.

Matérias veiculadas pelos jornais Folha de São Paulo e El Universal na internet acusaram os dois políticos de estarem adotando comportamentos virtualmente suicidas para obterem lucro político.

22/02/2012

Deu “pânico” na RedeTV!

A coluna Zapping, do jornal Agora S.Paulo, confirmou nesta semana que o programa “Pânico na TV” mudará de canal. Ele deixará a RedeTV!, onde era exibido desde 2003, e passará a ser transmitido pela Band. A mudança evidencia a violenta crise da emissora dos empresários Amilcare Dallevo e Marcelo de Carvalho, que não paga os salários dos funcionários e caminha para a falência.

A transferência do programa de maior audiência deve agravar ainda a situação da RedeTV!. Ele era responsável por cerca de 40% do seu faturamento em publicidade. Em comunicado divulgado na sexta-feira (17/2), Rede Bandeirantes anunciou a chegada da nova atração e informou que ela deverá estrear em abril. O diretor-geral de conteúdo da emissora, Diego Guebel, comemorou a contratação: “Estamos felizes em receber em nossa grade um programa querido pelo público e de sucesso comprovado (sic)”.

Processo trabalhista milionário

Além de mudar de canal, a equipe do “Pânico” anunciou que deverá entrar com ação na Justiça contra a RedeTV! por desrespeito às leis trabalhista, assédio moral e perdas e danos. Entre as provas elencadas para o milionário processo, os humoristas lembram que em agosto de 2011 a emissora só pagou metade do salário. O restante foi pago em dezembro. Os demais meses jamais foram pagos.

Os atrasos penalizam todos os funcionários da emissora e criam uma situação de insegurança e tensão. “O humorista Carioca, que faz entre outros o personagem Jô Suado, começou a cogitar a idéia de levar os dois filhos para a escola pública; outro humorista, Bola, teve de vender seu carro no mês passado”, relata o sítio Brasil 247.

Em dezembro, a âncora do Rede TV! News, Rita Lisauskas, foi demitida sumariamente após criticar os atrasos em sua página no Facebook. “Estou com a consciência tranqüila. Eu não podia sentar naquela bancada e fingir que nada estava acontecendo à minha volta. Pais e mães de família, profissionais sérios, sem dinheiro em plena época de Natal”, disse a jornalista após a demissão.

Mansão do tamanho do Estádio do Morumbi

A situação da Rede TV! mostra bem como age uma parte da máfia midiática. Enquanto os salários sofrem atrasos, o empresário Amilcare Dallevo, acionista majoritário da emissora, jactava-se de estar construindo uma das maiores mansões do país. O imóvel terá 17 mil metros quadrados de área construída – com duas piscinas, uma delas aquecida, 18 quartos, 14 banheiros e um cinema com capacidade para 50 pessoas. O imóvel também possui dois heliportos - um deles ligado diretamente à suíte do casal.

“Para se ter uma idéia, a futura residência do empresário é do tamanho do Estádio do Morumbi e, se a família não crescer, a mansão será ocupada apenas pelo casal, pela sua filha que está à caminho, e pelo seus três cachorros: dois pastores alemães e um yorkshire chamado Smart”, descreve, com sarcasmo, o sítio Brasil 247.
 
 Por Altamiro Borges.
Enviado por Eri Santos Castro.
Compartilhe.
 

Gabinete Digital-RS como passagem da democracia representativa para a democracia participativa

  •  Debate sobre democracia 2.0 movimenta Conexões Globais

    A Casa de Culura Mario Quintana, em Porto Alegre,  palco do Conexões Globais 2.0, de um painel  que analisou as possibilidades de construção de uma nova democracia tendo a internet e as novas tecnologias como aliadas. O painel  contou com a participação do ex-ministro da Cultura Gilbero Gil,  do coordenador geral do Gabinete Digital-RS Vinícius Wu, da jornalista e escritora espanhola, especializada em Oriente Médio, Olga Rodriguez e do jornalista criador do Le Monde Diplomatique Antônio Martins.

    Na terra que foi criado o Orçamento Participativo e do Fórum Social Mundial, discuti-se o Gabinete Digital como passagem democracia representativa para a democracia participativa.

    Com Gabinete Digital do Rio Grande do Sul.
    Enviado por Eri Santos Castro.
    Compartilhe.

"Garzón e a metáfora de Bergman", artigo do Governador Tarso Genro


No filme O ovo da serpente, de Ingmar Bergman, dois desempregados aceitam trabalhar numa clínica que faz experiências com seres humanos. É a Berlim da falência da República de Weimar. A decomposição do Estado está retratada na dissolução da moeda: seu valor já é medido pelo peso do papel em que ela é impressa. O filme de Bergman mostra a gênese do nazismo, na consciência dos humanos degradados. Eles preparam-se para aceitar, no nazismo, o mito da redenção pela raça e assim ver o outro como uma “coisa”, para que a sua própria pequenez possa imperar sem contrastes.

É o ovo da serpente, a célula do mal em gestação, a expressão do processo vital, que prepara o seu ataque ao coração da democracia, depositado no corpo da Constituição de Weimar.

A condenação unânime, pela Sala Penal do Tribunal Supremo, do magistrado Baltazar Garzón a onze anos de inabilitação – que equivale à sua expulsão da magistratura da Espanha – é também um fato político marcante da crise europeia. Trata-se de um forte sinal de degradação das instituições do Estado de Direito, no âmbito de um país importante da União Europeia. Garzón teve a sua carreira marcada pelo combate ao terrorismo do ETA, combate à corrupção no governo Felipe Gonzáles – depois de ter sido seu Ministro da Justiça – e no governo Aznar. Combateu a corrupção no sistema financeiro espanhol e global, e processou – através dos mecanismos de persecução criminal de Justiça Universal – assassinos como Pinochet e torturadores a soldo de várias ditaduras.

Conheci Garzón na década 1990. Como advogado tive a honra de lhe entregar documentos, em Madri – em reunião formal na Sala Penal que ele presidia na “Audiência Nacional” – que comprovavam o assassinato de um brasileiro pela ditadura chilena. Na oportunidade, ele presidia investigações que buscavam responsabilizar, pela tortura e morte de nacionais espanhóis, oficiais chilenos da temível agência de “seguridad” da ditadura, a famosa Dina.

Sua condenação não ocorreu, na verdade, por ter determinado a escuta de conversas entre advogados e criminosos, na descoberta de uma das maiores redes de corrupção da administração pública do país, que chegou a quadros de primeira linha do Partido Popular, hoje no governo, na Espanha. Foi, principalmente, um claro revide do franquismo ainda remanescente no estado espanhol, porque Garzón ousou abrir investigações sobre chacinas e assassinatos em massa, cometidos pelos vencedores da Guerra Civil.

O Estado de Direito e os poderes que o compõem estão sob ataque na Europa. A condenação de Garzón tem um efeito devastador sobre o senso comum democrático, porque reduz o grau de confiança do cidadão comum, tanto na política quanto nas instituições forjadas pela democracia. É o ovo da serpente ibérico. Este julgamento, combinado com a proibição do referendo sobre os ajustes econômicos na Grécia – ditados de fato pelo Banco Central alemão -  e os deboches do charlatão Belusconi sobre o seu próprio poder Judiciário, quando no poder, são sintomas de uma crise.

Vinculam o ajuste econômico europeu a um “ajuste político”, que faz a democracia europeia transitar do autoritarismo economicista sem política para o autoritarismo político com chancela judicial.
Por que devemos falar sobre isso? Porque também estamos atravessando um “ajuste político” no nosso país. Neste, os três Poderes de Estado – Legislativo, Executivo e Judiciário – estão sob permanente assédio de denúncias, que contêm tanto verdades, como meias verdades, assim como suposições transformadas em informação. Isso é o excesso de democracia, que é bom porque só a democracia aceita excessos. E é bom porque, mesmo que muitas denúncias sejam infundadas e muitas informações sejam, inclusive, deliberadamente falseadas por motivos de preferência política, só assim, no dia claro do debate – mesmo que desigual – forja-se uma consciência democrática verdadeira. Devemos falar sobre isso também por outros motivos. A nossa democracia é ainda mais tenra que a espanhola, mas nossas instituições de Estado – na síntese – têm dado claras demonstrações de vitalidade. Devemos, então, festejar as coisas boas, pois caso não o façamos ficaremos apenas com os erros ou supostos erros, que nos amargam todos os dias.

Nesta amargura, justificada ou não, deixaremos de lembrar que o nosso país e todas as suas forças sociais, políticas e institucionais têm construído uma boa democracia e um país melhor. Isso está retratado em caso recente, quando o STF debateu sobre poderes do Conselho Nacional de Justiça, com argumentos que fizeram honra à Justiça brasileira. Foi um caso de grande importância e repercussão para o futuro, pois penso que além de uma decisão correta, por maioria, os argumentos dos votos, vencidos e vencedores, pautaram-se pela defesa do garantismo democrático e da transparência.

Nem todos gostam de todas as decisões do Supremo. Muitos de nós divergimos, jurídica e politicamente, de muitas delas. Ainda bem que isso ocorre, pois se a divergência é fundamentada e de boa-fé, ganha a cultura jurídica democrática da nação. O ovo da serpente está no ninho do Tribunal Supremo de Espanha, com a condenação de Garzón. Não está no nosso Supremo Tribunal Federal. Não estar lá é motivo de orgulho e júbilo para todos os brasileiros.

*Artigo do Governador Tarso Genro publicado na edição de 15 de fevereiro de 2012 do Jornal do Comércio.
Enviado por Eri Santos Castro.
Compartilhe.

Campanha da Fraternidade 2012: Saúde Pública


Olha o Sacavém de novo, FAVELA DO SAMBA É HEPTACAMPEÃ!

A Favela do Samba é a campeã do carnaval de São Luís-2012, com 270 pontos. 

CLASSIFICAÇÃO GERAL - CARNAVAL 2012
1º Favela do Samba – 270 pontos
2º Flor do Samba – 267 pontos
3º Turma do Quinto – 261 pontos
4º Unidos de Ribamar – 243 pontos
5º Império Serrano – 241 pontos
6º Túnel do Sacavém – 235,5 pontos
7º Turma de Mangueira – 234 pontos
8º Terrestre do Samba – 210 pontos
9º Marambaia do Samba – 205,5 pontos
10º Mocidade da Cohab – 200,5 pontos
11º Unidos de Fátima – 196 pontos

Igor Lago não deixará o PDT

NOTA AOS TRABALHISTAS
Lamento profundamente a decisão autoritária de alguns membros da Executiva Nacional a respeito da Comissão Provisória Estadual do Maranhão.

Não posso deixar de expressar meu inconformismo com a forma com que trataram o nosso Partido, num total desrespeito à nossa história e ao legado de seus fundadores, dentre eles o ex-governador Jackson Lago e o ex-deputado federal Neiva Moreira, assim como à vontade da imensa maioria de nossos líderes e militantes.

Rasgaram os princípios das boas práticas partidárias e da própria democracia interna e, com um “canetaço”, optaram pela minoria que, a rigor, não tem projeto partidário a não ser os seus próprios interesses pessoais ou de grupo.

Fizemos todos os esforços para que não cometessem essa violência ao tentar convencê-los, pelo bom senso e pela altivez, que o melhor caminho seria a prorrogação de nossa Comissão Provisória Estadual ou a homologação da que foi deixada pelo nosso ex-governador e a marcação da Convenção.

Após o Carnaval daremos uma entrevista coletiva, como forma de prestar satisfação e informação de nossos próximos passos aos trabalhistas e à opinião pública.

Não nos resignaremos e lutaremos com todos os meios garantidos por nosso próprio Estatuto, para que a Democracia prevaleça e, assim, possamos continuar lutando sob o legado de Getúlio, Pasqualini, Jango, Brizola, Francisco Julião, Doutel de Andrade, Abdias Nascimento, Darcy Ribeiro e Jackson Lago.

Saudações Trabalhistas!
Igor Matos Lago.

E agora Igraja Universal?

  • Fiscais da Receita Federal apreenderam, nesta terça-feria (21), no aeroporto de Viracopos (SP), um avião tipo Citation X (foto) da Igreja Universal, com cerca de US$ 20 milhões (R$ 34,2 milhões)
    É a segunda vez que autoridades federais apreendem dinheiro da igreja de Edir Macedo em um aeroporto. A primeira foi n dia 11 de julho de 2005, em um hangar da TAM em Brasília. A Polícia Federal flagrou o bispo João Batista Ramos Silva, então deputado pelo PFL-SP, com cerca de R$ 10 milhões em dez malas.


As 100 melhores canções de rock de todos os tempos

O site de compartilhamento de músicas on-line Grooveshark disponibilizou uma playlist com as 100 melhores canções de rock de todos os tempos. A lista, que compreende o período de 1955 a 1986, traz desde os célebres Buddy Holly, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Jimi Hendrix e Beatles, até clássicos contemporâneos como Aerosmith e Nirvana. A lista disponibilizada pelo Grooveshark é uma compilação de 20 listas especializadas.
grooveshark.com
Grooveshark provides free music streaming, online radio stations, and lets you connect with artists and friends.

Depois do Carnaval, David Harvery no Brasil


David Harvey fará conferências em São Paulo e no Rio de Janeiro

O geógrafo britânico David Harvey vem ao Brasil a convite da Boitempo Editorial. Ele apresentará conferências em São Paulo e no Rio de Janeiro entre os dias 27 e 29 de fevereiro, logo após o carnaval. Autor do livro "O enigma do capital e as crises do capitalismo", entre outros, Harvey é um dos marxistas mais influentes da atualidade e um apoiador engajado do movimento Occupy. Todos os eventos serão gratuitos e sem necessidade de insrição prévia.

O geógrafo britânico David Harvey acaba de confirmar visita ao Brasil, a convite da Boitempo Editorial, para realizar as conferências de lançamento do livro "O enigma do capital e as crises do capitalismo". Serão três dias de eventos em universidades de São Paulo e do Rio de Janeiro: na segunda-feira, dia 27/02, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) recebe Harvey no Teatro TUCA; na terça-feira, dia 28/02, é a vez da Universidade de São Paulo (FAU-USP); e na quarta-feira, dia 29/02, o autor marxista se apresenta na Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS-UFRJ).

Todos os eventos são gratuitos e sem necessidade de inscrição prévia. Nos locais haverá venda dos livros da Boitempo com descontos especiais.

Confira a página oficial de David Harvey no Brasil.

Programação completa

27/02 | Segunda-feira | 19h30 - São Paulo (SP)
Teatro TUCA da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
Rua Monte Alegre, 1024 - CEP 05014-001, Perdizes - Tel. (11) 3670-8458
Com a presença de Leda Paulani (FEA/USP) e João Ildebrando Bocchi (FEA, PUC-SP)

Realização: APROPUC, Núcleo de Estudo de História: Trabalho, Ideologia e Poder (NEHTIPO), Departamento de História da PUC-SP, Faculdade de Ciências Sociais da PUC-SP e Boitempo Editorial
Apoio: PUC-SP e Teatro TUCA


28/02 | Terça-feira | 18h30 - São Paulo (SP)

Auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU/USP)
Rua do Lago, 876 - CEP 05508-900, Cidade Universitária - Tel. (11) 3091-4801

Com a presença de Ermínia Maricato (FAU/USP) e Mariana Fix (LabHab)
Realização: FAU/USP, Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos da FAU (LabHab), Pós-Graduação FAU/USP e Boitempo Editorial


29/02 | Quarta-feira | 18h - Rio de Janeiro (RJ)

Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ (IFCS/UFRJ)
Largo de São Francisco, 01 – 2º Andar – CEP 20051-070 – Centro

Com a presença de Marco Aurelio Santana (PPGSA-IFCS-UFRJ)

Realização: Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA-IFCS/UFRJ), Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS-UFRJ), Núcleo de Estudos Trabalho e Sociedade (NETS-IFCS/UFRJ) e Boitempo Editorial


O enigma do capital e as crises do capitalismo

Em seu novo livro, O enigma do capital e as crises do capitalismo, David Harvey, o geógrafo acadêmico mais citado do mundo, desnuda as razões para o fracasso da sociedade de “livre mercado”, jogando por terra o argumento de que a crise financeira mundial, que começou em 2008 e está longe de acabar, não tenha precedentes. “Tento restaurar algum entendimento sobre o que o fluxo do capital representa. Se conseguirmos alcançar uma compreensão melhor das perturbações e da destruição a que agora estamos todos expostos, poderemos começar a saber o que fazer”, afirma o autor. Para tanto, Harvey estuda as condições necessárias para a acumulação do capital e utiliza rigoroso arsenal teórico ao expor o papel fundamental que as crises têm na reprodução do capitalismo e os riscos sistêmicos de longo prazo que o capital representa para a vida no planeta.

Riscos sistêmicos estes, inerentes ao capitalismo de livre mercado, que os economistas não foram capazes de compreender quando a crise estourou e até hoje parecem não ter ideia do que são ou do que fazer com eles. Nem sempre, porém, houve essa cegueira generalizada entre os economistas. Segundo Harvey, nos primeiros anos do capitalismo, economistas políticos de todos os matizes se esforçaram para entender os fluxos do capital, mas nos últimos tempos se afastaram do exercício de compreensão crítica para construir modelos matemáticos sofisticados, investigar planilhas e analisar dados sem fim. Qualquer concepção do caráter sistêmico desses fluxos foi perdida sob um monte de papéis, relatórios e previsões.

Com uma capacidade analítica singular, Harvey dirige-se de forma didática e acessível ao leitor pouco familiarizado com o jargão econômico ou marxista, sem ser simplista. Por meio da construção detalhada de cada conceito, torna a leitura gradativamente mais complexa na medida em que uma maior articulação é necessária para explicar a dinâmica do fluxo do capital, seus caminhos sinuosos e sua estranha lógica de comportamento, tarefa fundamental para explicar as condições em que vivemos atualmente.

Sobre o autor
David Harvey é um dos marxistas mais influentes da atualidade, reconhecido internacionalmente por seu trabalho de vanguarda na análise geográfica das dinâmicas do capital. É professor de antropologia da pós-graduação da Universidade da Cidade de Nova York (The City University of New York – Cuny) na qual leciona desde 2001. Foi também professor de geografia nas universidades Johns Hopkins e Oxford. Seu livro Condição pós-moderna (Loyola, 1992) foi apontado pelo Independent como um dos 50 trabalhos mais importantes de não ficção publicados desde a Segunda Guerra Mundial. Seus livros mais recentes, além de O enigma do capital (Boitempo), são: A Companion to Marx’s Capital (Boitempo, no prelo) e O novo imperialismo (São Paulo, Loyola, 2004).

Da Assessoria do autor.
Enviado por Eri Santos Castro.
Compartilhe.