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13 de jan. de 2017

Eri Castro participará da reunião nacional do movimento MUDA PT e do Diretório Nacional do PT

Participarei da reunião nacional do movimento MUDA PT e do Diretório Nacional do PT, na próxima semana, em São Paulo. Eis a programação: 
REUNIÃO NACIONAL DA MENSAGEM AO PARTIDO EM JANEIRO.
MOVIMENTO PIRACEMA-MUDA PT
Atenção dirigentes estaduais da Mensagem ao Partido! O Congresso do PT se aproxima! Por isso chamamos todos e todas para a reunião da Coordenação Nacional da Mensagem ao Partido que ocorrerá em São Paulo (dia 18 de janeiro) e do Muda PT (dia 19 de janeiro).
Vamos traçar a estratégia para o Congresso e debater a atualização do Programa do PT.
A presença de todos e todas é fundamental.
Dia 18 de Janeiro - em São Paulo:
14h às 21h - Reunião da Coordenação Nacional da Mensagem ao Partido
Local: Sede do PT (Rua Silveira Martins 132 - Metrô da Sé)
Dia 19 de Janeiro - em São Paulo:
9h 30 min às 12h - Reunião do Muda PT
Local: Sede do PT (Rua Silveira Martins 132 - Metrô da Sé)
14h - Reunião da Executiva Nacional do PT
Local: NOVOTEL JARAGUÁ (Rua Martins Fontes, 71 – Centro – São Paulo/SP)
18h - Ato de Lançamento do Congresso Nacional do PT
Local: NOVOTEL JARAGUÁ (Rua Martins Fontes, 71 – Centro – São Paulo/SP)
Dia 20 de Janeiro - em São Paulo:
9h - Diretório Nacional do PT
Local: NOVOTEL JARAGUÁ (Rua Martins Fontes, 71 – Centro – São Paulo/SP)

30 de nov. de 2016

Lula admite pela 1ª vez ser candidato a presidente do PT, o único que pode unificar o partido. Do contrário, divisão e chamas

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou, pela primeira vez, que pode vir a assumir a presidência do PT; pessoas próximas ao ex-presidente dizem que Lula ainda teria resistências, mas admite que talvez não tenha alternativa a não ser aceitar provisoriamente o posto para evitar um racha na sigla; Lula estaria mesmo focado em lançar uma nova candidatura ao Planalto.
Com Brasil 247
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4 de out. de 2016

Perdemos todos, vamos renovar

"A lição das urnas mostra que a ausência de um partido hegemônico – pela esquerda, com um programa autêntico de construção da nação e capaz de consolidar o Estado Social de Direito – é a principal barreira que devemos superar"

Tarso Genro:um dos principais quadros da esquerda mundial.

Um brilhante artigo do Professor Roberto Amaral, "Os desafios das esquerdas fragmentadas", oferece um roteiro excepcional para o debate que devemos abrir, em defesa da democracia e da república, no momento em que as urnas sinalizam, não somente o fim da hegemonia petista, no âmbito da esquerda, mas eficácia das novas formas de luta – já assumidas em todo o mundo – pela direita conservadora rentista. Esta, aliada com os centros de inteligência neoliberais, pautada pelo oligopólio da mídia, que exige as "reformas" no Estado Social, conta, de um lado, com a decadência das formas tradicionais de fazer política – assumidas pelo PT – como partido hegemônico, e, de outro, com o "cansaço" da democracia, que não consegue mais dar estabilidade a conquistas sociais, nem vitalidade às liberdades políticas.
O PT teve muitas candidaturas dignas e autênticas, como as de Raul Pont e Fernando Haddad – para mencionar apenas duas capitais – e outras tantas por este Brasil afora, mas, em regra, teve um desempenho pífio ou dissolveu-se em alianças regionais de conveniência, sem se dar conta que, na verdade, esta eleição seria um pleito de recomeço e não de continuidade da política de resistência contra o impedimento da Presidenta. Este, de resto, já era (e é) fato político consolidado, mesmo grande parte da população tendo consciência que foi enganada sobre os propósitos da sua derrubada, que ocorreu para que seja feito um "ajuste" profundo, na economia, não para combater a corrupção.
Toda a falência do nosso sistema de alianças pode ser sintetizada num dos exemplos, entre os vários dados pelo professor Amaral, no texto referido: como explicar que o PT, em Olinda, não tenha apoiado Luciana Santos, presidenta nacional do PCdoB, e este partido – em Recife – tenha apoiado o candidato da direita, contra João Paulo do PT, sabidamente um homem do campo da esquerda? Quando se levanta esta perplexidade, não está se buscando "responsabilidades" locais, pois, de resto – em momentos eleitorais – as forças políticas locais se movem pragmaticamente, quando não ocorre uma intervenção de um centro dirigente legítimo. O que está se buscando é visualizar quais as estratégias nacionais, que estes partidos adotam, para "naturalizar" tal fragmentação, bem como o sentido de responsabilidade histórica, que definem na conjuntura atual, para permitir que os seus agentes políticos se movam com esta leveza sem estratégia.
Na verdade, parece que estes partidos do campo da esquerda agem como se o país não transitasse por um processo político de "exceção", como se o Estado Social de Direito não estivesse sendo desmantelado, como se a hidra do fascismo não estivesse levantando uma das suas cabeças, como se o "ajuste" em curso – que integra de forma definitiva o Brasil na tutela do "rentismo" global – (e faz a sua própria base social sólida), fosse um mero acidente de percurso. Na verdade, todavia, é sabido que estes ajustes só são aplicáveis quando as corrupções contingentes, de qualquer Estado, tornam-se modo estrutural definitivo de governabilidade, como está correndo no Brasil.
Não vou dar exemplos da falta de estratégia democrática de outros partidos, mais além do que pontuais, porque a finalidade deste artigo não é, neste momento, travar uma polêmica com os que se colocam "à esquerda", desta aliança do PT com o PCdoB, que deveria informar um sistema de alianças mais amplo, tanto à esquerda como à sua "direita". A ideia é refletir sobre os erros – principalmente do PT como partido hegemônico – no campo que defendeu a ilegitimidade do golpe contra a Dilma e foi o alvo principal de uma sistemática campanha de destruição, pelo oligopólio da mídia, inclusive nos dias próximos à eleição.
Coloco na minha breve abordagem a seguinte pergunta: o que faz o PT – por exemplo -lançar a candidatura em Belém, de Regina Barata (1,71%) – paralela à candidatura de Edmilson, do PSOL (30%) – , numa eleição em que este, homem de esquerda e gestor excelente enfrentava, já no primeiro turno, um forte candidato do PSDB, que hoje é o principal repositório do golpismo pós-moderno, no país? Reputo que com esta postura -independentemente das suas intenções nobres – o PT reflete a mesma concepção de fundo do PSOL (embora o faça com viés burocrático), pela qual ele se avoca o mais importante representante da esquerda, deixando de lado a melhor candidatura, para enfrentar o adversário comum.
Esta posição exclusivista, seja do PT, que chega nela pela via burocrático eleitoral, seja do PSOL – que a defende em vários lugares como uma estratégia socialista – retira do centro do conflito eleitoral a questão democrática, que tinha sido superada na Constituição de 88, agora golpeada por um Congresso sem legitimidade. Se a questão democrática não for, hoje, no país, a questão mais decisiva a ser enfrentada por uma frente política novo tipo – que passe inclusive por dentro dos processos eleitorais – meu raciocínio está errado. Mas, se estou certo, os resultados eleitorais nos centros políticos mais importantes do país consolidaram o Governo Temer, reforçaram o PSDB e atrasaram a unidade popular para enfrentar a exceção.
Quero lembrar, ainda, outro aspecto que me parece extremamente relevante. Trata-se de um fato histórico de alta complexidade, através do qual a questão democrática e nacional, foi retomada pela direita por outra via, pela qual a suposta defesa da nação (contra o comunismo) não se tornou em nenhum momento dominante. Isso permitiu falsear ao extremo os interesses de classe tradicionais, que envolveram os surtos autoritários de períodos anteriores: a soberania popular foi revogada no país, em nome da luta contra corrupção, mas o seu propósito era e é – com ou sem corrupção – aplicar um programa claro de natureza econômica, para integrar de forma profunda o Brasil no domínio do "rentismo" global. Este faz e amplia a sua própria base social e política no processo de reformas, que tem o apoio de diversos partidos e frações de partidos e que tinha se aninhado inclusive dentro do próprio PT.

Em suma, a lição das urnas mostra que a ausência de um partido hegemônico – pela esquerda, com um programa autêntico de construção da nação e capaz de consolidar o Estado Social de Direito – é a principal barreira que devemos superar, para que o campo popular e democrático no país recupere a iniciativa e enfrente o golpismo amplamente vitorioso nas eleições deste ano.
Por Tarso Genro, 65, é ex-governador do Rio Grande do Sul. Foi ministro da Justiça, da Educação (ambos no governo Lula), prefeito de Porto Alegre pelo PT (1993-1996 e 2001-2002) e um dos principais quadros da esquerda mundial.
Enviado por Eri Santos Castro.
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14 de set. de 2016

Direitos fundamentais e o futuro incerto, por Tarso Genro

A lucidez de um dos melhores quadros da esquerda mundial

Num livro publicado pela primeira vez em 1912, o constitucionalista mexicano, professor Emilio Rabasa (La Constituición y la Dictadura, Ed. Porrúa, México 2006), ao falar, sobre o sufrágio universal, reportando-se ao que ocorria na França, à época, diz que lá “são os operários das grandes fábricas, mediante a intervenção de patrões benquistos (que não chegam a prevalecer como grupos subordinados) “e portanto são apenas perturbadores”. Era a época em que o Estado de Direito não aparecia, ainda, como Estado Social de Direito, no qual os “perturbadores” passam a ter um protagonismo democrático que redesenhou a sociedade de classes, ao longo do século passado.
Uma separata recente da “Revista de Derecho Social”, traz um poderoso artigo do jurista Antonio Baylos Grau, relatando e comentado uma sentença da Primeira Seção da Sala Penal da Audiência Nacional Espanhola, que julgou “delitos contra as Instituições do Estado, atentados, associação ilícita, e um delito de danos”, por fatos que teriam ocorrido em junho de 2011, numa manifestação que o Movimento 15-M convocou ante o Parlamento da Catalunha.
A palavra de ordem da convocatória foi ‘bloquear o Parlamento’ (…), “não permitiremos que aprovem os cortes!” (sociais, no Orçamento Público). A sentença, que teve uma grande ressonância midiática, absolveu todos os acusados, excetuando um imputado por delito de “dano”, condenado pela ação individual de autoria comprovada, que arruinou com um “spray” a indumentária da deputada socialista Montserrat Tura.
Os manifestantes geraram incidentes com os deputados, tentaram bloquear a entrada dos mesmos no recinto do Parlamento e proferiram insultos contra eles. A sentença interpretou estas manifestações coletivas de uma ótica oposta à tradicional visão de Segurança do Estado. Construiu as premissas de absolvição dos acusados pelo Ministério Público, a partir do reconhecimento de que elas, as manifestações, visavam a defesa dos “direitos fundamentais”. A sentença fez uma rigorosa separação entre as ações coletivas, que manifestam a sua indignação contra a agressão àqueles direitos, de uma parte, e as responsabilidades individuais por delitos comuns, de outra.
Os crimes comuns, ou contravenções -extraí-se da sentença- devem ser destacados da ação política coletiva, voltada para travar a agressão aos direitos fundamentais, representada pelos cortes orçamentários. Não só porque aqueles delitos se originam de comportamentos individuais, no interior da ação política (fora dos propósitos do movimento) como, a rigor, vem em seu prejuízo, sendo ordinariamente originários de infiltrados ou eventuais participantes que, na verdade, são indiferentes às finalidades das lutas em curso e estão ali por outras motivações.
Ao colocar a Segurança do Estado no mesmo plano dos direitos fundamentais, a sentença da Audiência Nacional integra a “segurança social” do Estado Social de Direito, no próprio conceito de Segurança do Estado. E exclui, do âmbito da intervenção penal, conduta que promove uma “legítima defesa” dos direitos sociais constitucionalmente amparados, recusando o conceito tradicional de “segurança nacional”, originário da “Guerra Fria”, acolhido pelos juristas mais conservadores. Estes conceitos são baseados na premissa de que o Estado pode, ou deve ser “seguro”, mesmo às custas da concreta insegurança da maioria dos seus cidadãos.
A questão da “ordem pública”, portanto, neste diapasão, deve repousar numa ordem social que gere o compartilhamento de certos níveis de segurança para todos, como elemento essencial do Estado, para o exercício do seu monopólio de violência legítima. A sentença leva em consideração que, na época em que a formação da opinião pública é facilmente manipulável pelos meios de comunicação, que massivamente transmitem as mensagens do “caminho único”, é preciso garantir a visibilidade de ideias que existem na sociedade e que tem, nas manifestações públicas, “o único meio de de difundir seus pensamentos opiniões”.
“Quando os leitos de expressão e de acesso ao espaço público -diz a sentença- se encontram controlados por meios de comunicação privados, quando setores da sociedade tem uma grande dificuldade para fazer-se ouvir ou para interferir no debate político, somos obrigados a admitir um certo excesso no exercício das liberdades de expressão ou manifestação, se queremos dotar de um mínimo de eficácia o protesto e a crítica, como mecanismos de imprescindível contrapeso numa democracia que se sustenta sobre o pluralismo, valor essencial que promove a livre igualdade das pessoas, para que os direitos sejam reais e efetivos, como anuncia a Constituição no seu preâmbulo”.

No momento em que o oligopólio da mídia faz um esforço combinado para legitimar o golpismo, que levou ao poder de maneira articulada a pior parte do Governo Dilma, aliada com a pior parte da oposição, uma sentença como essa não pode ficar desconhecida dos nossos Juízes e do Ministério Público. O Governo que aí está, programou a demolição da Constituição através do sucateamento dos direitos fundamentais, arduamente conquistados na Constituição de 88. E o que sustenta este Governo ilegítimo, senão o oligopólio da mídia e duas centenas de deputados com contas a prestar na Justiça? Nada. A não ser o temor reverencial sobre a insegurança de um futuro incerto.

15 de jul. de 2016

O PT do Maranhão e o 'Caminho para a distância IV".


O PT do Maranhão e o 'Caminho para a distância IV".

Há urgências, algumas de curto prazo, imediatas. Outras de médio e longo prazo, estratégicas.
No curtíssimo prazo, nada mais importante que barrar o impeachment que é golpe. O governo interino, fruto da traição e do conservadorismo de direita, e misturado à corrupção, levará o país, se continuar, a perder soberania, colocará os pobres e os trabalhadores de novo na subalternidade à que estiveram condenados historicamente, eliminará conquistas e direitos. Nas mobilizações, nas ruas, nos debates públicos, na desobediência civil, nada mais relevante que derrubar o governo golpista. Segundo, no curto prazo, participar das eleições municipais de outubro, discutir um programa de governo que recupere e valorize práticas e propostas emancipatórias, com participação popular, com políticas públicas de saúde, educação, agricultura familiar e camponesa agroecológicas, mais direitos e cidadania.
As eleições municipais fazem antever uma jornada de construção mais ampla e duradoura, em que programas de governo se consolidem como políticas públicas, o povo sendo protagonista.  As urgências estratégicas não podem ser apenas delírios ou planos inexequíveis. Suas esperanças devem ter o pé fincado no chão, serem compreendidas pelas massas populares, tornar-se concretas, possíveis e vividas no cotidiano. Em qualquer hipótese, é uma longa luta, onde são fundamentais a perseverança, a humildade e o fazer coletivo.
Termino com Gonzaguinha, na voz poderosa de Betânia: “Começaria tudo outra vez,/ Se preciso fosse, meu amor./ A chama em meu peito/ Ainda queima, sabia,/ Não foi em vão…/ A fé no que virá/ E a alegria de poder/ Olhar pra trás/ E ver que voltaria com você/ De novo, viver/Nesse imenso salão./ Ao som desse bolero,/ Vida, vamos nós,/ E não estamos sós,/Veja, meu bem,/ A orquestra nos espera./ Por favor, mais uma vez recomeçar…”

14 de jul. de 2016

O PT do Maranhão e o 'Caminho para a distância III"

O PT do Maranhão e o 'Caminho para a distância III".
É preciso retomar o trabalho de base nas comunidades, nas escolas, nas fábricas, nos bairros e vilas populares, recolocar como centrais processos de formação e conscientização, baseados na pedagogia freireana, construir/formular um projeto de futuro, com desenvolvimento sustentável, democracia,  soberania, baseado no BEM VIVER, ou `buen vivir` indígena, e no cuidado com a Casa Comum.
O PT, PCdoB e parte do conjunto da esquerda brasileira ainda estão a dever, e por fazer,  uma reflexão corajosa da sua relação com o poder. Fugir da institucionalização, necessária em algum momento (depois do namoro e do noivado, costuma vir o casamento), mas sempre perigosa. Renovar o sonho é um desafio eterno. Ficar longe dos vícios do poder que corrompem práticas e utopias. Subverter as estruturas carcomidas e hipócritas, sem vacilar. Saber, sempre, que os adversários e inimigos da transformação social estão permanentemente à espreita, prontos para sabotar e destruir tudo o que cheire a solidariedade, fraternidade, igualdade, soberania.          São os tempos que vivemos no Brasil. Difíceis, perigosos. Reiventar-se é necessário, fazer autocrítica é fundamental, acreditar de novo uns nos outros e nos projetos coletivos é decisivo.

13 de jul. de 2016

O PT do Maranhão e o 'Caminho para a distância II"

O PT do Maranhão e o 'Caminho para a distância II".
Começo com Ivan Lins, na voz poderosa de Simone: “Começar de novo e contar comigo/ Vai valer a pena ter amanhecido/ Ter me rebelado, ter me debatido/ Ter me machucado, ter sobrevivido/ Ter virado a mesa, ter me conhecido/ Ter virado o barco, ter me socorrido.”
Estes tempos que vivemos e atravessamos não são tempos fáceis, seja no plano individual, seja no plano coletivo, no Brasil e no mundo. É preciso fazer escolhas, é preciso pensar o que vem pela frente, é preciso planejamento com ousadia, determinação e coragem.
Há urgências, algumas de curto prazo, imediatas. Outras de médio e longo prazo, estratégicas.

11 de jul. de 2016

Carta aberta de Tarso Genro sobre a eleição na Câmara. Ele cita o equívoco do PT ter apoiado Sarney em detrimento de Flávio Dino


Carta aberta de Tarso Genro sobre a eleição na Câmara. Ele cita o equívoco do PT ter apoiado Sarney em detrimento de Flávio Dino.
Caros companheiros: Baseado numa relação de respeito mútuo e companheirismo político, que nos identifica com ideais comuns, reporto-me a vocês através desta…
WWW.SUL21.COM.BR|POR JORNALSUL21

15 de mai. de 2016

Dowbor: ausência de reformas bloqueou lulismo e o PT precisa se reinventar/refundar

Para economista, país viveu doze anos de avanços, mas processo atingiu seu limite – e hesitação do governo frustrou mudanças estruturais indispensáveis
Ladislau Dowbor, entrevistado por Maria Inês Nassif*
O Brasil andou muito nas últimas duas décadas. Obteve um avanço social histórico desde o governo Lula, mas entrou no “ciclo travado”, a partir do qual sobram apenas duas alternativas: ou a coragem para fazer reformas estruturais, eternamente adiadas, ou o recuo. Jamais ficar no mesmo lugar.
O raciocínio é do incansável economista Ladislau Dowbor, da PUC de São Paulo. Do alto de um invejável currículo acadêmico – graduação em Lausanne, doutorado em Varsóvia, professor em Coimbra – e profissional, Dowbor carrega consigo uma vocação de eterno militante. Era um dos 40 presos políticos que, nos primeiros dias de 1971, foram trocados pelo embaixador suiço Giovanni Bucher, numa operação comandada por Carlos Lamarca.
Hoje brinca que a ditadura incentivou muito o “intercâmbio” daqueles jovens brasileiros que vagaram pelo mundo – os banidos do Brasil que ficaram preferencialmente pela Europa, depois de terem sido trocados por embaixadores sequestrados em ações da guerrilha urbana.
É com alma de militante que Dowbor tem participado de todas as intermináveis reuniões que acontecem em São Paulo desde o início do ano entre intelectuais, e professa uma “oposição” que se traduza numa unidade de forças progressistas capazes de empurrar o governo para a esquerda, garantir os avanços conquistados de direitos civis, políticos e sociais desde a Constituinte de 1988 e romper com o que ele chama de “ciclo travado”, ou seja, as limitações impostas por uma elite financeira ao desenvolvimento pleno do país.
No centro de seu pensamento está a constatação de que o rentismo impôs uma ciranda de juros elevados para rolagem da dívida pública e alto custo do crédito para pessoas físicas e jurídicas. E essa realidade se traduziu, na prática, em um severo limite ao ciclo de crescimento baseado no mercado interno, iniciado no governo Lula.
A partir de agora, ou o país banca reformas estruturais, inclusive uma reforma financeira, ou retrocederá de um período de quase três décadas de avanços contínuos – sociais, econômicos e políticos. Ladislau Dowbor concedeu esta entrevista, em São Paulo, logo depois de uma rodada de debates sobre o futuro do Brasil entre os integrantes do chamado “Fórum Brasil 21”, que tem por objetivo definir uma agenda política comum para as forças progressistas do país. A seguir, os principais trechos da entrevista que concedeu à jornalista Maria Inês Nassif.
(Entrevista publicada originalmente em “Engenharia em Revista”)
150807-Ladislau
Um acumulado de impasses
O Brasil hoje vive vários impasses. Um deles tem dimensão internacional e sofre o impacto de movimentos especulativos, sobretudo no mercado de commodities. Nos últimos 12 meses, o minério de ferro, por exemplo, que tem um grande peso na pauta de exportações brasileiras, perdeu 40% do seu valor; a soja, a laranja e outras commodities encolheram entre 20% e 30%. São cifras bastante significativas. No plano interno, o país vive um limite estrutural. O Brasil conquistou um conjunto de avanços, em particular nos governos de Lula e no primeiro governo de Dilma, mas os processos de expansão das políticas sociais chegaram a um limite, a partir do qual são necessárias mudanças estruturais.
As eternamente adiadas reformas de base não são mais adiáveis.
A resistência das elites e a crise política
Nesta tensão, a resistência das elites mostra-se extremamente forte. É por isso que a crise que se gera é essencialmente política. Não há base para falar numa crise de enormes proporções, ou que o país está quebrado, ou ainda que vai quebrar. Isso não faz o mínimo sentido. Podem até ocorrer ajustes que levem a uma racionalização de gastos do governo, mas isto não anula simplesmente a realidade de que o país está num ciclo de avanços absolutamente impressionante.
Socialmente, o Brasil mudou a sua cara. Entre 1991 e 2010, o brasileiro, que vivia até 65 anos, passou a viver 74 anos; em 2012, já vive 75 anos; ou seja, estamos falando de um país onde os brasileiros vivem 10 anos a mais. A mortalidade baixou de 30 por mil para 15 por mil. Isso resulta de uma convergência de mudanças: essas pessoas passaram a ter uma casa mais decente, a comer, são benefi ciários da expansão do serviço básico de saúde, o SUS, etc. São fatores que convergem para uma expansão do tempo de vida e para a redução da mortalidade infantil – e, convenhamos, dividir pela metade a mortalidade infantil é um gigantesco avanço. Além disso, temos um conjunto de outros números já conhecidos: a criação de 20 milhões de empregos formais e 40 milhões de pessoas que saíram da miséria.
Segundo dados do Atlas das Regiões Metropolitanas elaborado conjuntamente pelo PNUD, Ipea e Fundação João Pinheiro, houve uma redução drástica da pobreza em todas essas regiões e um aumento dos Indicadores de Desenvolvimento Básico (IDB). Mais recentemente foram divulgados os Indicadores de Progresso Social, o IPS, que acompanha 54 indicadores que são o PIB, e coloca o Brasil no 42º lugar entre 130 países, puxado para baixo essencialmente pelo problema da segurança, que é o ponto crítico e está diretamente ligado ao problema da desigualdade.
O sistema financeiro emperra a locomotiva
Escrevi um documento chamado “Bancos: o peso morto da economia brasileira”, em que eu descrevo como os juros internos da economia esterilizam as ações de política econômica social. O Rubens Ricupero e o Bresser Pereira, que foram ministros da Fazenda e entendem disso, aprovaram as minhas anotações. O capitalismo financeiro impõe severas limitações ao momento seguinte desses avanços sociais, ao avanço do Brasil em direção ao futuro. Está em curso um processo de globalização financeira mundial que torna difícil ao país adotar políticas macroeconômicas independentes e as reformas financeiras que são necessárias. Quando se cobra nos crediários mais de 100% de juros, a intermediação financeira está se apropriando da metade da capacidade produtiva da população. O imenso esforço que o Brasil fez de redistribuição e de inclusão no mercado de dezenas de milhões de pessoas, os bancos, os comerciantes com crediários, as administradoras de cartões de crédito capturaram. As instituições de crédito sugaram a capacidade de compra da população, e dessa forma esterilizaram a dinamização da economia pelo lado da demanda. Os juros para pessoas jurídicas são absolutamente escorchantes, o que trava também a economia pelo lado do investimento. Os empresários já tendem a investir pouco quando a economia está travada. Quando, ainda por cima, adquirir equipamentos e financiar empresas custa de 40% a 50% de juros, então esqueça de novos investimentos.
Veja o poder político que esses grupos têm para obrigar o governo americano, o Banco Central Europeu, Bruxelas, a encontrar trilhões de dólares em poucos meses, quando os recursos são escassos para resolver o problema da destruição ou da pobreza.
“A financeirização não é abstrata. Grupos financeiros controlam os conselhos de administração das mais diversas empresas e ditam as políticas das corporações”.
A urgente reforma financeira
Sem dúvida, são urgentes as reformas política e tributária, mas é igualmente central uma reforma financeira em profundidade.
O componente rentista da crise é parte de minha análise. Na minha avaliação, o fator central dessas limitações ao futuro é que não temos mecanismos de canalização adequada dos recursos do país. O Brasil tem uma renda per capita de US$ 11 mil – e isso é um nível de renda de um país rico. O nosso país também domina tecnologias e tem instituições. Não existem razões plausíveis para a economia não funcionar. Contudo, a generalização da inclusão social e a redução dos desequilíbrios internos esbarram em razões estruturais.
Leia entrevista completa, clique abaixo:
Pauta: Gilberto Castro.
Enviado por Eri Santos Castro.
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