14 de set de 2015

Hipótese de impeachment de Dilma preocupa Tarso Genro diante da inércia do governo federal

Aliança com o PMDB acabou, mas o partido da redemocratização do país deveria, pelo menos, defender a democracia com a permanência de Dilma no cargo de presidenta.
Tarso Genro ver situação complicar diante à inercia do governo Dilma

As declarações de Tarso Genro foram dadas em entrevista no programa “Preto no Branco”, do Canal Brasil, apresentado pelo jornalista Jorge Bastos Moreno, colunista do jornal "O Globo”. Tarso foi questionado se tem preocupação com a dificuldade de Dilma terminar o mandato e se acha que de fato ela o concluirá.
“Tenho essa preocupação, sim. Tanto é verdade que eu sustento que o PT, se deve ter algum elemento de unidade hoje, é o apoio determinado, sério, organizado e dialogado com toda a sociedade de que a presidenta Dilma tem o direito de governar. Tem que ter estabilidade para governar, mesmo que seja para fazer esse ajuste que está aí”, declarou.
O ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro do governo Lula, o petista Tarso Genro, disse ter preocupação com a hipótese de a presidente Dilma Rousseff não conseguir terminar o mandato. Ele também afirmou não acreditar na possibilidade de um “golpe militar” e defendeu que as “forças democráticas” do país dialoguem.
O pedido de saída da presidente do comando do Executivo tem sido uma das principais reivindicações dos protestos realizados no país nos últimos meses. Na Câmara, quatro pedidos de abertura de processo de impeachment foram arquivados em agosto, mas outros pedidos de investigação e afastamento ainda devem ser analisados.
Tarso, no entanto, emendou dizendo não acreditar no risco de um golpe. “Não acho que o Brasil esteja inclinado, hoje, a receber um golpe militar ou coisa parecida. Não acredito nisso. Hoje nossas Forças Armadas têm maturidade e qualidade suficientes para preservar a sua condição de guardiã da Constituição, das fronteiras e de nossa estabilidade, assim como os demais poderes. Evidentemente, tem processos legais que podem ser levados a isso”, completou.

Diálogo
O ex-ministro disse haver necessidade de diálogo entre as “forças democráticas”, incluindo os ex-presidentes. “Eu disse há pouco e repito que os ex-chefes de estado (...) têm a obrigação de conversar em momentos de crise porque têm um valor mais alto a preservar. Valor, inclusive, que preserva as condições deles terem contenciosos políticos. Esse valor é a democracia do estado de direito”, declarou.

Tarso também disse acreditar que a aliança do governo com o PMDB já acabou, mas que o partido deveria defender a permanência de Dilma no poder.

“Acho que essa aliança já acabou. Acho que o PMDB, desde o início do segundo governo da presidente Dilma, disse e escrevi sobre isso ainda em janeiro desse ano, tem a destinação de ter uma candidatura própria ou de migrar para um acordo com a centro-direita. [...] Acho que o PMDB tem obrigação de dar governabilidade ao governo da presidenta Dilma. Nós temos que defender seu mandato e honrar a votação popular. O PMDB tem obrigação com isso”, disse.

O ex-ministro de Lula, que foi presidente do PT na época do escândalo do mensalão, afirmou, ainda, que o partido precisa de reforma. “Acho que o PT [...] tem que fazer uma profunda reforma política, programática e também ético-moral para poder se reapresentar como um partido de utopia democrática no Brasil”, declarou.
Do G1.
Enviado por Eri Santos Castro.
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