19 de mai de 2015

Tarso Genro diz que formará frente de esquerda no Rio




Tarso Genro reitera que aliança do PT é pela esquerda 

A intenção do novo grupo é reunir, no Rio de Janeiro, intelectuais e políticos de diferentes partidos para discutir os rumos da esquerda no Brasil, com foco nas próximas eleições

Por Redação


Dedicado a um projeto que inclui estabelecer-se por um tempo no Rio de Janeiro, o ex-governador do Rio Grande do Sul e um dos principais pensadores do PT, Tarso Genro, externou desconforto com as medidas econômicas levadas a cabo pelo governo Dilma Rousseff e voltou a criticar aos rumos da sigla durante um debate sobre reforma política, na terça-feira (12), na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Discutindo o tema ao lado do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), o petista declarou que o ajuste fiscal em curso gera "um constrangimento impossível de ser digerido" pelo partido.
Ministro da Educação e da Justiça no governo Lula, Tarso vai se dividir entre sua residência em Porto Alegre e outra no Rio, onde pretende passar uma semana por mês. Sem dar detalhes, ele defendeu a criação de uma "nova frente política" de esquerda no país, com vistas às eleições de 2016 e 2018. A ideia é reunir intelectuais, políticos de diferentes partidos e outros atores para discutir os rumos da esquerda.
"Nós temos agora que atravessar uma eleição municipal, e o Rio de Janeiro tem uma importância muito grande nesse processo, por aglutinar uma candidatura popular e democrática que cria um simbolismo político novo para o País", declarou Tarso durante o debate. "O Rio tem forças políticas dentro dos partidos de esquerda com condições de promover uma nova unidade, uma nova frente política para revigorar o projeto de esquerda. Vejo lideranças de vários partidos capazes de fazer isso", disse, após o evento.
Embora não tenha revelado quem procurará em sua estada no Sudeste, o ex-governador gaúcho esteve reunido ontem, antes do debate, com Freixo, parlamentar que, embora faça oposição ao governo federal, deu apoio à reeleição de Dilma no segundo turno.
Em sua fala, próxima à visão de outros partidos mais à esquerda e distante de posicionamentos que prevalecem hoje no PT e no governo federal, Tarso fez novas críticas ao partido. "Nós, que somos minorias dentro do partido, não temos ninguém a nos opor, porque não há hegemonia partidária hoje. Há um condomínio administrativo e um partido em crise, que está se segurando para não entrar numa depressão profunda", declarou. "Não existe grupo dirigente. Existe um acordo de funcionalidade partidária e um projeto de estado vencido." Para Tarso, o projeto desenvolvimentista iniciado no governo Lula cumpriu seu ciclo e, portanto, está esgotado.
Ainda na seara econômica, Tarso defendeu que o Brasil precisa sair de uma posição de "dependência subordinada" e estabelecer uma relação de "cooperação recíproca" com o capital financeiro internacional. "Nós não podemos imaginar que vamos nos retirar da ordem econômica e financeira internacional. Isso não existe mais", disse o petista, que elogiou iniciativas globais como o banco dos Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
Ao reprovar as condições do ajuste fiscal em curso, Tarso propôs que o aperto seja direcionado às classes mais altas e inclua medidas como a taxação de grandes fortunas e de heranças e a reestruturação do Imposto de Renda.
"Se nós [a esquerda] não respondermos, no plano nacional, de que forma vamos reorganizar o processo econômico do País [...], dificilmente vamos ter condições de sair do tipo de ajuste que está sendo feito neste momento, que é o ajuste tradicional e que gera, inclusive a nós do Partido dos Trabalhadores, pelo menos da parte do partido da qual eu participo, um constrangimento impossível de ser digerido", afirmou.
O ex-governador voltou a criticar os grandes veículos de comunicação, a quem culpou de impedir os governos de esquerda de implementar seus projetos no país. Ele se disse favorável a uma reforma do "sistema de comunicações do País" com o objetivo de "acabar com o oligopólio da mídia".
Derrotado pelo peemedebista José Ivo Sartori na corrida pela reeleição ao governo gaúcho no ano passado, o petista disse acreditar que a crise pela qual seu partido passa vai gerar um impulso de renovação. "O PT está em crise, mas não é uma crise terminal", afirmou, acrescentando que o momento que a sigla atravessa está inserido num contexto global de dificuldades das esquerdas. "Aqueles que apostam que o PT é um partido que já desistiu de compor o cenário nacional como um partido importante estão equivocados", disse após o evento.
Defensor da tese de que o PT deveria ter sido "refundado", logo após o escândalo do mensalão, Tarso voltou a tocar no assunto ao afirmar que o partido nunca consultou seus afiliados sobre o tema. "Não o fez porque o aparato burocrático para colocar esta discussão dentro do partido teria que abdicar do seu poder decisório. Então enterraram o projeto refundacionista, que agora está começando novamente a tomar fôlego", declarou.
Referindo-se aos casos de corrupção envolvendo o partido, ele atribuiu as manifestações em reação aos escândalos, por parte do que chamou de "classes dominantes", à contrariedade de tais grupos à políticas sociais implementadas pelo PT.
"Eles são contra as ousadias dessas poucas reformas populares que foram feitas", afirmou. "A classe média brasileira está se 'paulistinizando', está cada vez mais paulista. O cara tem 50 mil no banco e acha que é o [Antônio] Ermírio de Moraes. Ele não quer pobre perto dele, ele não quer o negro na universidade, ele não quer aceitar a diversidade sexual [...] Pensa que é rico; não sabe o que é riqueza", disse, arrancando risos do público, composto por estudantes, professores e militantes de diferentes partidos.

Da assessoria.

Enviado por Eri Santos Castro.
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