14 de abr de 2014

De Eri a Euclides: minha experiência no PRC-Partido Revolucionário Comunista

Visitando o que sobrou da minha biblioteca, após o ataque fulminante dos 'carniceiros' cupins, encontrei um pequeno-grande livro que me remeteu diretamente ao final dos anos 80. Trata-se do caderno contendo as resoluções do 1º Congresso do PRC-Partido Revolucionário Comunista. 

Receber esse livro era o primeiro passo para o recrutamento ao partido de quadros, que atuava de maneira secreta e clandestina. Era um ato de reconhecimento ao 'potencial revolucionário do militante', última etapa para se participar das grandes decisões da política nacional. Este exemplar chegou às minhas mãos através do ex-presidente da UNE-União Nacional dos Estudantes, o saudoso Valmir Santos, e, é claro, acompanhado de todas as recomendações sobre o sigilo necessário.

Depois de lê-lo e relê-lo, fui apresentado às obras de Antônio Gramsci. Conceitos de Hegemonia, guerra de posição, de movimento e subterrânea; intelectual orgânico aos interesses dos despossuídos, as 17 famílias que controlam 70% da riqueza mundial desde dos tempos da Babilônia... povoaram e povoam a minha compreensão de mundo e de socialismo

Um mês depois fui aceito aos quadro do PRC, com o nome de Euclides. Três meses depois de ter recebido o livro vermelho fui eleito vice-presidente norte da UNE. Minha missão era organizar o SEMINÁRIO NACIONAL EM DEFESA DA AMAZÔNIA, tanto da destruição quanto das garras dos EUA. Cumprir a missão realizando o primeiro em Belém e o segundo em São Luís. A floresta estava cheira de comunistas revolucionários, eis alguns: Chico Mendes-AC, Marina Silva-AC, Raul Meireles-PA, Júlia-AM, Humberto-PA, JorgeViana, Wal Oliveira-MA, Pedro Dualibe-MA, Isael Gomes-MA, Fidelis-PA, ... e o meu recrutador Valmir Santos.

Um ano depois, todo animado, fui eleito um dos dois delegados da juventude nacional para o 2º congresso do PRC. O Congresso foi realizado num sítio em São Paulo, no meu ponto de encontro estava um vereador de São Paulo. Éramos uns sessenta delegados. Depois estreitei relações com Tarso Genro, José Genuíno, Aldo Fornaziere, Utzigue, Helder Milina, José Guimarães,  Marcos Cepik, Ailton Krenak, Lagone, Hermílio Santos, Campos (que recebeu-me no Congresso da UBES, em Osasco, em 1984)-Com reparos ...

O tempo passa e a memória nos revela coisas que não percebíamos. Para minha decepção, esse Congresso encerraria a experiência do PRC. A tese pela sua extinção foi vencedora, levando à  criação da "Nova Esquerda" e da Tendência Marxista, que atuaria no interior do partido de massas, que era o PT.

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