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14 de jul. de 2015

Uma grave denúncia que envolve bilhões de dólares não virou manchete nos jornalões nem comentários histéricos contra a corrupção na TV. Por que será?

Com o intento de "sangrar" o governo Dilma, a mídia privada promove diariamente a escandalização da política – com base nas prisões arbitrárias, nos vazamentos seletivos e nas "delações premiadas" de notórios bandidos. Este denuncismo, porém, desaparece do noticiário quando envolve algum cacique da oposição demotucana. Já virou até motivo de piada de que basta se filiar ao PSDB para não ser investigado, julgado ou preso no Brasil. A escandalização também inexiste quando atinge poderosos empresários. Na semana passada, pequenas notinhas informaram que vários bancos são suspeitos da formação de um criminoso "cartel do câmbio". A bombástica notícia, entretanto, já sumiu da mídia.

Segundo relato da Folha, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu um processo para investigar o "suposto" cartel formado por 15 instituições financeiras estrangeiras com o objetivo de manipular o mercado de câmbio. "É o primeiro processo antitruste no Brasil por manipulação de índices do mercado financeiro. Parte dos bancos já foi investigada pela mesma prática no Reino Unido, na Suíça e nos Estados Unidos, em processos que vieram a público a partir de 2013 e que somaram mais de US$ 5,8 bilhões em acordos e multas".

Ainda de acordo com o jornal, a investigação do Cade é mantida sob total sigilo - não há vazamentos seletivos ou prisões arbitrárias. Sabe-se, apenas, os nomes das instituições financeiras envolvidas no suposto cartel no Brasil: Banco Standard de Investimentos, Banco Tokyo-Mitsubishi UFJ, Barclays, Citigroup, Credit Suisse, Deutsche Bank, HSBC, JPMorgan Chase, Merrill Lynch, Morgan Stanley, Nomura, Royal Bank of Canada, Royal Bank of Scotland, Standard Chartered e UBS, além de 30 pessoas físicas. "Procurados pela Folha, os bancos disseram que não vão comentar o assunto".

A máfia dos banqueiros

As investigações do Cade comprovaram até agora a existência de "fortes indícios" de que os bancos adotaram práticas anticompetitivas, como a combinação de preço e de volume de moeda vendida a clientes e comprada deles. "Os operadores trocavam informações por meio de chats da plataforma da agência de notícias Bloomberg. O grupo se autodenominava com expressões como o 'cartel' e a 'máfia'. As indicações preliminares são de que as condutas ocorreram, pelo menos, de 2007 a 2013 –mesmo período em que os bancos são investigados no exterior".

Para o superintendente-geral do Cade, Eduardo Frade, os bancos investigados tentaram influenciar a Ptax – taxa calculada diariamente pelo Banco Central com base na média das operações de câmbio – e também as taxas de referência do Banco Central Europeu e da Reuters. Essas taxas são utilizadas para liquidar contratos em outros negócios, como financiamento de comércio exterior e proteção contra oscilação de moedas estrangeiras (hedge). "As supostas condutas teriam comprometido a concorrência, prejudicando as condições e os preços pagos pelos clientes", afirma o Cade.

Os acusados terão um prazo de 30 dias para apresentar sua defesa. "Concluída a investigação, caberá à Superintendência-Geral do Cade recomendar a condenação ou o arquivamento do caso, que terá de ser julgado pelo tribunal do conselho. Não há um prazo para o julgamento, e Frade disse que não deve sair uma decisão ainda neste ano. Em caso de condenação, as multas previstas variam de 0,1% a 20% do faturamento do banco no ramo de atividade em que ocorreu a infração. Os administradores pessoas físicas podem ser multados de 1% a 20% do valor das empresas pelas quais operavam".

A grave denúncia, que envolve bilhões de dólares, até agora não virou manchete nos jornalões, nem resultou em reportagens especiais nas revistonas ou em comentários histéricos contra a corrupção nas emissoras de rádio e tevê. Na prática, a mídia privada de há muito tempo está totalmente associada ao capital financeiro – é quase sua refém. Daí o silêncio ensurdecedor. A tendência é de que as apurações do Cade sumam totalmente da mídia. Esta operação-abafa não causaria qualquer surpresa. 

Isto já ocorreu com a Operação Zelotes, que investiga as fraudes fiscais de vários ricaços – como os donos da Gerdau e da RBS, afliada da Globo. O mesmo fim teve a denúncia sobre a sonegação de impostos forjada pelo HSBC da Suíça – que também envolve figurinhas carimbadas da mídia. Na prática, a escandalização da corrupção sempre serviu a interesses econômicos e políticos. Só mesmo os ingênuos e os otários acreditam nos princípios éticos e na imparcialidade dos barões da mídia.

Com a CartaCapital.
Enviado por Eri Santos Castro.
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28 de abr. de 2015

Coisas do capitalismo: Espanhol cria lâmpada sustentável que dura mais de cem anos e é ameaçado de morte

Espanhol cria lâmpada sustentável que dura mais de cem anos e é ameaçado de morte
Espanhol é ameaçado de morte por criar lâmpada que não queima, é muito mais econômica e não polui o meio ambiente.
Confira o artigo original no Portal Metrópole:http://www.portalmetropole.com/…/chocolate-que-promete-deix…

10 de abr. de 2015

Veja a face conservadora e de direita da Câmara Federal que reduziu direitos e aumentou a terceirização

A oposição de direita mente tanto e tão descaradamente o tempo todo que algumas pessoas já estão acusando o PT e Dilma pela aprovação do projeto que reduz direitos trabalhistas e aumenta terceirização, asssim como espalham que 'mudaram as regras para aposentadoria" entre outros absurdos. Contra a boataria, confere aí como votou cada partido, espalhe a verdade e cobre seu deputado. Ou minta também e culpe a Dilma de novo, claro. via Otavio Antunes

20 de fev. de 2015

Bombba, bomba, bomba: Governos brasileiro e suíço exigem a divulgação dos 8,7 nomes dos correntistas e valores depositados no HSBC de Genebra


HSBC apenas confirma conta de 8,7 mil brasileiros na sua agência da Suíça

Já são esperadas conexões com a operação Lava Jato entre as descobertas do "sequestro de todos os dados bancários” da sede do HSBC, feito pela polícia da Suíça, em Genebra; 8,7 mil brasileiros têm contas externas no banco; sucessão de bilionários e famosos implicada; vigora no inquérito a tese de “lavagem de dinheiro agravada”; bancão dos bacanas pede desculpas ao governo por ter incentivado sonegação de impostos; escândalo apenas começa.

25 de abr. de 2014

Falta liderança para deter o fim do mundo

Arquivo

 





Os dados da equação climática sugerem que a humanidade perdeu o timmimg da mitigação capaz de refrear as causas do aquecimento global.

Artigo nesta página, assinado por Roberto Savio, da IPS – Agência de notícias Inter Press Service, expõe números de uma contagem regressiva que analisada com atenção provoca calafrios.

O capitalismo encurralou o futuro da humanidade em uma estreita pinguela de uma  década e meia, se tanto.

Esse seria o tempo disponível para limar divergências, pactuar metas, dividir  cotas  e iniciar,  por volta de 2020,  um corte de 40% a 70% no volume de emissões de gases de efeito estufa, a ser concluído até 2050.

A base  de referência seria o nível de emissões de 2010.

Detalhe: aquilo que se preconiza como imperativo para as próximas três décadas destoa brutalmente da tendência registrada nas três anteriores.

As emissões no período só fizeram crescer, em degraus ascendentes.

A redução heroica projetada agora marcaria a derradeira chance de se evitar que a temperatura média no planeta aumente mais  de 2 graus Celsius até o final deste século.

A ciência adverte que qualquer degrau além  disso adicionaria um roteador endiabrado à dinâmica dos eventos extremos, anulando qualquer esforço de readaptação da atividade humana no planeta.

Mais que a indiferença diante da fatalidade, a prostração na boca do funil reflete, em primeiro lugar, um déficit de liderança na condução da agenda ambiental.

Ressalvadas honrosas exceções, ao menos no Brasil, o ambientalismo  sempre resistiu em associar a sua luta à  superação da ordem neoliberal.

Exemplo dessa contradição é o discurso da ex-ministra Marina Silva, atual candidata a vice na chapa de Eduardo Campo.

O que temos aqui? Temos aqui um inebriante coquetel de socialismo e ambientalismo  ajoelhados no altar da ortodoxia mais rudimentar e obtusa.
Campos e Marina entendem que o governo Dilma é  ‘intervencionista’.

Seu ambientalismo é cevado nas reflexões do decrescimento evocadas pelo econeoliberal, André Lara Resende, formulador de uma agradável simbiose entre arrocho fiscal e vapores sustentáveis.

A classe média semi-culta e semi-informada se inebria.

Tudo o mais fica subordinado à mais estrita vigilância de um Banco Central independente,  avisa Marina Silva.

Não vamos longe por aí.

Neomalthusianos tingidos de verde deveriam admitir, a bem da verdade,  que a bandeira do 'decrescimento’  já se encontra em vigor em sociedades díspares, da África subsaariana às economias europeias às voltas com a deflação, sob o torniquete de Merkel & FMI.

Os desdobramentos em marcha na forma de desemprego, fome e diáspora jovem  estão longe de irradiar uma aurora sustentável.

 1/3 da humanidade ainda depende da queima de lenha ou carvão (leia-se, derrubada de florestas) para preparar uma simples refeição.

 Quase um bilhão de seres humanos vive no calabouço da fome crônica. Outro tanto moureja a terra nua dispondo tão somente da força muscular para extrair seu sustento.

Mais decrescimento que isso?

Para escapar à lógica do fim do mundo  –se é que ainda há tempo—  é   preciso incorporar as circunstâncias da história realmente existente à equação sustentável.

O artigo de Roberto Sávio lembra que isso está longe de ser resolvido:

‘Dez países causam 70% do total de poluição mundial (...) os Estados Unidos e a China são responsáveis por 55%  (dela); China: os países ricos que criaram o atual problema querem que tomemos medidas que atrasem nosso crescimento?’.

Não se trata de uma contabilidade estática.

Nas últimas décadas, a desregulação imposta a todos os níveis da atividade humana agravou os contornos da crise social e ambiental.

Se os fundos  especulativos conseguem dobrar o rendimento dos detentores da riqueza financeira em  prazos curtíssimos, todos os demais setores da economia capitalista terão que perseguir idêntica voragem. Do contrário, acionistas insaciáveis fritarão o fígado de gestores empedernidos numa grande fogueira de ações nas Bolsas de Valores.

A dominância financeira impõe há mais de 40 anos uma  aceleração predatória em todas as latitudes, do macro ao micro.

 Acelerar, no léxico dos mercados, significa desregular. O quê? Tudo: da proteção ao trabalho à exploração das riquezas naturais.

A  pedra de toque do jogo do fim do mundo  são os direitos de saque sobre a riqueza disponível, exercido pela  papelama rentista cujo montante supera os US$ 600 trilhões: 10 vezes a soma do PIB planetário.

Eis o moinho satânico do nosso tempo, cujo poder de esmagamento dissemina um padrão de retorno financeiro incompatível com os valores que orientam a vida em sociedade e com as taxas de regeneração dos sistemas naturais.

A omissão ‘verde’ não isenta a negligência da esquerda diante do colapso que o IPCC prenuncia.

A década de governos do PT tirou 50 milhões de brasileiros da miséria.

Nunca é demais reiterar aquilo que desespera o conservadorismo: isso mudou a geografia política do país. Talvez de forma irreversível nos marcos da legalidade.

O que mais o PT tem a dizer a esse universo que ascendeu ao consumo e, sobretudo, como pretende que ele assuma o comando de seu destino rumo a uma cidadania plena, se no meio do caminho tem uma pedra ambiental esmagadora?

Como assegurar que a renda do pré-sal, ademais de financiar a educação pública de qualidade, erga linhas de passagem para uma matriz energética verdadeiramente à altura dos desafios do século XXI?

Os cálculos do IPCC indicam que  o sopro da barbárie já respira no planeta.

Ou alguém acredita que um poder internacional dominado pela supremacia financeira, incapaz de regular o dinheiro, terá  reservas de responsabilidade para limitar as emissões poluentes no volume preconizado pelo IPCC, e  dentro do exíguo espaço de tempo que nos resta?

As linhas da urgência ambiental e a da prostração política  indicam que a batalha da mitigação, por ora,  foi perdida.

Resta saber se a esquerda será capaz de recuperar o tempo perdido para dar à humanidade uma segunda  chance de adiar o fim do mundo.

 Por Saul Leblon.
Enviado por Eri Santos Castro.
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24 de out. de 2013

Uma geração de intelectuais moldada pelo crash de 2008 resgata Marx



Para aqueles jovens demais para lembrar da Guerra Fria mas com idade para lembrar da Grande Recessão, o marxismo parece incrivelmente atual.

Veja na Carta Maior, aqui!

Enviado por Eri Santos Castro.

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11 de jul. de 2012

MAIS QUE NUNCA, POLÍTICA É ECONOMIA CONCENTRADA


" Se em um horizonte temporal previsível não há "saída da crise" para o capital, de maneira complementar e antagônica, o futuro dos trabalhadores e dos jovens depende, em grande medida, senão inteiramente, da capacidade para abrir espaços e criar "tempos de respiração" políticos próprios, a partir de dinâmicas que hoje só eles podem mobilizar. Estamos em uma situação mundial na qual o decisivo passou a ser a capacidade destes movimentos - nascidos sem aviso - se organizarem de tal modo que conservem uma dinâmica de "autoalimentação", inclusive em situações nas quais não existam, no curto prazo, desenlaces políticos claros ou definidos (...) em última instância, as questões sociais decisivas são: "quem controla a produção social, com que objetivo, segundo que prioridades e como pode ser construído politicamente esse controle social". Possivelmente seja este o sentido dos processos e consignas "de transição" hoje em dia. Alguns poderão dizer que sempre foi assim. Mas, dito nos termos acima constitui uma formulação em grande medida, se não completamente, nova."
 (François Chesnais; indispensável  para entender a desordem neoliberal)

Enviado por Eri Santos Castro.
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22 de fev. de 2012

Depois do Carnaval, David Harvery no Brasil


David Harvey fará conferências em São Paulo e no Rio de Janeiro

O geógrafo britânico David Harvey vem ao Brasil a convite da Boitempo Editorial. Ele apresentará conferências em São Paulo e no Rio de Janeiro entre os dias 27 e 29 de fevereiro, logo após o carnaval. Autor do livro "O enigma do capital e as crises do capitalismo", entre outros, Harvey é um dos marxistas mais influentes da atualidade e um apoiador engajado do movimento Occupy. Todos os eventos serão gratuitos e sem necessidade de insrição prévia.

O geógrafo britânico David Harvey acaba de confirmar visita ao Brasil, a convite da Boitempo Editorial, para realizar as conferências de lançamento do livro "O enigma do capital e as crises do capitalismo". Serão três dias de eventos em universidades de São Paulo e do Rio de Janeiro: na segunda-feira, dia 27/02, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) recebe Harvey no Teatro TUCA; na terça-feira, dia 28/02, é a vez da Universidade de São Paulo (FAU-USP); e na quarta-feira, dia 29/02, o autor marxista se apresenta na Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS-UFRJ).

Todos os eventos são gratuitos e sem necessidade de inscrição prévia. Nos locais haverá venda dos livros da Boitempo com descontos especiais.

Confira a página oficial de David Harvey no Brasil.

Programação completa

27/02 | Segunda-feira | 19h30 - São Paulo (SP)
Teatro TUCA da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
Rua Monte Alegre, 1024 - CEP 05014-001, Perdizes - Tel. (11) 3670-8458
Com a presença de Leda Paulani (FEA/USP) e João Ildebrando Bocchi (FEA, PUC-SP)

Realização: APROPUC, Núcleo de Estudo de História: Trabalho, Ideologia e Poder (NEHTIPO), Departamento de História da PUC-SP, Faculdade de Ciências Sociais da PUC-SP e Boitempo Editorial
Apoio: PUC-SP e Teatro TUCA


28/02 | Terça-feira | 18h30 - São Paulo (SP)

Auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU/USP)
Rua do Lago, 876 - CEP 05508-900, Cidade Universitária - Tel. (11) 3091-4801

Com a presença de Ermínia Maricato (FAU/USP) e Mariana Fix (LabHab)
Realização: FAU/USP, Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos da FAU (LabHab), Pós-Graduação FAU/USP e Boitempo Editorial


29/02 | Quarta-feira | 18h - Rio de Janeiro (RJ)

Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ (IFCS/UFRJ)
Largo de São Francisco, 01 – 2º Andar – CEP 20051-070 – Centro

Com a presença de Marco Aurelio Santana (PPGSA-IFCS-UFRJ)

Realização: Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA-IFCS/UFRJ), Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS-UFRJ), Núcleo de Estudos Trabalho e Sociedade (NETS-IFCS/UFRJ) e Boitempo Editorial


O enigma do capital e as crises do capitalismo

Em seu novo livro, O enigma do capital e as crises do capitalismo, David Harvey, o geógrafo acadêmico mais citado do mundo, desnuda as razões para o fracasso da sociedade de “livre mercado”, jogando por terra o argumento de que a crise financeira mundial, que começou em 2008 e está longe de acabar, não tenha precedentes. “Tento restaurar algum entendimento sobre o que o fluxo do capital representa. Se conseguirmos alcançar uma compreensão melhor das perturbações e da destruição a que agora estamos todos expostos, poderemos começar a saber o que fazer”, afirma o autor. Para tanto, Harvey estuda as condições necessárias para a acumulação do capital e utiliza rigoroso arsenal teórico ao expor o papel fundamental que as crises têm na reprodução do capitalismo e os riscos sistêmicos de longo prazo que o capital representa para a vida no planeta.

Riscos sistêmicos estes, inerentes ao capitalismo de livre mercado, que os economistas não foram capazes de compreender quando a crise estourou e até hoje parecem não ter ideia do que são ou do que fazer com eles. Nem sempre, porém, houve essa cegueira generalizada entre os economistas. Segundo Harvey, nos primeiros anos do capitalismo, economistas políticos de todos os matizes se esforçaram para entender os fluxos do capital, mas nos últimos tempos se afastaram do exercício de compreensão crítica para construir modelos matemáticos sofisticados, investigar planilhas e analisar dados sem fim. Qualquer concepção do caráter sistêmico desses fluxos foi perdida sob um monte de papéis, relatórios e previsões.

Com uma capacidade analítica singular, Harvey dirige-se de forma didática e acessível ao leitor pouco familiarizado com o jargão econômico ou marxista, sem ser simplista. Por meio da construção detalhada de cada conceito, torna a leitura gradativamente mais complexa na medida em que uma maior articulação é necessária para explicar a dinâmica do fluxo do capital, seus caminhos sinuosos e sua estranha lógica de comportamento, tarefa fundamental para explicar as condições em que vivemos atualmente.

Sobre o autor
David Harvey é um dos marxistas mais influentes da atualidade, reconhecido internacionalmente por seu trabalho de vanguarda na análise geográfica das dinâmicas do capital. É professor de antropologia da pós-graduação da Universidade da Cidade de Nova York (The City University of New York – Cuny) na qual leciona desde 2001. Foi também professor de geografia nas universidades Johns Hopkins e Oxford. Seu livro Condição pós-moderna (Loyola, 1992) foi apontado pelo Independent como um dos 50 trabalhos mais importantes de não ficção publicados desde a Segunda Guerra Mundial. Seus livros mais recentes, além de O enigma do capital (Boitempo), são: A Companion to Marx’s Capital (Boitempo, no prelo) e O novo imperialismo (São Paulo, Loyola, 2004).

Da Assessoria do autor.
Enviado por Eri Santos Castro.
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