24 de abr de 2016

EUA culpados da crise política no Brasil, será?

Em outubro de 2013, no início dos protestos no Brasil de natureza social e econômica, o governo dos Estados Unidos indicou a diplomata de carreira Liliana Ayalde para o cargo de embaixadora dos EUA no Brasil, em Brasília, substituindo o embaixador Thomas Shannon.
Fluente em português e espanhol, Liliana era assistente de adjunto de Secretário de Estado para Cuba, América Central e Caribe, no setor de Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado.
Lembramos que entre 2008 e 2011, Ayalde foi embaixadora dos EUA no Paraguai. Um ano depois, em 2012, o presidente paraguaio Fernando Lugo foi afastado do cargo pelo Senado, por 39 votos contra 4, depois de um rápido julgamento político em que foi considerado culpado de "mau desempenho", sendo substituído pelo vice-presidente Federico Franco. O processo de impeachment durou menos de 36 horas. Lugo declarou que considerava o impeachment como um golpe, “organizado pelos EUA”, informou a agência EBC. O vice-presidente Federico Franco assumiu a presidência do país no mesmo dia da consumação do impeachment.
​A Sputnik contatou dois especialistas russos em ciências políticas para saber a sua opinião sobre o assunto e comprovar se há semelhanças entre os casos de impeachment do presidente paraguaio e da presidente brasileira.
“Acho que podemos afirmar, com certo grão de certeza, que neste caso nós falamos sobre o especialista em, por assim falar, operações secretas. Acho que não estaremos errados ao afirmar isso. Claro que no início a crise politica no Brasil tinha motivos sociais e econômicos, sendo um país grande e, em comparação com o Paraguai, mais independente no seu desenvolvimento. Mas nós vivemos em um mundo interligado e interdependente, por isso não podemos ignorar a possibilidade da influência de fatores externos neste caso, em particular, o papel de Washington na crise brasileira. Liliana Ayalde deixou o Paraguai [em 2011], um ano antes do golpe de Estado no país, mais ainda naquela época, de acordo com os analistas latino-americanos, a embaixadora estadunidense negociou sobre o possível golpe no Paraguai com o ministro da Defesa e o vice-presidente deste país, Federico Franco, que, depois dos acontecimentos de 2012, assumiu o cargo de presidente. Então já no ano 2011, os altos funcionários planejavam o afastamento do presidente Lugo do poder. Os esforços de Ayalde foram apreciados nos EUA e ela, depois de ser embaixadora no ‘pequeno’ Paraguai, encabeçou a agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional [USaid], em seguida, se tornou assistente de adjunto de Secretário de Estado para Cuba, América Central e Caribe, no setor de Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado e depois, em outubro de 2013, embaixadora no Brasil. O que é mais importante é que tudo isso aconteceu depois do início dos protestos da juventude brasileira, que primeiramente tinham a natureza social e econômica, mas logo depois foram politizados por algumas organizações não governamentais, financiados e direcionados pelos Estados Unidos. Isto é o que sabemos. E temos que admitir que a participação dos EUA nos acontecimentos de afastamento de Dilma não é discutida abertamente pelos altos políticos brasileiros. Mas a informação sobre isso existe, em particular, nos documentos publicados pelos WikiLeaks e nos discursos de alguns analistas latino-americanos em ciências políticas, que permitem formar a visão claro das origens da crise política no Brasil”, disse Aleksandr Kharlamenko, o chefe de centro da informação do Instituto da América Latina da Academia de Ciências da Rússia.
”Eu não diria que aqui tem algum tipo de conspiração, porque cada embaixador em cada Estado protege os interesses do seu próprio país, e o que Liliana Ayalde estava fazendo no Paraguai e, em seguida, no Brasil era isso mesmo. Ela simplesmente seguia as instruções do Departamento de Estado de acordo com a missão de embaixadora. Por isso acho que aqui não existe nenhum tipo de conspiração, aqui nós vemos os interesses diretos dos EUA na América Latina. E os mesmos interesses estadunidenses nos diferentes países latino-americanos estão ‘protegidos’ deste jeito. No caso do Brasil, agora nos falamos sobre o Brasil, claro que é o golpe de Estado. Mas quero admitir que o Departamento de Estado dos EUA não reconhece oficialmente os acontecimentos no Brasil como o golpe de Estado e não concorda com as avaliações de Dilma Rousseff sobre a situação”, afirma Mikhail Belyat, professor da Universidade Estatal Humanitária russa.

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