12 de abr de 2015

“O PT está em um novo recomeço ou está no fim”, diz Tarso Genro

Em entrevista ao programa Diálogos, apresentado pelo jornalista Mário Sérgio Conti, na Globo News, defendeu que o PT precisa fazer as pazes com a sociedade civil.  Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Em entrevista ao programa Diálogos, apresentado pelo jornalista Mário Sérgio Conti, na Globo News, defendeu que o PT precisa fazer as pazes com a sociedade civil. Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Da Redação
Depois de utilizar sua conta no twitter para dar sinais de insatisfação com a condução política e econômica do Governo Dilma, Tarso Genro expôs, claramente, suas críticas durante entrevista ao programa Diálogos, apresentado pelo jornalista Mário Sérgio Conti na Globo News. Mesmo ressaltando sua fidelidade ao PT e afirmando que “o país estaria em uma situação bem pior se Dilma não fosse a presidenta”, o ex-governador do Rio Grande do Sul não poupou críticas aos correligionários que estão na administração e na direção partidária.
“O PT está em uma situação extremamente difícil. Ele tem pouca influência sobre o governo e esgotou seu debate interno, o debate interno não flui mais”, afirmou ao destacar que o partido fez um pacto de estabilidade pra “sobreviver na crise”. Sobre o futuro, Tarso disse que só sabe que o PT não está no meio: “ou está num novo recomeço, ou está no fim”.
Perguntado sobre o que precisa ser feito para que a sigla consiga superar a crise, o ex-ministro de Lula defendeu a organização de um movimento “de fora pra dentro”. “O PT tem que fazer as pazes com a sociedade civil, petista, democrática, de esquerda e não partidária também. Tem que ouvir intelectuais, empresários democráticos, ouvir militantes sociais e os novos movimentos sociais que surgem e trazer pra dentro dele uma dialética inovadora”.
Os exemplos citados foram a Frente Ampla do Uruguai e o recente processo de renovação do Partido Socialista de Portugal que definiu a escolha de seu presidente em uma votação que contou também com a participação de simpatizantes e não apenas filiados. “Coisas como essa nós temos que fazer para que o PT possa ter um novo vigor político e saia dessa estabilidade burocrática que se encontra hoje”. Em artigos recentes, o petista tem defendido a criação de uma frente de esquerda no Brasil, vinculada a um programa de governo.
Organizador da coalizão política que levou o PMDB para o Governo no começo do segundo mandato do presidente Lula, Tarso Genro relembrou a importância daquele movimento, mas considera que é hora do modelo ser revisto: “O sujeito derrotou o objeto. A coalizão criada para dar estabilidade para governar virou símbolo de instabilidade, imaturidade e de apropriação fragmentária do Estado em funções de interesses regionais e, as vezes, até subalternos”.
Tarso também foi duro ao comentar a condução da economia no Brasil e no mundo. Contrário às políticas de austeridade apresentadas pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, o ex-governador disse que “a presidenta optou por um ajuste muito semelhante aos ajustes que estavam sendo propostos pelos adversários”. Segundo ele, a exceção é a Grécia, atual referência para a esquerda mundial. “A esquerda tem que colocar sua imaginação em funcionamento. Se é pra combater crises econômicas e financeiras com as mesmas receitas ortodoxas, então a esquerda perde a razão de ser”.
Sobre a operação Lava-jato, ressaltou que a descoberta do esquema de corrupção envolvendo empreiteiras vai servir para melhorar a Petrobras e lembrou que esquema começou antes do Governo Lula. “A corrupção, a violência, a destruição de populações, a apropriação de terras, os assassinatos fazem parte da evolução da sociedade capitalista”. Além de criticar corruptos e corruptores, Tarso criticou alguns responsáveis pelas investigações e pelo processo “que manipulam as informações contra o partido que está no Governo”.
Ao final, perguntado sobre a capacidade de Dilma de enfrentar a crise, em comparação com Lula, Tarso Genro resumiu dizendo que o ex-presidente “é um ser político integral, que ia da política para a gestão”, dando orientações constantes e públicas aos seus ministros. Já a atual presidente vai da gestão para a política. “Esse estilo teve eficácia no primeiro governo, mas agora tem a crise e a capacidade de gestão da presidenta está bloqueada por questões políticas”. “A presidenta tem que fazer mais política”.
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Enviado por Eri Santos Castro.
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