13 de out de 2014

Uma leitura do momento das eleições presidenciais ou um sobrevoo eleitoral, por Daniel Mendes

Sobrevoo eleitoral

Pesquisa é como febre de filho. Cada medida é um sobressalto ou uma esperança. Por isso é importante olhar o quadro geral clínico para ter uma ideia se os picos de febre são remitentes ou intermitentes.
Para entender o quadro vamos recuar até 2010. Naquele ano, num quadro semelhante de três candidaturas, Dilma venceu o primeiro turno com 43,1%, em números absolutos. Agora em 2014 recuou para 37,7%, portanto uma diferença de 5,4 pontos. 
Serra, o candidato do PSDB, teve 30% em 2010, agora praticamente decalcados nos 30,3% de Aécio.
E Marina chegou a 18% em 2010 e agora 19,3%. Abstenção e votos nulos e brancos estiveram nos mesmos patamares, o que significa dizer que a única alteração significativa foi a queda de Dilma. 
Terminado o primeiro turno em 2010, o Datafolha soltou pesquisa apontando 48% para Dilma e 41% para Serra. Compare-se com o Datafolha de agora, com Dilma 44% e Aécio 46%. Em relação ao primeiro turno Aécio cresceu 15,7 pontos e Dilma 6,3.
Isso implica dizer que praticamente 70% dos votos de Marina migraram para Aécio, antes mesmo de qualquer manifestação de adesão da candidata.
Mesmo desconsiderando a pesquisa Sensus, é evidente que a taxa de agregação de Aécio projeta uma curva ascendente, ainda que não seja cristalizada. Essa é a chave para saber se nos próximos 15 dias haverá manobra para quebrar essa curva antes que se sedimente como decisão.
Nesta manhã recebi telefonema do Ibope Inteligência e o foco das perguntas era justamente sobre isso. Até que ponto posso ou não mudar meu voto, especialmente entre aqueles que no primeiro turno não votaram em Dilma ou Aécio.
Um indicador interessante que os institutos medem é o grau de “mentira” do eleitorado. Ao responder em quem votou no primeiro turno, o resultado deveria, em tese, espelhar as urnas. Conforme aponte um desajuste, a favor de um candidato, indicará um movimento de “espiral de silêncio”, para usar um conceito da ciência política que indica uma tendência não manifesta publicamente.
O vento está soprando a favor de Aécio. Se Ibope e Datafolha confirmarem a pesquisa Sensus, só um milagre salvará a reeleição de Dilma. O quadro geral, de 2010 para cá, mostra que as enormes mudanças ocorridas no primeiro turno foram basicamente migrações dentro do território da oposição. O PT sempre sonhou com um segundo turno contra Aécio, imaginando que o eleitor de Marina fosse como febre intermitente. Os números de sobrevoo indicam uma febre remitente. Haja antibiótico!
Pesquisa é como febre de filho. Cada medida é um sobressalto ou uma esperança. Por isso é importante olhar o quadro geral clínico para ter uma ideia se os picos de febre são remitentes ou intermitentes.
Para entender o quadro vamos recuar até 2010. Naquele ano, num quadro semelhante de três candidaturas, Dilma venceu o primeiro turno com 43,1%, em números absolutos. Agora em 2014 recuou para 37,7%, portanto uma diferença de 5,4 pontos. 
Serra, o candidato do PSDB, teve 30% em 2010, agora praticamente decalcados nos 30,3% de Aécio.
E Marina chegou a 18% em 2010 e agora 19,3%. Abstenção e votos nulos e brancos estiveram nos mesmos patamares, o que significa dizer que a única alteração significativa foi a queda de Dilma. 
Terminado o primeiro turno em 2010, o Datafolha soltou pesquisa apontando 48% para Dilma e 41% para Serra. Compare-se com o Datafolha de agora, com Dilma 44% e Aécio 46%. Em relação ao primeiro turno Aécio cresceu 15,7 pontos e Dilma 6,3.
Isso implica dizer que praticamente 70% dos votos de Marina migraram para Aécio, antes mesmo de qualquer manifestação de adesão da candidata.
Mesmo desconsiderando a pesquisa Sensus, é evidente que a taxa de agregação de Aécio projeta uma curva ascendente, ainda que não seja cristalizada. Essa é a chave para saber se nos próximos 15 dias haverá manobra para quebrar essa curva antes que se sedimente como decisão.
Nesta manhã recebi telefonema do Ibope Inteligência e o foco das perguntas era justamente sobre isso. Até que ponto posso ou não mudar meu voto, especialmente entre aqueles que no primeiro turno não votaram em Dilma ou Aécio.
Um indicador interessante que os institutos medem é o grau de “mentira” do eleitorado. Ao responder em quem votou no primeiro turno, o resultado deveria, em tese, espelhar as urnas. Conforme aponte um desajuste, a favor de um candidato, indicará um movimento de “espiral de silêncio”, para usar um conceito da ciência política que indica uma tendência não manifesta publicamente.
O vento está soprando a favor de Aécio. Se Ibope e Datafolha confirmarem a pesquisa Sensus, só um milagre salvará a reeleição de Dilma. O quadro geral, de 2010 para cá, mostra que as enormes mudanças ocorridas no primeiro turno foram basicamente migrações dentro do território da oposição. O PT sempre sonhou com um segundo turno contra Aécio, imaginando que o eleitor de Marina fosse como febre intermitente. Os números de sobrevoo indicam uma febre remitente. Haja antibiótico!

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