11 de ago de 2014

História do Reis Pacheco- SARNEY É UM MAGINAL- por Juarez Medeiros, lembrado por Abdon Marinho, relembrado por Márcio Jerry e assinalado por mim

Por Márcio Jerry

Transcrevo abaixo um trecho de excelente e oportuno texto do advogado Abdon Marinho sobre o "caso Reis Pacheco". Pra saber o que está sendo urdido hoje é importante saber o que se passou há 20 anos.

"Como tudo começou? Em sua coluna semanal, se não me falha a memória, no domingo, 6 de novembro, o senador Sarney tratou de disseminar a patranha. 

No artigo “Liberdade e Reis Pacheco”, “plantava” a história que o senador Cafeteira teria mandado matar o cidadão Raimundo Reis Pacheco, funcionário da CVRD, que, num acidente de trânsito, teria matado seu sogro, o conselheiro Hilton Rodrigues. Já na segunda-feira, 07, a história ganhava o mundo, entrevistas em TV na região tocantina, panfletos, etc. 

Aos oposicionistas restava – nos dias que faltava para a eleição –, desmontar a farsa. Os deputados Aderson Lago e Juarez Medeiros (candidato a vice-governador) conseguiram localizar a mãe do suposto morto, que questionada, informou jamais ter parido um filho com o nome do denunciante ao STF. Em seguida, localizaram o “morto” no Amapá que gravou um depoimento dizendo que a história do crime jamais existira, que ele estava vivo e em boa saúde. O programa eleitoral que deveria desmascarar a farsa não chegou a ser exibido em 40% (quarenta por cento) do Estado.

A precisão da ação demonstrou uma articulação com precisão cronometrada. Dia 6, o senador divulgou a mentira; dia 7 a noticia foi difundida por todo o estado; dia 8 o falso irmão do falso morto bate às portas do judiciário.
No Maranhão, naqueles idos, não havia internet, celulares e todos os demais meios que existem hoje. A comunicação era feita só por telefone fixo, onde havia, rádio e TV.

O resultado da eleição, dentre outros motivos, foi alterado por essa farsa, acredito na história política do Brasil, pouca coisa se aproximou disso em matéria de baixaria. Imagine a ousadia dos autores em falsificar documento público, constituir um advogado e levar uma falsa denúncia a instância máxima da justiça, contra o senador da República. Essa sim, uma baixaria para ninguém botar defeito.

Nos anais da Assembleia Legislativa consta o discurso do ex-deputado Juarez Medeiros em que ele narra todo o episódio ocorrido, foi seu penúltimo discurso como parlamentar. Nele uma clara exposição de todos os crime que se comete para conquistar o poder. O título escolhido para o discurso foi: “Sarney é marginal”. 

No dia que foi proferido Assembleia Legislativa, maioritariamente governista, calou-se para escutá-lo no grande expediente, durante todo o tempo, nenhum aparte, nenhuma contestação ao que era dito. Ninguém possuía um mísero argumento contra os fatos articulados.

O episódio conhecido como “Reis Pacheco” fez a história do Maranhão ser modificada – para o bem ou mal – pela baixaria perpetrada naquela eleição. A farsa e outros fatos mais, tiraram a vitória de Cafeteira. Muitos anos depois, soube que a apesar de tudo que fizeram, aquela eleição ainda foi vencida pela oposição, que ganhou mas não levou. A liberdade – slogan da campanha oposicionista –, perdeu para a fraude e a farsa. Não duvido façam algo semelhante nesta eleição, cabe a sociedade repudiar, de forma veemente, a fraude, o engodo ou a mentira, impedindo que, mais uma vez, se modifique a vontade popular.

Se cabe a sociedade ficar vigilante quanto aos abusos perpetrados, venham eles de onde vierem, cabe aos candidatos não permitirem que suas campanhas percam o norte das propostas e do convencimento leal aos eleitores."

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