15 de abr de 2014

Tarso Genro e os desafios do seu governo- Mil anos luzes à frente da oligarquia do Maranhão patrimonialista e fisiológica

No pronunciamento que fiz na reunião conjunta com os partidos que compõem a Unidade Popular pelo Rio Grande, neste sábado, 12 de abril, apontei três diretrizes políticas de natureza estratégica que devem orientar o aprofundamento e a renovação do nosso programa de governo para o próximo período, caso minha pré-candidatura seja confirmada e sejamos eleitos.
Escrevo este pequeno texto repetindo de forma sintética o que disse, pois, com as exceções de praxe, a crônica política tradicional não cobre o que efetivamente se debate em reuniões desta natureza e ressalta, apenas, aquilo que julga mais atraente e palatável para os seus leitores.
Apontei três elementos estratégicos que ligam o Rio Grande, de forma inevitável, ao que ocorre no país e no mundo “globalizado”: o desafio da “questão democrática”; a questão da “natureza do desenvolvimento”; e o problema da “legitimação dos governos” frente a um processo radical de desconstituição da política e dos partidos orientado pela ideologia neoliberal, através da grande mídia monopolista.
I.  Sobre a “questão democrática” ressaltei que a força dos Estados Democráticos de Direito, por mais benignas e progressistas que sejam as Constituições modernas, vem se esvaziando progressivamente, face à tutela que o capital financeiro, principalmente especulativo, exerce sobre todas as instituições de Estado, através da coerção da dívida pública.
O chamado “pagamento da dívida” – na forma e nos prazos que interessam aos investidores da especulação – torna-se uma chantagem permanente sobre os Estados e Governos, com total insensibilidade em relação aos problemas econômicos e sociais que enfrentam os pobres e os excluídos. Isso bate, fortemente, em Estados como o nosso, que precisa lutar com as armas que dispomos a partir dos governos e da ação política da cidadania, para manejarmos a questão, controlando a dívida, reduzindo-a e, ao mesmo tempo, promovendo o desenvolvimento econômico e social.
Não capitular, portanto, perante a força coercitiva do capital financeiro, que manda no mundo a partir da chantagem da dívida pública, grande parte dela constituída através de jogos especulativos nos porões criminosos do mercado financeiro global.
II.  Sobre a questão da “natureza do desenvolvimento”, defendi que o dever de um governo sério, atento aos problemas do conjunto da sociedade – dos trabalhadores, dos empreendedores produtivos, dos setores da inteligência técnica, dos agricultores de todas as origens – deve promover um tipo de desenvolvimento específico para a sua região, de “baixo para cima”. Isto quer dizer um desenvolvimento planejado, tanto a partir da base produtiva histórica, já aqui assentada, formada por empresas de todos os tamanhos (que têm uma força extraordinária a partir da agricultura familiar e camponesa), bem como da sua capacidade de atrair de investimentos associados, que venham de fora do Estado e do país, para integrar-se com esta base produtiva local.
Fazer esta integração, portanto, a partir das encomendas e das compras que façam do nosso setor privado, da associação virtuosa com empresas locais e das respostas que podem dar ao governo, que faz renúncias tributárias para gerar emprego e renda nas regiões em que as empresas se instalam. Não se submeter a uma política que declina da responsabilidade de prever e planejar, deixando a responsabilidade do desenvolvimento vinculada a apenas uma cadeia produtiva, esquecendo a rica diversidade da nossa base industrial e agrícola, construída por muitas gerações de gaúchos e gaúchas, trabalhadores e empreendedores locais.
III. Finalmente abordei a questão da “legitimação dos governos” e das iniciativas do Estado, enquanto indutor-regulador, num mundo em que as grandes cadeias de comunicação são verdadeiros partidos políticos de “novo tipo”. Grupos organizadores do discurso e promotores da pauta política da direita neoliberal, principalmente em dois sentidos: desmoralizando a política e os partidos, para promoverem soluções tecnicistas e burocráticas para os problemas sociais e econômicos (de costas para as necessidades mais urgentes dos trabalhadores e dos excluídos em geral), de um lado, e, de outro, desmoralizando governos que não rezam pela sua cartilha neopopulista do “mercado perfeito”.
Assim, ao mesmo tempo que este grupos relativizam as corrupções dos seus aliados, promovem “novas lideranças” não manchadas pela militância – que sempre apontam como “suja” – para, com isso, iludir que estes se preparam para redimir a política, ocupada por pessoas incompetentes e interesseiras. Qualquer um serve, até que eles sucumbam no próximo escândalo que gera mais desesperança na política e nos partidos, para que os grupos de controle da opinião pública possam – destruindo em definitivo a crença nas funções públicas do Estado – substituí-lo pelo “deus” mercado, dos gustavos e dos francos atiradores da especulação.
Abrir um processo de participação social, através de mecanismos diretos e virtuais, nos quadros da democracia representativa e constitucionalizada, previsível/estável, é o antídoto para salvar a democracia política e as grandes conquistas sociais da modernidade, dos seus detratores mais perigosos: os golpistas pós-modernos, que querem controlar o Estado através da manipulação da informação para – através do fantasma da dívida pública – amedrontar governos e povos visando, como sempre, acumular sem trabalho e sem risco.
Este é o pleno conteúdo da manifestação pública que fiz na plenária da Unidade Popular pelo Rio Grande, através da qual aceitei a condição de pré-candidato à reeleição para, se eleito, governar o meu estado por mais quatro anos, com participação popular e diálogo, promovendo a restauração continuada das funções públicas do Estado.

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