3 de mar de 2014

‘Os Estados Unidos têm que se desintegrar como a União Soviética’

Thomas Naylor pregou apaixonadamente a independência do Estado de Vermont.
Thomas Naylor Wrapped in Flag
Thomas Naylor com a bandeira de sua sonhada república
Morto aos 76 anos no final do ano passado, Thomas Naylor foi um dos mais originais e provocativos intelectuais americanos de seu tempo. Professor emérito de economia da Universidade Duke, autor de trinta livros e libertário por inteiro, Naylor dedicou seus últimos anos à causa da separação do estado em que vivia, Vermont, da federação americana. Ele via nos Estados Unidos semelhanças notáveis com a tirania soviética, encerrada com a desintegração do império russo
A causa de Naylor foi brilhantemente defendida no Manifesto Vermont, que o Jornal Pessoal-Eri Castro se orgulha em compartilhar com o público.
"Um espectro ronda os Estados Unidos,  o tecnofascismo , um sistema em que indivíduos livres permitem ao governo e às grandes empresas controlar  suas vidas através do dinheiro, dos mercados, da mídia e da  tecnologia. O resultado disso tudo é a perda de vontade política, de liberdades civis e da cultura tradicional.
Nós, o povo de Vermont,  acreditamos  que os Estados Unidos da América se tornaram muito grandes, muito poderosos, muito intrusivos, muito materialistas, muito high tech, muito globalizados, muito imperialistas, muito violentos, muito antidemocráticos e muito ineficazes no atendimento às necessidades dos cidadãos e das pequenas comunidades. Eleições presidenciais e parlamentares são compradas e vendidas pelo maior lance. Governos estaduais e municipais também assumem pouca responsabilidade para a solução de seus problemas  sociais, econômicos e políticos, de bom grado abdicando de suas tarefas vitais.
Nossa nação sofre de megalomania – uma obsessão com poder pessoal, nfluência,  grandeza, riqueza.  Vivemos sob o culto obsessivo-compulsivo de tudo o que é grande – grande governo,  grandes cidades,  grandes negócios,  grandes escolas, grandes armas,  grandes redes de computadores, grande ciência e grandes, grandes partidos políticos.
Megaempresas, que não prestam contas a ninguém, nos dizem o que comprar, quanto pagar e quando devemos substituir o que compramos.Também nos dizem onde trabalhar, quanto receberemos, e quais serão nossas condições de trabalho .
O World Trade Center foi o santuário da globalização, onde os fiéis prestaram homenagem ao sistema internacional de produção em massa, marketing  de massa, distribuição de massa, consumo de massa, megainstituições financeiras e sistema global de telecomunicações — um universo que funcionaria melhor se todos nós fôssemos o mesmo. Mas muitas vezes a globalização foi conseguida através de coerção, do coletivismo, da exploração, do monopólio e do poderio militar americano.
A política externa americana é baseada na premissa da infabilidade do poder político, econômico, tecnológico  e militar. Nossa história difere pouco da de qualquer outro império. Ela está enraizada no imperialismo diante dos nativos americanos, dos afroamericanos e das nações que se colocam em nosso caminho. Desde o fim da II Guerra Mundial, os EUA intervieram nos assuntos de 22 países, e nenhuma destas intervenções  foi precedida por uma declaração de guerra.
Como a guerra contra o terrorismo niilista se expande, é apenas uma questão de tempo antes de o Pentágono restabelecer o serviço militar obrigatório. Quantos habitantes de Vermont estão preparados para morrer ou sacrificar suas crianças para fazer o  mundo seguro para o McDonalds, a Wal-Mart, os  automóveis beberrões de gasolina, Bill Gates  e o resto dos 400 americanos mais ricos da Forbes?
Os EUA correm o risco de exaustão imperial, em que a soma das nossas interferências globais  excede o poder de defendê-las  todas simultaneamente.   Como outros impérios – o romano, o otomano, o espanhol, o napoleônico, o britânico e o soviético –, o império americano pode vir abaixo por uma doença interna e não por uma ameaça externa.
Naylor
Naylor
Pequenos ajustes pouco servirão para nosso país aleijado. Há apenas uma solução: a dissolução pacífica dos Estados Unidos. Muitos habitantes de Vermond vêem o American Way of Life com um olhar de desprezo —  afluência, tecnomania, culto corporativo, a militarização do espaço, bajulação  dos ricos e poderosos. Eles estão desiludidos com a arrogância e a concupiscência do país, e anseiam por uma vida mais simples, menos materialista,  mais gratificante.
Vermont pode cuidar de si mesmo. O estado não tem bases militares, nem grandes cidades,  nem grandes instalações governamentais,  e praticamente não tem indústrias estratégicas.  Como Noruega, Dinamarca, Suécia e Suíça, Vermont  não é uma ameaça a ninguém. Por que alguém iria invadir Vermont? O que fariam com Vermont ?
Vermont tem pouco em comum com Boston, Nova York, Houston,  Los Angeles ou Chicago. Por que os moradores do estado deveriam ser taxados para pagar a proteção militar de Nova York, o epicentro do capitalismo global e ganância corporativa, ou Washington, a insípida capital do Império ? Como é que Vermondt pode evitar uma guerra global  entre os que têm e os que não têm?
Não há soluções rápidas para os nossos problemas de grandeza e de falta de conexão.  Capacitar, alimentar e apoiar pequenas comunidades é um processo lento e árduo.
Thomas Jefferson disse na Declaração de Independência: “Sempre quequalquer  forma de governo se tornar destrutiva, é direito do povo alterá-lo ou aboli-lo, e instituir um novo governo.”
Chegou a hora de todos os cidadãos de Vermont pacificamente se rebelarem  contra o Império  para (1) recuperar o controle de suas vidas que foi tomado pelo grande governo,  pelos grandes negócios, pelas grandes cidades,  pelas grandes escolas e pelas  grandes redes de computadores; (2) reaprender a cuidar de si mesmos num ambiente descentralizado, menor, desmilitarizado e humanizado;  e (3) aprender a ajudar os outros a cuidar de si para que todos nós nos tornemos menos dependente de um grande negócio, de um grande governo e de uma grande  tecnologia.
Jefferson
Jefferson
Nós, os cidadãos de Vermont,  pacificamente e respeitosamente pedimos aos  deputados estaduais democraticamente eleitos para considerar uma e apenas uma questão – a retirada de Vermont dos Estados Unidos da América e o retorno a sua condição de república independente como foi até1791. Uma vez que a declaração de secessão seja aprovada por uma maioria de dois terços dos deputados, o governador de Vermont terá poderes para negociar um acordo de separação com o secretário de Estado.
No mundo do terrorismo global,  qualquer estado pertencente aos EUA está exposto ao risco de ataque terrorista, bem como ao recrutamento militar de sua juventude. Secessão já não é apenas uma causa abstrata libertária, mas um caminho para a sobrevivência. Chegou a hora de enfrentar a realidade de desunir ou morrer."

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