Já é hora de fazer um inventário e um balanço crítico dos dois primeiros anos do governo Jackson.
Se vale o que foi feito( o foco na industrialização do estado- dezenas de indústrias sendo instaladas no Maranhão , a exemplo do complexo da refinaria em Bacabeira-; o incentivo da criação de um pólo energético, a partir dos biocombustíveis, pesquisa de gás e petróleo e energia aeólica nas ilhas marítimas; o incremento do agronegócio associado à preservação ambiental e aos interesses dos trabalhadores rurais; a educação com a construção de 160 novas escolas e reforma de dezenas- nos dois governos de Roseana foram inauguradas apenas três escolas-; o combate às moradias de risco; a agricultura familiar; as obras de infraestrutura- são mais de dois mil quilômetros de asfalto, barragens para perenização de águas, o PAC do rio anil, o PAC do saneamento básico e água tratada nos lares maranhnses ;a modernização do complexo do porto do Itaqui,a hidréletrica de Estreito e centenas de quilômetros de estradas vicinais-); o turismo como elemento de geração e distribuição de renda- a ampliação da logística e infra em São Luís e Barrerinhas, com destaque a rodovia do litoral MA/PI/CE-; políticas de inclusão social- as comunidades quilombolas, mulheres, juventude, índios e idosos; o aumento da nossa pecuária, com a erradicação da aftosa, gerando maior competividade do nooso rebanho a regionalização do atendimento à saúde- os socorrões do interior, com a inauguração do primeiro, em Presidente Dutra, o programa saúde da família; a valorização das atividades culturais da nossa gente entendida como processo e não como ações eventuais visualizadas nas festas juninas , no carnaval da maranhensidade; o conceito de segurança cidadã, valorizando a prevenção, o pré-crime do ponto de vista social;...e a modernização da administração direta e valorização dos servidores públicos.), mas vale o que será.
E o que será? É de fundamental importância o ajuste do projeto estratégico de governo com o planejamento das ações táticas (programáticas) nos próximos dois anos, com muita criatividade frente a pequena capacidade de investimento do estado.
A grande prioridade é retirar o Maranhão desse estágio pré-capitalista e feudal de 40 anos de estagnação, criando uma grande massa de assalariados e donos de pequenos negócios , gerando assim a nossa passagem pelo capitalismo, rumo ao socialismo.Algo que é prévio na vocação do governo Jackson. Não podemos dar brechas para a ineficiência e a burocracia/lentidão de realizar as grandes mudanças que o nosso povo clama. A tão sonhada reforma de governo tem que ter como horizontes esses elementos e que seja logo, amém!
Ao contrário do que muitos amigos do governo pregam,numa autoconfiança excessiva, o fantasma do golpe da cassação não foi embora. Os inimigos do movimento da renovação e afirmação de um novo projeto para o Maranhão estão vivos e não renunciam a nenhuma forma de contra-luta. Desde a desconstrução através da submissão à hegemonia e intoxicação midiática mentirosa, até ao exercício da 'judicialização' de resultados eleitorais que os desagradaram.
Ganha força essa tática. Já deu certo no Amapá, por que não daria por aqui? Até as eleições municipais, agora, eles investem para reformular os seus resultados (Barrerinhas, Coroatá, Caxias, ...). Se eles usam e apresentam todas essas formas de contra-luta, em nome de quê deveríamos renunciar a grande oportunidade de realizarmos um corte definitivo com o passado de acumulação de riquezas para poucos e miséria para muitos? Perante a violência de cima, exercida, não por um louco à solta, mas por toda uma rede de comunicação poderosíssima , organismos de inteligência e mega-empresários de operações internacionais etc. — os maranhenses deveriam por acaso responder oferecendo mansa e submissamente “a outra face”? Não me parece justificado. Não me parece realista. Não me parece aceitável.
As forças de esquerda dentro do governo precisam melhorar e organizar suas intervenções. Digo isso, porque sabemos que o governo Jackson é um combinado de forças políticas onde a hegemonia, infelizmente não é exercida por esse setor, mas por idéias da política tradicional. E será se esses agentes tradicionais tem compromisso com a vocação transformadora do governo Jackson? Não obstante a vontade de Jackson, é esse jogo de correlação de forças no interior e fora do governo que irá determinar o grau do seu sucesso na sua missão.
Para se contrapor ao Maranhão feudal precisamos não apenas colocarmos em prática um projeto transformador, mas enfretarmos o poder midiático dos adversários desse projeto com uma comunicação eficiente e inequívoca.
O governo não pode permitir que os inimigos do projeto libertador do Maranhão desrespeitem o governador e o seu projeto com passividade e tolerância 1000. É esse o Maranhão que os grandes grupos econômicos aprovam e que sua gente rejeita. Os agentes do governo precisam usar até de interpelações judiciais. Em Pinheiro, por exemplo, todos os dias os meios de comunicação existentes por lá, inclusive de falsos aliados,denigrem a imagem de Jackson.
Agora são outros dois anos. Temos que radicalizar nosso projeto de outro Maranhão, acelerando as transformações, ajustar as áreas deficitárias ou com outros problemas e declarar vigília permanente, associada aos movimentos sociais do campo e da cidade, pela garantia da superação desse estágio pré-capitalista e feudal que ora enfrentamos. Um ponto que merece destaque é a chance do governo iniciar, junto com a sociedade organizada, uma grande brigada pela erradicação do analfabetismo no estado, a exemplo do segundo país mais pobre das Américas, a Bolívia, que em três anos, gastando menos de 40 milhões de dólares venceu essa praga,em três anos, utilizando um método cubano com ajudas de técnicos de Cuba e da Venezuela, que são os outros dois países latinos livres do analfabetismo.
Concluo esta breve intervenção citando o poeta maranhanse César:" ...essa nova oração é uma canção de vida, pelo sangue da ferida no chão e não cicatrizará a não ser a própria gente. E diga sim a quem nos quer acolher, mas se for pra nos enganar diga não..." Avante Governador, avante povo do Maranhão!