Uma reflexão, talvez, de quão inusitado é para os cubanos ouvir Castro fazer tais comentários, sejam eles irônicos ou não.
Encontro
No encontro, ocorrido a portas fechadas no Vaticano, Castro elogiou a sabedoria do pontífice: "Eu vou recomeçar a rezar e voltar à Igreja se o papa continuar por esse caminho", disse o presidente cubano.
Ele agradeceu ao pontífice por mediar a reaproximação entre Cuba e os Estados Unidos.
Castro viajou ao Vaticano após ter participado das comemorações russas do Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial, na capital Moscou.
No encontro, ficou decidido que Francisco visitará a ilha em setembro, antes de sua viagem oficial aos Estados Unidos.
'Conquista diplomática'
Para o pontífice, a restauração das relações entre Estados Unidos e Cuba ─ realizada em conversas secretas no Vaticano ─ foi uma grande conquista diplomática, informou o
correspondente da BBC em Roma, David Willey.
Os Estados Unidos impuseram um embargo comercial à ilha após a Revolução Cubana que só começou a ser suspenso no
fim do ano passado, após mais de 50 anos.
O encontro entre Castro e Francisco durou cerca de 50 minutos ao fim do qual o presidente cubano conversou com repórteres.
"O pontífice é um jesuíta, e eu, de certa forma, sou também.
Estudei em escolas jesuítas", disse ele.
Depois de sugerir que voltaria a professar a fé católica, ele acrescentou: "Eu quero dizer o que disse".
Tanto Castro quanto seu irmão, o ex-líder cubano Fidel Castro, foram batizados como católicos, mas muitas das atividades da Igreja foram suprimidas depois da revolução.
Francisco será o terceiro papa a visitar Cuba, depois de João Paulo 2º, em 1998, e Bento 16, em 2012.