8 de dez de 2014

26 anos sem João Batista, ex-deputado e militante da luta do povo brasileiro. Um pistoleiro de Pinheiro-MA encarregou-se desse crime encomendado por latifundiários

Foi um pistoleiro de Pinheiro-MA quem matou, por encomenda, o deputado paraense.




26 anos sem João Batista, ex-deputado e militante da luta

 do povo brasileiro


por Pedro Cesar Batista [Militante do campo]

Mais um ano marca o assassinato do advogado e deputado estadual do Pará, João Carlos Batista, militante da luta do povo brasileiro e da classe trabalhadora internacional contra a exploração e a opressão imposta pelo capital e defensor do socialismo e da verdadeira emancipação humana.

No dia 8 de dezembro de 1988, logo após participar de uma sessão no Plenário da Assembleia Legislativa do Pará, que debatia o Regimento Interno da Constituinte Estadual, Batista denunciou, mais uma vez, uma ameaça de morte que havia sofrido dois dias antes por parte de dois oficiais da PM paraense (sempre a PM).

Decorridos 26 anos do crime, dois pistoleiros foram presos. Um, antes do júri, foi degolado dentro da Penitenciária de Americano. Outro foi condenado. Depois de passar alguns anos preso, encontrava-se “prestando serviços” como matador para a PM do Piauí, quando foi assassinado em um crime de queima de arquivo. O nome dele era Pelha, natural da cidade de Pinheiro-MA, terra do presidente da direita José Sarney, cujo irmão Penaldo foi prefeito da cidade de nome de presidente Sarney. Até hoje, nenhum mandante foi indiciado ou punido, apesar de existirem muitos indícios sobre quem foram os mandantes do assassinato de Batista ninguém foi preso e julgado.

Mais de duas décadas se passaram desde o assassinato de Batista e a luta em defesa da Reforma Agrária e dos direitos dos trabalhadores do campo e da cidade continua, exigindo mobilizações populares. O governo Lula/Dilma, por 12 anos, sustenta-se em aliança com o agronegócio, o latifúndio e políticos fisiológicos, inclusive membros da UDR - organização paramilitar responsável pelo assassinato de dezenas de lideranças de trabalhadores rurais, como a senadora Kátia Abreu.

Esse quadro exige a retomada do trabalho de formação, organização e mobilização, resgatando as tradicionais bandeiras das lutas da classe trabalhadora. O confronto histórico está dado de forma clara e dura, como sempre foi, de um lado os proprietários, sustentados por seus serviçais; e do outro, todos os que vivem do seu trabalho, manual e intelectual.

Resgatar a memória dos combatentes do povo é mais que necessário, o que possibilita nortear os caminhos a serem trilhados pelo povo e por aqueles que ousam enfrentar os poderosos, evitando assim a manipulação e os desvios de rota.
João Carlos Batista foi um dos exemplos de combatente do povo, que não se deixou cooptar, nem se rendeu, nem se vendeu, e acabou por ser vítima da violência dos latifundiários e capitalistas que não hesitaram (nem hesitam) em matar para garantir seus privilégios.

A história mostra que o caminho é a unidade dos lutadores e lutadores do povo para o combate, firme, organizado e revolucionário para conquistar a verdadeira liberdade e emancipação humana.
João Batista, presente!

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