14 de mai de 2014

Morre o poeta e amigo José Chagas. A vida vai ficando mais pobre

Só agora fico sabendo da morte do poeta José Chagas, aos 89 anos, na tarde desta terça-feira. Ele estava hospitalizado desde o dia 23 de abril, após um AVC (acidente vascular cerebral).
Chagas nasceu José Francisco das Chagas, em Piancó (PB), em 29 de outubro de 1924. No Maranhão, primeiro viveu longa temporada em Pedreiras, mudando-se muito depois para São Luís.
Duas coisas me fizeram amigo e admirador de Chagas: o caráter e a cortante ironia. Em 2013, fiz inúmeros planos de encontros com ele, todos postos de lado pelas idiossincrasias da vida. Não consegui transformar os planos nem num mísero telefonema.
Chagas era um poeta apreciador dos clássicos da literatura tanto quanto dos poetas populares do Nordeste. No Maranhão, participou de uma geração de poetas e intelectuais de grande relevância.
Era um homem de imensa modéstia e timidez, dado a viver num mundo em que esses atributos eram e são vistos com desdém ou considerados irrelevantes.

Certa vez, no período em que estivemos mais próximos, em sua casa ele me disse, não sem  ironia, que não passava de um versejador. Na convivência com Chagas aprendi a apreciar a expressão “pai-d’égua”. Com voz diminuta, ele puxava algum frase ou circunstância controversa de um escritor, soltava um risinho também abafado e diminuto e soltava o “pai-d’égua”, querendo dizer genial, no bom e no sentido depreciativo da palavra genial.

Embora de uma geração muito distante da minha, sempre tive imenso apreço por Chagas, assim como uma saudade muito grande, embora ele estivesse vivo e morássemos na mesma cidade. Algo quase impossível de explicar. Agora que ele morreu, a saudade certamente desaparecerá. Restará somente a dor de não tê-lo bem ali no Monte Castelo, e não poder mais fazer planos sempre adiados de visitá-lo.

Por Roberto Kenard, confira aqui! 
Enviado por Eri Santos Cstro.
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