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19 de fev. de 2013

Suzano Celulose: crime e castigo

Ante a possibilidade de um encontro, hesitava. Como se achegar? Perguntaria o quê? Arriscaria uma avaliação indesejada por parte dessa pessoa?  Ela era quem dizia ser ou representava? Incrível que essas dúvidas assaltassem sua mente. 

Nunca fora disso. Nem precisaria relembrar as inúmeras vezes que arriscara em viagens nas quais o único contato se resumia a uma conversa rápida por telefone. A pessoa que respondia as perguntas entendia perfeitamente as suas intenções? Duvidava. 

Era esse o seu papel. Duvidar. Aquela ida a Urbano Santos se iniciara dessa forma. Ela escrevera um comentário sobre Dostoievski e dessa forma teve coragem para se aproximar. 

Achou incrível encontrar nela alguém que goste de Dostoievski. As pessoas para quem ligava e perguntava sobre a produção de bacuri no Baixo Parnaiba, na maioria das vezes sindicalistas, eram solicitas. Quem mora no interior do Maranhão se desprende das coisas bem mais fácil do que as pessoas que moram na capital. 

O presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Urbano Santos apontara as áreas do município que produziam mais bacuris. Justamente, as áreas mais distantes. Só Deus e alguns mortais comuns puseram seus pés sobre aquela terra em outros tempos. 

As comunidades de São Raimundo, Bom Principio e Bracinho se situam nas fronteiras de Urbano Santos com Anapurus e Santa Quitéria. Elas venceram os projetos que pretendiam desmatar as suas Chapadas e assim produzir carvão vegetal e plantar eucalipto. 

Os projetos da Suzano Papel e Celulose e do senhor Evandro Loeff alargariam os plantios de eucalipto em mais de dez mil hectares. Os moradores de Bebedouro, povoado vizinho a Bracinho, comportaram-se de maneira reprovável. Eles receberam do governo do Maranhão o título da terra. Logo depois, desfizeram-se da sua terra, pois venderam uma parte a Suzano e a outra ao Evandro Loeff. 

Sem área para plantarem e sem área para coletarem frutos, sobrou aos moradores de Bebedouro roçarem a área de Bracinho sem pedirem permissão e apanharem bacuri em São Raimundo e Bom Principio também sem permissão. 

Os desmatamentos na Chapada os prejudicaram tanto que, imediatamente, quiseram recuperar o prejuízo. Não havia mais retorno, respondeu o Juiz Jorge Moreno às suas perguntas, pois pactuaram com o demo.   

Quase certo que os moradores de Bebedouro ansiavam por uma mágica e a resposta do juiz foi que nenhum truque os salvaria. 
 
Por Mayron Régis.
Enviado por Eri Santos Castro.
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9 de dez. de 2012

A CHAPADA REUNE PRODUÇÃO E SIMBOLOGIA


Assim que os agricultores familiares se aproximam, os órgãos fundiários e ambientais e o sistema judiciário sentem uma compulsão enorme por lavarem as mãos. Em certos casos, a dificuldade que os agricultores enfrentam para se dirigirem ao Incra ou ao Iterma, saindo de suas comunidades cedo da manhã, nem se compara com a dificuldade que é obter alguma informação por parte do órgão. Às vezes, o agricultor parte sozinho rumo ao seu destino na capital onde espera que o recebam. Caso tenha sorte, o superintendente do órgão permanece na cidade. Caso não, ele dará com a cara na porta e com o recurso suficiente para voltar para o interior.
Quando o assunto parece resolvido, surge um obstáculo ou vários obstáculos. Dependendo da área que o governo desapropriou para fins de reforma agrária, os obstáculos se multiplicam e tomam uma proporção impensável. O processo custa porque a justiça federal ou estadual aceita as ponderações do proprietário e custa porque o governo não faz sua parte que é dotar o processo das informações que são inerentes a ele.
 O processo de desapropriação de São Raimundo, município de Urbano Santos, aprontou-se no ano de 2010. Para evitar a desapropriação, o senhor Evandro Loeff, proprietário em questão, recorreu a justiça federal alegando que havia dois laudos e que esses laudos se contradiziam. O juiz aceitou as alegações e paralisou o processo. Anunciava-se a marcação de uma audiência de conciliação, contudo essa audiência nunca foi marcada. Essa situação completa dois anos de apatia por parte da Justiça Federal e do Incra. Nesse interim, o Evandro Loeff procurou driblar a comunidade de São Raimundo propondo um acordo. Que acordo seria esse, inquiriram os moradores. Ele se calou.
Faz algum tempo que as Chapadas de Urbano Santos, entre elas as Chapadas de Boa União, São Raimundo, Bom Principio e Bracinho, são visadas pelo setor de reflorestamento com eucalipto.

Veja mais aqui!
O texto é assinado por Mayron Régis, do Fórum Carajás.
Enviado por Eri Santos Castro.
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1 de dez. de 2012

Bomba: latifundiário do MS vai desmatar mil he em Urbano Santos-MA

Cadê o Ministério Público e os ecologistas maranhenses?

No dia 02 de dezembro de 2012 se encerra um prazo estapafúrdio dado pelo senhor Evandro Loeff, plantador de soja no Mato Grosso do Sul e plantador de eucalipto no Maranhão, à comunidade de São Raimundo, município de Urbano Santos. Ele pretende desmatar 945 hectares de áreas de Chapada da comunidade para fazer carvão e plantar eucalipto e deu esse prazo a comunidade para que esta conseguisse alguma liminar impedindo o desmatamento. Os seus funcionários, em várias reuniões com a comunidade, afirmam possuir uma licença ambiental dada pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Maranhão, mas nunca apresentaram. Os documentos encontrados no cartório de Urbano Santos foram um termo de averbação de reserva legal que não tem nenhuma validade jurídica e um outro que explica as razões para a pressão da parte do senhor Loeff que se desmate São Raimundo. O senhor Loeff se endividou em quase seis milhões de reais com a ADM, empresa do setor de agronegócio, a fim de investir em suas propriedades no Mato Grosso do Sul. A dívida vence em agosto de 2013. Provavelmente, o lucro obtido pela venda do carvão vegetal junto as guserias servirá para pagar parte da divida. A área de São Raimundo está em processo de desapropriação pelo Incra contudo a justiça federal paralisou o processo em função de existirem dois laudos. Isso aconteceu em 2010 e até o ano de 2012 a audiência de conciliação não foi marcada. Com a informação que pode haver conflito entre os funcionários do Loeff e a comunidade, o Incra só faz dizer que não pode fazer nada. Então, deixa-se bem claro que a justiça federal e o Incra tem culpa no cartório. E como fica a ADM ao saber que pode receber dinheiro oriundo de desmatamento ilegal, coação e de violência contra os agricultores familiares?
 
Por Mayron Régis, especial para o Jornal Pessoal Eri Castro.
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