16 de nov de 2015

Para Marina, tragédia em MG é catastrófica e negligência gerou perda incalculável

A ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora Marina Silva (Rede-AC) afirmou que o tragédia causada pelo rompimento das barragens da mineradora Samarco, em Mariana, Minas Gerais, é “catastrófica”. Na opinião dela, a negligência, a ser investigada, gerou um "dano incalculável”. A Samarco é controlada pelas empresas Vale e a australiana BHP Billiton Ltd.
 
"É um dano incalculável porque, por mais que você consiga precificar os danos econômicos, do patrimônio histórico, você jamais vai conseguir calcular as vidas que se perderam, as histórias que desapareceram, as relações que as pessoas estabeleceram com aquilo que produziram e acumularam. Isso não tem preço”, afirmou Marina, em entrevista a este blog e ao jornalista Fabiano Costa, do G1.
 
"Pode até se fazer um cálculo do prejuízo causado à biodiversidade, ao patrimônio histórico, enfim, à cidade, mas tem algo ali que é incalculável e onde reside a maior denúncia de descaso, porque é irreversível. Você pode reconstruir uma cidade, mas não reconstrói vidas”, disse ela.
 
Na entrevista, Marina Silva apontou que "foi isso que a gente perdeu com a negligência da empresa porque, se existiam laudos indicando problemas, por que não agiram de acordo com o principio da precaução?”. Na sua opinião, a palavra precaução deve ser sempre lembrada quando se faz um empreendimento com essa magnitude e capacidade de impacto. "Depois que ele acontece, não há o que mitigar”, afirmou a ex-ministra.
 
"Agora é preciso investigar a negligência da empresa e se houve negligência por parte do poder público, que tem o dever de agir, alertar e interditar, em determinados momentos". Marina explicou que uma coisa é o laudo técnico da empresa e outra coisa é o laudo técnico das autoridades competentes. “É para isso que existe a Justiça. Você pode entrar com uma liminar para interditar aquele empreendimento, para que sejam tomadas as providências”, disse. 
 
Para ela, o que foi produzido é ação humana. “Alguém tem ganhado dinheiro durante décadas, a Vale é uma empresa riquíssima, poderosíssima, e solta uma nota achando que a nota vai resolver. Muito menos uma multa de R$ 100 milhões. Não tem preço o que aconteceu ali”, disse. Marina defendeu que não adianta olhar para Mariana e fazer vista grossa a outros empreendimentos em situação semelhante. "São mais de 40 que estão com observação de risco em Minas e é fundamental que as autoridades tomem uma medida”. 
 
Para Marina, o rompimento das barragens “é catastrófico porque destruiu vidas, uma cidade com sua história e ecossistemas que nós nem sabemos o impacto com esse material contaminado”. “Isso sem falar nos graves problemas causados para as populações que dependem do abastecimento de água”.  
 
Segundo a ex-ministra, empreendimentos como as barragens da empresa Samarco devem sempre ser geridas pelo princípio da precaução. "E com certeza esse princípio não foi considerado nem pela empresa, nem por aqueles que tem responsabilidade institucionais de interditar a empresa”. 
 
"Isso faz parte da visão moderna do que é licenciamento ambiental. Um projeto para ser viável, ele não basta ser considerado viável do ponto de vista econômico, o que mais pesa na hora de pedir o licenciamento por parte dos investidores. A viabilidade social, ambiental e cultural do empreendimento é tratado sempre como uma externalidade. 
Não dá mais para fazer esses empreendimentos tratando-as como externalidades. É externo o que aconteceu? Tanto não é que foi o próprio empreendimento que causou o dano”, afirmou.   
LULA E FHC

Marina também defendeu na entrevista a este blog e ao G1 que os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso deveriam se aproximar para buscar saídas para as crises política e econômica no país. Segundo ela, ambos têm força para frear o agravamento do cenário.

"Está na hora de o presidente sociólogo e o presidente operário conversarem. Se foi possível Fernando Henrique conversar com ACM, se foi possível Lula conversar com [José] Sarney, [Fernando] Collor, Renan [Calheiros], Jader Barbalho e Eduardo Cunha, por que não é possível conversarem dois ex-presidentes da República para que possamos viver os últimos suspiros da polarização?", questionou a ex-senadora.
Do G1.
Enviado por Eri Santos Castro.
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