4 de fev de 2014

Uma leitura ambidestra da pesquisa Data M: “Os movimentos tectônicos do imaginário coletivo maranhense em direção à finitude dos 50 anos de hegemonia do grupo Sarney e a extrema vigilância do ‘improvável’, que usa e abusa do setor judiciário”

Um  dos fatos fiáveis da pesquisa do Data M, divulgado pela TV Record, na noite de segunda-feira (03), é a rejeição de Roseana Sarney e consequentemente do seu candidato a governador Luís Fernando, que chega ao patamar do INTOLERÁVEL em termos de possibilidades de vitória. Nada menos do que 67,5% dos entrevistados não votariam no candidato de Roseana a governador do Maranhão. A segunda maior rejeição é de Eiziane Gama com 17,3% e Flávio tem uma rejeição de 10%. Repito, perceba a diferença: um com quase 70% de rejeição e o outro com apenas 10%.

Isso significa dizer que se nenhum candidato crescer nas pesquisas e somente Luís Fernando o fizer, ele atingiria seu teto de possibilidade com aproximadamente 30%. Nesse sentido, o teto de Flávio Dino é de 90%, haja vista que a sua rejeição não passa de 10%.

Num cenário desse, de improváveis mudanças, só resta o território do Judiciário para uma intervenção a favor de uma conspiração contra Flávio Dino. Não sou o primeiro e nem serei o último a falar isso. Eric John Ernest Hobsbawm, o historiador marxista inglês, verificou a participação crescente do judiciário, independentemente do mérito, em decisões de alto teor eminentemente político no Brasil e no mundo.

Foram os tribunais da Florida e a Suprema Corte quem deram a vitória a George W Bush Jr sobre o democrata Al Gore, em 2000. O recente julgamento da Ação Penal 470, alardeada pela mídia conservadora de ‘mensalão’ e a própria cassação do então governador do Maranhão Jackson Lago, via poder Judiciário são também exemplos viços desta contestação de Hobsbawm.

O Judiciário, quando manipulado politicamente, age de acordo com os seus tutores. Isso ainda ocorre apesar de um ciclo, no Maranhão, está em plena prostação, em estado de abatimento extremo, tanto psíquico como ideológico 

Portanto, assim como a monarquia, que resistiu na Inglaterra e na Espanha, no Maranhão a oligarquia de 50 anos poderá demorar mais tempo do que se pensa para a sua total finitude, caso não tomemos cuidados com o seu esvaecimento definitivo, tal a sua complexidade e enraizamento em várias esferas da república.

Até agora temos pontuados mais pelos erros dos adversários do que por nossos acertos. Isso não deixa de ser atinente. O Azo da nossa glória deverá advir das nossas assertivas, pecando mais por excesso do que por contenção de zelo e iniciativa.

A eleição de Roberto Rocha para o Senado, não é menos importante

Outro fato fiável da pesquisa Data M é a consolidação da candidatura única a senador das oposições. Roberto Rocha praticamente se consolida na corrida para o senado, pois a soma dele e de Dutra alcança mais do que o dobro de Roseana Sarney para o Senado, acompanhando tecnicamente o candidato a governador Flávio Dino.

Por isso, que historicamente à eleição do governador é paralela à eleição do senador do mesmo grupo.

Por último, as oposições deverão entender que há apenas um turno para senador. Portanto, só cabe uma candidatura das oposições nestas eleições de 2014. E um senador é de suma importância para a governabilidade de qualquer governo e para a vivacidade do próprio conceito de  emponderamento , que é a conquista da condição e da capacidade de participação do poder de um coletivo.

O “establishment” das oposições deverá ser resiliente e insone, fazendo dessa caminhada eleitoral um processo permanente de SUPERação e jamais cochilar, para não permitir o cachimbo cair.



Em política temos que atingir a excelência, assim como na medicina, senão o paciente morre. O Maranhão, como paciente, tem pressa. Precisamos espargir aos quatro quantos visíveis e aos demais não aparentes, as gotas da mesma esperança que nos faz movimentar.

Por Eri Castro


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