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28 de ago. de 2011

A OTAN, A LÍBIA, E A ESPERTEZA DOS TOLOS

O dia 11 de novembro de 1630 foi decisivo para a história da França e da Europa. Nesse dia, em Versailles, um jovem rei, Luís 13, rompeu com a mãe, a Rainha Maria de Médicis, e entregou todo o poder político da França a seu ministro, o Cardeal de Richelieu. Richelieu amanhecera deposto pela Rainha, mas um de seus conselheiros o convenceu a ir até o monarca, e expor-lhe suas razões. Foi uma conversa sem testemunhas. O fato é que Luis 13 teve a atitude que correspondia ao filho de Henrique IV: “entre minha mãe e o Estado, fico com o Estado”.
Ao tomar conhecimento da reviravolta, quando os inimigos do Cardeal festejavam sua derrota, o poeta Guillaume Bautru, futuro Conde de Serrant – um dos fundadores da Academia Francesa, libertino, sedutor, e homem de frases curtas e fortes – resumiu os fatos, ao ridicularizar os açodados: “c’est la journée des dupes”. Em nossa boa língua pátria, “o dia dos tolos”. Ao mesmo tempo em que se vingava da princesa italiana, que o humilhara, Richelieu iniciava uma fase de grandeza da monarquia de seu país que só se encerraria 162 anos depois, com a decapitação de Luís 16.
A história é cheia de jornadas semelhantes. Os planos, por mais bem elaborados sejam, nunca se cumprem exatamente e, na maioria das vezes, se frustram, diante dos caprichosos deuses do inesperado. O caso da Líbia, se o examinarmos com cuidado, está prometendo ser uma operação “des dupes”. Não vai, nesta análise, qualquer juízo moral sobre Khadafi. É certo que se trata de um megalômano, que, tendo chegado ao poder aos 27 anos, provavelmente não estivesse preparado para administrar o êxito que coroou a sua participação na revolta contra outro déspota, o rei Idris. Mas Khadafi não teria sido quem foi, durante 42 anos, se a Europa e os Estados Unidos não tivessem tido atitude sinuosa e incoerente para com o seu regime. Reagan chegou a determinar o ataque aéreo a Trípoli e Bengazi, em 1986, quando uma residência de Khadafi foi atingida e uma sua filha adotiva morreu. Esses ataques, longe de enfraquecer o governante, fortaleceram-no, e desestimularam os poucos inimigos tribais internos.
Os interesses econômicos da Europa, que fazia bons negócios com o dirigente do velho espaço dos beduínos, berberes e tuaregues, ditaram as oscilações da diplomacia diante de Trípoli. A bolsa, sempre pejada e generosa, de Khadafi, favorecia seus entendimentos e os de seus filhos com altos funcionários das chancelarias européias e financiavam festas suntuosas a que eram convidadas as grandes celebridades do show business e dos círculos ociosos da grã-finagem internacional. Enfim, Khadafi fazia o que quase todos fazem. Não é por acaso que Berlusconi sempre o teve como um de seus mais devotados amigos, até que, coerente com seu caráter, somou-se à cruzada contra Trípoli.
Khadafi, por mais insano tenha sido – e todos podiam identificar os sinais de sua mente vacilante – fez um governo de bem-estar social, como nenhum outro da região. Contando com os recursos do petróleo, criou sistema de assistência à saúde que, mesmo restrito aos centros urbanos, tem sido exemplar. Reduziu drasticamente os níveis de mortalidade infantil, possibilitou o tratamento gratuito de toda a população, universalizou a educação, estimulou a agricultura nas raras terras cultiváveis, e fixou salários dignos para os trabalhadores. É certo que se enriqueceu e enriqueceu seus familiares e favoritos, mas os líbios não tinham por que queixar-se de sua política social. Em contrapartida, não admitia qualquer tipo de oposição.
Monsieur Sarkozy, que anda fazendo apostas perigosas com a posteridade, e Cameron, da Grã Bretanha, foram os grandes animadores da intervenção maciça da Otan contra a Líbia. A ocasião era propícia. A Europa se encontra combalida com a crise econômica e o avanço da corrupção está erodindo a coesão de seus povos. O tema é de particular intimidade da França, detentora, na História, dos mais espetaculares escândalos, entre eles o da frustrada construção do Canal do Panamá por uma companhia francesa: a empresa obtivera, mediante propinas a muitos parlamentares, a concessão de uma loteria especial para o financiamento da obra, recolhera investimentos pesados dos homens de negócios europeus e dos poupadores modestos, e quebrou espetacularmente poucos meses depois. Durante muito tempo, “panamá” passou a ser sinônimo, em todas as línguas, de negócios escusos e da corrupção política. Talvez com a única exceção dos tempos de De Gaulle, nunca houve governo na França imune a denúncias de sujeiras semelhantes. A corrupção foi uma das causas da Revolução Francesa.
Quase todos estão saudando a vitória contra Khadafi, mas isso não significa que tenham conquistado a Líbia. São grupos internos de interesses diferentes que se uniram, para livrar-se de um inimigo comum, com o apoio das potências estrangeiras, que bombardearam sistematicamente a população civil - o que, convenhamos, é terrorismo puro. Mas, sempre que as armas se calam, novo e mais complicado conflito se inicia. Quem assumirá o poder? Irão as tribos do deserto, que se relacionam entre elas mediante complexa malha de fidelidade, fundada no parentesco e nas alianças bélicas seculares, unir-se sob um protetorado estrangeiro? É duvidoso.
Há uma questão de fundo, que Sarkozy e Cameron, em seu açodamento, desprezaram. Londres e Paris, pressurosos em aproveitar os episódios dos países árabes, a fim de reocuparem seu domínio colonial, tomando o lugar da Itália na influência sobre a Líbia, esqueceram-se de Israel. Mubarak, do Egito, o principal aliado de Tel-Aviv, e fiel vassalo de Washington, perdeu o poder e corre o risco de perder também a cabeça. Israel tomou a iniciativa de provocar as novas autoridades do Egito ao cometer o ataque fronteiriço, que causou a morte de oficiais daquele país, na pressão para que se feche novamente a passagem aos palestinos. Nada indica que os governos que eventualmente sucedam aos déspotas destituídos no Egito e na Tunísia, e os que possam vir a ser derrubados nas vizinhanças, sejam mais condescendentes com Israel. Até mesmo a Síria é uma incógnita, no caso em que Assad perca o mando. A Itália, acossada pela crise econômica e pela desmoralização de Berlusconi, em lugar da neutralidade, somou-se, na undécima hora, aos agressores.
Os fundamentalistas islâmicos se somam aos que saúdam os movimentos de rebeldia nos países árabes. Por que? A Palestina, por intermédio do Hamas, aplaude o fim de Khadafi. Terá suas razões para isso. E a rede Al Jazeera já está emitindo de Trípoli. Como se queixou Khadafi, a Al-Qaeda não o apoiava.
Enfim, para lembrar o burlador Conde de Serrant, é bem provável que este ano de 2011 fique na história, para o Ocidente, e outros, como o ano dos tolos.

Por Mauro Sntayana, veja aqui. 
Editado por Eri Santos Castro.
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2 de mai. de 2011

Após ataques a embaixadas, ONU anuncia saída da Líbia

As embaixadas britânica, americana e italiana na Líbia foram incendiadas por multidões leais a Muammar Gaddafi, numa reação ao ataque da Otan que matou um filho e netos do ditador.

O clima de caos em Trípoli levou a ONU a retirar às pressas seus funcionários do país. 


Saiu na Folha.
Enviado por Eri Santos Castro.
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18 de mar. de 2011

Obama poderá ordenar invasão da Líbia em território brasileiro

OBAMA DESEMBARCA DAQUI A POUCO E PODERÁ
ORDENAR ATAQUE À LÍBIA EM SOLO BRASILEIRO

PRESIDENTE DOS EUA DÁ ULTIMATO A KADAFI MAS
SILENCIA SOBRE MASSACRES NO BAHREIN E IÊMEN.

26 de fev. de 2011

Enquanto isso, no blog do Zé do Dirceu

O ex-chefe da Casa Civil e deputado José Dirceu acusou, em seu blog, a imprensa e os EUA de manobrarem a crise na Líbia para respaldar uma hipotética invasão do país pelos americanos.

Enviado por Eri Santos Castro.
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O horror na cidade livre

Em Benghazi, segunda maior cidade da Líbia, já sob controle rebelde, moradores sentiram na pele as atrocidades cometidas pelo regime ao tentar salvar vítimas enterradas vivas pelos aliados de Kadafi. relata Deborah Berlinck. Os últimos brasileiros embarcaram em navio para deixar o país. 

Saiu em O Globo.
Enviado por Eri Santos Castro. 
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A dança da morte de Kadaf

Confrontos chegam a Trípoli; EUA suspendem relações com KadafiDitador ameaça armar população para esmagar rebelião, mas filho quer negociar

Forças leais ao ditador Muamar Kadafi abriram fogo contra manifestantes em vários bairros de Trípoli, um dos últimos bastiões do governo, mas moradores relataram que áreas da capital já estão em mãos dos rebeldes. Em discurso, Kadafi mostrou-se disposto a armar a população para resistir ao avanço dos opositores, prometendo transformar a Líbia numa “labareda vermelha”. Seu filho, no entanto, deixou aberta a porta para negociar com rebeldes. Numa ofensiva para deter a ação de Kadafi, os EUA suspenderam as relações com a Líbia, fechando a embaixada no país, e anunciaram que adotarão sanções unilaterais. O Conselho de Segurança da ONU não descarta a intervenção militar.


Saiu em O Globo.
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25 de fev. de 2011

Rebeldes se aproximam de Trípoli; mortos já seriam 2 mil

Forças de oposição a Kadafi tomam cidades estratégicas para
a defesa do ditador; 30 mil fogem da Líbia

Os rebeldes líbios que lutam para derrubar Muamar Kadafi tomaram duas cidades ao oeste de Trípoli, região estratégica para manter o ditador no poder. Mercenários a serviço de Kadafi atacaram nas proximidades da capital e teriam matado pelo menos 90 pessoas, segundo testemunhas. Estrangeiros que já deixaram a Líbia relatam que as forças de Kadafi já fizeram mais de 2 mil vítimas. Em quatro dias, pelo menos 30 mil pessoas escaparam pelas fronteiras terrestres da Líbia. As empresas brasileiras que têm negócios no país retiraram ontem, em segurança, parte dos funcionários. 


Saiu no Estadão, Folha e Agências Internacionais.
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24 de fev. de 2011

Dois pilotos fugiram com seus caças para Malta

Dois pilotos fugiram com seus caças para Malta, onde pediram asilo. Representantes da Líbia na ONU se demitiram e um deles, Ibrahim Dabashi, afirmou que Kadafi está cometendo genocídio.

O destino dos brasileiros na Líbia Líbia


blogs.estadao.com.br
Acabo de ouvir o depoimento da jornalista brasileira Mariana Hansen, pedindo por sua família que está sitiada, em Benghazi numa casa em que 50 pessoas estão abrigadas. O pai trabalha na Queiroz Galvão e a empresa já teria contratado o voo de retirada. Ele pede uma ajuda do Itamaraty.

23 de fev. de 2011

Avança a onde rebelde na Líbia. O Maranhão ainda dorme?

Eri Santos Castro
Jornalista do Guardian chega a Bengazi e confirma que a cidade está inteiramente nas mãos da oposição a Kadafi

Conselho de Segurança da ONU discute crise na Líbia

A rádio CBN informou que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas(ONU) realizou uma reunião de emergência para discutir a crise na Líbia. A Alemanha e outras nações ocidentais pressionam por uma ação rápida diante dos protestos e da violência no país. 

Saiu agora na  Rádio CBN
Enviado por Eri santos Castro. 
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21 de fev. de 2011

Revolta se alastra; Líbia pede ordem ‘a qualquer custo’

Filho do ditador Muammar Gaddafi diz na TV que país pode ser 
‘rasgado em pedaços’; mortes passam de 230

Em mais um dia de violência na Líbia, Saif el Islam, filho do ditador Muammar Gaddafi, ordenou às forças de segurança que restaurem a ordem “a qualquer custo”. Prometeu ampla reforma e propôs nova Constituição e mais autonomia a regiões do país. A alternativa, afirmou, é a “guerra civil”, relata Marcelo Ninio.
 

Pela primeira vez, há relatos de distúrbios na capital do país, Trípoli. Em Benghazi, principal foco de revolta, forças de segurança abriram fogo contra milhares de opositores que participavam de funerais. A cena foi descrita como um “massacre”, e o número total de mortos passa de 200, dizem entidades internacionais.
 

O filho de Gaddafi admitiu excessos do Exército. Em sinal de ruptura dentro do regime, o embaixador da Líbia na Liga Árabe, Abdel Elhuni, renunciou em protesto contra a matança.
As manifestações chegaram ao Marrocos, onde houve passeatas cobrando reformas, mas sem pedir a queda do rei. 


Saiu na Folha.
Enviado por Eri Santos Castro.
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19 de fev. de 2011

Os ventos rebeldes dos países árabes

Exército abre fogo e fere 60 pessoas no Bahrein
A sexta-feira, dia sagrado muçulmano, teve protestos violentos no mundo árabe. No Bahrein, o Exército deixou 60 feridos apos abrir fogo na praça da Pérola, em Manama. O país é vizinho da Arábia Saudita, segundo maior produtor de petróleo.
Na Líbia, os números são controversos e há relatos de até 50 mortos em protestos contra o ditador Gaddafi.
No Iêmen, mais quatro pessoas morreram, uma delas em explosão de granada. Houve protestos na Jordânia e no Djibuti.


Com agências internacionais.
Enviado por Eri Santos Castro.
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