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1 de mai. de 2017

Nada justifica atentados à vida. Comunidade indígena de Viana sofre brutal atentado

Ontem (30.04.2017), à tarde, na cidade de Viana, um grupo indígena Gamela foi covardemente e brutalmente atacados por fazendeiros e jagunços. Nada, absolutamente nada, justifica o atentado à VIDA. Veja mensagem encaminhada pelo padre Cláudio Bombieri, do CIMI-Conselho Indiganista Missionário, da igreja Católica.

Toda essa ação bárbara ainda teve a escolta da própria polícia e de veículos de comunicação de massa da região.

"Bom dia.
Dois indígenas feridos em estado grave, cinco vieram para o Socorrão 2, Cidade Operária.
Um deles, Aldeli, levou dois tiros, uma bala está alojada na coluna e a outra na costela, teve as mãos​ decepadas e joelho cortados. O irmão dele, José levou um tiro no peito. Outro teve as mãos decepadas.
Inaldo levou um tiro na cabeça e outro no rosto e no ombro. Inaldo está aguardando o resultado da tomografia, dois foram operados.
Na duas outras retomadas conseguiram passar uma noite razoável.
Agora a nossa necessidade de fazer presente junto a esse povo.
O que houve foi uma incitação de ódio convocada na rádio e com políticos envolvidos que levaram ao ataque aos indígenas.
A situação é muito grave. O Estado precisa ser responsabilizado. Os agressores punidos."


8 de mai. de 2013

Tribo mais ameaçada do mundo fica no Maranhão: Brasil é acusado de omissão


Em petição que acaba de ser enviada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, em caráter de urgência, o Estado brasileiro está sendo acusado de negligente e omisso em relação à situação dos índios Awá, no Maranhão. Assinada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e pela Survival International, a petição assegura que a sobrevivência daqueles indígenas está ameaçada por grupos de madeireiros, fazendeiros e colonos que ocupam ilegalmente suas terras.

Os Awá constituem o grupo indígena mais ameaçado de extinção em todo o mundo, de acordo com a Survival, organização não governamental com sede em Londres. Sua população é constituída por grupos aldeados e isolados. Os primeiros reúnem 450 pessoas. Os isolados, segundo estimativas do Cimi, não agregam mais que 60 índios, que ainda vivem nas matas, sem contato direto com os moradores da região.

Por Roldão Arruda, O Globo.
Enviado por Eri Santos Castro.
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2 de mai. de 2012

Um convite do Maranhão à FENAJ


A nota é assinada pelas seguintes entidades:

Pastoral da Comunicação do Maranhão, Comissão Pastoral da Terra (CPT-MA), Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), Cáritas Brasileira Regional Maranhão, Conselho Indigenista Missionário (CIMI-MA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST-MA), Movimentos dos Quilombolas do Maranhão (MOQUIBOM),
Irmãs de Notre Dame de Namur em São Luís (MA) e Comitê Padre Josimo.

Enviado por Eri Santos Castro.
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7 de mar. de 2012

Indígena Maria Sara, de 13 anos, grávida, é assassinada no Maranhão

Estamos a um dia do Dia Internacional da Mulher. E a menos de  um mês do Dia do Índio. Leio no jornal Vias de Fato que Maria Sara Gregório Guajajara foi assassinada na sexta-feira na periferia de Grajaú, no Maranhão. Ela tinha 13 anos e estava grávida.
 
Os pais chamam-se Salomão Gregório Guajajara e Maria Aurora Guajajara. Eles moram em um barraco na Aldeia Chapadinha, na região do Bananal. Perto do local do crime. O suspeito é o próprio companheiro.
 
A fonte do jornal Vias de Fato é o Conselho Indigenista Missionário, via Pastoral Indigenista de Grajaú. Trata-se de um jornal ligado a movimentos populares, contra as oligarquias maranhenses.
 
Maria Sara pode ser um símbolo de várias lutas. Caso sua breve existência seja valorizada pelos meios de comunicação. Pauteiros e blogueiros, interessam-se pelo tema?
 
A adolescente do povo Guajajara merece ser símbolo de várias lutas. Sua morte expõe a violência contra as mulheres, por um lado. A violência contra os povos indígenas, por outro. E a miséria em que vive boa parte do povo maranhense. (Ironicamente, Grajaú já se chamou São Paulo do Norte.)
 
Maria Sara foi sepultada no domingo. Caso ninguém ligue para sua morte, pode também ser apenas mais um capítulo de um livro diariamente reescrito: o da Grande Indiferença Nacional.

Alceu Luís Castilho (@alceucastilho)
Enviado por Eri Santos Castro.
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11 de jan. de 2012

O índio queimado no Maranhão

 
No dia 31 de dezembro de 2011 o site do jornal Vias de Fato deu uma pequena nota, noticiando que havia nos chegado à informação de que um índio teria sido queimado no município de Arame, no interior do Maranhão. A vítima, segundo a denúncia, foi uma criança Awá-Guajá.

Com a repercussão da nota, alguns dias depois, no último dia 6 de janeiro, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) divulgou uma notícia em seu site (www.cimi.org.br) tratando do mesmo assunto e confirmando a nossa informação. O texto do CIMI foi feito em Brasília e assinado pelo jornalista Renato Santana. Nele está dito que, segundo os indígenas, “o corpo foi encontrado carbonizado em outubro do ano passado num acampamento abandonado pelos Awá isolados, a cerca de 20 quilômetros da aldeia Patizal do povo Tenetehara, região localizada no município de Arame (MA). A Fundação Nacional do Índio (Funai) foi informada do episódio em novembro e nenhuma investigação do caso está em curso”.

Os suspeitos pelo crime contra a criança índia são os madeireiros que atuam em terras maranhenses. O caso repercutiu em todo o país.  O Ministério Público Federal convidou o CIMI e a Comissão de Direitos Humanos da OAB do Maranhão para discutir as providências que serão tomadas no sentido de apurar o caso.  Hoje à tarde (10/01/12) houve uma audiência para tratar do assunto.

Porém, antes disso, no dia 8 de janeiro, a Fundação Nacional do Índio no Maranhão (FUNAI), apressadamente (e é muito importante registrar a pressa) concluiu um relatório dizendo que o caso do índio queimado em Arame “trata-se de um boato”, de “uma mentira”, de “uma notícia sem fundamento”, cuja “a motivação é eminentemente política”. Lideranças indígenas nos ligaram hoje pela manhã revoltadas com o conteúdo do relatório.

O fato é que a história dos madeireiros na nossa região segue o mesmo roteiro e método do tráfico de drogas nos morros do Rio de Janeiro. Eles dominam pela força bruta e agem em parceria com o poder político/estatal/mafioso. Eles são violentos e circulam como se estivessem acima do bem e do mal. E já que a FUNAI falou de “motivação política” o Vias de Fato lembra que órgãos federais, políticos com mandato e o comando da máfia maranhense, têm relação com estes madeireiros. São cúmplices! É por isso que eles estão sempre tão à vontade para devastar, matar e esfolar tudo que eles encontram pela frente.

No Maranhão, os madeireiros estão também dentro de áreas indígenas. Por conta disso, vários índios são aliciados e participam do negócio. Os que não entram no jogo, sofrem diferentes tipos de agressões, caso dos Awá-Guajá.

Sendo assim, no momento em que a FUNAI lança um relatório em regime de urgência, tentando botar uma pá de cal sobre a denúncia do índio queimado e deixando livre de suspeitas os madeireiros que agem no Maranhão, é o caso de se levantar algumas questões.

A primeira se refere ao índio Clóvis Tenetehara. Ele é a única fonte citada nominalmente pela FUNAI. Na realidade, a FUNAI reproduz um depoimento de Clóvis quando ele diz que o assassinato da criança Awá se trata de “um boato, uma mentira”.  É estranho que neste mesmo relatório da FUNAI está dito que os próprios servidores da Fundação flagraram um caminhão madeireiro e que este teria feito uma doação (incluindo aí mantimentos) para Clóvis Tenetehara e sua família. Já no site da revista Caros Amigos está dito que o “o índio Guajajara Clóvis Tenetehara contou ao CIMI  que costumava ver os Awá-Guajá isolados durante caçadas na mata. Mas que não os vê mais, desde que localizou um acampamento com sinais de incêndio e os restos mortais de uma criança”.

Então, nesta confusão toda, quem está mentido? Quem está sendo bobo ou se fazendo de bobo? A FUNAI? O CIMI? A Caros Amigos? O índio Clovis Tenetehara? Os outros setores da imprensa e da Sociedade Civil? Teria Clóvis dado um depoimento para o CIMI e outro para a FUNAI? Ele mudou de depoimento? E se mudou, o que teria lhe motivado? Hoje nos chegou a informação que ele, inclusive, teria recebido um carro. Até o momento não conseguimos confirmar exatamente esta história do veículo. Mas, são muitos os fatos que precisam ser apurados. E outros índios, certamente, devem ser ouvidos!

Quanto ao nosso papel, desde o início, foi o de ajudar a denunciar uma história que é comentada por vários índios da região de Amarante e Arame: UMA CRIANÇA INDÍGENA AWÁ-GUAJÁ TERIA SIDO QUEIMADA POR MADEIREIROS!

E nós sabemos que existe todo um histórico de violência contra índios e outros povos da terra que vivem (e sobrevivem) no Maranhão. São posseiros, quilombolas, sem terra, ribeirinhos etc. E o poder público e a grande mídia local (ambos ligados a máfia Sarney) são protagonistas e/ou coniventes com esta situação de barbárie. E as mortes acontecem... Muitas não são registradas. E o povo grita. E ninguém ouve. Então, numa situação como esta, a FUNAI, ao invés de teorizar sobre liberdade de imprensa, tem é que cumprir o seu verdadeiro papel e convencer a sociedade de que está agindo de forma correta, honesta e com total e absoluta transparência.

Em nossa edição de novembro de 2011 (nº 26), o índio Frederico Guajajara disse que “recentemente um madeireiro passou com um caminhão por cima de um índio Guajajara. Uma índia Kanela de 51 anos, foi estuprada e assassinada com requintes de crueldade e uma índia Krikati de 22 anos e com problemas mentais foi estuprada dentro da aldeia por um homem branco armado. A Funai tem conhecimento disso tudo e não tomou nenhuma providência.” A matéria tratou de uma rebelião de índios que ocupou a sede da FUNAI  em Imperatriz (MA) e, na ocasião, lançou uma carta aberta a sociedade.

Nesta carta está citada a tentativa de cooptação de comunidades indígenas e a relação de madeireiros com figuras da FUNAI.  Integrantes do CIMI voltaram a garantir hoje, na reunião com o Ministério Público Federal e com a Comissão de Direitos Humanos da OAB, que, já neste período, servidores da FUNAI foram informados que o corpo de uma criança indígena foi encontrado carbonizado.  Isto foi há dois meses! Agora, ao invés de fazer uma profunda investigação sobre esta “nova” denúncia, a FUNAI tenta, rapidamente, abafar o assunto citando um único e controvertido depoimento.

O adágio popular diz que onde há fumaça, há fogo. Neste caso das terras dos Awá-Guajá, tem muito mais do que isso...

Por Alice Pires, no sítio Vias de Fato.
Enviado por Eri Santos Castro.
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