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18 de abr. de 2012

Uma faxina que pode fazer história

MÍDIA E ANTIMÍDIA JUNTAS

Pelo material fornecido por Cileide Alves, editora-chefe do diário O Popular, de Goiânia, parece evidente que o tradicional jornal goiano não olhou para o lado: depois do escândalo Waldomiro Diniz, divulgado pela revista Época em fevereiro de 2004, manteve sob vigilância as andanças de Carlinhos Cachoeira no mundo da contravenção.

A conclusão óbvia é que quem olha para o lado quando os jornais regionais põem a boca no trombone é a mídia nacional. Isso é ainda mais grave porque a esmagadora maioria desses veículos de porte médio pertencem a grupos jornalísticos cujo carro-chefe costuma ser uma emissora afiliada de uma rede nacional de TV.

Os regionais fazem o que lhes compete, os nacionais é que não cumprem a sua parte no contrato de fiscalização do poder público no país. Os grandes veículos adoram o PF, o prato feito, escândalos maiúsculos, de preferência flagrados por arapongas em fitas, vídeos e câmaras ocultas.

O trabalho dos repórteres-formiguinhas no Brasil profundo não tem charme. A impunidade e o descaso com a corrupção começam no descompasso cívico entre as metrópoles e os grotões. O combate solitário do Jornal Pessoal de Lúcio Flávio Pinto em Belém do Pará desvenda esta desastrosa desarticulação e desafinação entre as diferentes esferas midiáticas.
 
Oposição e situação
O problema maior, porém, é a incapacidade da mídia nacional de exercitar o metajornalismo, jornalismo sobre o jornalismo. Além do teor de uma denúncia é imperioso saber como ela chegou a ser transformada em notícia. Sobretudo quando inexiste um trabalho prévio e comprovado de reportagem e investigação.

A sucessão de flagrantes de corrupção desde o episódio Waldomiro Diniz revela a presença de espiões profissionais, arapongas, atravessadores do processo de buscar informações para o conhecimento público. Quando Época revelou o escândalo, poucos foram os jornalistas que se interessaram em saber como aquelas cenas chegaram à redação. Este observador vem tentando mostrar há alguns anos que este “jornalismo fiteiro” (de fitas e vídeos), cevado nos desvãos do poder na capital federal, é uma forma bastarda de investigação (ver “A mídia e o jornalismo fiteiro”).

No domingo (15/4), em apenas meia página compactada com informações a Folha de S.Paulo escancarou o sistema e seu principal operador, o ex-sargento da FAB Idalberto de Araújo, vulgo Dadá, que trabalha há anos para Carlinhos Cachoeira, depois serviu na operação Satiagraha e finalmente envolveu-se com a preparação de um dossiê para desmoralizar um dos candidatos na campanha de 2010.

O pretexto de preservar fontes de informação tem servido ao time de “fiteiros” como pretexto para esconder informações de capital importância. A denúncia de ilícitos não pode ser ela própria um ilícito.

As revelações da Operação Monte Carlo que enredaram o senador Demóstenes Torres na rede do crime organizado está produzindo uma sucessão de choques na sociedade justamente porque foram apuradas pela Polícia Federal com autorização judicial – e encaminhadas ao foro competente, o STF. 

E porque foram produzidas para defender o interesse público e não interesses escusos, seus desdobramentos são tão surpreendentes.

Pela primeira vez na “escandalogia” brasileira temos oposição e situação rigorosamente irmanadas na busca de culpados. E, como consequência, mídia e antimídia convertidos inapelavelmente em parceiros.

Esta faxina pode ser histórica.

Por Alberto Dine.
Pauta: Igor Lago.
Enviado por Eri Santos Castro.
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30 de mar. de 2012

Quem armou para arrancar Zé Dirceu do governo Lula?

“Cachoeira e Demóstenes armaram o mensalão”

“Cachoeira e Demóstenes armaram o mensalão” 

Quem diz é o ex-prefeito de Anápolis (GO) Ernani de Paula, que conviveu com os dois; ele foi amigo do contraventor e sua mulher Sandra elegeu-se suplente do senador do DEM em 2002; “Cachoeira filmou, Policarpo publicou e Demóstenes repercutiu”, disse ele ao 247


Marco Damiani _247 – O Mensalão, maior escândalo político dos últimos anos, que pode ser julgado ainda este ano pelo Supremo Tribunal Federal, acaba de receber novas luzes. Elas partem do empresário Ernani de Paula, ex-prefeito de Anápolis, cidade natal do contraventor Carlinhos Cachoeira e base eleitoral do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

“Estou convicto que Cachoeira e Demóstenes fabricaram a primeira denúncia do mensalão”, disse o ex-prefeito em entrevista ao 247. Para quem não se lembra, trata-se da fita em que um funcionário dos Correios, Maurício Marinho, aparece recebendo uma propina de R$ 5 mil dentro da estatal. A fita foi gravada pelo araponga Jairo Martins e divulgada numa reportagem assinada pelo jornalista Policarpo Júnior. Hoje, sabe-se que Jairo, além de fonte habitual da revista Veja, era remunerado por Cachoeira – ambos estão presos pela Operação Monte Carlo. “O Policarpo vivia lá na Vitapan”, disse Ernani de Paula ao 247.

O ingrediente novo na história é a trama que unia três personagens: Cachoeira, Demóstenes e o próprio Ernani. No início do governo Lula, em 2003, o senador Demóstenes era cotado para se tornar Secretário Nacional de Segurança Pública. Teria apenas que mudar de partido, ingressando no PMDB. “Eu era o maior interessado, porque minha ex-mulher se tornaria senadora da República”, diz Ernani de Paula. Cachoeira também era um entusiasta da ideia, porque pretendia nacionalizar o jogo no País – atividade que já explorava livremente em Goiás.
Segundo o ex-prefeito, houve um veto à indicação de Demóstenes. “Acho que partiu do Zé Dirceu”, diz o ex-prefeito. A partir daí, segundo ele, o senador goiano e seu amigo Carlos Cachoeira começaram a articular o troco.

O primeiro disparo foi a fita que derrubou Waldomiro Diniz, ex-assessor de Dirceu, da Casa Civil. A fita também foi gravada por Cachoeira. O segundo, muito mais forte, foi a fita dos Correios, na reportagem de Policarpo Júnior, que desencadeou todo o enredo do Mensalão, em 2005.
Agora, sete anos depois, na operação Monte Carlo, o jornalista de Veja aparece gravado em 200 conversas com o bicheiro Cachoeira, nas quais, supostamente, anteciparia matérias publicadas na revista de maior circulação do País.

Até o presente momento, Veja não se pronunciou sobre as relações de seu redator-chefe com o bicheiro. E, agora, as informações prestadas ao 247 pelo ex-prefeito Ernani de Paula contribuem para completar o quadro a respeito da proximidade entre um bicheiro, um senador e a maior revista do País. Demonstram que o pano de fundo para essa relação frequente era o interesse de Cachoeira e Demóstenes em colocar um governo contra a parede. Veja foi usada ou fez parte da trama?

Saiu no 247.
Enviado por Eri Santos Castro.
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