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11 de mai. de 2015

Leitura Obrigatória: Ministro Patrus Ananias defende o fim do PED-PT e faz convocação para que a história do partido confronte o presente nebuloso para afirmar um "Novo PT"

PATRUS ANANIASMilitante histórico do PT, Patrus defende que o partido não perca a memória das realizações e confrontre a realidade presente
O Partido dos Trabalhadores vive a maior crise de sua história. Sabemos que a palavra crise comporta diferentes significados e desdobramentos. Pode anunciar o fim como pode abrir novas possibilidades. O primeiro passo para que a crise se torne um processo de gestação e crescimento é não perder a memória e confrontar a realidade presente.
É fundamental nesse momento recuperarmos a trajetória do PT nos 35 anos de sua existência, as forças políticas e sociais que possibilitaram o seu surgimento e expansão. Os militantes que fundaram e consolidaram o nosso partido vieram de origens diferentes, todos comprometidos com ideais de libertação e justiça social. Viemos dos que lutaram e sobreviveram às prisões, torturas e exílios da ditadura; do novo sindicalismo forjado nas lutas e greves históricas dos anos 1970; das comunidades eclesiais de base e das pastorais comprometidas com a vida, a dignidade da pessoa humana e o bem comum; do movimento estudantil, das escolas e universidades de onde vieram os professores e intelectuais empenhados na construção do projeto nacional brasileiro. É sempre bom lembrar que no ato fundacional e no processo de construção do PT estiveram presentes pensadores do Brasil como Antônio Cândido, Sérgio Buarque de Holanda, Henrique de Souza Filho, o Henfil, Mário Pedrosa, Hélio Pellegrino, Paulo Freire, Florestan Fernandes…
O processo de construção do Partido dos Trabalhadores foi a mais inovadora e instigante experiência político-partidária da história do Brasil e umas das mais surpreendentes do mundo. Fizemos um partido democrático, popular, plural, rigorosamente vinculado aos interesses dos pobres e das classes trabalhadoras, construído de baixo para cima, empoderando as bases.
Quando disputamos em 1982 as primeiras eleições do PT em Minas Gerais -experiência que acompanhei mais de perto, fui duas vezes Secretário-geral e Presidente do Partido – não tínhamos um único vereador em todo o Estado, nenhum prefeito, nenhum deputado. Elegemos naquelas eleições 1 deputado federal, 1 deputado estadual, 14 vereadores, nenhum prefeito.
Fomos ganhando espaços pouco a pouco e construímos o modo petista de governar; o modo petista de legislar; construímos a esplêndida militância petista. A nossa opção inaugural foi fazermos do Partido, para além das disputas eleitorais, um espaço pedagógico através de cursos de formação política, ciclos de debates, conferências e reflexões sobre o Brasil e os grandes temas políticos contemporâneos.
Nossos primeiros governos municipais e estaduais foram marcados pela ousadia, criatividade, competência, honestidade. Implantamos os orçamentos participativos, desprivatizamos os espaços públicos, invertemos prioridades, priorizamos as políticas públicas sociais, cuidamos dos mais pobres, democratizamos o poder, implantamos, em parceria com a sociedade civil e os movimentos sociais, os conselhos e, a partir deles, realizamos as conferências setoriais; viabilizamos políticas de segurança alimentar e nutricional, combatemos à fome e a desnutrição; participamos ativamente da consolidação do Sistema Único de Saúde-SUS; da Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS; procuramos cumprir as diretrizes constitucionais relativas à Educação, à Cultura, à proteção das comunidades tradicionais, ao meio-ambiente, ao princípio da função social da propriedade.
Os nossos parlamentares, minoritários nas Casas legislativas municipais, estaduais e nacional apresentavam importantes projetos de lei, sintonizados com os interesses da maioria da população defendiam princípios e valores éticos; eram incansáveis no combate à corrupção, trabalhavam em sintonia com a comunidade e os movimentos sociais.
É verdade que algumas vezes ficamos tão encantados conosco mesmos – porque a nossa política era basicamente correta e coerente- que cedemos as tentações de um certo sectarismo em relação aos que pensavam e agiam diferentes de nós. As vezes nos julgávamos donos da verdade e da ética.
Mas o fato histórico e objetivo é que demos uma contribuição extraordinária ao desenvolvimento político e social do Brasil, aqui incluídas as questões ambientais e culturais. Colocamos o debate político e as políticas públicas em novos e mais elevados patamares; cumprimos um papel civilizatório no País. Preparamos, assim, os caminhos para a eleição presidencial de Lula em 2002, depois das memoráveis campanhas anteriores e das Caravanas da Cidadania que nos possibilitaram e ao futuro Presidente um conhecimento mais aprofundado das diferentes regiões brasileiras.
Os 12 anos dos Governos Lula e Dilma promoveram grandes mudanças no Brasil, especialmente no campo social. Implantamos o mais vigoroso conjunto de políticas públicas voltadas para a inclusão social dos pobres, dos trabalhadoras e trabalhadores de baixa renda: o Fome Zero que cumpriu pelo menos uma parte considerável de seus objetivos em 2014, quando a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação-FAO retirou o Brasil do mapa da fome; o Bolsa Família e, vinculado a ele a rede de proteção social; o Luz para Todos, o PROUNI, o FIES, a criação de centenas de Institutos Federais de Educação Tecnológicas, as dezenas de novas universidades abertas ou expandidas através do REUNI; o PRONATEC, as ações do Plano Brasil Sem Miséria, o Minha Casa, Minha Vida com mais 2 milhões de moradias entregues e mais 3,7 milhões de moradias contratadas; as obras do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC.
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