Nesta
quarta-feira (8/2), os filhos do presidente Tancredo Neves entram com o
pedido de Habeas Data na Justiça Federal de Brasília para que o
Conselho Federal de Medicina e o Conselho Regional do Distrito Federal
entreguem todas as sindicâncias, inquéritos ético-disciplinares,
documentos e depoimentos dos médicos referentes ao atendimento prestado
ao presidente.
De acordo com a defesa da família, a partir desta
documentação, será possível apurar responsabilidades médicas,
averiguadas por esses conselhos profissionais, no atendimento prestado
ao presidente Tancredo Neves, desde o primeiro diagnóstico em Brasília
até o último ato médico quando do seu falecimento em São Paulo.
Em
15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves foi eleito presidente do Brasil
pelo voto indireto de um colégio eleitoral, mas adoeceu gravemente. No
dia 14 de março, véspera da posse, foi internado em estado grave. O
então vice-presidente José Sarney assumiu o cargo. O presidente morreu
no dia 21 de abril de 1985.
No caso, a família Neves é
representada pelo historiador e pesquisador Luís Mir e os advogados
Juliana Porcaro Bisol, Bruno Prenholato, Cláudia Duarte. Segundo eles, a
documentação requerida permitirá uma investigação histórica do que
efetivamente aconteceu, inclusive com a identificação dos médicos
responsáveis pelo atendimento do presidente.
"O Habeas Data médico
do presidente Tancredo Neves possibilita definir as responsabilidades
dos médicos envolvidos nesse caso. É também uma reparação histórica para
aqueles momentos difíceis que a sociedade brasileira teve que
enfrentar, quando o presidente, o líder da redemocratização e primeiro
civil a ser eleito depois de 21 anos de ditadura, foi mal diagnosticado e
mal operado (sem necessidade) às vésperas de sua posse na presidência
da República", afirmam os representantes da família.
"Os
documentos, junto com os prontuários médicos já em posse da Família
Neves, fecham esse trágico capítulo da história brasileira, além de
recuperar a verdade médica, ética, sobre as responsabilidades dos
médicos envolvidos no atendimento prestado a Tancredo", entendem.
Saiu no Consultor Jurídico.
Enviado por Eri Santos Castro.
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