20 de jun. de 2013

"Fazer contas". Por Cristovam Buarque

Há oito anos a população do Brasil se dedica a construção de estádios para a
realização da Copa. Não se pode esperar diferente em um país que já foi
chamado de uma “pátria de chuteiras”.

A população do Distrito Federal, por exemplo, ainda não tem times que

atraiam torcedores, mas está deslumbrada com um monumental estádio para 
71 mil espectadores a custo superior a R$1,6 bilhão. Poucos, porém, fizeram
as contas do que significa este custo.

A obra custou R$ 800 para cada um dos brasilienses. Considerando apenas os

adultos, o custo subiria para cerca de R$ 3 mil por cada pessoa. Se considerar 
dinheiro que deixou de ir para os 208 mil moradores mais necessitados, com rendimentos de até um salário mínimo mensal, o custo foi de cerca de R$ 8 mil, mais ou menos um ano de trabalho de cada um deles.

Com os recursos gastos com o estádio seria possível financiar a formação de 6.800 engenheiros de excelência, desde a primeira série do ensino fundamental em superescolas de qualidade internacional, ao custo anual de R$ 9 mil por aluno ao ano, pagando R$ 9.500 por mês para cada professor, até o final do curso de Engenharia, em cursos universitários de excelência iguais aos do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA).

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