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28 de dez. de 2013

Escritor brasileiro fala da barbárie do sistema prisional do Maranhão na abertura da Feira do Livro de Frankfurt que faz homenagem ao Brasil

Em seu discurso de abertura na Feira do Livro de Frankfurt, o escritor Luiz Ruffato fez uma pesada crítica as desigualdades sociais brasileiras. Entre outras questões, falou do passado escravagista, da dizimação das populações originais, de violência, de corrupção, de oligarquias, da população carcerária e de homofobia. Leia partes do referido discurso a seguir:

"O que significa ser escritor num país situado na periferia do mundo, um lugar onde o termo capitalismo selvagem definitivamente não é uma metáfora? Para mim, escrever é compromisso. Não há como renunciar ao fato de habitar os limiares do século 21, de escrever em português, de viver em um território chamado Brasil. Fala-se em globalização, mas as fronteiras caíram para as mercadorias, não para o trânsito das pessoas. Proclamar nossa singularidade é uma forma de resistir à tentativa autoritária de aplainar as diferenças."

"E aqui tocamos num ponto nevrálgico: não é coincidência que a população carcerária brasileira, cerca de 550 mil pessoas, seja formada primordialmente por jovens entre 18 e 34 anos, pobres, negros e com baixa instrução. Somente na penitenciária do Estado mais pobre do Brasil ocorreram, neste ano, 60 assassinatos "

"Volto, então, à pergunta inicial: o que significa habitar essa região situada na periferia do mundo, escrever em português para leitores quase inexistentes, lutar, enfim, todos os dias, para construir, em meio a adversidades, um sentido para a vida?"

"Eu acredito, talvez até ingenuamente, no papel transformador da literatura. Filho de uma lavadeira analfabeta e um pipoqueiro semianalfabeto, eu mesmo pipoqueiro, caixeiro de botequim, balconista de armarinho, operário têxtil, torneiro-mecânico, gerente de lanchonete, tive meu destino modificado pelo contato, embora fortuito, com os livros. E se a leitura de um livro pode alterar o rumo da vida de uma pessoa, e sendo a sociedade feita de pessoas, então a literatura pode mudar a sociedade. Em nossos tempos, de exacerbado apego ao narcisismo e extremado culto ao individualismo, aquele que nos é estranho, e que por isso deveria nos despertar o fascínio pelo reconhecimento mútuo, mais que nunca tem sido visto como o que nos ameaça. Voltamos as costas ao outro --seja ele o imigrante, o pobre, o negro, o indígena, a mulher, o homossexual-- como tentativa de nos preservar, esquecendo que assim implodimos a nossa própria condição de existir. Sucumbimos à solidão e ao egoísmo e nos negamos a nós mesmos. Para me contrapor a isso escrevo: quero afetar o leitor, modificá-lo, para transformar o mundo. Trata-se de uma utopia, eu sei, mas me alimento de utopias. Porque penso que o destino último de todo ser humano deveria ser unicamente esse, o de alcançar a felicidade na Terra. Aqui e agora."


Da assessoria.
Enviado por Eri Santos Castro.
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2 de fev. de 2013

Luiz Ruffato e Chico Buarque vencem o Prêmio Casa de Las Américas


 

O escritor mineiro Luiz Ruffato e o compositor Chico Buarque ganharam o Prêmio Literário Casa de Las Américas 2012, anunciado na noite desta quinta-feira, durante a 54ª edição da premiação, em Havana. Ruffato foi o vencedor da categoria Literatura Brasileira com o romance "Domingos sem Deus" (editora record). Chico ganhou o Prêmio de honra de Narrativa José María Arguedas por "Leite derramado", último romance do autor publicado em 2009 pela Companhia das Letras.
A obra de Ruffato concorria com outras 158 inscritas. De acordo com a justificativa do júri,  composto pelos escritores Marcelino Freire, Carola Saavedra e Suzana Vargas, a obra "apresenta diversos episódios independentes que se entrelaçam, formando o mosaico de um Brasil essencial, embora esquecido". 
 

Os livros "Carbono pautado, memória de um auxiliar de escritório", de Rodrigo de Souza Leão e "O Mendigo que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam" , de Evandro Affonso Ferreira, ambos da editora Record, receberam menções na premiação.  No ano passado, o escritor Nelson Oliveira venceu na categoria Literatura Brasileira com o livro "Poeira: demonios e maldições" (Língua Geral).
Confira a lista completa de autores premiados.