22 de jul. de 2008

" A combustão do planeta "

Eis minha primeira peça, em exposição na minha casa

Festival de arte Serrinha

Começou na semana passada o Festival de Arte Serrinha, em Bragança, SP. Já é a sétima edição desse evento julhino - três semanas de oficinas e workshops em design, moda, gastronomia, vídeos e outras áreas de criação; instalações e vídeo-instalações, shows e exibição de filmes nos fins de semana. Um verdadeiro acampamento para adultos criativos, aberto à visitação.

A idéia do Festival de Arte Serrinha é isolar as pessoas do mundo cotidiano em que vivem, trazendo-os aqui para a fazenda para fazer um trabalho concentrado e imersivo, 24 horas por dia. Não é como ter aula às duas da tarde, que você vai de carro, toca o telefone, atende... Aqui o ambiente é lindo, com vista, faz caminhada de manhã, encontra outras pessoas...É uma 'panela de pressão'. O cara toma um choque. É arte e processo criativo até as ultimas conseqüências. Não tem limites.

Pode acontecer de um artista ou um grupo ficar até 2 da manhã trabalhando, porque estão vivenciando o processo criativo. Isso é o que não dá para explicar, porque não segue um padrão.

Tem dia que você acorda inspirado e outro não.”Todos os sentidos“Todos os alunos de moda, gastronomia, design, artes conversam entre si e trocam experiências entre si, o que não existe dentro de uma sala de aula e é uma coisa rara até para os artistas de outras áreas.Já passaram por lá os irmãos Campana, Neka Menna Barreto que fez junto com os cenógrafos Luciana Martins e Gerson de Oliveira o ‘Banquete para homens e animais’, o Marcos Suzano, Zé Celso que encenou ‘O Bailado do Deus Morto’ do Flavio de Carvalho. Tom Zé, Ronaldo Fraga, Nuno Ramos, Naná Vasconcelos. Procuro sempre reunir grandes artistas que sejam também professores. Em geral, não são tão jovens. São referências seguras, para que os alunos recebem informações seguras. Lá interessa o processo e o aprendizado.

Encantamento

O Festival surgiu da necessidade de sensibilização do ser humano. Educação artística é necessária para qualquer pessoa. É um projeto coletivo, que é um instrumento mais poderoso e transformador.

Para mais informações e programação completa, consulte: www.festivaldearteserrinha.com.br



'Nome Próprio' tenta sobreviver ao Batman






Estreiou sexta-feira, nos cinemas o longa 'Nome Próprio' – uma livre adaptação dos livros "Máquina de Pinball" e "Vida de Gato" de Clarah Averbuck e de textos publicados em seu blog pessoal na internet. Com direção de Murilo Salles (‘Como nascem os Anjos’ e ‘Seja o que Deus quiser!’), e a atriz Leandra Leal no papel principal, o filme trata das relações 2.0 do novo milênio.


Cheio de polêmicas e discórdias – como o apego e intervenções da autora do livro para com o resultado do filme .Achei o ‘Nome Próprio’ um dos retratos mais frescos da geração internet. O autor do filme descobri o livro "Máquina de Pinball", de Clarah Averbuck, lendo uma matéria da Cora Ronai sobre escritores que migravam da Internet. E achou então que a internet pudesse ser o seu tema, pois é um espaço que brasileiros estão conquistando, fruto de uma nova individualidade que brota nos poros das grandes cidades - sem complexo de culpa, sem problema de afirmação, sem o pecado do lado de baixo do equador. Uma geração que simplesmente procura seu espaço e afirmar sua identidade.O brasileiro é o usuário que fica mais tempo conectado à internet no mundo. O filme surge dessa vontade de abordar a internet no Brasil. E de uma geração de escritores que está surgindo a partir dela.Não poderia ser mais atual uma vez que fala de alguém que escancara sua vida na internet...A Camila (personagem principal vivida por Leandra Leal) vive no limite das situações, é intensa e não mede muito as conseqüências dos atos que comete. Sua vida é sua narrativa. Ela constrói uma existência complexa o suficiente para se escrever sobre ela.Sim, literatura baseada em vivências do autor. Tem toda a confusão se é a Clarah ou não é Clarah, se é sobre blogueiro, ou não...Sim, claro, não é ela. Nem muito menos sobre ela.

21 de jul. de 2008

A Rodada de Doha e o Brasil




A Rodada de Doha é uma série de debates mediados pela Organização Mundial do Comércio (OMC) em torno de regras para facilitar o comércio internacional. As discussões que acontecem até hoje recebem este nome porque tiveram seu início em Doha, capital do Qatar, em novembro de 2001.
Um conjunto de decisões a respeito de regras mais flexíveis, que facilitariam o comércio entre nações, já deveria estar em prática - o primeiro prazo foi janeiro de 2005. Contudo, a falta de consenso entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, tem adiado a elaboração de um texto final.
Depois de Doha, em 2001, os países participantes do debate já se reuniram em Cancún, em 2003; em Genebra, em 2004; e Hong Kong, em 2005, mas todas estas negociações fracassaram no objetivo de finalizar o tema.
O item que gera maior discordância entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento é o comércio de produtos agrícolas. Os países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, pedem que as nações ricas diminuam os subsídios concedidos a seus produtores.
Já os países desenvolvidos, além de não estarem de acordo com algumas regras em relação à agricultura sugeridas pelos países em desenvolvimento, também pedem maior acesso aos mercados de bens e serviçoes destas nações.
Além do comércio agrícola, a agenda de Doha trata de temas ligados à padronização e adoção de normas sanitárias; comércio de produtos têxteis; padronização e adoção de normas técnicas; práticas de dumping; propriedade intelectual; acordos regionais; comércio eletrônico, entre outros.
DEPUTADOS CONTINUAM PRESOS EM ALAGOAS



Deu no Estadão

"O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou hoje pedido de habeas-corpus interposto pela defesa dos deputados estaduais afastados Antônio Albuquerque (sem partido) e Cícero Ferro (PMN), presos desde o dia 11, acusados de crimes de pistolagem. Albuquerque e Ferro estão presos no quartel do Corpo de Bombeiros de Maceió. Além de crimes de pistolagem, os deputados estaduais, entre outros, são acusados de participação no desvio de R$ 280 milhões da Assembléia Legislativa de Alagoas. Eles foram afastados da Assembléia Legislativa por determinação da Justiça, assim que foram indiciados pela PF na Operação Taturana, que apura o desfalque."

BOA NOTÍCIA: 16ª FESTIVAL ANIMA MUNDI EM SP


Começa na quarta-feira em São Paulo a 16ª edição do Festival Anima Mundi, com programação que inclui 441 filmes de animação de 42 países. Os brasileiros assinam 74 trabalhos na mostra.
Estão sobrando empregos para sociólogos e filósofos



O Brasil precisa de 15 vezes mais professores de filosofia e 40 vezes mais de sociologia para que todas as escolas de ensino médio passem a ter aulas das duas disciplinas. A obrigatoriedade foi instituída por lei no mês passado, depois de um debate que durou décadas. Estudo feito pelo Ministério da Educação (MEC) mostra a dificuldade que as escolas terão para se adaptar à nova legislação. Além da falta de docentes dessas áreas, há ainda material didático insuficiente e poucos estudos sobre um currículo atual de sociologia e de filosofia.Hoje, o País tem 20.339 professores de sociologia atuando nas escolas; no entanto, só 12,3% deles (2.499) são licenciados na área. O restante se graduou em áreas como história, geografia e português. Em filosofia, o número atual é de 31.118, sendo 23% (7.162) com a licenciatura específica. Isso porque há estimativas de que 17 Estados já tenham aulas dessas disciplinas em pelo menos um ano do ensino médio. Segundo o estudo do MEC, a demanda em cada uma das disciplinas é de 107 680 professores.O levantamento mostra também que a quantidade de graduados nas duas áreas nos últimos cinco anos, independentemente da opção por dar aulas ou não, está longe de cobrir o déficit. Foram cerca de 14 mil em filosofia e 16 mil em sociologia. "Não haveria professor suficiente nem para ter apenas um por escola", diz Dilvo Ristoff, autor do estudo e diretor de Educação Básica Presencial da Capes/MEC, órgão que agora cuida também da formação de professores no País. São 24 mil escolas de ensino médio no Brasil. A lei de junho retificou essa decisão e exigiu que sociologia e filosofia integrassem o currículo dos três anos do ensino médio, o que complicou mais ainda a situação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Bom, está sobrando emprego!
Crise mundial dos alimentos poderá beneficiar econimia brasileira

A crise mundial de alimentos deve se acentuar no prazo de três anos. No entanto, o Brasil pode se beneficiar desse fato por ser o único país do mundo com todas as condições (espaço, tecnologia, água, clima e estrutura de produção de agronegócio) para aumentar a produção, segundo estudo feito pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

O Brasil chegará ao fim da crise em posição de destaque no cenário mundial, mas precisa resolver, internamente, questões de legislação ambiental. Sou a favor de que haja flexibilização em relação às áreas que já foram degradadas. Não devemos derrubar uma árvore para aumentar a nossa produção, mas eu também acho que devemos utilizar o que já está aí.

Entretanto, estimo que se as leis que condicionam o plantio continuarem avançando nos mesmos patamares de hoje, restarão poucas áreas para cultivo: teremos congelado de 80% a 85% do território.

O aumento da produtividade é o primeiro fator para alcançar um aumento significativo na produção de alimentos. Por isso, a preocupação do governo em investir em pesquisas, com a liberação de R$ 1 bilhão para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e de uma linha de crédito de mais R$ 1 bilhão para agropecuaristas interessados em recuperar áreas degradadas.

Causas da crise

O que criou esse cenário de crise foi o crescimento da economia em todo o mundo. Não se conhece na história um período em que a economia mundial tenha crescido de forma global, a taxas tão elevadas, por tempo tão longo. Isso, evidentemente, aumentou renda e aumentou demandas por matérias-primas, por energia e por alimentos. Há um desequilíbrio entre a demanda e a oferta.

Dificuldades

Há uma situação fora e uma situação aqui perfeita, com três dificuldades que nós temos ainda: de infra-estrutura interna - o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] prevê já algumas obras para isso -, uma dificuldade cambial, e uma dificuldade da nossa dependência e vulnerabilidade de adubos. Diria até que há uma quarta, que é a questão do meio ambiente.

20 de jul. de 2008

Oração de São Francisco de Assis


Neste domindo encerro lembrando-me desta oração:

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor; Onde houver ofensa, que eu leve o perdão; Onde houver discórdia, que eu leve a união; Onde houver dúvida, que eu leve a fé; Onde houver erro, que eu leve a verdade; Onde houver desespero, que eu leve a esperança; Onde houver tristeza, que eu leve a alegria; Onde houver trevas, que eu leve a luz. Ó Mestre, Fazei que eu procure mais Consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois, é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna.
UTOPIA






Substantivo feminino.
1 Qualquer descrição imaginativa de uma sociedade ideal, fundamentada em leis justas e em instituições político-econômicas verdadeiramente comprometidas com o bem-estar da coletividade.
2 Derivação: por extensão de sentido, um projeto de natureza irrealizável; idéia generosa, porém impraticável; quimera, fantasia.
3 Rubrica: filosofia, política, sociologia.no marxismo, modelo abstrato e imaginário de sociedade ideal, concebido como crítica à organização social existente, porém inexeqüível por não estar vinculado às condições políticas e econômicas da realidade concreta.
Obs.: cf. socialismo utópico
4 Rubrica: filosofia, política, sociologia.em sociólogos como Karl Mannheim (1893-1947) ou filósofos como Ernst Bloch (1885-1977), projeto alternativo de organização social capaz de indicar potencialidades realizáveis e concretas em uma determinada ordem política constituída, contribuindo desta maneira para sua transformação.
A origem do termo, ainda segundo o Houaiss, é:
lat. utopia, nome dado por Thomas Morus (humanista inglês, 1477-1535) a uma ilha imaginária, com um sistema sociopolítico ideal; formado com o gr. ou- (do adv. de negação) + gr. tópos,ou 'lugar'; ver u- e top(o)-
O livro de Thomas Morus chama-se De optimo reipublicae statu deque nova insula Utopia, ou A melhor Forma de Comunidade Política e a Nova Ilha de Utopia.
Por vezes é fácil acusar as pessoas de "utópicas" quando apenas pretendem vislumbrar uma outra forma de sociedade. A pergunta a ser respondida daqui pra diante, por aqui, é: no que a utopia pode nos ajudar a transformar o mundo?
Cena na igreja de Santo Antônio


O coroinha não teve tempo
de jogar a água benta
na noiva em chamas.
Gustav Fechner em dois livros e prova da vida após a morte



Para quem não conhece, Gustav Fechner é considerado um dos "criadores" da psicologia moderna, ao elaborar a famosa Lei de Fechner.
Também tinha inclinações místicas. É o que mostram duas raridades, sobre a questão da vida após a morte. Um dos livros abaixo é do punho do próprio Fechner (com um prefácio de William James). Outro, um comentário, de Hugo Wernekke. Duas edições originais, e preciosíssimas:
The little book of life after deathe de Gustav Fechner
On life after death, from the German of Gustav Theodor Fechner, de Hugo Wernekke .

"Pequeno Livro da Vida após a Morte" adquire curiosas nuances, sabendo que em jogo, na Lei de Fechner, figura precisamente as relações entre o psiquismo e o corpo, ou entre a física e o mundo psíquico.
Dicas para impressão de livros raros em pdf


Quem aprecia livros, sabe que atualmente mais e mais edições clássicas são escaneadas, e disponibilizadas na internet. Entretanto, imprimir tudo fica muito caro, e ler no computador não é muito agradável.

As edições originais são geralmente escaneadas em formato .pdf . Mas, via de regra, o trabalho não se faz de modo que se economizem páginas na hora da impressão. O Acrobat Reader não tem boas opções de impressão, e geralmente o leitor ou imprime duas páginas por folha, deixando a letra pequena demais, ou imprime apenas uma página, e sobra espaço em A-4.

Nesse contexto, dois programas muito úteis ajudam a resolver o problema: um deles chama-se Fineprint, e o outro PDFFactory.

O Fineprint funciona como uma espécie de impressora, que cria uma impressão virtual ou simulada. Nela, aparecem várias novas instruções para a impressão "real", como redimensionamento de página (uma opção muito útil, porém ausente no Acrobat Reader), aplicação de marcas d´água, opções para deletar e acrescentar novas páginas, e várias outras.

Quanto ao PDFFactory, além de reunir também várias outras opções, permite exportar novos arquivos em .pdf

Por exemplo: livros originais com letras grandes podem ser impressos em 4 páginas por folha; já livros com letra muito pequena, em 2 páginas por folha, ampliando o tamanho da letra. Os outros editores de impressão permitem imprimir em 2 ou 4 páginas por folha. A diferença é a possibilidade de editar o tamanho da letra, das margens, a ordem das páginas, e deletar páginas eventuais.
Do egoismo e do automóvel



Da ocasião do falecimento do filósofo André Gorz, o O Estrangeiro publicou um texto intitulado A ideologia social do carro a motor. Vários trechos interessantes, como o que segue:

"A massificação do automóvel efetua um triunfo absoluto do ideologia burguesa no nível da vida diária. Dá e sustenta em todos a ilusão de que cada indivíduo pode procurar o seu próprio benefício às custas de todos os demais. Leva ao egoísmo cruel e agressivo do motorista que em todos os momentos está figurativamente matando os "outros", que aparecem meramente como obstáculos físicos à sua velocidade. Este egoísmo competidor e agressivo marca a chegada do comportamento universal burguês, e tem existido desde que dirigir tornou-se lugar comum. ("você nunca terá o socialismo com aquele tipo de pessoas", um amigo alemão ocidental me disse, triste ao ver o espetáculo do tráfego de Paris)."

Se o projeto de pinheiro morrer no caminho

que seja nos campos de trevo

-sorte- pra nascer de novo

18 de jul. de 2008


Notícias Desaparecidas: Pelo menos GM, Chrysler, Scania, Firestone, Philips e Volks ajudaram a ditadura no Brasil


Como todos sabemos, houve uma ditadura no Brasil. O golpe que veio a originá-la aconteceu num 1° de abril como hoje, há 43 anos, mas foi oficializado como se tivesse acontecido um dia antes, no dia 31 de março, para fugir do estigma do Dia da Mentira, numa das primeiras falsificações (não a última, nem a mais importante) da História que se iria praticar naqueles tempos.

Por isso escolhi para inaugurar esta nova seção do Blog – Notícias Desaparecidas – um tema que ainda não foi devidamente esclarecido: a colaboração das grandes corporações com a ditadura.
Em maio de 2005, uma reportagem de José Casado, publicada em O Globo e reproduzida no Blog do Noblat, tratava do assunto.

A cooperação entre empresas e ditadura militar foi permanente, intensa e quase sempre discreta, revelam documentos inéditos guardados nos arquivos do extinto Dops paulista.

Uma parte foi descoberta e entregue ao GLOBO pelo historiador Antonio Luigi Negro, autor de um excelente livro sobre a emergência do sindicalismo brasileiro depois da Segunda Guerra (“Linhas de Montagem”, Editora Boitempo, 2004).

Outros papéis foram localizados em arquivos públicos e particulares de São Paulo, Buenos Aires e Washington.

O conjunto é eloqüente na demonstração de um colaboracionismo muito além dos milionários donativos empresariais recolhidos pelo banqueiro Gastão Vidigal, o industrial Henning Albert Boilesen e o advogado Paulo Sawaia para custear a criação de um corpo de polícia política dentro do Exército (a Operação Bandeirantes).

O intercâmbio entre empresas e órgãos de segurança ultrapassou o fornecimento rotineiro de Fuscas da Volkswagen, de Galaxies blindados da Ford, de caminhões da Ultragás, de refeições congeladas Supergel e de “gratificações” às equipes dos porões do regime.

Grandes empresas recrutaram pessoal nas Forças Armadas e na polícia, mantiveram aparatos de espionagem dos empregados dentro das fábricas e nos sindicatos. A Volks e a Chrysler, por exemplo, repassaram listas de funcionários aos órgãos de segurança, às vezes com as respectivas fichas funcionais. Na semana passada, ambas negaram o envolvimento.

A Volks ressalvou ter sido “sempre apolítica”. A DaimlerChrysler alegou total desconhecimento, “portanto não temos comentários”.

E mais não lhes foi dito. E mais não lhes foi perguntado.


Na Argentina, a história é outra

No outro dia, o jornal voltou ao assunto, com nova reportagem de Casado. Nela, ficamos sabendo que, se no Brasil a história estava abafada, na Argentina a conduta era outra, bem diferente:

Na Argentina, durante a ditadura, essa mesma conduta gerou uma série de processos judiciais contra grandes corporações. Um deles, contra a Ford, tem audiência judicial amanhã. Nos EUA, correm processos contra a Ford e a DaimlerChrysler, movidos por famílias de argentinos desaparecidos depois de presos nas fábricas.

Comandante de campos de extermínio nazista organizou segurança da Volks no Brasil

Outra reportagem de Casado em O Globo informava:
Nos arquivos da polícia política há uma profusão de registros e listas de empregados remetidos por empresas privadas, com dados para identificação individual. As fichas serviam a todos os órgãos de segurança. Com freqüência, davam origem a inquéritos no Departamento de Ordem e Política Social (Dops) — e, claro, a detenções.

Ainda na mesma reportagem, esta informação (o grifo é meu):
Uma das que mais investiram [em departamentos de segurança] foi a Volkswagen, cujos pátios reuniam cerca de 30 mil funcionários. Entre os especialistas que contribuíram na montagem do "serviço" da Volks estava o alemão Franz Paul Stangl. Fugitivo nazista, fora privilegiado por Hitler com o comando de dois dos principais campos de extermínio do III Reich na Polônia, Sobibor e Treblinka. Descoberto e preso, foi extraditado em 1967.

Depois o assunto sumiu, e agora encabeça a nossa seção de Notícias Desaparecidas.
Em países onde a imprensa é verdadeiramente livre, até mesmo as grandes corporações morrem de medo dela, porque sabem que imprensa pode revelar seus intestinos. Aqui no Brasil é a imprensa que morre de medo (tá bom, não é medo, são intere$$e$) das empresas.
Vamos parar com isso?
Ah, e se você tem Notícias Desaparecidas para sugerir, colabore.

Hoje à noite, "Intervenção kafkiana na praia de São Marcos".
A institucionalização do roubo e a história de Daniel Dantas




Fico intrigado com a cobertura da imprensa, que chama Daniel Dantas de banqueiro desonesto em oposição a um suposto banqueiro honesto.

Peralá, banqueiro honesto é um oximoro. O roubo de que somos vítimas diariamente em todos os bancos brasileiros é um caso muito mais grave, porque legalizado .


Ontem mesmo, a coluna do Ancelmo em O Globo informava em duas notas que Daniel Dantas teve restituição do Imposto de Renda nos anos 2001, 2002, 2004 e 2005. E ficou em zero a zero com o Leão nos anos 2003, 2006 e 2007. Tudo dentro da legalidade.
É como diz o velho Brecht: O que é o roubo de um banco comparado à fundação de um banco?


Eu quero saber é quando vão investigar os bancos e suas Fundações (todas as Fundações, inclusive a Fundação Roberto Marinho).
Além dos juros estratosféricos, das taxas abusivas e do atendimento pra lá de precário, os bancos são os maiores devedores da Previdência. Tudo dentro da legalidade.
Daniel Dantas é banqueiro. Mas é só um deles.

15 de jul. de 2008

Vitórias contra a barbárie


O país acompanha atentamente a redução de mortes no trânsito, depois do endurecimento da fiscalização contra os motoristas que bebem -- esse é mais um detalhe de um movimento, espalhado por todo país, acima dos partidos, contra as mortes estúpidas. São vitórias contra a barbárie de toda uma geração de pessoas que apostaram na educação para a cidadania.

Nada mais estúpidas do que as mortes, quase todas facilmente evitáveis, de crianças. Poucas notícias são socialmente tão interessantes quanto a queda de 44% da mortalidade infantil nos últimos dez anos. Nesse período, a desnutrição infantil caiu, no Nordeste, 70%.

Aos poucos, a democracia vai ensinando o país a enfrentar a violência --lembre-se de toda a campanha contra o porte de armas -- e a miséria, com programas mais focados nos mais pobres. Já temos também metas educacionais de longo prazo. Cada vez mais, imagina-se a escola como um grande centro de articulação de políticas públicas.

As vitórias, medidas em números, contra a barbárie é um dos fatos novos no país, no qual vamos gerando modelos contra a barbárie. É ainda pouco, mas já podemos, aqui e ali, comemorar.

Espaços vazios, amarras de metal

É longa a espera

nesta cruz que me tenho pregado

não há fuga

quando as amarras se misturam

nos pensamentos.

O friu dos metais

percorrem minha alma

uma forma violenta de segredo

este corpo onde habitei por anos

palavras penduradas nos desvãos das janelas.

Perco a luta de fugir deste poema

como perco a fuga deste quarto escuro, durmo.

E o silêncio me busca, me procura o cerco

dos espaços vazios que me sufocam

carentes de preenchimentos.



Ao lado das torres:" 2853 pessoas morreram."
Ao lado da criança:" 824 milhões de pessoas morrem de fome."
"O mundo unido contra o terrorismo. Deveria também se unir contra a fome."


Com licença à MTV que teve este anúncio veiculado apenas uma vez, censurado nos EUA. Parabéns pela lembrança ao Profº Allan kardec.

14 de jul. de 2008

Diálogo com o tempo


Uma semana antes de morrer, o Antônio Callado deu uma longa entrevista e disse que, nos últimos cinqüenta anos, tinha participado de todas as lutas sociais e políticas do Brasil, sempre do lado certo. E aí, fazendo um balanço da vida: "Perdi todas". Você não se sente um pouco assim também?
As famosas forças produtivas são forças altamente destrutivas. É aquilo que Marx diz na quarta parte do primeiro livro O Capital, uma coisa profética, a que estamos assistindo hoje: que a lógica do capital leva-o a destruir as duas pilastras sobre as quais ele se constrói, que é a força de trabalho, dispensando-a pela automação, e a natureza, com seus recursos se exaurindo.
O Capitalismo avança, a barbárie tem vencido. Até quando? Você não se sente um pouco assim também?

A lágrima cortante dos sozinhos

Nada exagera ou exclui

ser tudo em cada coisa.

Se faz frio

e a noite é um vidro fechado.

Chove interminavelmente

em meus olhos.

Nenhum brilho acontece.

Mas, sei da existência do arco-ires.

O doutor Guillotin, a guilhotina e a pena de morte

Recentemente, a Anistia Internacional divulgou um relatório com um balanço da situação da pena de morte no mundo no ano passado. Segundo números oficiais, em 2007, a cada semana, 24 pessoas foram executadas e um total de 64 foram condenadas à morte. No total, 1.252 pessoas foram executadas em 24 países e 3.347 condenadas à pena capital em 51 países. Na China, país sede dos Jogos Olímpicos este ano e campeão da pena de morte, a organização estima em 470 o número de execuções em 2007 (nove por semana) e 1.860 condenações. Em segundo lugar vem o Irã (317 execuções), seguido da Arábia Saudita (143), Paquistão (135) e Estados Unidos (42). Os cinco respondem por 88% de todas as execuções das quais se tem notícia.
Ao ler os dados divulgados pela Anistia, lembrei-me de um curioso personagem francês, cuja trajetória é pouco conhecida. Trata-se de Joseph-Ignace Guillotin (1738-1814), de quem este ano se comemora o 270° aniversário de nascimento.


* * *

A guilhotina passou por seu primeiro teste de qualidade na França na manhã de 15 de abril de 1792. Às 10h, o mortal instrumento foi montado, em Paris, no pátio do hospício Bicêtre, transformado em presídio para os inimigos da Revolução Francesa. Dessa vez, no lugar de ovelhas vivas, as cobaias seriam cadáveres humanos. A pesada e afiada lâmina separou, a cada vez, cabeça e tronco de três defuntos, comprovando sua eficácia diante de uma platéia de notáveis da Assembléia Nacional. Das janelas de suas celas, curiosos prisioneiros também assistiram à inusitada performance: "É o famoso projeto de igualdade, todo mundo morrerá da mesma maneira", disse um deles, segundo as crônicas da época. "É o nivelamento", acrescentou outro. Entusiasmado, o carrasco Charles-Henri Sanson, habituado a execuções bem mais penosas, exclamou: "Bela invenção! Tomara que não se abuse de sua facilidade!".
A predição do verdugo, infelizmente, se confirmaria. A primeira execução pública com o uso da guilhotina ocorreu dez dias depois, na quarta-feira 25 de abril, mesma data em que Rouget de Lisle interpretava, em Estrasburgo, o Canto de Guerra para o Exército do Reno, mais tarde rebatizado de A Marselhesa, que se tornaria o hino nacional francês. O primeiro guilhotinado da história foi o ladrão Nicolas-Jacques Pelletier, por roubo e assassinato com faca. No dia seguinte, o jornal La Chronique de Paris imprimiu seu veredicto sobre a nova máquina: "Ela não mancha a mão de um homem da morte de seu semelhante, e a prontidão com a qual abate o culpado está mais de acordo com o espírito da lei, que pode muitas vezes ser severa, mas que não deve jamais ser cruel".
Em pouco tempo, 50 guilhotinas instaladas nos 83 departamentos franceses funcionavam até seis horas por dia. No início de 1794, apenas em Paris, cerca de 20 mil condenados tiveram suas cabeças decepadas, entre eles, o líder revolucionário Danton. Na proclamação do Grande Terror, ponto culminante do período repressivo da Revolução Francesa, o Tribunal Revolucionário listou 1.376 execuções. Ironia da história, o próprio rei Luís 16 ignorava quando sancionou a lei instituindo o uso da guilhotina no país, em 25 de março de 1792, que em menos de um ano também viria a ser uma de suas vítimas.
Não faltaram tentativas de se criar variações do invento para serem vendidas ao Estado, caso de uma engenhosa e fracassada guilhotina pretensamente capaz de cortar nove cabeças de uma só vez. O "mecanismo sepulcral", assim definido por Chateubriand, se torna mesmo um efeito de moda, reproduzido, em modelo reduzido, em madeira ou marfim, e adornado em detalhes de ouro e prata. Miniaturas feitas de madeira de mogno eram vendidas em Paris no Palais-Royal, renomeado Palais-Egalité. Crianças recebiam guilhotinas de brinquedo como presente. Os revolucionários passaram a adotá-la como carimbo, enquanto os aristocratas se divertiam com pequeninas guilhotinas usadas para decapitar bonecos travestidos de Danton ou de Robespierre.
Na origem do macabro instrumento, no entanto, estão os sentimentos nobres do deputado e médico Joseph-Ignace Guillotin. Horrificado pelo destino reservado aos condenados à morte da época, o humanitário médico colocou sua cabeça a funcionar para reduzir ou eliminar os sofrimentos das vítimas. É o que procura provar o historiador Henri Pigaillem na sua biografia sobre o doutor Guillotin, "Le Docteur Guillotin" (ed. Pygmalion), que leva o subtítulo "benfeitor da humanidade". Até os 25 anos, o jovem Joseph-Ignace seguiu a tradição familiar e as vontades de seu pai e cursou teologia na Sociedade de Jesus, fundada por Ignácio de Loyola, em Bordeaux. No início de 1763, no entanto, abandonou os estudos religiosos para desenvolver a sua verdadeira vocação: a medicina. Guillotin era fascinado pelas descobertas científicas e, principalmente, pelos progressos da "arte de curar". Durante quatro anos, estudou na faculdade de medicina da cidade Reims, reconhecida pelo desenvolvimentos de técnicas inovadoras em cirurgia e anatomia. Ao mesmo tempo, trabalhou como assistente em hospícios, estabelecimentos que acolhiam crianças abandonadas, idosos, indigentes e deficientes mentais. Sua formação foi completada com cinco anos de estudos na prestigiada faculdade de medicina de Paris. Coberto de títulos, se tornou professor da faculdade e, a partir de 1771, um dos médicos mais reputados da capital. Cobrava caro as consultas em seu consultório na rua de la Bûcherie, mas, fiel aos seus preceitos humanitários, dava atendimento gratuito aos pobres na paróquia de Saint-Séverin.
Em 1788, um ano antes da Revolução Francesa, Luís 16 havia suprimido a chamada "tortura prévia", utilizada para obter confissões ou delações dos acusados, mas conservado as penas desiguais para delitos de mesma natureza. Um nobre podia escolher entre a morte pela espada ou pelo machado. Já o cidadão comum agonizava em uma roda e, após ser "rompido vivo", morria na forca ou esquartejado. O falsificador de moedas era jogado em uma caldeira fervente e o herético queimado vivo na fogueira.
Em outubro de 1789, nos debates sobre a reforma do código penal na Assembléia Nacional, o doutor Guillotin apresentou uma série de "artigos filantrópicos" na busca da igualdade dos homens perante a lei. No primeiro deles, propunha que todos os delitos do mesmo gênero fossem punidos com a mesma pena, não importasse o status do culpado. No último artigo, estipulava, nos casos de pena de morte, um só suplício para todos os condenados: a decapitação, "praticada pelo efeito de um simples mecanismo". Os deputados riram de suas propostas. Muitos deles mal sabiam que, mais tarde, experimentariam eles mesmos a lâmina do fatal instrumento. Mesmo apoiado pelo médico e filósofo George Cabanis, os argumentos do doutor não convenceram o plenário e a discussão foi adiada.
Revoltado pela barbárie das execuções, o doutor Guillotin não desistiu da missão de acabar com o sofrimento e com o triste espetáculo de corpos torturados em praça pública. No ano seguinte, em 21 de janeiro de 1790, ao voltar a defender da tribuna o seu projeto, lançou: "Senhores, com minha máquina, lhes arrancarei a cabeça em um piscar de olhos, e vocês não sofrerão. O mecanismo cai como um raio, a cabeça voa, o sangue jorra, e o homem já não existe". O jornal Le Moniteur tomou o seu partido: A inovação de colocar a mecânica no lugar de um executor, que, como a lei, separa a sentença do juiz, é digna dos séculos em que vamos viver e da nova ordem em que estamos entrando", vaticinou.
Em de 3 de maio de 1791, o deputado Louis-Michel Le Peletier de Saint-Fargeau, relator do Comitê de Legislação Criminal, vai mesmo além ao pedir à Assembléia Constituinte a abolição pura e simples da pena de morte. "Não é no século 18 que devemos consagrar um erro de séculos precedentes!", exclamou. O grupo dos abolicionistas, no entanto, terá sua proposta rejeitada por ampla maioria. Mas no rastro dessa derrota prospera o debate sobre como tornar a pena de morte menos sofrível e vence a idéia de que "todo condenado à morte terá a cabeça cortada".
Pigaillem mostra que o "simples mecanismo" já existia e foi apenas aperfeiçoado por Guillotin. Sua primeira inspiração teria surgido ao se deparar com uma gravura do século 16, do alemão Albrecht Dürer, na qual o ditador romano Tito Mânlio decapita seu próprio filho com um aparelho semelhante a uma guilhotina. Outras obras, entre elas uma gravura de 1555 do italiano Achille Bocchi, também representavam instrumentos similares. Na Idade Média, aparelhos "corta-cabeças" funcionaram na Alemanha, chamados de Diele. A partir do século 16, surgem máquinas mais aperfeiçoadas, com os nomes de Halifax-Gibet (Inglaterra) e Maiden (Escócia), que darão origem à guilhotina francesa. Diversos testemunhos de época revelam, portanto, que a guilhotina não foi uma invenção por inteira do doutor Guillotin e nem uma criação da Revolução. Mesmo que tenha participado do esboço do primeiro croquis, Guillotin não acompanhou a construção propriamente dita da máquina que portará seu nome. A imprensa francesa da época não poupou o doutor de críticas e se encarregou de batizar o instrumento de morte de "guilhotina" antes mesmo de sua adoção oficial. Guillotin, no entanto, se felicitava por ter eliminado a dor do suplício e criado a igualdade diante da morte.
Definido como um homem laborioso, austero, tímido, devotado, casto e honesto, defensor da justeza da formação e da prática da medicina, o doutor Guillotin faleceu na indiferença geral, aos 76 anos, e no desgosto pelo uso abusado de sua criação. "Ele quis acabar com o sofrimento dos condenados à morte e jamais imaginou que passaria aos olhos do povo por um criminoso sádico em vez de um benfeitor da humanidade. Vítima da opinião pública, se tornou para sempre o padrinho da horrível máquina", escreve Pigaillem. Na leitura do panegírico fúnebre, o médico e amigo Edmond-Claude Bourru salientou: "Infelizmente, para nosso colega, sua moção filantrópica deu lugar a um instrumento ao qual o vulgar aplicou seu nome: prova de que é difícil fazer o bem aos homens sem que isso resulte em algum desagrado para si". Vide os versos populares da época: "Ô toi charmante guillotine/ Tu raccourcis reines et rois./ Par ton affluence divine/ Nous avons reconquis nos droits" (Ô tu, charmosa guilhotina/ Tu diminuis rainhas e reis./ Por tua afluência divina/ Nós reconquistamos nossos direitos).
A filantropia, como se nota, pode se tornar um esporte perigoso. Como escreveu Victor Hugo, em "O Último Dia de um Condenado" (1829): "Que os criminalistas mais teimosos se cuidem, desde um século a pena de morte se enfraquece. Ela se faz quase suave. Sinal de decrepitude. Sinal de fraqueza. Sinal de morte próxima. A tortura desapareceu. A roda desapareceu. A forca desapareceu. Coisa estranha!, a própria guilhotina é um progresso. O senhor Guillotin era um filantropo".


O fim da guilhotina e da pena de morte na França
"Vocês vão cortar vivo esse homem em dois?". Com a voz grave e eloqüente, o indicador apontado em seqüência para a face de cada um dos jurados, Robert Badinter procurava salvar a vida de seu cliente, Patrick Henry, 23 anos, julgado pelo seqüestro e morte de um menino de 8 anos. No derradeiro intento de poupar o réu da pena capital, naquele janeiro de 1977, o advogado de defesa acrescentou: "Chegará o dia em que a pena de morte será abolida, e então vocês dirão aos seus filhos que mataram um homem. E vocês verão seus olhares". O discurso surtiu efeito: apesar das pressões das ruas, o acusado escapou da guilhotina e foi condenado à prisão perpétua.
Anos mais tarde, em 9 de outubro de 1981, o Diário Oficial da República publicava o decreto de abolição da pena de morte na França, assinado pelo então presidente François Mitterrand. Uma vitória de seu ministro da Justiça, empossado quatro meses antes: Robert Badinter. A cruzada, finalmente, terminara.
Antes de entrar para a História como o homem que extinguiu a pena de morte no país da guilhotina, Robert Badinter sentiu o amargo gosto da sentença. Em junho de 1972, todo o seu esforço para poupar do suplício Roger Bontems, condenado por crime de assassinato, foi inútil. Depois da recusa da graça presidencial por parte de Georges Pompidou, Badinter acompanhou, na madrugada agendada, o preso desenganado no percurso até o mórbido altar. Lá, assistiu ao carrasco soltar a pesada lâmina, projetada para, num átimo, separar cabeça e tronco. "Depois daquele dia, nunca mais fui o mesmo. E, sobretudo, nunca mais encarei a Justiça da mesma maneira", disse. Depois daquele dia, seu inimigo número um fora eleito: a pena de morte. Para combatê-la, fez uso da arma com a qual goza de perfeita intimidade: a palavra.
Nos meses seguintes à derrota que lhe foi infligida no tribunal, Badinter despejou em 230 páginas um relato solitário, cru e humano do trágico embate contra o veredicto fatal. O resultado foi o livro A Execução. Era apenas o começo, como lhe havia prevenido o cardeal Lustiger, arcebispo de Paris: "No futuro, quando a abolição da pena de morte impedir a execução do autor de um crime abominável, será você que, no inconsciente coletivo, tomará o lugar do assassino".
Como ministro, Robert Badinter recebeu torrentes de cartas de ameaças de morte a sua família. Diante de sua casa, assistiu a manifestações pedindo sua demissão. Mas nunca capitulou.

Nos intestinos do Brasil

Verifica-se um mergulho definitivo, purificador, nos intestinos do Brasil. Daniel Dantas despeja: " Eu vou detonar tudo... a minha relação com a política, os partidos, os políticos, os candidatos, o congresso... tudo sobre a minha relação com a justiça, juizes e desembargadores que corrompi, quem na imprensa comprei."

Tarso Genro Pra Presidente

Intelectual de esquerda, o gaúcho Tarso Genro vem habilidosamente cimentando o seu caminho que poderá levá-lo à presidência da república. À frente do Ministério da Justiça, a quem se subordina a Polícia Federal, nunca antes na história deste país tantos ricos foram presos. Na semana passada, dois deles caíram na sua rede: Daniel Dantas e Naji Nahas. Para a próxima, espera-se a chegada de mais um: o ex-banqueiro Salvatore Cacciola.

9 de jul. de 2008

Encantação pelo Riso
Ride, ridentes!
Derride, derridentes!
Risonhai aos risos, rimente risandai!
Derride sorrimente!
Risos sobrerrisos – risadas de sorrideiros risores!
Hílare esrir, risos de sobrerridores riseiros!
Sorrisonhos, risonhos,Sorride, ridiculai, risando, risantes,Hilariando, riando,Ride, ridentes!Derride, derridentes!

Vielimir Khlébnikov(1885 – 1922)
MEMÓRIA DO RODA VIVA

Já está disponível um novo canal de pesquisa na Internet. O site armazena o acervo do programa Roda Viva, da TV Cultura, e reúne a transcrição integral de mais de 200 entrevistas. A iniciativa, da Fundação Padre Anchieta e da Unicamp, conta com apoio da Fapesp. Dentre as personalidades que estão presentes no acervo do Memória Roda Viva estão Ayrton Senna, Dom Paulo Evaristo Arns, Drauzio Varella, Fernando Henrique Cardoso, Fidel Castro, Grande Otelo, Luís Carlos Prestes, Oscar Niemeyer, Patch Adams, Paulo Autran, Pedro Almodóvar e Plínio Marcos. O objetivo do site é oferecer o texto completo de todas as 1,2 mil entrevistas realizadas durante os 21 de existência do programa Roda Viva. O endereço do site é http://www.rodaviva.fapesp.br.


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COM O DEDO NO GATILHO

Queremos avisar ao mundo que aqueles que conduzem sua política externa utilizando a linguagem da ameaça contra o Irã devem saber que nosso dedo está sempre no gatilho, e temos centenas e mesmo milhares de mísseis prontos para serem lançados contra alvos predeterminados,
disse um general iraniano. Ontem, um ministério russo divulgou o seguinte informe :
Se em frente a nossas fronteiras começar o desdobramento real do sistema estratégico de defesa antimísseis dos Estados Unidos, seremos obrigados a reagir com métodos militares e técnicos, e não diplomáticos".
Os EUA seguem com o programa de escudos anti-mísseis, cruzando o aviso russo de ontem, com o iraniano de hoje. Por sua vez, o "aviso" iraniano teve por alvo outro "aviso", de Israel, que algumas semanas atrás fez uma gigantesca manobra militar. Para alguns, a manobra simulava uma invasão às instalações nucleares iranianas, que provavelmente ocorreria ainda esse ano.

O "aviso" russo considerou também uma proposta prévia, não aceita pelos EUA, de construir um sistema anti-mísseis conjunto.

Finalmente, alguns dias atrás, o próprio presidente Lula advertiu sobre a reativação da "Quarta Frota" norte-americana. Inativa desde os anos 50 de plena Guerra Fria, agora volta a patrulhar os mares do sul. Por coincidência, em ocasião bem próxima à descoberta de novos poços de petróleo brasileiros.

O AQUECIMENTO GLOBAL ,SEGUNDO A DIESEL.
E OS NÁUFRAGOS?
Vox Populi aponta o PT como o partido preferido do eleitorado

Leia o que apurou pesquisa nacional do Instituto Vox Populi. A campanha sistemática de grande parte da imprensa comercial contra o PT falhou. O povo brasileiro já não mais acredita no noticiário viciado da mídia. 67% dos brasileiros estão satisfeitos com o Brasil. 63% acham que o país melhorou nos últimos dois anos. 58% acham que o Brasil vai melhorar ainda mais nos próximos dois anos. O PT tem 25% da preferência partidária, seguido do PMDB com 7%,PSDB com 6% e do DEM com 2%.

O PT é o partido mais lembrado por 36% do eleitorado. Para 63% do eleitorado, o PT ajuda o Brasil a crescer. O PT é considerado um partido de esquerda. 47% da população é favorável à fidelidade partidária e considera que o mandato pertence ao partido pelo qual o político se elegeu. 84% avalia positivamente o desempenho do presidente Lula. Para 34%, a principal realização do governo Lula é a implantação de programas sociais e para 20% é a política econômica. Destaque para o Programa Bolsa Família citado por 27% dos entrevistados.
Há algo errado na versão oficial sobre o resgate de Ingrid Betancourt

Eu fico me perguntando como é que uma organização guerrilheira insurgente como as FARC, que há 40 anos luta contra as elites que dominam a Colômbia, poderia cair numa armadilha tão ingênua como este teatro montado no resgate da ex-senadora franco-colombiana Ingrid Betancourt. Há algo errado na versão oficial distribuída pelo narco-governo de Álvaro Uribe e aceita tão docilmente pela mídia brasileira. Não se trata de ser contra ou a favor das FARC. O PT, o presidente Lula, e todos os que participam da construção da democracia brasileira, rejeitaram o caminho da luta armada para a conquista do poder. Mas isso não dá direito a ser idiotizado pela mídia.Aos poucos começam a surgir indícios para compreensão dos fatos. A Rádio Suíça Romanda (RSD) está divulgando que o narco-governo de Uribe pagou às FARC cerca de US$ 20 milhões pelo resgate dos 15 prisioneiros (muito bem tratados na selva como se pode constatar). Dinheiro dos EUA, evidentemente. Isso é verossímel. Entre os seqüestrados havia três agentes do Departamento de Estado e o candidato republicano à presidência dos EUA, senador John Mcain estava realmente muito precisado de um fato novo em sua campanha eleitoral. Afinal, o que estaria fazendo Mcain em viagem à Colômbia, exatamente durante a operação teatral de resgate?A notícia do pagamento de US$ 20 milhões corre a Europa pela France Press. Foi tudo uma grande encenação. Há algum tempo a Suíça vem se envolvendo, ao lado da Espanha e da França, na mediação com as FARC. O desfecho seria positivo para todos os lados. Para as FARC seria ótimo porque, em situação de desvantagem militar e política, se livrariam do peso dos seqüestrados ilustres, além do reforço representado pelo pagamento do resgate em dólares. Para o candidato republicano a vantagem é óbvia. Para a França sem se fala. Para o narco-presidente Álvaro Uribe, a operação pode significar o terceiro mandato presidencial. Para Ingrid Betancourt e os demais reféns, a liberdade. Nada mais perfeito.É incrível como a imprensa brasileira comprou tão facilmente a versão oficial colombiana. Como é que um apresentador de TV tem a coragem de repetir que a operação de resgate foi 100% colombiana? Nem os EUA se atrevem a tanta mentira. Bush, Mcain, os falcões republicanos estão metidos nisso até os ossos. Aliás, o embaixador norte-americano William Brownfield na Colômbia declarou ao Canal Caracol que a operação “teve cooperação cerrada” do governo dos EUA. Ele citou “inteligência”, equipamentos, e omitiu os US$ 20 milhões.Assim como o PT, o presidente Lula, o presidente Chávez, também eu comemoro a libertação dos 15 reféns. Tudo indica que a saída para o conflito militar na Colômbia é pacífica e negociada. Pelo caminho da negociação as FARC podem libertar os outros 700 prisioneiros de guerra. Resta saber se isso vai interessar aos EUA e ao narco-presidente da Colômbia Àlvaro Uribe. Quem acompanha a trajetória das FARC há 40 anos sabe que diferentes governos decretaram a “morte” da guerrilha insurgente. Sempre erraram. E essa história de guerrilha “terrorista” não cola não. Terroristas são os EUA e os paramilitares colombianos.
Daniel Dantas está preso por causa da conta nas Ilhas Cayman e Celso Pitta porque recebia dinheiro vivo de Naji Hahas

Já sei o que significa Satiagraha. Operação Satiagraha da Polícia Federal, aquela que prendeu Daniel Dantas e a quadrilha.

Explico: Satiagraha é um termo em sânscrito composto por duas palavras: "Satia", que é "Verdade", e "Agraha", que pode ser traduzida como "Busca". Satiagraha significa “Busca da Verdade”. Esse pessoal da Polícia Federal está cada vez mais criativo.Daniel Dantas também foi preso pela tentativa de corromper o delegado federal Vitor Hugo. A devassa aos subterrâneos do Grupo Opportunity põe a nu o capitalismo brasileiro. Maracutaias de US$ 2 bilhões (dois bilhões de dólares). Finalmente a espionagem da multinacional Kroll contra empresários, autoridades e JORNALISTAS começa a ser desvendada. Daniel Dantas e Naji Hahas são os “capos” de uma grande organização criminosa. São os capitalistas brasileiros. A S/A do crime financeiro.
Estava em outro combate bem mais de 30 dias, mas aqui estou de regresso

Deu no Jornal do Brasil

Galeano cidadão da América e reproduzido no Colunão e aqui

"Eduardo Galeano, o primoroso autor de As veias abertas da América Latina, clássico do irredentismo continental, acaba de receber em Montevidéu o título de primeiro Cidadão Ilustre do MercoSul. Agradecendo a saudação, pronunciou mais de um de seus belos e antológicos discursos.

Trechos:'Nossa região é o reino dos paradoxos.“Paradoxalmente, Aleijadinho, o homem mais feio do Brasil, criou as mais altas belezas da arte da época colonial;paradoxalmente, Garrincha, arruinado desde a infância pela miséria e pela poliomielite, nascido para a infelicidade, foi o jogador que mais alegria deu em toda a história do futebol;“O único país hispano-americano verdadeiramente livre foi paradoxalmente assassinado em nome da liberdade. O Paraguai não estava preso na jaula da dívida externa, porque não devia um centavo a ninguém, e não praticava a mentirosa liberdade de comércio, que nos impunha e nos impõe uma economia de importação e uma cultura de impostação.Um século depois da guerra do Paraguai, um presidente do Chile deu sua palavra, e se deu.Os aviões cuspiam bombas sobre o palácio do governo, também metralhado pelas tropas de terra. Ele havia dito:- Eu, daqui, não saio vivo.“E, saltando a cordilheira, me pergunto: Por que será que Che Guevara, o argentino mais famoso de todos os tempos, o mais universal dos latino-americanos, tem o costume de continuar nascendo? Paradoxalmente, quanto mais o manipulam, quanto mais o traem, mais nasce. Ele é o mais nascedor de todos.' "