22 de mai. de 2008



Enganam-se os mares despeitados


Agora é definitivo: " O TIMONEIRO DA NAU LIBERTÁRIA" , de Ornílio Gomes , supervisão de Sílvio Tendler e Daniel Mendes e o livro "A CARAVANA DA LIBERTAÇÃO" de Gabriel Jauregui, o primeiro produção executiva nossa e o segundo em parceria Micaella Neiva serão lançados no próximo dia 09 de junho , às 20:00, no auditório do memorial de Maria Aragão.

Minha prece semanal
Eu queria dizer ao mundo que aqui eu não estou. Ver se assim ele se afasta de mim e devolve este peso às costas de outro corpo à toa.

"Agora vou embrulhar minha angústia dentro do meu lenço. Vou amassa-la numa bola apertada. (...) Vou levar minha angústia e deposita-la nas raízes sob as faias. Vou examina-la, pegá-la entre meus dedos. Não me encontrarão. Comerei nozes e procurarei ovos entre as sarças, meu cabelo ficará emaranhado e vou dormir sob as sebes, bebendo água das poças, e morrerei lá"
Virginia Wolf, em As Ondas


Essa é boa, nunca será!




Não me considero um cinéfilo, por causa de toda a enjoatividade que o vocábulo cinéfilo carrega em si. Mas posso garantir que sou um tarado por filmes. É raro a semana que passo sem assistir a, no mínimo, quatro filmes. Na medida do possível, procuro sempre estar informado a respeito das novidades envolvendo o mundo da sétima arte. Eis que, procurando novidades e lançamentos, dou de cara com esse:

Mas vem cá... Não foi ela que havia dito, jurado, prometido, garantido e afirmado que não faria nunca mais um filme pornô em sua vida? Pois então. Rita Cadillac voltou. E dessa vez, pra brincar com meninas... E, segundo ela, novamente há uma justificativa: Diz a Chacrete eterna que o lucro com o filme será todo encaminhado para o carnê da casa própria que ela finalmente conseguiu adquirir. Aí eu fico pensando... Já imaginou se todo mundo que estivesse em dívida com a Caixa Econômica resolvesse, digamos, "dar um pouquinho"? Sinceramente, não sei onde isso ia parar... Para complementar, só "a nível de" informação, o nome da "amiguxa" da Dona Cadillac é Lana Starck....repara no nome: "Lana Starck"... Bota no Google, só pra ter uma base... Mais informações, no decorrer do período...

7 de mai. de 2008

Filme sobre Gérard Lebovici realça iconoclastia de Debord

" Lebo, luz e sombra" é o filme destacado hoje pelo Le Monde, realizado pelo cineasta Thierry Bourcy. O fato de Lebovici ser um dos ícones maiores da ultra-esquerda francesa e mundial, merece o destaque. O filme narra algumas facetas do magnate inolvidável dos anos 70 , que parece ter seguido aquele conselho do divino Marquês- " sem livros de referência, só se escrevem contos de fadas…".
Este tempo não gosta da verdade, da generosidade e da grandeza. Ele não gostava, portanto, de Gérard Lebovici, que atraia ainda mais inveja rancoosa por causa da sua liberdade de espírito e da sua cultura: ele tinha muitos inimigos, por conseguinte; já que, " enquanto durar este mundo ao contrário a passar por real"( Marx), as mais raras qualidades passam pelos piores dos defeitos , narra Debord no seu livro-evocação sobre a morte do editor e mecenas. Lebovici foi morto na garagem do seu apartamento em Paris XVI, a 7 de Março de 1984 . Nunca se descobriu a autoria do seu assassinato .

5 de mai. de 2008

Maio 68, ponto culminante de um longo ciclo de lutas sofisticadas
Parte 1
Depois de Maio 1968, ponto culminante de um longo ciclo de lutas, tanto nos países do centro como nos da periferia, a forma dos movimentos de resistência e de libertação conheceu uma transformação progressiva e profunda, fazendo-se eco das alterações surgidas no mesmo período na organização das forças produtivas e nas formas de produção social. Podemos começar por situar essa alteração nas mutações que afetaram a natureza da guerrilha. A alteração mais banal prende-se com o fato dos movimentos de guerrilha passarem das aldeias para as cidades, dos espaços abertos para os espaços fechados. As técnicas de guerrilha foram progressivamente adaptadas às novas condições definidas pela produção post-fordista, como os sistemas de informação e as estruturas em rede. De certa forma, à medida que ela adapta as características da produção biopolítica e se derrama por todo o tecido social, a guerrilha configura como objetivo principal a produção de subjetividade- uma subjetividade quer econômica e cultural, quer material e imaterial. Não se trata somente de " conquistar a luta pelos corações e os espíritos ", mas mais concretamente, de criar corações e espíritos novos produzindo novos circuitos de comunicação, novas formas de colaboração social e novos modos de interação.

Neste processo exprime-se uma tendência para a ultrapassagem do modelo de guerrilha moderna em prol de organizações mais democráticas. Uma das características comuns às lutas reticulares da multitude e também da produção económica post-fordista é o fato delas terem lugar no terreno biopolítico- noutros termos, elas produzem diretamente novas subjectividades e novas formas de vida. É verdade que as organizações militares implicaram sempre a produção de subjetividade. O exército moderno produziu o soldado disciplinado da fábrica fordista, e a produção do sujeito disciplinado da guerrilha moderna não foi essencialmente diferente desse modelo. A luta em rede, ao contrário, da mesma forma que a produção post-fordista, não depende de certa maneira da disciplina: os seus valores cardeais são a criatividade, a comunicação e a cooperação auto-organizada .

O quarto desta segunda-feira de Van Gogh
A mãe gosta de arrumação, até os astros distribui pelos seus negros ninhos.
Pediu a mais nova que lhe pintasse o quarto de Van Gogh.
Ela fisionomou umas estranhezas, enquanto contabilizava os seus parcos meses de namoro confuso, com a pintura.
Em jeito de filha arredondou-lhe os receios, com um tamanho de sorriso com casco de navio, porão arejado e convés com vistas largas para todos os mundos sem chão e parede até ao teto.
A mãe mobilou-a de antecipações, de estórias besuntadas com vírgulas de verdade, de detalhes sem silêncio, coisas preciosas de mãe para sempre.
Por encomenda a laça realidade, de modo algo encadeada com um ideal.
O arrumado quarto de Van Gogh no seu quarto.