28 de dez. de 2007

Educação: dos Lusíades ao Hai-kai. Um 2008 vencedor!

Os Lusíadas são uma obra imensa, épica e essencial; já o centenário Hai-Kai traz um mundo em apenas três fundamentais versos. Em suma, o que importa mesmo é trabalhar a essência. Pensando nos desafios que a educação encontra hoje, chego a acreditar que o mundo midiático em que vivemos não é tão complexo quanto parece; a escola é, sim, anacrônica para ele. O modelo escolar e curricular de hoje parece um lagarto preguiçoso que descansa ao sol, alheio ao que acontece fora de seus muros – inclusive à mídia.
Paulo Freire acreditava que a educação era por excelência um ato de comunicação. A mídia de massa nada mais é que a conseqüência, econômica e política, desse mesmo comunicar. Resta a escola e a comunidade estruturarem-se para interferir nesse sistema abrangente que, se entendido na sua essência, permite interferência, participação e democratização.
Para a atual geração de estudantes é simples produzir comunicação. As meninas e meninos blogueiros aprenderam a desenvolver seus blogs experimentando, fuçando e imprimindo sua marca. A educação pode se aproveitar disso para cumprir seu papel. Aliás, não há nada mais essencial e antigo do que ‘aprender fazendo’.
Um 2008 vencedor para todos. E que nessa batalha os vencidos sejam a não educação.

23 de dez. de 2007

10 dicas para o natal

1.Natal com significado
Natal é tempo de renascimento. Os presentes são mostras de afeto renovado às pessoas queridas. Aproveite as festas de final de ano para estar com quem você mais gosta e para compartilhar um texto, ouvir uma música, refletir sobre o ano que passou e sobre os planos futuros.

2. Controle o impulso consumista do Natal
Compre menos, opte pelo “amigo secreto”, planeje suas compras, estabeleça um limite de gastos e não o ultrapasse.
3. Dê presentes alternativos
Faça você mesmo alguns dos seus presentes ou compre produtos artesanais feitos por comunidades, cooperativas ou entidades do terceiro setor e, sempre que possível, opte por objetos feitos com matéria-prima reciclada.
4. Escolha produtos de empresas social e ambientalmente responsáveis
Informe-se sobre a responsabilidade social e ambiental das empresas das quais vai comprar, nos guias existentes no mercado, as publicações especializadas, ou os sites das próprias empresas.
5. Avalie bem quando comprar a prazo
Caso opte por comprar a prazo, verifique a taxa de juros e analise se a prestação é adequada ao seu orçamento para o ano novo. Caso pague à vista, busque negociar um desconto no preço. E não esqueça de fazer uma reserva no seu orçamento para os gastos que sempre ocorrem no início de ano.
6. Reduza o impacto das compras
Uma forma de reduzir o impacto das compras é usar o mínimo de embalagem possível. Prefira embalagens duradouras e que possam ser reutilizadas, tal como os cosméticos que adotam o refill. Ao embrulhar, use papéis e embalagens reciclados. E, se você tiver acesso a um computador, faça compras pela internet. Dessa forma, a mercadoria vai diretamente do Centro de Distribuição para sua casa, evitando maiores gastos de combustível no transporte de produtos.
7. Decore conscientemente
Opte por uma árvore de Natal natural plantada em um vaso, de modo a poder usá-la no próximo ano. Reaproveite os enfeites dos anos anteriores e, na compra de novos, prefira os artesanais ou feitos a partir de materiais reciclados. Após as festas, guarde os enfeites com cuidado e reutilize-os no próximo Natal. Na decoração com luzes, use lâmpadas de baixo consumo e apague-as antes de dormir.
8. Faça doações
O Natal é uma boa época para você doar o que não usa e que pode ser útil para outras pessoas. Ao apoiar entidades que acolhem os menos favorecidos, você estará contribuindo para que tenham um Natal mais feliz.
9. Ceia de Natal consciente
Compre apenas a quantidade de alimentos que você estima que realmente será consumida. Prefira produtos cultivados na sua região, reduzindo assim o custo de transporte e o desperdício. Mesmo que a família seja grande e o trabalho depois da ceia também, não use pratos e copos descartáveis, que viram lixo. Opte pelos de porcelana e vidro, que podem ser lavados e reutilizados. E evite comer e beber em excesso.
10. Dissemine o consumo consciente
Aproveite a festa natalina e dissemine o consumo consciente entre seus amigos, colegas de trabalho e familiares. Esse é o melhor presente que você pode dar à humanidade. E lembre-se: há coisas que por um milagre, quanto mais consumimos, mais se multiplicam. Por isso, no Natal, consuma exageradamente amor, beleza, alegria, carinho e amizade.

Eu e eu e a solidão

Com estas três cadeiras eu faria um baile, eu que sou o duplo e a minha solidão. Pediria ao tempo um intervalo e abriria, em sonho ou em chuva, as mãos para uma poesia nova e desencadeadora. Eu e eu e a minha solidão.Um caderno já desfeito pelo tempo, temo-o bem.

Contranbandeava assim o assassínio das minhas letras, rádio ligado na sala, a casa vazia, os talheres sobre as cadeiras, era isso, o meu enfim sós com tanta gente ainda por morrer. Podia, mesmo assim, traulitar quatro acordes retirados de um cancioneiro asturiano ou percorrer a pé todas as ruas do meu do recanto dos vinhais. É tradicional, é tradicional, como um jingle publicitário em random durante a noite de ano novo.

Mas a arrogância e a militância e toda a nossa ânsia, o fim do nosso mundo assim que chegasse a meia-noite, o telefone que toca mesmo sem rede, a minha companhia é azul, a tua vermelha, todas as coisas feitas a pensar nos daltónicos. Um baile, enfim, um baile, troquei-te por ela, fiquei com a casa, não vou contigo ao cinema, uma mulher saída da corporação dos bombeiros, era tão bonito o amor em dias de fogo no pinhal.

Imagino até já um certo silêncio pelas dobras das páginas, um engolir em seco das manobras dos nossos sapatos engraxados, o solitário desdém dos pais quando não percebem que a tecnologia tem avanços que o próprio evoluir das coisas não reconhece. Eras tu e a minha casa, o baile e um nome que ainda não sei escrever, eu e eu e a minha solidão, tudo em duplicado, copo vazio caído, tudo em duplicado, ainda tanta gente.

18 de dez. de 2007

A poesia de hoje

Um texto possível
um texto provável
um texto frágil
que a niguém pertence
nem a si mesmo
Sem fronteiras se espraia
perpassando pelos corpos
ecoando pelas bocas
e em si mesmo
Se dobra e se desdobra
pelos meandros das águas e das mortes,
e das palavras
por nada senão pela jornada

O banco que não parece banco. Por quê?

Nos seus filminhos publicitários (aliás bem bolados) um banco nos informa que “nem parece banco”. Qual é o problema?
Não é bom parecer banco? É melhor disfarçar?
Um banco que não parece banco nem por isso deixa de ser um banco. Por que não quer parecer? Responderão: atendimento cordial, menos buracracia (como aparece em alguns filminhos). Mas será este o motivo real ?
Ou haveria outro motivo mais fundo para não querer parecer banco

O diálogo ficção-documentário

O diálogo ficção-documentário, as fronteiras entre os dois etc, temas de eternos colóquios.
Para complicar o debate lembremos que se trata de dois conceitos, de definição um tanto hesitante, que se aplicam a filmes. Embora usemos as expressões “filme de ficção” e “documentário”, não nos perguntamos se, de fato, elas correspondem a algo no mundo das coisas. Nada menos evidente. Esses conceitos podem funcionar muito bem nos discursos sem designar coisas. A existência de um conceito não implica a existência de um objeto correspondente no mundo das coisas. A existência do conceito “documentário” não implica a existência do objeto “documentário”. O que não impede que, se o aplicar-mos a um filme este passará a ser considerado documentário. Por isso não são responsáveis nem o conceito nem o objeto, mas apenas nós que estabelecemos a relação.
Aliás, as cinematecas usam duas categorias para classificar seus filmes: “ficção” e “não-ficção”. O que deixa supor que as cinematecas sabem o que seja “ficção”, e todos os filmes que não se enquadram nesta última categoria são definidos pela negativa.
O que seja a ficção, nada menos evidente. Quando se usa o conceito de “ficção” como oposto ou diferente do de “documentário”, acredito que não se pensa na literatura de um Sterne em TRISTRAM SHANDY.
Tom Wolfe, em textos do início dos anos 1960 sobre o Novo Jornalismo, analisando não o cinema documentário mas o novo estilo de jornalismo e reportagem, deixa claro que a referência não é a ficção em geral, mas basicamente um modelo literário: o realismo.
Ora, o realismo, que começa a se desenvolver no final do séc. XVII e atinge seu apogeu no séc. XIX, é essencialmente uma ficção DOCUMENTADA. Balzac e Zola, por exemplo, eram pesquisadores que praticavam inclusive pesquisa de campo. Flaubert pesquisou os efeitos do arsênico sobre o corpo humano para descrever a morte de madame Bovary. O final do romance foi inclusive usado pela literatura médica pelo valor científico da descrição da agonia desse personagem de ficção.
Wolfe lembra que Dickens, preparando NICHOLAS NICKLEBY, mudou de nome e, fazendo-se passar pelo amigo de um recém-viúvo que procurava uma escola para o filho, visitou diversos internatos em busca de informações para o seu romance. O realismo é uma forma literária na qual a documentação e a informação colhidas in loco, permite ao romance expressar a realidade. A informação que resulta da pesquisa e a ficção convivem bem, não entram em choque, se complementam, mesmo se às vezes (pelo menos para nós hoje) digressões excessivas ou uma certa forçação de barra na composição dos personagens e de suas situações para passar informações, perturbam essa harmonia.
De qualquer forma, a relação informação - documentação / ficção não foi um problema para o séc. XIX. Ora, hoje vivemos nos perguntando se SER E TER de Philibert é documentário ou não é? Se GOOD NIGHT, GOOD LUCK é ficção ou não? Essas perguntas são provavelmente irrespondíveis, ou receberão respostas retóricas. Porque o problema não está aí. O problema é: por que formulamos tais perguntas? por que as consideramos procedentes, inquietantes ou mesmo angustiantes?
Talvez Carlo Guinzburg nos ajude a mudar o patamar da discursão ao escrever: “Do patrimônio tecnológico que conferiu aos europeus a possibilidade de conquistar o mundo fazia parte também a capacidade, acumulada no curso dos séculos, de controlar a relação entre visível e invisível, entre realidade e ficção.” O tema de Guinzburg não é a literatura realista, nem o cinema de ficção ou documentário. Mas ele nos ajuda a pensar que, no domínio do cinema, não conseguimos mais controlar a relação entre ficção e realidade. A harmonia que existia no séc. XIX entre informação e ficção se rompeu. A relação entre ficção, realidade e representação da realidade se tornou problemática. O que acontece na área cinematográfica não é provavelmente um problema especificamente cinematográfico, mas um sintoma da nossa difícil relação com a realidade e suas representações. Então talvez as perguntas devessem ser: o que é realidade para nós? o que consideramos representações da realidade? o que são as relações entre a realidade e suas representações?

17 de dez. de 2007

Feito a mão

Da próxima vez que eu pedir teu endereço, não me fale em underline, arroba, ponto com, ponto br. E-mail, não te mando mais. E aproveito agora mesmo para te bloquear no Messenger, enquanto penso numa maneira adequada para pôr fim ao meu celular. Não quero me expor ao risco de num momento de fraqueza - ou saudade - te enviar um torpedo. Desses que se pode medir a aflição do remetente apenas pela ausência de vogais em frases codificadas: "kd vc?".
E isso, no entanto, não significa um rompimento definitivo. Pelo contrário, trata-se de uma reaproximação. Uma tentativa assumidamente romântica de em tempos de mensagens eletrônicas tão impessoais - e com as quais vivo me atrapalhando porque favorecem minha impulsividade - recuperar algo que se perdeu como as correspondências de antigamente.
Tudo como era antigamente... É exatamente assim que eu queria que voltasse a ser o que não foi. (Pneumotórax e Bandeira não me deixam nos últimos dias!). E a maneira mais singela que arranjei de mostrar isso, sem ser mal interpretada ou traída pela instantaneidade dos e-mails, foi voltando a escrever cartas.
Tanto faz se for escrita numa página arrancada de um caderno escolar, numa folha branca ofício ou 100% reciclada. Se for escrita à mão, a gramatura do papel será semelhante à textura da minha pele. E antes mesmo do início da leitura, de alguma forma, já estarei sendo sentida. Conseguiria eu novamente tocar teu coração?
Então, me dou conta que certa intimidade se estabelecerá entre nós. Pela primeira vez, você poderá reparar na minha letra quase ilegível. Levemente inclinada para a direita, sem seguir nenhuma recomendação da caligrafia, irregular e desconexa. Sou eu completa e imperfeita quando não estou disfarçada em times new roman. De perto, bem perto, longe da telas do computador e dos visores dos celulares, é como sou. E você finalmente estará reparando em mim.
Ao voltar a me corresponder por epístolas - como uma personagem de José de Alencar - o que eu queria, sobretudo, era devolver aquela ansiedade de quem aguarda uma carta. Aquela espera que, contraditoriamente, sempre será surpresa. A expectativa pela chegada do carteiro que pode trazer em mãos mais do que contas a pagar: uma novidade, uma reconciliação, uma alegria ou, quem sabe, uma confissão.
Da próxima vez em que você pegar as correspondências, procure por um envelope com bordas verdes e amarelas. É que embora ainda não saiba teu endereço, é nele que acabo de colocar tua carta.

Essa foi boa

Gente, me rolei de rir ontem com a narraçao de um jornalista sobre um acidente na via Dutra. Um caminhao tombou aparentemente do nada, so tinha ele no meio da pista, ai o reporter pediu para abrir mais a camera do helicoptero para ver a cena inteira.
-Olha ai, carros da policia, do corpo de bombeiros e uma kombi, essa kombi pode ter se envolvido no acidente... ou nao.
Nao eh maravilhoso? Deixo outras sugestoes para o colega de trabalho.
-Hoje pode chover forte em SP, ou nao.
-Os bancos vao abrir no feriado, ou nao.
- Eu como jornalista posso fazer qualquer suposiçao que eu quiser ao vivo para todo pais, ou nao.
Por Cinthya Rachel, desculpe amiga.
Postado por Eri Santos Castro.

Quando os sinos dobram

Ouvimos sinos tocarem a noite...

16 de dez. de 2007

Quando um bar se transforma em espaço de criação

Utilizar a leitura como instrumento para suprir a falta de espaços culturais na periferia. Foi com esse objetivo que, em 2001, o poeta Sérgio Vaz criou a Cooperativa Cultural da Periferia (Cooperifa), na cidade de São Paulo (SP). A iniciativa, que antes reunia 17 pessoas, agora recebe cerca de 300 de diversas regiões da capital paulista.
Todas as quartas-feiras, em um bar do bairro Piraporinha, extremo sul da cidade, dezenas de pessoas se reúnem para declamar textos próprios ou de autores famosos, como Carlos Drummond de Andrade.
Com seis anos de projeto, a Cooperifa já foi objeto de tese de mestrado, de Trabalhos Conclusão de Curso (TCCs), documentários, debates e tema de críticas acadêmicas. Além disso, Sérgio Vaz já ganhou prêmios como o Prêmio Heróis Invisíveis e o Prêmio Hutuz, Ciência e Conhecimento.
Márcio Jardim tem um projeto antigo, o KARL BARX, em homenagem ao autor de "O Capital".Que saia logo do papel.

Associação cidade Criativa

A Associação Cidade Criativa vem aí.

A invensão dos bairoos educativos

Estamos lidando com sonhos. Mas também estamos lidando com realizações. Os projetos de Belo Horizonte e Nova Iguaçu (RJ) indicaram o quão longe o bairro-escola pode chegar. Ambas as experiências foram transformadas em políticas públicas e hoje servem como inspiração para o Ministério da Educação (MEC) disseminar o conceito pelo país.
O software BairroEscola.Net, desenvolvido pelo Aprendiz em parceria com a Fundação Vanzolini, identifica as potencialidades da comunidade por meio de um grande banco de dados virtual.
Um agrande idéia!!!

12 de dez. de 2007

Congresso de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de SP será em dezembro

Abertura dos arquivos, anistia e legislação; a censura aos meios de comunicação e a cultura; os movimentos sociais; a herança da ditadura militar e a impunidade. São estes os temas dos debates do I° Congresso Estadual dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo.Criado pelo Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo, o Congresso será realizado nos dias 13 e 14 de dezembro, a partir das 14 horas no anfiteatro Fernando Azevedo, na Secretaria da Educação (Praça da República, 53), antigo Instituto de Educação Caetano de Campos.
O Congresso dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos tem o apoio do CONDEPE -Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, do Grupo Tortura Nunca Mais, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo e da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos.
A data do evento refere-se à edição do Ato-5 pelo governo militar em 1968. Este é um encontro preparatório para o Congresso Nacional dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos.

11 de dez. de 2007

A agência de publicidade e a crise ética

A evolução da empresa capitalista, que passou do culto fordiano à fábrica e ao produto até chegar à fase atual, em que o mecanismo das transações financeiras domina suas estratégias, determinou, como não podia deixar de ser, o comportamento do marketing, da publicidade e a sua relação com o consumidor.

A história da empresa, a partir do século XIX, começa pelo reinado do produto. Todos os esforços estavam voltados para a engenharia, a qualidade e a durabilidade do que se produzia. Depois veio a fase das vendas, massificando-se a distribuição na busca de aumentar o volume de negócios, crescer e conquistar mercados, até chegar à era do marketing e da segmentação dos mercados, voltada para o consumidor e os seus caprichos. Logo em seguida veio a revolução comandada pela globalização, no impulso da era tecnológica e do enorme desenvolvimento das comunicações.

As empresas mundializadas de hoje são antes de tudo empresas financeiras. Trabalham para aumentar o preço das suas ações nas principais bolsas de valores do mundo e remunerar o capital dos seus investidores. Os principais executivos são especialistas na arte de glamourizar seus produtos de modo a que possam contribuir para o valor acionário da empresa. Para isso eles são bem treinados e muito bem remunerados.

Essa história provocou mudanças, como não podia deixar de ser, também no mercado publicitário, hoje também globalizado. As agências artesanais dos anos 60, cuja característica era a valorização da criatividade dos anúncios, desapareceram. Os critérios de remuneração dos serviços publicitários mudaram dramaticamente e o modelo padrão de empresa publicitária, no Brasil e em todo o mundo, é cada vez mais o da filial dos grandes grupos internacionais que ganham mais dinheiro nas bolsas do que no próprio negócio de fazer anúncios.

A pulverização das mídias ligada à necessidade de redução de custos fez surgirem agências especializadas em áreas promocionais diversas, o chamado below-the-line, que identifica todas as ações que não sejam propaganda para as grandes audiências. Alem das agências voltadas exclusivamente para planejamento, compra e venda de mídia, controladas por bancos e outras entidades financeiras que identificaram commodities altamente lucrativas no espaço e tempo dos veículos.

Não se trata de coincidência que chairmen e CEOs dos maiores grupos de agências de publicidade e serviços de marketing globalizados sejam homens originários da área de contabilidade e finanças. Os publicitários foram substituídos no comando dos grandes grupos pelos articuladores financeiros, interessados no volume de dinheiro que passava pelas mãos daquela gente que pensava o negócio da publicidade como uma atividade cujo objetivo era o de apenas fazer anúncios.

Sobrevivem no Brasil algumas agências nacionais. Sofrem grandes dificuldades de adaptação às grandes mudanças ocorridas no mercado. Os anunciantes descobriram que poderiam cortar custos também nas despesas de marketing. Impõem remuneração cada vez menor às agências e exigem maior quantidade de serviços. O lucro das agências só é possível se elas operarem em grande escala, de preferência no cenário internacional. Daí a dificuldade de sobrevivência das pequenas agências e a força cada vez maior dos grandes grupos mundiais.

As agências que sobrevivem dentro do modelo tradicional conseguem esta sobrevida devido à inexistência no Brasil, pelo menos até agora, das agências especializadas em compra de mídia – que lhes retirariam 85 por cento da receita - e pela importância do Estado como anunciante.

O governo, de alguma forma, procura proteger as agências nacionais, mas a dependência da burocracia e das práticas viciosas da política pode levá-las a escândalos de natureza ética, como tivemos oportunidade de acompanhar há muito pouco tempo, quando vimos, pela primeira vez, agências de publicidade no epicentro de uma crise ética, provocando também uma enorme crise política.

6 de dez. de 2007

O infinito é o próprio amor

O amor, esse enlaçar-se em outro sangue,
é lauta fantasia
viver a pão e água,
que nunca é satisfeito o amor.
Ainda que viva vermelho,
é sedento,é faminto.

Seus êxtases não se fartam.
Antes, nebulosos, abrem côncavos para infinito refazer,
sempre outro e mais.
O amor é voracidade.

5 de dez. de 2007

Ministra anuncia R$ 1 bilhão para combater violência contra mulher

A ministra da Secretaria Especial de Políticas para a Mulher, Nilcéia Freire, anunciou nesta terça-feira (4) a previsão de R$ 1 bilhão no Plano Plurianual (PPA) para ações de combate à violência contra a mulher. Entre as medidas, a ministra destacou a promoção dos direitos humanos das presas. Nilcéia Freire participou de audiência pública da CPI do Sistema Carcerário para debater a situação dos presídios femininos.
Os recursos serão aplicados entre 2008 e 2011 no Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, uma iniciativa do Governo Federal em parceria com governos estaduais. O plano prevê a construção de novas unidades penais femininas e o desenvolvimento de 200 projetos de geração de emprego e renda – além da ações voltadas para a saúde e o combate à exploração sexual feminina.
A ministra anunciou que o Poder Executivo vai enviar ao Congresso Nacional um
projeto de lei para que os recursos previstos no PPA sejam repassados diretamente a estados e municípios. "Hoje, o dinheiro só pode ser remetido mediante convênio. Se estados e municípios têm restrições na prestação de contas, não podem receber os recursos. O problema recai sobre a sociedade", explicou.
Nilcéia Freire defendeu a reformulação dos presídios femininos. "As instalações físicas precisam ser melhoradas. A planta dos presídios deve corresponder à realidade das mulheres para que elas possam ter acesso a trabalho, geração de renda, lazer e atividades esportivas", afirmou.
A ministra destacou ainda a necessidade de berçários para as mães presas e de uma estrutura de saúde voltada para a mulher. "Diante do diagnóstico de total desrespeito às mulheres em situação de prisão, por que tudo isso ainda não foi feito? Porque às mulheres sempre foi oferecido o que sobra", questionou.
A ministra apresentou dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) que traçam o perfil das presas no Brasil. Elas têm entre 20 e 35 anos, mais de dois filhos e escolaridade baixa. Representam 6% da comunidade carcerária do Brasil. São 26 mil detentas, distribuídas em 55 unidades prisionais.


A ministra da Secretaria Especial de Políticas para a Mulher, Nilcéia Freire, anunciou nesta terça-feira (4) a previsão de R$ 1 bilhão no Plano Plurianual (PPA) para ações de combate à violência contra a mulher. Entre as medidas, a ministra destacou a promoção dos direitos humanos das presas. Nilcéia Freire participou de audiência pública da CPI do Sistema Carcerário para debater a situação dos presídios femininos.
Os recursos serão aplicados entre 2008 e 2011 no Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, uma iniciativa do Governo Federal em parceria com governos estaduais. O plano prevê a construção de novas unidades penais femininas e o desenvolvimento de 200 projetos de geração de emprego e renda – além da ações voltadas para a saúde e o combate à exploração sexual feminina.
A ministra anunciou que o Poder Executivo vai enviar ao Congresso Nacional um
projeto de lei para que os recursos previstos no PPA sejam repassados diretamente a estados e municípios. "Hoje, o dinheiro só pode ser remetido mediante convênio. Se estados e municípios têm restrições na prestação de contas, não podem receber os recursos. O problema recai sobre a sociedade", explicou.
Nilcéia Freire defendeu a reformulação dos presídios femininos. "As instalações físicas precisam ser melhoradas. A planta dos presídios deve corresponder à realidade das mulheres para que elas possam ter acesso a trabalho, geração de renda, lazer e atividades esportivas", afirmou.
A ministra destacou ainda a necessidade de berçários para as mães presas e de uma estrutura de saúde voltada para a mulher. "Diante do diagnóstico de total desrespeito às mulheres em situação de prisão, por que tudo isso ainda não foi feito? Porque às mulheres sempre foi oferecido o que sobra", questionou.
A ministra apresentou dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) que traçam o perfil das presas no Brasil. Elas têm entre 20 e 35 anos, mais de dois filhos e escolaridade baixa. Representam 6% da comunidade carcerária do Brasil. São 26 mil detentas, distribuídas em 55 unidades prisionais.
Fonte:Site do PT

3 de dez. de 2007

Bergman , Antonioni e o que faz a pena a vida

Quase tudo foi escrito sobre a vida, a obra e a morte de Ingmar Bergman e de Michelangelo Antonioni, meses atrás, quando da morte de ambos.

Se a expressão artística de um não se relacionava com a do outro, o que os uniu, além da morte quase simultânea, foi a extraordinária sensibilidade desses dois grandes filósofos do cinema.

Bergman, o introvertido sueco, contraditoriamente (ou justamente por ser sueco e introvertido) usando a ferramenta da palavra e da linguagem falada nos longos diálogos que irrigaram as imagens memoráveis dos seus filmes, nos quais se vê o ser humano, obsessivamente, procurando exprimir-se.

Foi um leitor e admirador de Carl Jung e devia conhecer bem o fenômeno relatado pelo psicanalista, enantiodromia, a dança psíquica dos opostos que se atraem e, não raro, trocam de lugar – no caso, a personalidade introvertida produzindo de modo extrovertido.

Antonioni, ao contrário, embora filho de uma cultura verborrágica e para fora, mostrou em imagens desoladas, lentas, dos grandes desertos e dos espaços vazios, o vasto silêncio que nos envolve apesar do inútil, pueril, mas incessante esforço do ser humano para fazer-se entender. Seus silêncios remetiam aos tempos cinematográficos dos artistas orientais e às imagens das realidades invisíveis.
Os dois, assim, cada qual ao seu modo, nos falaram, com uma pungência toda especial, sobre a incomunicabilidade que, sem remédio, nos des -une.

No Rio de Janeiro dos meados dos anos sessenta, cada filme de Bergman e de Antonioni lançados nos cinemas significava um grande acontecimento cinematográfico e cultural que mobilizava as platéias. Criavam-se grandes filas nas bilheterias e, depois, nas mesas dos bares e dos botequins da zona sul, muitos discutiam até altas horas o que tínham acabado de ver, todos surpresos e atordoados com aqueles filmes que não cabiam nem nas referências do até então vigoroso e ativo cinema americano nem na narrativa romântica e acadêmica do cinema francês e muito menos no cinema do sumo sacerdote Fellini.

Achavam que Antonioni propunha enigmas - como o desaparecimento, sem explicações, da personagem de Mônica Vitti, durante a saída de barco com um grupo de amigos, em A Aventura. Ou a angústia seca de Jeanne Moreau em A Noite , no caminhar sem fim e sem destino.
Discutiam os signos da obra de Antonioni (era também época do auge da moda de leituras de Roland Barthes) e sua forma de apresentar, em lentas imagens, a incapacidade do ser humano de verdadeiramente se comunicar.

Os filmes de Bergman, então, eram analisados pelo viés das teorias da psicoterapia de Jung cujos livros começavam a fazer barulho no Brasil. Tipos Psicológicos , assim como o célebre volume das memórias, Minha Vida , na época recém-lançado em Paris, eram referência e leitura obrigatória para os que conviviam com a cultura hippie e cuja curiosidade intelectual se voltava para a arte e as manifestações espirituais do Oriente e para as culturas, religiões e símbolos africanos – as searas de Jung.

Para os que se aventuravam nos primeiros tratamentos psíquicos junguianos, no Rio e São Paulo trazidos pelos médicos recém chegados do Instituto Junguiano, de Zurique, os filmes de Bergman (e também os de Antonioni) eram um prato cheio.

Os freudianos detestavam Jung, a quem chamavam de “místico”, mas, honestamente, não podiam deixar de admirar Persona (o nome, inclusive, de uma categoria junguiana) ou o que os rostos de Bibi Anderson e Liv Ullmann em O Silêncio desejavam exprimir.

Nesse tempo sem prozac e sem a brutal pressão de hoje, a qual tornou socialmente inaceitável a exposição pública da depressão, os deprimidos se encontravam nos personagens dos filmes do sueco e do italiano e se debulhavam na “ fossa”, sem vergonha ou culpa. Mônica Vitti era a musa dos enigmas, e Liv Ullmann um dos símbolos da angústia, mal de uma época.

Em um texto publicado em 1958 na revista francesa Arts, Godard descobre o talento magistral de Bergman em Mônica e o Desejo, recém lançado na Cinemateca de Paris dentro de uma retrospectiva do diretor. A cidade está aos seus pés, fascinada com seus filmes e Godard escreve: “ É um filme do mais original dos cineastas e é para o cinema de hoje o que O Nascimento de uma Nação foi para o cinema clássico”.Elege Bergman como o cineasta do instante - “Sua câmera busca uma coisa apenas: captar o momento presente no que ele tem de mais fugidio e aprofundá-lo até que adquira valor de eternidade” – e diz que é “o único a saber filmar os homens do ângulo das mulheres – que os amam, mas que os detestam – e as mulheres do ângulo dos homens – que as detestam, mas que as amam”.

Passada uma geração, quase trinta anos depois, em 1980, Roland Barthes era quem saudava Antonioni na cerimônia de entrega do premio Archiginnedio d'Oro, concedido ao cineasta. Pouco mais tarde, mesmo preso em uma cadeira de rodas e com extrema dificuldade para dirigir filmes, auxiliado por Win Wenders, Antonioni ainda assim faz Além das Nuvens, e mostra a finura das suas imagens e a extrema delicadeza dos sentimentos de seus personagens.
“Você trabalha para tornar sutil ” observa Barthes, se dirigindo ao cineasta, “o sentido daquilo que o homem diz, conta, vê ou sente, e essa sutileza do sentido, essa convicção de que o sentido não pára grosseiramente na coisa dita, mas vai indo cada vez mais longe, fascinado pelo extra-sentido, é a convicção, creio, de todos os artistas cujo objeto não é esta ou aquela técnica, mas um fenômeno estranho, a vibração”. E compara: “De certa maneira sua arte, caro Antonioni, tem alguma relação com o Oriente”.

Na semana em que Bergman morreu, Woody Allen filmava em Oviedo, na Espanha, e foi procurado pela imprensa de todo o planeta para falar. Sua relação estreita com o sueco era conhecida e havia a imensa admiração, o respeito e a influência que alguns críticos viam no seu trabalho, apesar de Allen sempre negar: “Como ele poderia ter me influenciado? Era um gênio e eu não sou um”.

É emocionante o texto escrito, então, por Woody Allen, quando se refere a O Sétimo Selo e ao jogo de xadrez entre o Cavaleiro e a Morte: “ Da mesma forma, num dia de verão de julho, Bergman, o grande poeta cinematográfico da mortalidade, não pôde prolongar seu próprio xeque-mate, e o melhor cineasta do meu tempo se foi”.

Na elegia, Woody lembra que ele era um “homem amável, divertido, gostava de fazer piadas, inseguro quanto a seus imensos talentos, encantado pelas mulheres”. E revela: “Para dormir, assistia a algum filme que não o fizesse pensar, para relaxar sua ansiedade; às vezes um filme de James Bond”.

E lembra: “Seus poemas de celulóide eram freqüentemente profundos. Mortalidade, amor, arte, o silêncio de Deus, a dificuldade das relações humanas, a agonia das dúvidas religiosas, casamentos falidos, a inabilidade das pessoas em seu comunicarem”.

Muito provavelmente, os dois, morrendo na mesma semana, de algum modo quiseram sair da cena medíocre de um mundo que não é mais o deles. Antonioni, como diz Barthes, já não podia mais filmar, expressando, assim como Matisse fazia com sua arte, os espaços vazios entre as coisas (Matisse pintava os brancos entre os galhos das oliveiras. Para além do objeto “oliveira”).

De Antonioni, recordo sua voz doce, baixa e contida, no telefone, em Roma, nos diversos contatos que tivemos, nos quais nós dois tentávamos marcar uma entrevista que acabou não havendo.

De Bergman, além de seus filmes e da leitura dos roteiros publicados fica o imenso prazer de um componente significativo da sua herança artística – os 38 filmes feitos por Woody Allen.

O cinema dos dois para muita gente significa o que o personagem de Allen, em Manhattan, descobre, ao filosofar sobre o sentido da vida: “O que faz valer a pena viver a vida?” pensa ele e vai enumerando: “As maçãs e as pêras de Cézanne. Um solo de Louis Armstrong. Um filme sueco”.

Claro que todos sabiam a quem ele se referia.

Algumas informações sobre a pornografia brasileira


R$ 694 bilhões é a soma dos recursos que o País perde com corrupção, sonegação, fraudes, desperdício e contrabando (Jornal Folha de São Paulo- 02/12/07).
Se a corrupção no Brasil fosse reduzida ao nível da Dinamarca, o salário dos trabalhadores poderia aumentar em 43% (Transparência Internacional).
No Brasil, os 10% mais ricos controlam 47,9% da renda (World Development Report 1998/99).
16 milhões de brasileiros sobrevivem apenas da solidariedade.
No Brasil, os 50% mais pobres controlam 14,0 % da renda, apena. (IBGE).
No Brasil, os 10% mais pobres controlam apenas 1% da renda.
Um em cada 5 brasileiros vive abaixo da linha da pobreza (com menos de 80 reais por mês).
O Brasil possui mais de 40 milhões de analfabetos com 15 ou mais anos de idade (IBGE).
O Rio de Janeiro possui 34% de sua população vivendo em favelas.
O servidor público, no Brasil, não recebe aumento há 14 anos.
20% dos eleitores brasileiros receberam oferta de compra de votos durante as eleições municipais de 2006 (Transparência Brasil).
No Brasil, os 20% mais pobres controlam 2,5% da renda nacional (cerca de R$ 22,5 bilhões), enquanto os 20% mais ricos detêm 63,4% da renda nacional, ou seja, R$ 570,6 bilhões.
40% das crianças brasileiras entre zero e 14 anos vivem em condições miseráveis - ou seja, a renda mensal familiar não passa de metade do salário mínimo (IBGE).

A cópula e a arte pornográfica em Manuel Bandeira

Reproduzo uma poesia de Manuel Bandeira que é considerada obra de arte inaugural e moderna da pornografia nacional .

A cópula
Depois de lhe beijar meticulosamente o cu,
que é uma pimenta,
a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:culhões e membro, um membro enorme e tungescente.
Ela toma-o na boca e morde-o.
Incontinente,Não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém.
Antes, mais rijo, alteou-seE fodeu-a.
Ela geme, ela peida, ela sente

Que vai morrer: - "Eu morro! Ai, não queres que eu morra?!
"Grita para o rapaz que aceso como um diabo,arde em cio e tesão na amorosa gangorra

E titilando-a nos mamilos e no rabo(que depois irá ter sua ração de porra),
lhe enfia cona a dentro o mangalho até o cabo.

Softweres livres nas administrações públicas

Uma rede formada por países da América Latina pretende intensificar, na administração pública, o uso de softwares livres (que não precisam de licença para uso). A iniciativa — que já conta com a participação de Brasil, Cuba, Venezuela, Colômbia e Uruguai — vai divulgar programas utilizados em algumas nações e auxiliar a adaptá-los para que possam ser implementados em outros locais. Os softwares ficarão disponíveis na internet, acessíveis a qualquer internauta.
A Rede Colaborativa de Software Livre e Aberto da América Latina e Caribe, como é chamada a iniciativa, começou a ser montada no fim de 2005, por meio de uma parceria entre o PNUD e a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), que abriga o primeiro núcleo de coordenação do projeto.
Os programas gratuitos serão disponibilizados para os outros interessados. A rede vai fornecer especialistas para fazer as adaptações nos softwares, de modo que eles atendam as necessidades de cada país. Para isso, o projeto contará inicialmente com US$ 200 mil, doados pelo escritório do PNUD de Nova York e pela UFMG.
Até o momento, a rede é formada por representantes dos governos de Cuba, Brasil e Venezuela, uma organização não-governamental do Uruguai e outra da Colômbia. Três programas, todos do Brasil, foram compartilhados: um destinado a compras governamentais, outro que faz um inventário de máquinas relacionadas com a tecnologia da informação e outro que autentica com maior segurança documentos assinados por membros da administração pública. A participação dos países e o número de integrantes vai aumentar, esperam os organizadores.

Instituto Ethos e a transparência Brasil

Uma iniciativa liderada pelo Instituto Ethos para evitar que o setor privado contribua com desvios de recursos públicos reúne, após um ano de lançamento, 379 empresas e 84 entidades. Trata-se do Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção, uma ação lançada em junho de 2006 em São Paulo e que obteve adesão de multinacionais e empresas do Rio de Janeiro, Amazonas, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná. O pacto, apoiado pelo PNUD, pelo UNODC (Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes) e pela consultoria Patri Relações Governamentais, foi também “exportado” para a Colômbia, que adotou uma iniciativa semelhante.
O texto do pacto estabelece que as companhias que a ele aderem devem, entre outras coisas, comprometer-se a divulgar internamente dispositivos legais ligados a corrupção, proibir suborno ou oferta de suborno e denunciar “qualquer irregularidade que venham a detectar” nas contribuições de empresas a agremiações partidárias.
Em seus 12 primeiros meses, a iniciativa ganhou um site e uma campanha publicitária. Além disso, formou seu primeiro grupo de trabalho: uma reunião de 18 empresas de diferentes setores que ficam responsáveis por criar práticas anticorrupção e estratégias para a captação de recursos financeiros. A primeira reunião do grupo acontece em julho. Depois disso, os participantes devem promover encontros bimestrais para a manutenção das atividades.
A relação de empresas que aderiram ao pacto está disponível no site do pacto. Há representantes de setores diversos, como autopeças, siderurgia, eletroeletrônicos, hipermercados, farmacêuticas e concessionárias de serviço público. Alguns setores têm menos representatividade, como construção civil e bancos, que só têm uma empresa participante.
“Os resultados obtidos nesse período foram muito positivos, principalmente no que diz respeito ao aumento no número de signatários. Além disso, as visitas ao site aumentaram de 4 mil para 40 mil acessos mensais, o que mostra a boa repercussão da iniciativa”, avalia Daiane Mistieri, assistente da secretaria executiva do Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção.
O balanço da campanha foi debatido na Conferência Internacional 2007 do Instituto Ethos, ocorrida na semana passada, em São Paulo. “Agora começa uma nova fase, menos ligada à conquista de adesões e mais atenta aos trabalhos efetivos contra a corrupção. Também haverá acompanhamento das atividades nas empresas participantes, para assegurar que elas trabalhem contra a corrupção”, afirma Daiane.
Uma versão da iniciativa foi implantada pela organização não-governamental Transparência Colômbia. Porém, as práticas de fiscalização no país são direcionadas para o setor de tubulações, água e esgoto, polêmico por denúncias de corrupção.

Brasil ingressa no grupo de alto desenvolvimento humano


Ao ingressar no grupo de países de alto desenvolvimento humano, o Brasil marca o início, mesmo que simbólico, de uma nova trajetória e de um novo conjunto de aspirações. O olhar deve voltar-se ao desempenho do conjunto de países latino-americanos que têm um desenvolvimento humano superior ao brasileiro, incluindo Argentina, Chile, Uruguai, Costa Rica, Cuba e México. O Brasil possui indicadores de desenvolvimento humano inferiores em quase todas as dimensões.

Evitar o aquecimento do planeta custa menos do que as armas

Para evitar que o aquecimento global ganhe proporções irreversíveis, o mundo precisa investir menos de dois terços do que gasta com armamentos militares, afirma o Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008, do PNUD. As estimativas apresentadas no estudo apontam que seria necessário despender até 2030 o equivalente a 1,6% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial, anualmente, para impedir que a temperatura do planeta suba mais que 2º C — depois desse patamar, “os riscos de futuras alterações climáticas catastróficas aumentam significativamente”. Em armamentos, o mundo desembolsa 2,53% do PIB.
O corte dos gastos militares é justamente uma das maneiras de obter recursos para se investir na mitigação das mudanças climáticas, propõe o PNUD. Outra é a redução com subsídios agrícolas. Nos países mais ricos, “onde as despesas governamentais representam geralmente 30% a 50% do PIB, metas de mitigação mais rigorosas dificilmente parecerão implausíveis, especialmente quando os gastos em outras áreas — tais como no orçamento militar e nos subsídios para a agricultura — podem ser reduzidos”, afirma o estudo.
As tabelas sobre gastos militares incluídas no RDH basearam-se em dados do Instituto de Pesquisa em Paz Internacional Estocolmo. Os números do instituto mostram que o gasto militar global foi de US$ 1,118 trilhão em 2005. Quase metade disso é composta de despesas dos Estados Unidos. O Japão, segundo lugar entre os que mais gastam, aplicou US$ 44 bilhões. No Brasil, o investimento foi de R$ 12,5 bilhões, segundo a ONG sueca.
Para não ultrapassar a barreiras dos 2º C, o PNUD propõe que a concentração de gás carbônico na atmosfera se estabilize em 450 ppm (partes por milhão) até 2030 — algumas projeções para o século 21 apontam para a possibilidade de que a concentração atinja 750 ppm se for mantida a tendência atual. “Se os próximos 15 anos seguirem as tendências de emissões dos últimos 15, alterações climáticas perigosas serão inevitáveis”, alerta o texto. “A nossa meta de estabilização é severa, mas possível”, afirma o relatório.
Uma elevação de mais de 2º C tenderia a provocar derretimento dos blocos de gelo no pólo norte e na Antártida, “levando a um aumento dos níveis dos mares em vários metros”. O que obrigaria os habitantes das áreas litorânea de vários países a migrar. “Acima do limite dos 2º C, se intensificaria a pressão sobre os sistemas ecológicos, tais como os recifes de coral, e a biodiversidade”, adverte o RDH. Além disso, o abastecimento de água em algumas regiões ficaria comprometido e haveria ciclones tropicais mais violentos. “Ultrapassar o limite dos 2º C significaria dar um passo além do limite que determina o risco significativo de resultados catastróficos para as gerações futuras. Mais concretamente, iria deflagrar retrocessos no desenvolvimento humano”, resume o documento.
Os países desenvolvidos, que são os que mais gastam em armamentos em números absolutos, são também os principais responsáveis pelas emissões de gases que agravam o efeito estufa. Eles somam 15% da população mundial, mas emitem cerca de 45% de todo o gás carbônico do mundo. Já os países de baixo rendimento, em seu conjunto, abrigam um terço da população mundial e emitem apenas 7% do CO2.
Os países de renda elevada são, portanto, os que mais precisam fazer para evitar o risco de catástrofes climáticas, defende o relatório. Eles têm de aumentar a ajuda e o financiamento para as nações mais pobres melhorarem a eficiência energética, preservarem as florestas e adotarem fontes mais limpas de energia.
O PNUD sugere também a criação de um mercado que fixaria um preço para as emissões de dióxido de carbono, o que levaria os países a adotarem metas ou a comprarem cotas de emissão dos países menos poluentes. Outra saída é a regulação e tarifação do setor de transportes.

O segredo do nº1 do IDH do mundo

Nova campeã do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), desbancando a Noruega — que foi líder nos últimos seis anos —, a Islândia não é líder no ranking de nenhum dos dados que compõem o indicador elaborado pelo PNUD. Não tem o maior PIB (Produto Interno Bruto) per capita do planeta, nem a maior expectativa de vida, nem a maior taxa bruta de matrícula, embora o analfabetismo seja próximo de zero, como ocorre em vários países de renda elevada. A principal característica desse país do noroeste da Europa é exibir ótimos resultados em várias áreas e fazer investimentos públicos maciços na área social, como indica o Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008, divulgado nesta semana.
Com 312.851 habitantes (semelhante a Foz do Iguaçu) distribuídos em 103 quilômetros quadrados (pouco mais de Pernambuco), a Islândia é uma ilha de origem vulcânica localizada no Atlântico Norte, entre o Reino Unido e a Groenlândia. O nome do país em islandês — Ísland, que significa “Terra do Gelo” — faz jus ao clima frio. A capital Reykjavik registrou temperaturas médias de 5,4º Celsius em 2006, segundo o Gabinete de Estatísticas islandês.
Sua economia é modesta — é apenas o 126º país do mundo em PIB — e depende da indústria da pesca, que responde por quase 70% das vendas externas, de acordo com dados do governo. O PIB por habitante, quinto maior do mundo, é de 36.510, em dólares calculados pela paridade do poder de compra (que leva em conta o custo de vida de cada país).
O que não é modesto são os investimentos em bem-estar social. A Islândia é o país de renda elevada com maior gasto público em saúde: suas despesas nessa área equivalem a 8,3% do PIB — bem mais que a iniciativa privada (1,6%) e quase o dobro do Brasil (4,8%), como mostram os dados do relatório do PNUD.
Os resultados indicam que o gasto é eficiente. A expectativa de vida é a terceira maior do mundo: 81,5 anos, só atrás de Japão e Hong Kong. Entre os homens, os islandeses são os que mais vivem (79,9 anos). A taxa de mortalidade infantil é a menor do planeta (2 mortes para cada mil nascimentos).
Os investimentos públicos em educação são semelhantes: na terra do prêmio Nobel de Literatura Halldór Laxness, eles correspondem a 8,1% do PIB, a oitava maior proporção do mundo, só superada por outras ilhas — incluindo a campeã Cuba (9,8%) —, por Iêmen (9,6%) e Dinamarca (8,5%). O relatório aponta que os gastos do governo são aplicados sobretudo nos estágios iniciais: 40% vai para o pré-primário e o primário, 35% para o secundário e 19% para o ensino superior.
Os resultados, novamente, indicam que as despesas são bem-feitas. No país da cantora Björk e do jogador de futebol do Barcelona Eidur Gudjohnsen, o analfabetismo beira zero, a taxa bruta de matrícula é de 99% no ensino primário e 88% no secundário. Não há evasão no ciclo escolar inicial: 100% das crianças que entram na primeira série chegam à quinta.
República parlamentarista, a Islândia tem o mais antigo Legislativo do mundo, o Alþingi, fundado em 930. Os gastos com armamentos são ínfimos: o país é um dos únicos do mundo que não tem Forças Armadas.
A Terra do Gelo tem, ainda, a taxa de desemprego de 2,9%, a menor da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, entidade internacional de 30 países comprometidos com os princípios da economia de livre mercado).

Não há democracia sem o controle coletivo dos meios de comunicação de massa

O que mais chama a atenção na entrevista do Lula ao Estadão não são seus argumentos mas, antes de tudo, o fato de que o discurso do governo não chega à população. Oferece-se um cardápio aparentemente diferenciado de cronistas, de jornais, de revistas, de canais de televisão, de rádios, mas em nenhum deles a população fica conhecendo a opinião do governo, a justificativa dos seus atos, a palavra do presidente em que o povo majoritariamente votou para eleger e reeleger como presidente do Brasil.Os órgãos da mídia da oligarquia privada reivindicam publicidade do governo conforme o que seria a audiência que teriam nas pesquisas. E atacam violentamente qualquer recurso que o governo destine a órgãos públicos de divulgação ou à publicidade das ações do governo.No entanto, qual é a pesquisa mais abrangente, em que o povo brasileiro, depois de muitos meses de campanha, dispondo de várias alternativas, se pronunciou sobre sua vontade política? O processo eleitoral do ano passado. O que esse processo apontou? Que Lula dispõe de ampla maioria –apesar da brutal oposição monopolista -, delegada democraticamente pelo povo brasileiro para governar o país. O que lhe impõe também a obrigação de relatar ao povo brasileiro sobre as realizações e os problemas do seu governo, o que deve fazer mediante órgãos públicos e divulgação na imprensa em geral.Um dos maiores erros do governo foi o de minimizar a democratização dos meios de comunicação, como que aceitando que quatro famílias detentoras de meios privados, queiram deter o monopólio da formação da opinião pública. Para testar se há democracia e pluralismo na imprensa brasileira, podemos perguntar-nos: eram conhecidos publicamente os argumentos de Lula? Só na campanha eleitoral, quando as candidaturas dispõem de espaços públicos para se manifestar, independentemente da imprensa monopolista privada. No que depender desta só sua voz domina o espaço público.
Conhecemos a reiteração cotidiana dos argumentos da oposição, em que os jornais são cada vez mais parecidos entre si, as colunas dos jornais e da televisão parecem escritos pela mesma pessoa, em que os desígnios autoritários das quatro famílias se impõem na fabricação ditatorial das informações, em que a editorialização predomina sobre a informação.Não há na imprensa o ponto de vista do governo, que é majoritário no país. A imprensa monopolista privada, assim, revela ser uma imprensa antidemocrática, não pluralista, que não respeita o direito da maioria, que não reflete a vontade e o interesse da maioria da população. É uma imprensa opositora, derrotada nas eleições gerais do país, de forma democrática e insofismável. Mas que insiste em afimar, de forma falsa, que representa “os interesses do país”, quando na verdade defendem os pontos de vista e os interesses derrotados, minoritários no Brasil.Valem-se da força que o monopólio privado lhes concede para tentar impor esses interesses contra a maioria da população. Impedem que o ponto de vista majoritário seja expresso nos espaços que controlam. Tentam se situar como juízes da democracia, quando o que impera nas suas empresas é o nepotismo, a propriedade familiar, sem nenhum controle democrático, redações sem democracia, colunistas que escrevem na mesma linha de apoio à posição dos donos do jornal, noticiário totalmente editorializado, espaços sem pluralismo, nem debate entre posições diferenciadas, oposição política cega, de direita, conservadora, antipopular. Não há democracia nos meios de comunicação no Brasil, campo dominado por algumas empresas familiares, monopolistas, mercantis. São um núcleo homogêneo nos pontos de vista e nos interesses que defendem, que têm que ser derrotado pela combinação de políticas públicas democráticas, pluralistas, por iniciativas populares e democráticas fora do Estado, que representem os pontos de vista hoje dominantes no país, e que derrotem a hegemonia oligopólica nos meios de comunicação.Sem democratização dos meios de comunicação, o Brasil nunca chegará a ser uma democracia.

2 de dez. de 2007

A desesperada travessia de dois meses da família real portuguesa para o Brasil

A família real portuguesa só chegou ao Rio de Janeiro em março de 1808, depois de passar em fevereiro por Salvador, na Bahia, mas as comemorações do bicentenário da chegada ao Brasil começaram oficialmente nesta quinta-feira, 29 de novembro. Ao raiar do sol deste dia de 1807, o príncipe Dom João, sua família, seu governo e sua corte, já com o exército francês invadindo os arredores de Lisboa, partiram às pressas do porto de Belém, sob proteção da poderosa esquadra inglesa, liderada pelo famoso almirante sir Sydney Smith.
Graças à recente publicação, inédita no Brasil, do relato “conciso e apurado”, escrito em 1810 pelo conde irlandês e tenente da Marinha britânica Thomas O’Neil, poderemos agora saber, de uma fonte primária, como foi caótica a aventura da única realeza européia que atravessou o Atlântico para escapar de Napoleão Bonaparte. O pequeno livro em inglês sobre a “fuga da família real de Portugal para o Brasil” e os “sofrimentos dos fugitivos reais” é um documento histórico raro: foi distribuído na época em Londres apenas para cerca de 1.700 nobres subscritores da obra.
Com um título mais honroso em português – “A vinda da família real portuguesa para o Brasil”-, o texto de O’ Neil pôde chegar enfim aos leitores brasileiros porque o bibliófilo José Mindlin, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), cedeu seu precioso exemplar para a Comissão do Bicentenário criada pela prefeitura do Rio de Janeiro. Que, por sua vez, o repassou à editora José Olympio para ser fotografado e traduzido.
O depoimento do conde é, primeiramente, um hino de louvor à ação dos britânicos em guerra contra Bonaparte, “o infame símbolo de Lúcifer” - com quem Dom João tentou contemporizar até a última hora, enquanto assinava acordos secretos com os ingleses. Mas não deixa de nos trazer registros vivos e ricos, quase em tom de reportagem, sobre o que viu e ouviu naqueles dramáticos dias que mudariam a história do Reino Unido de Portugal e Brasil. Nesta edição, a versão do marinheiro irlandês é contextualizada pelo cuidadoso prefácio de Lilia Moritz Schwarcz, que aponta inclusive equívocos factuais.
União das frotas e bandeiras - Vejamos o que nos diz a testemunha ocular do momento da partida. “No dia 29, às sete horas, a manhã estava linda: uma brisa agradável soprava do quadrante leste fazendo com que os navios portugueses deslizassem diretamente para fora do Tejo (...). Tivemos então a profunda satisfação de ver nossas esperanças e perspectivas se realizarem totalmente: toda a frota portuguesa se dispôs sob proteção de Sua Majestade, enquanto disparava uma saudação recíproca de 21 salvas.” Emocionado com o “espetáculo raro de se ver” da junção dos navios e das bandeiras de Portugal e Inglaterra, O’Neil não omite, entretanto, que o único espectador insensível à “cena de sublime beleza” era o “Exército francês que estava nas colinas”.
Thomas O’Neil também não esconde outros fatos pouco edificantes para a história oficial: a correria da família real para chegar ao porto de Lisboa trazendo em cinco horas 700 carros com seus últimos pertences; o desespero da multidão, estimada por ele em cerca de 10 mil pessoas, que lotaram do dia 25 ao dia 28 o porto, sem garantia de embarque; a má condição e o mau preparo das embarcações portuguesas; a falta de provisões e acomodações em várias naus. Ele destacou ainda o sofrimento das mulheres. “Muitas senhoras distintas entraram na água na esperança de alcançar os botes, mas algumas, desgraçadamente, morreram”.
Obrigado a transferir-se temporariamente do London para a fragata Oliveira, revelou que passou o Natal sem ter o que comer, porque o estoque de arroz, única ração existente, terminara. Segundo seus cálculos, entre 16 mil e 18 mil portugueses abandonaram Lisboa, abrigados em uma frota que ultrapassaria, incluindo dezenas de navios mercantes, mais de 50 embarcações. O’Neil também registra que no mar, como em terra firme, Dom João (que ficava em Mafra) e Carlota Joaquina (em Queluz) mantiveram-se separados. Durante os dois meses de travessia, ele ficou no Príncipe Real; ela, no Afonso de Albuquerque.

1 de dez. de 2007

O colecionador de palavras

O colecionismo figura entre as manias humanas mais interessantes. Revela nossa capacidade de fazer recortes no universo e criar microcosmos temáticos. Nesses pequenos mundos, construídos com carinho e obsessão, o colecionador se torna especialista, pesquisador contumaz, “pastor” zeloso de um rebanho de coisas e símbolos.Há os que colecionam selos, moedas, cartões telefônicos, cartões postais, canetas, cardápios, conchas, gravuras, gibis, caixas de fósforos, camisetas, chaveiros, girafinhas e outros animais em miniatura — pingüins, corujinhas, rinocerontes, hipopótamos, elefantes, dinossauros, etc. O colecionador típico está sempre atento, de olhos abertos, farejando oportunidades para alimentar sua paixão. Orgulha-se de ter comprado um chaveiro na África do Sul, de ter roubado um cardápio num restaurante da Itália, de ter recebido um cartão postal raríssimo da Tanzânia. Não coleciono nada. Falta-me espírito de catalogador, nem meus livros estão organizados. Acumulam-se em adorável promiscuidade, sem etiquetas e pudores.A palavra “colecionar” tem a ver com a palavra latina legere — ler, colher. O colecionador é leitor meticuloso, recolhe do todo múltiplo amostras especiais. E talvez por essa brecha etimológica eu possa me incluir entre os colecionadores de diferentes gostos. Coleciono palavras, guardo as que me dizem algo peculiar. Na minha coleção está a palavra “escola”, que em sua história relaciona-se com a noção de tempo livre, tempo que liberta — skholê, em grego. Ir à escola é, ou deveria ser, ingressar no espaço da liberdade. Déboussolé eu trouxe da França, indica aquele que está desorientado, desnorteado, não sabe o norte, não sabe onde fica o oriente, está “desbussolado”, sem bússola, perdido, desconcertado. Gosto desta palavra e a incluí em minha coleção como um alerta. A escola existe para que não haja déboussolées. “Palpite”, mesmo o infeliz, é uma palavra atraente. Vem do verbo latino palpare, palpar com as mãos, tocar às cegas, mas também acariciar e afagar. A palpitação do toque e a pálpebra com seus movimentos repetidos têm a ver com o palpite. Palpitar é tocar repetidamente algo que se desconhece, tentando extrair algum indício do que ali está. Guardei em minha coleção a preciosa palavra “pessoa”. Pessoa soa bem, e não à toa tem a ver com sonare, soar em latim, porque persona era a máscara de teatro pela qual passava a voz do ator, interpretando o personagem. Há outras muitas palavras nesta minha coleção que, justamente por seu grande valor, não tem preço.

O mais velho livro impresso do mundo

O Sutra Diamante (Vajracchedika-prajñāpāramitā-sūtra), de 868, embora seja um pergaminho é o mais velho livro impresso no mundo. Trata-se de um texto sagrado budista impresso a partir de blocos de madeira em folhas de papel (xilogravura) , reunidas em códices. Foi encontrada em 1907 pelo arqueólogo Marc Aurel Stein em uma caverna fechada em Dunhuang, no nordeste da China. Essa caverna é conhecida como a "Caverna dos Mil Budas". Esse livro foi impresso 587 anos antes da Bíblia de Gutenberg.

O primeiro romance da história

Em meados do ano 1001, a nobre japonesa Murasaki Shikibu escreveu o primeiro romance da história. Conhecido como uma obra literária clássica de maior volume, apresentando 54 capítulos e mais de 600 mil palavras, Genji-Monogatari (Contos de Genji) descreve a elegante e requintada vida da corte, os sentimentos do personagem principal, Hikaru Genji, em relação às mulheres com quem se envolve e as intrigas pelo poder, retratando usos e costumes e pensamentos da Era Heian.

Poeta em Nova York

Um poema do espanhol Federico García Lorca, que faz parte de seu livro mais aclamado, "Poeta em Nova York" (1929), foi vendido nesta quarta-feira em um leilão na Sotheby's de Londres por US$ 45.583. A identidade do comprador, que deu seu lance por telefone, não foi divulgada. Mas, segundo especialistas, pode se tratar do ministério da Cultura espanhola e a Fundação Federico García Lorca, que teriam feito uma oferta conjunta para obter esse precioso manuscrito. O manuscrito do poema "Crucifixión", que García Lorca teria dado de presente a um amigo, Miguel Benítez, sem ter feito cópia, estava avaliado pela Sotheby's entre US$ 40 mil e US$ 60 mil.

Fonte: JC Online- http://www.jc.uol.com.br/