A Amazônia pode ajudar a proteger a América do Sul das mudanças climáticas e ainda mitigar os efeitos do aquecimento global no resto do mundo -- desde que não seja desmatada. O alerta vem de um artigo publicado na revista especializada “Science” por um grupo internacional de cientistas, que inclui o brasileiro Carlos Nobre. Na mesma edição da revista, outro texto, de uma dupla européia de pesquisadores, critica o funcionamento do órgão da ONU que trata das mudanças climáticas. Só neste século, a temperatura na Amazônia deve subir, em média, 3,3ºC. Esse elevação deve aumentar a seca em algumas regiões, principalmente no leste e no sudeste da floresta (região de Mato Grosso), onde o desmatamento é mais intenso. A área de maior biodiversidade, no entanto, no noroeste, seria também a menos afetada pelo calor. Além disso, os pesquisadores acreditam que a floresta é mais resistente à elevação das temperaturas do que parece, graças às suas profundas raízes. Esses dois fatores combinados ao importante papel que a Amazônia possui na determinação da temperatura global (apenas a perda da cobertura vegetal, por exemplo, sem contar os gases de efeito estufa, já seria o suficiente para elevar os termômetros no mundo) fazem os cientistas acreditam no fator “protetor” da floresta contra o aquecimento. Se chamar de “pulmão do mundo” é exagero, os pesquisadores defendem que o ciclo de condensação e evaporação na Amazônia são “os motores da circulação atmosférica global”. Isso só vai dar certo, é claro, se a floresta não for desmatada. A derrubada de árvores e a fragmentação causadas pelas atividades humanas fazem o calor subir, a chuva diminuir e todo o sistema ruir. Como é impossível conter totalmente a transformação de floresta em área para agricultura e pasto, os pesquisadores sugerem a elaboração de um plano. O primeiro passo seria manter o desmatamento no mínimo necessário, muito abaixo de um número que afetasse o clima da região. O segundo, controlar o uso do fogo através da educação da população e de leis. O terceiro, manter corredores de mata nativa para a migração das espécies; o quarto, proteger os rios para que eles sirvam como “refúgios de umidade”. Por fim, manter o “núcleo” da Amazônia, aquele mais resistente ao calor e com a maior biodiversidade, intacto. Isso, acreditam os cientistas, ajudaria não apenas a contar o aquecimento global, mas também daria chances para as espécies locais se adaptarem ao aumento das temperaturas.
IPCC
Em outro artigo na mesma “Science”, Frank Raes, do italiano Instituto para Meio Ambiente e Sustentabilidade, e Rob Swart, da holandesa Agência de Avaliação Ambiental, defendem que o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, precisa mudar seu funcionamento. Para os pesquisadores, o órgão é muito lento para acompanhar a velocidade das políticas que serão necessárias para controlar o aquecimento global. Desde 1990, o IPCC já produziu quatro grandes relatórios científicos sobre o problema. Neste ano, um resumo (que de resumido não tinha nada) de todos os problemas envolvidos na questão cravou que a culpa das mudanças climáticas está, sim, na atividade humana. Um avanço incontestável, mas que marca também, para Raes e Swart, o momento do órgão mudar de cara e ficar mais ágil. Para a dupla, a emergência do problema faz ser impossível esperar mais cinco ou seis anos até o próximo estudo. “A distância entre aqueles focando em políticas e aqueles focando na ciência básica está diminuindo”, diz o texto. Agora, em vez de elucidar qual é o problema, o IPCC precisa trabalhar em como resolver o problema
30 de nov. de 2007
28 de nov. de 2007
Seque a procissão
"...Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste ponto temos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, em algumas partes, grandes barreiras, algumas vermelhas, outras brancas; e a terra por cima é toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta é tudo praia redonda, muito chã e muito formosa.
Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque a estender d'olhos não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.
Nela até agora não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem o vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados como os de Entre-Douro e Minho. porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.
As águas são muitas e infindas. E em tal maneira é grandiosa que, querendo aproveitá-la, tudo dará nela, por causa das águas que tem.
Porém, o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza nela deve lançar...
Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500."
Este texto de passagem de Pero Vaz de Caminha, retrata o nosso Brasil. Agora as florestas estão em plena destruição e os verdadeiros donos da terra em extinção. Enquanto isso seque a procissão...
Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque a estender d'olhos não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.
Nela até agora não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem o vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados como os de Entre-Douro e Minho. porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.
As águas são muitas e infindas. E em tal maneira é grandiosa que, querendo aproveitá-la, tudo dará nela, por causa das águas que tem.
Porém, o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza nela deve lançar...
Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500."
Este texto de passagem de Pero Vaz de Caminha, retrata o nosso Brasil. Agora as florestas estão em plena destruição e os verdadeiros donos da terra em extinção. Enquanto isso seque a procissão...
26 de nov. de 2007
Os cinco Ws e um H no jornalismo
A necessidade da teoria para o bom exercício do jornalismo ou os cinco ws e um H
A atividade primária do Jornalismo é a observação e descrição de eventos, conhecida como reportagem, indicando os parâmetros jornalísticos conhecido em inglês como "os cinco Ws e um H":
"O quê" (What) - o fato ocorrido
"Quem" (Who) - o personagem envolvido
"Onde" (Where) - o local do fato
"Quando" (When) - o momento do fato
"Por quê" (Why) - a causa do fato
"Como" (How) - o modo como o fato ocorreu
A essência do Jornalismo, entretanto, é a seleção e organização das informações no produto final (jornal, revista, programa de TV etc.), chamada de edição
O trabalho jornalístico consiste em captação e tratamento escrito, oral, visual ou gráfico, da informação em qualquer uma de suas formas e variedades. O trabalho é normalmente dividido em quatro etapas distintas, cada qual com suas funções e particularidades: pauta,apuração,redação e edição.
A pauta é a seleção dos assuntos que serão abordados. É a etapa de escolha sobre quais indícios ou sugestões devem ser considerados para a publicação final.
A apuração é o processo de averiguar informação em estado bruto (dados, nomes, números etc.). A apuração é feita com documentos e pessoas que fornecem informações, chamadas de fontes. A interação de jornalistas com suas fontes envolve freqüentemente questões de confidencialidade.
A redação é o tratamento das informações apuradas em forma de texto verbal. Pode resultar num texto para ser impresso (em jornais, revistas e sites) ou lido em voz alta (no rádio, na TV e no cinema).
A edição é a finalização do material redigido em produto de comunicação, hierarquizando e coordenando o conteúdo de informações na forma final em que será apresentado. Muitas vezes, é a edição que confere sentido geral às informações coletadas nas etapas anteriores. No jornalismo impresso , a edição consiste em revisar e cortar textos de acordo com o espaço de impressão pré-definido. A diagramação é a disposição gráfica do conteúdo e faz parte da edição de impressos. No radiojornalismo, editar significa cortar e justapor trechos sonoros junto a textos de locução, o que no telejornalismo ganha o adicional da edição de imagens em movimento.
Estas três mídias citadas têm limites de espaço e tempo pré-definidos para o conteúdo, o que impõe restrições à edição. No chamado webjornalismo, ciberjornalismo ou "jornalismo online", estes limites teoricamente não existem.
A inexistência destes limites começa pela potencialidade da interação no jornalismo online, o que provoca um borramento entre as fronteiras que separam os papéis do emissor e do receptor, anunciando a figura do interagente. Esta prática tem se difundido como "jornalismo open source", ou o jornalismo de código aberto, onde informações são apuradas, redigidas e publicadas pela comunidade sem a obrigação de serem submetidas às rígidas rotinas de produção e às estruturas organizacionais das empresas de comunicação.
De acordo com a pesquisadora Catarina Moura, da Universidade da Beira Interior (Portugal), Jornalismo Open Source "implica, desde logo, permitir que várias pessoas (que não apenas os jornalistas) escrevam e, sem a castração da imparcialidade, dêem a sua opinião, impedindo assim a proliferação de um pensamento único, como o pode ser aquele difundido pela maioria dos jornais, cuja objectividade e imparcialidade são muitas vezes máscaras de um qualquer ponto de vista que serve interesses mais particulares que apenas o de informar com honestidade e isenção o público que os lê.
A atividade primária do Jornalismo é a observação e descrição de eventos, conhecida como reportagem, indicando os parâmetros jornalísticos conhecido em inglês como "os cinco Ws e um H":
"O quê" (What) - o fato ocorrido
"Quem" (Who) - o personagem envolvido
"Onde" (Where) - o local do fato
"Quando" (When) - o momento do fato
"Por quê" (Why) - a causa do fato
"Como" (How) - o modo como o fato ocorreu
A essência do Jornalismo, entretanto, é a seleção e organização das informações no produto final (jornal, revista, programa de TV etc.), chamada de edição
O trabalho jornalístico consiste em captação e tratamento escrito, oral, visual ou gráfico, da informação em qualquer uma de suas formas e variedades. O trabalho é normalmente dividido em quatro etapas distintas, cada qual com suas funções e particularidades: pauta,apuração,redação e edição.
A pauta é a seleção dos assuntos que serão abordados. É a etapa de escolha sobre quais indícios ou sugestões devem ser considerados para a publicação final.
A apuração é o processo de averiguar informação em estado bruto (dados, nomes, números etc.). A apuração é feita com documentos e pessoas que fornecem informações, chamadas de fontes. A interação de jornalistas com suas fontes envolve freqüentemente questões de confidencialidade.
A redação é o tratamento das informações apuradas em forma de texto verbal. Pode resultar num texto para ser impresso (em jornais, revistas e sites) ou lido em voz alta (no rádio, na TV e no cinema).
A edição é a finalização do material redigido em produto de comunicação, hierarquizando e coordenando o conteúdo de informações na forma final em que será apresentado. Muitas vezes, é a edição que confere sentido geral às informações coletadas nas etapas anteriores. No jornalismo impresso , a edição consiste em revisar e cortar textos de acordo com o espaço de impressão pré-definido. A diagramação é a disposição gráfica do conteúdo e faz parte da edição de impressos. No radiojornalismo, editar significa cortar e justapor trechos sonoros junto a textos de locução, o que no telejornalismo ganha o adicional da edição de imagens em movimento.
Estas três mídias citadas têm limites de espaço e tempo pré-definidos para o conteúdo, o que impõe restrições à edição. No chamado webjornalismo, ciberjornalismo ou "jornalismo online", estes limites teoricamente não existem.
A inexistência destes limites começa pela potencialidade da interação no jornalismo online, o que provoca um borramento entre as fronteiras que separam os papéis do emissor e do receptor, anunciando a figura do interagente. Esta prática tem se difundido como "jornalismo open source", ou o jornalismo de código aberto, onde informações são apuradas, redigidas e publicadas pela comunidade sem a obrigação de serem submetidas às rígidas rotinas de produção e às estruturas organizacionais das empresas de comunicação.
De acordo com a pesquisadora Catarina Moura, da Universidade da Beira Interior (Portugal), Jornalismo Open Source "implica, desde logo, permitir que várias pessoas (que não apenas os jornalistas) escrevam e, sem a castração da imparcialidade, dêem a sua opinião, impedindo assim a proliferação de um pensamento único, como o pode ser aquele difundido pela maioria dos jornais, cuja objectividade e imparcialidade são muitas vezes máscaras de um qualquer ponto de vista que serve interesses mais particulares que apenas o de informar com honestidade e isenção o público que os lê.
24 de nov. de 2007
Quando um homem morre, incendeia-se uma biblioteca
Morre aos 80 anos Maurice Béjart (foto), coreógrafo e revolucionário da dança moderna no século XX.
Morre aos 88 anos Ian Smith, responsável pela declaração unilateral de independência da Rodésia (atual Zimbabwe)
Morre aos 88 anos Ian Smith, responsável pela declaração unilateral de independência da Rodésia (atual Zimbabwe)
23 de nov. de 2007
O Marxismo Brasileiro
Até os anos 1960, o marxismo no Brasil foi uma cópia malfeita da produção teórica autorizada pela União Soviética. O próprio conhecimento das obras de Marx era muito pequeno e sua interpretação era invariavelmente mecanicista.Caio Prado Jr. foi uma notável exceção porque foi capaz de combinar suas leituras de Marx com o meio cultural dos anos 20 e 30, caracterizados pela rejeição de tudo aquilo que parecia oficial e autorizado em termos estéticos, políticos e científicos.Como primeiro marxista brasileiro, ele só teve antecedentes em figuras menos conhecidas e que tentaram, sem o mesmo sucesso que ele, interpretar a realidade brasileira à luz dos conceitos de Marx. Esse fora o caso de Octávio Brandão, autor de "Agrarismo e Industrialismo" (ed. Anita Garibaldi) e dos trotskistas Lívio Xavier e Mário Pedrosa, autores do "Esboço de uma Análise da Situação Econômica e Social do Brasil". Caio Prado Jr. tentou desde cedo interpretar sem copiar. Teoria e práticaNuma carta ao próprio Lívio Xavier de 20 de setembro de 1933, ele escreveu: "É um critério absolutamente errado este de procurar enquadrar artificialmente os fatos brasileiros nos esquemas que Marx traçou para a Europa". E foi isso que procurou evitar em sua obra.Como marxista engajado e virtualmente excluído da vida acadêmica regular, ele tinha que unir teoria e prática. Por isso, além de escrever livros de história, Caio Prado se envolveu em muitas outras atividades em que procurava contribuir para uma atitude política radical em face de um Brasil que teimava em reproduzir suas mazelas coloniais. Relatos de viagens aos países socialistas, artigos sobre questão agrária, livros sobre filosofia marxista e economia nacional foram escritos enquanto o autor dava palestras para públicos amplos e participava da vida partidária, fosse pela Aliança Nacional Libertadora, fosse pelos comitês de ação em São Paulo (ligados ao Partido Comunista Brasileiro) durante a fase em que o partido esteve praticamente sem nenhuma direção, já que Luís Carlos Prestes estava na prisão. Finalmente, ele foi deputado estadual em São Paulo (em 1947), mas seu mandato logo seria cassado juntamente com o próprio Partido Comunista.
Disputa com historiador
Apesar de toda essa militância ele nunca teve sua obra bem aceita pelo partido. Historiadores mais afinados com a política oficial do PCB não deixaram de o criticar em diferentes épocas, fosse por não explicitar o uso de conceitos marxistas, fosse por disputas no campo da historiografia engajada. Assim, Leôncio Basbaum, que, ao contrário de Caio Prado, tinha sido um importante teórico do partido no início dos anos 30, considerava algumas páginas de sua "História Econômica do Brasil" (referentes à colonização dos EUA) dominadas pelo determinismo geográfico e opostas à visão de Marx, como afirmou em sua "História Sincera da República" (Alfa-Omega).Nelson Werneck Sodré, por outro lado, admirava a "Formação do Brasil Contemporâneo" como o melhor livro já escrito sobre o nosso período colonial, conforme disse no seu livro "O Que se Deve Ler para Conhecer o Brasil" (Bertrand Brasil), mas não o considerava marxista, e sim um exemplo de ecletismo (no jargão dos comunistas da época isso queria dizer que se tratava da pior das filosofias). Sodré era oficial militar de carreira e tinha se tornado, simplesmente, a única voz "autorizada" em matéria de história no interior do partido, embora não fosse um membro filiado. A relação com Caio Prado Jr. era honesta e cordial, mas eles divergiam totalmente na caracterização do passado colonial do Brasil. Assim como Sodré, o próprio partido acreditava na vigência de um passado feudal no Brasil, enquanto Caio Prado Jr. já considerava a América Portuguesa, desde o início, inserida em relações dominadas pelo capital mercantil europeu. Mas agora ele não era mais apenas um comunista politicamente marginal no interior do partido -situava-se no centro de uma polêmica sobre as razões da derrota da esquerda. Isso porque sua leitura do Brasil encontrava um novo ambiente cultural, e o próprio marxismo cedia lugar a uma era de vários "marxismos". Desse modo, Caio Prado Jr. tornou-se o novo paradigma das leituras críticas do nosso passado e passou da condição de herege à de mais brilhante pensador marxista brasileiro.
Disputa com historiador
Apesar de toda essa militância ele nunca teve sua obra bem aceita pelo partido. Historiadores mais afinados com a política oficial do PCB não deixaram de o criticar em diferentes épocas, fosse por não explicitar o uso de conceitos marxistas, fosse por disputas no campo da historiografia engajada. Assim, Leôncio Basbaum, que, ao contrário de Caio Prado, tinha sido um importante teórico do partido no início dos anos 30, considerava algumas páginas de sua "História Econômica do Brasil" (referentes à colonização dos EUA) dominadas pelo determinismo geográfico e opostas à visão de Marx, como afirmou em sua "História Sincera da República" (Alfa-Omega).Nelson Werneck Sodré, por outro lado, admirava a "Formação do Brasil Contemporâneo" como o melhor livro já escrito sobre o nosso período colonial, conforme disse no seu livro "O Que se Deve Ler para Conhecer o Brasil" (Bertrand Brasil), mas não o considerava marxista, e sim um exemplo de ecletismo (no jargão dos comunistas da época isso queria dizer que se tratava da pior das filosofias). Sodré era oficial militar de carreira e tinha se tornado, simplesmente, a única voz "autorizada" em matéria de história no interior do partido, embora não fosse um membro filiado. A relação com Caio Prado Jr. era honesta e cordial, mas eles divergiam totalmente na caracterização do passado colonial do Brasil. Assim como Sodré, o próprio partido acreditava na vigência de um passado feudal no Brasil, enquanto Caio Prado Jr. já considerava a América Portuguesa, desde o início, inserida em relações dominadas pelo capital mercantil europeu. Mas agora ele não era mais apenas um comunista politicamente marginal no interior do partido -situava-se no centro de uma polêmica sobre as razões da derrota da esquerda. Isso porque sua leitura do Brasil encontrava um novo ambiente cultural, e o próprio marxismo cedia lugar a uma era de vários "marxismos". Desse modo, Caio Prado Jr. tornou-se o novo paradigma das leituras críticas do nosso passado e passou da condição de herege à de mais brilhante pensador marxista brasileiro.
19 de nov. de 2007
István Mészáros e o rompimento da aparência das trevas
O filósofo marxista István Mészáros é um autor referencial para tantos que lutam contra a lógica destrutiva que preside o mundo contemporâneo. Aluno e colaborador direto do filósofo húngaro G. Lukács, com quem trabalhou diretamente na Universidade de Budapeste na primeira metade dos anos 1950, tornou-se, dentre todos os antigos colaboradores de Lukács, o que mais efetivamente contribuiu para a realização de uma obra original, crítica e devastadora em relação a tantas mistificações hoje presentes. Mészáros iniciou sua vida como operário na Hungria. Quando chegou à Universidade, destacou-se pelo brilhantismo, competência e radicalidade. Sempre calibrando a atuação na Universidade com as necessidades vitais da humanidade e a busca de sua transformação, tornou-se desde logo um espírito anticapitalista excepcional. Dotado de erudição enciclopédica, domina economia política, filosofia e teoria social como poucos. Sua obra dialoga criticamente com toda a produção relevante nesse século, navegando dos autores clássicos aos contemporâneos dotado de uma força invejável. Uma breve passagem por sua ampla produção seria bom exemplo. Mas basta dizer que seus livros A teoria da alienação em Marx (1970), O poder da ideologia (1989) e Para além do capital - Rumo a uma teoria da transição (1995) - todos publicados pela Boitempo - apareceram em diversos países, do Norte ao Sul do mundo, incluindo a China, a Índia, o Japão, Oriente Médio, sendo inúmeras vezes reeditados. István Mészáros é Professor Emeritus da Universidade de Sussex (Inglaterra). Trabalhou também em universidades na Escócia, Itália, Canadá, México, e sua obra ecoa em várias partes do mundo, despertando sempre crescente interesse. Seria impossível, nesta breve nota sobre sua trajetória, falar de tantas teses e proposições que marcam a empreitada de István Mészáros. Destaco, então, três teses, das mais originais em seu pensamento. Em Para além do capital empreendeu uma crítica devastadora às engrenagens que caracterizam o sistema do capital. Desde logo o autor, fortemente inspirado em Marx, em contraste com a totalidade da literatura sobre o tema, diferencia capital e capitalismo. O primeiro antecede ao capitalismo e é a ele também posterior. O capitalismo é uma das formas de realização do capital, a forma dominante nos últimos três séculos. Mas, assim como existia capital antes do capitalismo, há capital após o capitalismo (o que o autor denomina como capital pós-capitalista), vigente na URSS e demais países do Leste Europeu, durante várias décadas do século 20. Estes países, embora pós-capitalistas, foram incapazes de romper com o domínio do capital. Isso porque, para Mészáros, o sistema de metabolismo social do capital tem seu núcleo central formado pelo tripé capital, trabalho assalariado e Estado, três dimensões fundamentais e inter-relacionadas, sendo impossível superar o capital sem a eliminação do conjunto dos elementos que compreende esse sistema. Não basta, portanto, eliminar um ou mesmo dois dos pólos do sistema do capital, mas é preciso eliminar os seus três pólos. E essa tese tem uma força explicativa que contrasta com tudo que se escreveu até o presente sobre o desmoronamento da URSS. Segunda tese: sendo um sistema que não tem limites para a sua expansão, o capital acaba por tornar-se incontrolável e essencialmente destrutivo. A produção e o consumo supérfluos, a destruição ambiental em escala global, o desemprego e a precarização do trabalho, ambos estruturais, para não falar da política bushiana da "guerra permanente", são exemplares. Expansionista, destrutivo e, no limite, incontrolável, a forma dominante do sistema do capital é, então, a da crise endêmica, cumulativa, crônica e permanente, o que (re)coloca, como imperativo atual, frente ao espectro da destruição global, a alternativa socialista. Mais um claro contraste com quase tudo que conforma a mesmice do pensamento dominante. Terceira tese: qualquer tentativa de superar esse sistema de metabolismo social que se restrinja à esfera institucional e parlamentar está fadada à derrota. Só um vasto movimento de massas, radical e extraparlamentar, pode ser capaz de destruir o sistema de domínio social do capital e sua lógica destrutiva. Os exemplos aqui são abundantes . Muitas outras teses poderiam ser indicadas, mas o espaço aqui não permite. Fique a sugestão para que os jovens aceitem o convite para ler uma das obras mais originais, instigantes e críticas, elaboradas por um autor assumidamente de esquerda, nesse período que (quase) se parece com o tempo das trevas. Até porque, conforme o sugestivo título do novo livro de István Mészáros - O desafio e o fardo do tempo histórico - a humanidade não tem mais muito tempo pela frente...
Mr. Eric Hobsbawn e o século XX e de passagem Ítalo Calvino
Estou foleando a auto-biografia do maior historiador do mundo:Eric Hobsbawn.
Se me perguntassem o que levou esse homem a radiografar o século passado, eu reproduziria o trecho que ele selecionou do Ítalo Calvino de Cidades Invisíveis. Trata-se de uma fala do Marco Pólo: "O inferno dos vivos não é algo que vai existir: se existe, já está aqui, o inferno da nossa vida cotidiana, formado pelo fato de vivermos juntos. Há duas formas de suportá-lo. A primeira é a que muitos acham fácil: aceitar o inferno e tornar-se parte dele, até não o ver mais. A segunda é arriscada e exige constante atenção e aprendizado: no meio do inferno procurar e saber reconhecer o que não é inferno, fazê-lo durar, dar-lhe espaço".
Ou então eu o citaria, textualmente, quando ele se pergunta, para logo em seguida responder a si próprio: "Teria sido essa a vida que eu imaginava quando era jovem? Não. Seria tolo lamentar, mas em algum lugar dentro de mim há um fantasminha que sussurra: não se deve estar acomodado num mundo como o nosso. Como disse aquele que li na juventude: a questão é mudá-lo".
O relato de Eric Hobsbawn começa contando a sua infância: "Naquele tempo, brincar e aprender, família e escola definiam minha vida, como definiam a vida da maioria das crianças vienenses da década de 20". Em seguida, a sua adolescência e juventude em Berlim, depois da morte dos pais, e sua chegada na Inglaterra, com o início da sua vida intelectual em Cambridge, quando se filiou ao Partido Comunista Britânico e mergulhou na política. Foi testemunha ocular dos fatos que abalaram o mundo: o nazismo, a Segunda Guerra Mundial, a guerra fria, a primavera de Praga, maio de 68 em Paris, a queda do muro de Berlim, a globalização e a expansão dos Estados Unidos como nação hegemônica. Um desses assuntos - a rebelião estudantil na França - é um exemplo da sua duplicidade de papéis, a de historiador e a de personagem. Em 1968, lembra Hobsbawm, ele estava em Paris, participando das comemorações do sesquicentenário do nascimento de Karl Marx, quando o clamor das ruas o pegou pelo colarinho. Ele mesmo considera esse momento como o divisor de águas da sua autobiografia. Por sinal, é admirável a honestidade da sua análise. Há um misto de entusiasmo, como nesse trecho em que fala a respeito de uma certa foto de Cartier-Bresson: "Os jovens, a maioria masculina, nas ruas de punhos fechados, ainda com cabelos curtos, quase ocultando a presença de um ou outro rosto adulto. Mas essas caras adultas são as que recordo mais claramente, porque representam ao mesmo tempo a unidade e a incompatibilidade da velha geração de esquerda - a minha própria - com a nova geração. Recordo meu velho amigo e camarada Albert Soboul, titular da cátedra de História da Revolução Francesa na Sorbonne, espigado e de aspecto solene, vestido com terno escuro e a gravata dos acadêmicos eminentes, caminhando lado a lado com rapazes que podiam ser seus filhos, gritando palavras de ordem das quais ele, como membro legal do PC Francês, discordava profundamente. Mas como poderia alguém da tradição da Revolução e da República não "descendre dans la rue" em uma ocasião como aquela?" Assim como há também uma declarada desconfiança, manifestada por seu ceticismo em relação ao alcance do movimento: "Tão logo as densas nuvens da retórica maximalista e da expectativa cósmica se transformaram na chuva do cotidiano, tornou-se novamente visível a diferença entre êxtase e política, entre poder real e poder das flores, entre voz e ação". Penso que, como historiador, Hobsbawm intuiu que há em 1968 algo novo que ele próprio não foi capaz de decodificar, e a sua desculpa ao atribuir isso a sua dificuldade por nunca ter usado jeans é bastante significativa.
Maio de 1968 atravessou as fronteiras políticas e ideológicas, e no seu texto Hobsbawm não disfarça o choque, como se tivesse perguntando para a pessoa ao lado, "e agora, como fica?". "LSD tout de suite", "Juissez sans entraves" ("Que nada impeça o orgasmo"), talvez sejam libertários demais para um inglês de 86 anos. Reservado, Mr. Hobsbawm adverte no prefácio da sua autobiografia que essa obra trata mais do homem público do que do homem privado. Seguindo à risca, o autor é bastante econômico no que se refere ao seu primeiro casamento com Muriel Seaman, seu divórcio, a perda dos pais, o segundo matrimônio, deixando claro que a história é a prioridade do seu trabalho.
O resultado é um estudo de história com uma lúcida visão sobre esse século, que, segundo seu depoimento, passou tão rápido. Quanto ao século atual, a previsão é tempo ruim, sujeito a trevas e extermínio. Portanto, será outro desafio para os historiadores do futuro.
Esperemos que eles se mirem no exemplo do mestre Eric Hobsbawm. Que mantenham o tão famoso distanciamento e que não se esqueçam de que a "injustiça social deve ser denunciada e combatida. O mundo não vai melhorar sozinho".
Se me perguntassem o que levou esse homem a radiografar o século passado, eu reproduziria o trecho que ele selecionou do Ítalo Calvino de Cidades Invisíveis. Trata-se de uma fala do Marco Pólo: "O inferno dos vivos não é algo que vai existir: se existe, já está aqui, o inferno da nossa vida cotidiana, formado pelo fato de vivermos juntos. Há duas formas de suportá-lo. A primeira é a que muitos acham fácil: aceitar o inferno e tornar-se parte dele, até não o ver mais. A segunda é arriscada e exige constante atenção e aprendizado: no meio do inferno procurar e saber reconhecer o que não é inferno, fazê-lo durar, dar-lhe espaço".
Ou então eu o citaria, textualmente, quando ele se pergunta, para logo em seguida responder a si próprio: "Teria sido essa a vida que eu imaginava quando era jovem? Não. Seria tolo lamentar, mas em algum lugar dentro de mim há um fantasminha que sussurra: não se deve estar acomodado num mundo como o nosso. Como disse aquele que li na juventude: a questão é mudá-lo".
O relato de Eric Hobsbawn começa contando a sua infância: "Naquele tempo, brincar e aprender, família e escola definiam minha vida, como definiam a vida da maioria das crianças vienenses da década de 20". Em seguida, a sua adolescência e juventude em Berlim, depois da morte dos pais, e sua chegada na Inglaterra, com o início da sua vida intelectual em Cambridge, quando se filiou ao Partido Comunista Britânico e mergulhou na política. Foi testemunha ocular dos fatos que abalaram o mundo: o nazismo, a Segunda Guerra Mundial, a guerra fria, a primavera de Praga, maio de 68 em Paris, a queda do muro de Berlim, a globalização e a expansão dos Estados Unidos como nação hegemônica. Um desses assuntos - a rebelião estudantil na França - é um exemplo da sua duplicidade de papéis, a de historiador e a de personagem. Em 1968, lembra Hobsbawm, ele estava em Paris, participando das comemorações do sesquicentenário do nascimento de Karl Marx, quando o clamor das ruas o pegou pelo colarinho. Ele mesmo considera esse momento como o divisor de águas da sua autobiografia. Por sinal, é admirável a honestidade da sua análise. Há um misto de entusiasmo, como nesse trecho em que fala a respeito de uma certa foto de Cartier-Bresson: "Os jovens, a maioria masculina, nas ruas de punhos fechados, ainda com cabelos curtos, quase ocultando a presença de um ou outro rosto adulto. Mas essas caras adultas são as que recordo mais claramente, porque representam ao mesmo tempo a unidade e a incompatibilidade da velha geração de esquerda - a minha própria - com a nova geração. Recordo meu velho amigo e camarada Albert Soboul, titular da cátedra de História da Revolução Francesa na Sorbonne, espigado e de aspecto solene, vestido com terno escuro e a gravata dos acadêmicos eminentes, caminhando lado a lado com rapazes que podiam ser seus filhos, gritando palavras de ordem das quais ele, como membro legal do PC Francês, discordava profundamente. Mas como poderia alguém da tradição da Revolução e da República não "descendre dans la rue" em uma ocasião como aquela?" Assim como há também uma declarada desconfiança, manifestada por seu ceticismo em relação ao alcance do movimento: "Tão logo as densas nuvens da retórica maximalista e da expectativa cósmica se transformaram na chuva do cotidiano, tornou-se novamente visível a diferença entre êxtase e política, entre poder real e poder das flores, entre voz e ação". Penso que, como historiador, Hobsbawm intuiu que há em 1968 algo novo que ele próprio não foi capaz de decodificar, e a sua desculpa ao atribuir isso a sua dificuldade por nunca ter usado jeans é bastante significativa.
Maio de 1968 atravessou as fronteiras políticas e ideológicas, e no seu texto Hobsbawm não disfarça o choque, como se tivesse perguntando para a pessoa ao lado, "e agora, como fica?". "LSD tout de suite", "Juissez sans entraves" ("Que nada impeça o orgasmo"), talvez sejam libertários demais para um inglês de 86 anos. Reservado, Mr. Hobsbawm adverte no prefácio da sua autobiografia que essa obra trata mais do homem público do que do homem privado. Seguindo à risca, o autor é bastante econômico no que se refere ao seu primeiro casamento com Muriel Seaman, seu divórcio, a perda dos pais, o segundo matrimônio, deixando claro que a história é a prioridade do seu trabalho.
O resultado é um estudo de história com uma lúcida visão sobre esse século, que, segundo seu depoimento, passou tão rápido. Quanto ao século atual, a previsão é tempo ruim, sujeito a trevas e extermínio. Portanto, será outro desafio para os historiadores do futuro.
Esperemos que eles se mirem no exemplo do mestre Eric Hobsbawm. Que mantenham o tão famoso distanciamento e que não se esqueçam de que a "injustiça social deve ser denunciada e combatida. O mundo não vai melhorar sozinho".
Seis proposta para o milênio de Ítalo Calvino
Declaração de ética, mais que de poética, as conferências que Calvino preparou para a Universidade Harvard representam o testamento artístico de um dos protagonistas literários do fim de milênio. Em meio à crise contemporânea da linguagem, cada vez mais aguda, o escritor italiano identifica as seis qualidades que apenas a literatura pode salvar - leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade, consistência -, virtudes a nortear não apenas a atividade dos escritores mas cada um dos gestos de nossa existência.
Sobre o Autor
CALVINO, ITALONasceu em Santiago de Las Vegas, Cuba, em 1923, tendo ido logo a seguir para a Itália. Participou da resistência ao fascismo durante a guerra e foi membro do Partido Comunista até 1956. Em 1946 instalou-se em Turim, onde doutorou-se com uma tese sobre Joseph Conrad. Publicou sua primeira obra, Il sentiero dei nidi di ragno, em 1947. Com O visconde partido ao meio, lançado em 1952, o autor abandonou o neo-realismo dos primeiros livros e começou a explorar a fábula e o fantástico, elementos que marcariam profundamente a sua obra. Nos anos 60 e 70 aprofundou suas experiências formais em livros como As cidades invisíveis e Se um viajante numa noite de inverno. Considerado um dos maiores escritores europeus deste século, morreu em 1985. Entre os livros publicados mais recentemente, estão 'Os nossos antepassados' (1997),'Se um viajante numa noite de inverno' (1999), e as obras póstumas 'Sob o sol jaguar' (1995) e Seis propostas para o próximo milênio (1990).
Sobre o Autor
CALVINO, ITALONasceu em Santiago de Las Vegas, Cuba, em 1923, tendo ido logo a seguir para a Itália. Participou da resistência ao fascismo durante a guerra e foi membro do Partido Comunista até 1956. Em 1946 instalou-se em Turim, onde doutorou-se com uma tese sobre Joseph Conrad. Publicou sua primeira obra, Il sentiero dei nidi di ragno, em 1947. Com O visconde partido ao meio, lançado em 1952, o autor abandonou o neo-realismo dos primeiros livros e começou a explorar a fábula e o fantástico, elementos que marcariam profundamente a sua obra. Nos anos 60 e 70 aprofundou suas experiências formais em livros como As cidades invisíveis e Se um viajante numa noite de inverno. Considerado um dos maiores escritores europeus deste século, morreu em 1985. Entre os livros publicados mais recentemente, estão 'Os nossos antepassados' (1997),'Se um viajante numa noite de inverno' (1999), e as obras póstumas 'Sob o sol jaguar' (1995) e Seis propostas para o próximo milênio (1990).
Páginas do tempo
Estabelecer um elo entre o passado e o futuro, esta parece ser uma das missões perpetuadas pelos bibliófilos. O objetivo da bibliofilia é procurar conhecer o passado e criar instrumentos para que o futuro possa nos conhecer através dela. Então, inicialmente há essa função memorialista. Mas o bibliófilo não é propriamente um colecionador de livros. Ele vai muito além. Deve ser um estudioso de cada uma daquelas obras, entendendo-as em seu contexto. O colecionador de livros que não os conhece na sua essência tem apenas apreço por eles e o prazer de vê-los em suas prateleiras, mas não sabe o seu valor documental para esclarecer a caminhada do homem através do tempo. Contexto bem diverso ao do bibliófilo que, acaba constituindo parte viva das bibliotecas. Uma mimese provavelmente dimensionada tanto pela visão digital de Bill Gates, como pela Renascença de Da Vinci.
OS SEIS MANDAMENTOS DO BIBLIÓFILOA
Eis os seis mandamentos do bibliófilo. Confira:
1- O livro é o melhor amigo do homem.
2- Embora diferente de nós, possuem um corpo e uma alma.
3- Livros manuseados não pegam mofo nem traças.
4- Se lhe dermos atenção, como a um amigo, iremos sonhar juntos, aprender e crescer.
5- Os que lêem, portanto, vivem mais, com mais qualidade de vida.
6-"Se um amigo é um tesouro", conservar os livros é o melhor investimento, material e espiritual.
OS SEIS MANDAMENTOS DO BIBLIÓFILOA
Eis os seis mandamentos do bibliófilo. Confira:
1- O livro é o melhor amigo do homem.
2- Embora diferente de nós, possuem um corpo e uma alma.
3- Livros manuseados não pegam mofo nem traças.
4- Se lhe dermos atenção, como a um amigo, iremos sonhar juntos, aprender e crescer.
5- Os que lêem, portanto, vivem mais, com mais qualidade de vida.
6-"Se um amigo é um tesouro", conservar os livros é o melhor investimento, material e espiritual.
A Imagem se prepara para articular de 15 a 30 campanhas eleitorais no MA
Uma campanha de marketing político
A eleição
É impossível pensar em eleições, nos dias de hoje, sem pensar numa estrutura de marketing atuando em todos os segmentos do eleitorado.
Propaganda eleitoral deixou de ser apenas o ato de imprimir alguns milhares de folhetos coloridos e pichar os muros da cidade com o nome do candidato.
As campanhas eleitorais deixaram de ser intuitivas e se tornaram racionais, os palpites gratúitos cederam lugar à pesquisa; os temas principais, com determinadas palavras-de-ordem, aparentemente corretas mas aleatórias, agora têm origem em slogans com conceito e estratégia. Enfim: a propaganda política deixou para trás o amadorismo para se tornar profissional.
Comparando com campanhas de produtos e serviços: de um lado está o produto/serviço; do outro, o mercado consumidor. Na campanha eleitoral, de um lado o candidato e do outro os eleitores.
Existem alguns requisitos básicos para o sucesso de uma campanha eleitoral:
1. a existência de planos estratégicos, de orientação geral e detalhamento de atividades, tempo e recursos;
2. a existência de mão-de-obra especializada em propaganda;
3. a existência de um monitoramento durante todo o processo
O Marketing Político
Marketing Político são todos os recursos utilizados na troca de benefícios entre candidatos e eleitores.
Esses benefícios, no sentido candidato-eleitores seriam, essencialmente, as promessas, as vantagens do candidato e a sua linha de comunicação. No sentido oposto, ou seja, eleitores-candidatos, são os votos e as informações necessárias para obtê-los.
Alguns elementos compõem o quadro de planejamento de uma campanha de marketing político:
1. o meio ambiente em que se realiza a campanha eleitoral e que vai proporcionar oportunidades e ameaças ao sucesso de um candidato;
2. a administração da campanha eleitoral, que é a sua principal força de vendas, formada pelo próprio candidato, o seu partido político e os grupos de interesse alinhados com a sua candidatura;
3. o conceito de produto, que é a filosofia política do candidato, a escolha de temas específicos a serem tratados e a definição de suas posições a propósito dos temas. Além da formulação e da adoçäo de um estilo pessoal que conserve e amplie suas qualidades.
4. canais de comunicação e distribuição, que envolvem decisões e ações a respeito da utilização de mídia de massa e seletiva, aparições voluntárias, auxílio voluntário e partidário;
5. segmentos de eleitores diferenciados;
6. acompanhamento e revisão contínua e sistemática de resultados que impliquem em reorientação da campanha.
Além dos eleitores propriamente ditos, há outros grupos que precisam ser estimulados, tais como o partido político, os contribuintes da campanha eleitoral e os grupos de interesse alinhados à candidatura. Para isso, a Assessoria Política da campanha deverá canalizar de maneira adequada o seu potencial em função das necessidades imediatas.
O Candidato
O candidato obtém preferências com base:
-no seu nome
-no seu talento pessoal em dar início a uma reação emocional
-na sua habilidade em utilizar a m’dia de massa
-na sua capacidade de se projetar.
Além disso, há todo um processo de desenvolvimento pelo qual o candidato deve passar:
apresentar uma personalidade bem definida. Como acontece com os produtos, uma imagem de qualidade;
ainda na comparação com o marketing de produtos, deve identificar-se com uma instituição que lhe dê apôio e credibilidade: a própria inscrição partidária;
definida a personalidade e colocada esta dentro de um contexto de organização (o partido), o candidato deverá impor a sua marca (o seu nome).
Em resumo, o candidato deve:
planejar formalmente a sua estratégia de campanha, sua postura diante dos problemas, sua propaganda, suas aparições, sua base para a obtenção de fundos, sua monitoria da situação, seus objetivos, sua alocação de recursos e o tempo de que dispõe para obter a aprovação dos eleitores;
construir uma forte organização de ações, capaz de reforçar, durante todo o processo, as posições assumidas durante a campanha eleitoral, sem que ocorra a perda de campos já conquistados.
O candidato e o partido
A importância do partido político no universo do candidato deve ser medida dentro dos seguintes parâmetros:
o partido está para o candidato como a empresa para o produto. Ele significa um sistema que detém um conjunto de recursos para atingir os eleitores. Assim, como não existe produto sem uma empresa que identifique a sua origem, não existe candidato sem partido.
o partido, então, pode ter uma imagem que acrescente ou subtraia. Porisso, é importante saber se o partido agrega imagem positiva ao candidato, assim como o nome de uma empresa de prestígio no mercado acrescenta prestígio a um produto.
Os componentes do marketing político
1. A Pesquisa de Mercado
A pesquisa de mercado procura descobrir o que vai ao encontro dos interesses do eleitor, identificando as suas necessidades, seus desejos e seus valores. Com isso, o candidato pode desenvolver estratégias com uma margem de erro muito menor.
Numa campanha eleitoral, devem ser pesquisados o tamanho do mercado e a sua segmentação, o que qualifica o eleitor, o potencial deste mercado com base em padrões históricos de voto, a opinião dos eleitores em torno de assuntos importantes e sobre posições assumidas.
O resultado da pesquisa pode determinar o próprio conteúdo da mensagem do candidato.
2. O conceito e a estratégia do candidato
O que vincula um eleitor a um candidato é a imagem deste último.
Esta imagem, mesmo quando já existente, pode ser planejada e trabalhada. Por outro lado, é preciso ficar atento a como o eleitor está percebendo esta mensagem. Isto precisa ser sistematicamente conferido.
A imagem planejada de um candidato deve conceituar adequadamente sua maneira de se vestir, suas maneiras, suas declarações e o conjunto das suas ações. O objetivo é que o candidato tenha uma aparência e um comportamento que correspondam à percepção e aos desejos do eleitor.
Para conceituar o candidato e definir sua estratégia:
definir, com base em pesquisa de mercado, um tema para o candidato, em torno do qual o interesse do eleitor será construido.
identificar os principais problemas e a maneira como são encarados e sentidos pelos eleitores;
excluir os conceitos não desejados em razão da personalidade e dos antecedentes do candidato;
testar o conceito escolhido através de pesquisas periódicas;
decidir sobre a adoção de mais de um conceito, sendo um principal e outro, ou outros, secundários, desde que plenamente compatíveis.
3.Estratégia de Comunicação
O conceito do candidato é a base para o plano de comunicação da campanha.
Para um programa de propaganda paga ou gratúita, devem ser tomadas as seguintes providências:
-definir a mensagem básica da campanha
-definir a melhor maneira de apresentar visualmente o candidato;
-definir as pesquisas que serão veiculadas;
-definir os veículos adequados para a veiculação;
-elaborar os programas orçamentários de produção e veiculação da campanha, que devem ser detalhados toda semana até a data de realização das eleições.
Paralelamente, deve ser desenvolvido um programa de aparições pessoais do candidato. Este programa deve ser controlado pela Assessoria Política.
É preciso ficar atento, neste programa, para as limitações de tempo do candidato. É bom lembrar que o candidato tem, ainda, a responsabilidade de motivar o partido, seus cabos eleitorais e os eleitores comprometidos com a campanha.
4. Programa de Trabalho Voluntário
Inúmeras pessoas devem ser treinadas para compor grupos de trabalho voluntário na campanha.
Entre as tarefas do trabalho voluntário estão as de preparação de eleitores e auxiliares, a participação como oradores para platéias específicas, o envio de malas-diretas, o levantamento e registro de votos, o transporte e alimentação dos eleitores no dia das eleições, entre muitas outras funções.
Para que a Assessoria Política consiga gerenciar bem o trabalho voluntário, deve:
-valorizar o partido como centro de decisões
-estar sempre motivando os colaboradores;
-estabelecer objetivos e metas para a equipe voluntária;
-estabelecer um sistema de controle de realizações;
-treinar o pessoal e acompanhar de perto o seu trabalho
A eleição
É impossível pensar em eleições, nos dias de hoje, sem pensar numa estrutura de marketing atuando em todos os segmentos do eleitorado.
Propaganda eleitoral deixou de ser apenas o ato de imprimir alguns milhares de folhetos coloridos e pichar os muros da cidade com o nome do candidato.
As campanhas eleitorais deixaram de ser intuitivas e se tornaram racionais, os palpites gratúitos cederam lugar à pesquisa; os temas principais, com determinadas palavras-de-ordem, aparentemente corretas mas aleatórias, agora têm origem em slogans com conceito e estratégia. Enfim: a propaganda política deixou para trás o amadorismo para se tornar profissional.
Comparando com campanhas de produtos e serviços: de um lado está o produto/serviço; do outro, o mercado consumidor. Na campanha eleitoral, de um lado o candidato e do outro os eleitores.
Existem alguns requisitos básicos para o sucesso de uma campanha eleitoral:
1. a existência de planos estratégicos, de orientação geral e detalhamento de atividades, tempo e recursos;
2. a existência de mão-de-obra especializada em propaganda;
3. a existência de um monitoramento durante todo o processo
O Marketing Político
Marketing Político são todos os recursos utilizados na troca de benefícios entre candidatos e eleitores.
Esses benefícios, no sentido candidato-eleitores seriam, essencialmente, as promessas, as vantagens do candidato e a sua linha de comunicação. No sentido oposto, ou seja, eleitores-candidatos, são os votos e as informações necessárias para obtê-los.
Alguns elementos compõem o quadro de planejamento de uma campanha de marketing político:
1. o meio ambiente em que se realiza a campanha eleitoral e que vai proporcionar oportunidades e ameaças ao sucesso de um candidato;
2. a administração da campanha eleitoral, que é a sua principal força de vendas, formada pelo próprio candidato, o seu partido político e os grupos de interesse alinhados com a sua candidatura;
3. o conceito de produto, que é a filosofia política do candidato, a escolha de temas específicos a serem tratados e a definição de suas posições a propósito dos temas. Além da formulação e da adoçäo de um estilo pessoal que conserve e amplie suas qualidades.
4. canais de comunicação e distribuição, que envolvem decisões e ações a respeito da utilização de mídia de massa e seletiva, aparições voluntárias, auxílio voluntário e partidário;
5. segmentos de eleitores diferenciados;
6. acompanhamento e revisão contínua e sistemática de resultados que impliquem em reorientação da campanha.
Além dos eleitores propriamente ditos, há outros grupos que precisam ser estimulados, tais como o partido político, os contribuintes da campanha eleitoral e os grupos de interesse alinhados à candidatura. Para isso, a Assessoria Política da campanha deverá canalizar de maneira adequada o seu potencial em função das necessidades imediatas.
O Candidato
O candidato obtém preferências com base:
-no seu nome
-no seu talento pessoal em dar início a uma reação emocional
-na sua habilidade em utilizar a m’dia de massa
-na sua capacidade de se projetar.
Além disso, há todo um processo de desenvolvimento pelo qual o candidato deve passar:
apresentar uma personalidade bem definida. Como acontece com os produtos, uma imagem de qualidade;
ainda na comparação com o marketing de produtos, deve identificar-se com uma instituição que lhe dê apôio e credibilidade: a própria inscrição partidária;
definida a personalidade e colocada esta dentro de um contexto de organização (o partido), o candidato deverá impor a sua marca (o seu nome).
Em resumo, o candidato deve:
planejar formalmente a sua estratégia de campanha, sua postura diante dos problemas, sua propaganda, suas aparições, sua base para a obtenção de fundos, sua monitoria da situação, seus objetivos, sua alocação de recursos e o tempo de que dispõe para obter a aprovação dos eleitores;
construir uma forte organização de ações, capaz de reforçar, durante todo o processo, as posições assumidas durante a campanha eleitoral, sem que ocorra a perda de campos já conquistados.
O candidato e o partido
A importância do partido político no universo do candidato deve ser medida dentro dos seguintes parâmetros:
o partido está para o candidato como a empresa para o produto. Ele significa um sistema que detém um conjunto de recursos para atingir os eleitores. Assim, como não existe produto sem uma empresa que identifique a sua origem, não existe candidato sem partido.
o partido, então, pode ter uma imagem que acrescente ou subtraia. Porisso, é importante saber se o partido agrega imagem positiva ao candidato, assim como o nome de uma empresa de prestígio no mercado acrescenta prestígio a um produto.
Os componentes do marketing político
1. A Pesquisa de Mercado
A pesquisa de mercado procura descobrir o que vai ao encontro dos interesses do eleitor, identificando as suas necessidades, seus desejos e seus valores. Com isso, o candidato pode desenvolver estratégias com uma margem de erro muito menor.
Numa campanha eleitoral, devem ser pesquisados o tamanho do mercado e a sua segmentação, o que qualifica o eleitor, o potencial deste mercado com base em padrões históricos de voto, a opinião dos eleitores em torno de assuntos importantes e sobre posições assumidas.
O resultado da pesquisa pode determinar o próprio conteúdo da mensagem do candidato.
2. O conceito e a estratégia do candidato
O que vincula um eleitor a um candidato é a imagem deste último.
Esta imagem, mesmo quando já existente, pode ser planejada e trabalhada. Por outro lado, é preciso ficar atento a como o eleitor está percebendo esta mensagem. Isto precisa ser sistematicamente conferido.
A imagem planejada de um candidato deve conceituar adequadamente sua maneira de se vestir, suas maneiras, suas declarações e o conjunto das suas ações. O objetivo é que o candidato tenha uma aparência e um comportamento que correspondam à percepção e aos desejos do eleitor.
Para conceituar o candidato e definir sua estratégia:
definir, com base em pesquisa de mercado, um tema para o candidato, em torno do qual o interesse do eleitor será construido.
identificar os principais problemas e a maneira como são encarados e sentidos pelos eleitores;
excluir os conceitos não desejados em razão da personalidade e dos antecedentes do candidato;
testar o conceito escolhido através de pesquisas periódicas;
decidir sobre a adoção de mais de um conceito, sendo um principal e outro, ou outros, secundários, desde que plenamente compatíveis.
3.Estratégia de Comunicação
O conceito do candidato é a base para o plano de comunicação da campanha.
Para um programa de propaganda paga ou gratúita, devem ser tomadas as seguintes providências:
-definir a mensagem básica da campanha
-definir a melhor maneira de apresentar visualmente o candidato;
-definir as pesquisas que serão veiculadas;
-definir os veículos adequados para a veiculação;
-elaborar os programas orçamentários de produção e veiculação da campanha, que devem ser detalhados toda semana até a data de realização das eleições.
Paralelamente, deve ser desenvolvido um programa de aparições pessoais do candidato. Este programa deve ser controlado pela Assessoria Política.
É preciso ficar atento, neste programa, para as limitações de tempo do candidato. É bom lembrar que o candidato tem, ainda, a responsabilidade de motivar o partido, seus cabos eleitorais e os eleitores comprometidos com a campanha.
4. Programa de Trabalho Voluntário
Inúmeras pessoas devem ser treinadas para compor grupos de trabalho voluntário na campanha.
Entre as tarefas do trabalho voluntário estão as de preparação de eleitores e auxiliares, a participação como oradores para platéias específicas, o envio de malas-diretas, o levantamento e registro de votos, o transporte e alimentação dos eleitores no dia das eleições, entre muitas outras funções.
Para que a Assessoria Política consiga gerenciar bem o trabalho voluntário, deve:
-valorizar o partido como centro de decisões
-estar sempre motivando os colaboradores;
-estabelecer objetivos e metas para a equipe voluntária;
-estabelecer um sistema de controle de realizações;
-treinar o pessoal e acompanhar de perto o seu trabalho
18 de nov. de 2007
Parlamento Jovem 2007 tem um maranhense de Presidente Dutra
Na próxima semana – de 19 a 23 – um total de 78 jovens, representando as 27 unidades da Federação, vão apresentar suas propostas e desempenhar todas as atividades dos deputados federais, no programa Parlamento Jovem 2007. Eles foram escolhidos em concurso, que selecionou os melhores projetos de lei apresentados por estudantes do 3º ano do Ensino Médio de todo o Brasil. Além da experiência de representar seu estado (o número de representantes é proporcional a bancada de cada estado), os jovens terão a oportunidade de conhecer e vivenciar o processo de debate e convencimento necessário para aprovação de uma proposta legislativa.De acordo com os analistas que avaliaram os projetos, as propostas defendidas pelos jovens, de 16 a 22 anos, que participam do Parlamento Jovem 2007, são atuais e a educação foi o tema com maior destaque. No total, foram apresentados 36 projetos sobre educação, com sugestões para reverter a evasão escolar; a eliminação das taxas em vestibulares e concursos para estudantes do ensino público; arte e cultura como atividades extracurriculares, entre outros. Um dos projetos, do deputado jovem Carlos Nihelton, de Presidente Dutra (MA), prevê a criação do “Sistema de Ensino Integral Público”, que institui o ensino em período integral e amplia o número de escolas. Outros temas de interesse foram saúde, com 15 projetos; meio ambiente, com 13 proposições; segurança pública, com 9, e emprego, com 5 projetos.A lista completa com os autores dos projetos selecionados pode ser acessada no portal da Câmara, pelo link: http://www2.camara.gov.br/eve/parlamentojovem/projetoselecionados.html.
É falsa a polémica do terceiro mandato de Lula
A ladainha do terceiro mandato ainda vai dar muitas manchetes e análises de colunistas de aluguel. Lula pode se pintar de azul e sair gritando no meio da Avenida Paulista que não aceita a idéia, mesmo assim um setor da oposição midiático-política vai dizer que ele só fez isso para ver se alguém se cria no povo um sentimento de queremismo. Aliás, até esse termo foi ressuscitado.Fico imaginando se fosse FHC o detentor de tamanha popularidade a essa altura do segundo mandato. Os mesmos que hoje chamam a possibilidade de reeleição ilimitada como um instrumento autoritário estariam todos pimpões e provocativos, dizendo coisas, como: “Mas essa raça tem medo do que, de disputar eleição? Eles estão acostumados com Cuba, né? E se o presidente é popular e o povo gosta por que ele não pode disputar um terceiro, quarto ou quinto mandato?” Ou o argumento utilizado para aprovar a reeleição foi muito diferente desse? Aliás, esse é um dos principais motivos que me faz ser contra a reeleição ilimitada. Acho que se FHC fosse presidente e estivesse na mesma condição de Lula, a mídia comercial tradicional e aqueles que lhe deram sustentação estariam todos gritando a favor dessa tese. E se eles fariam isso, é porque de fato não é democrático.
A TV Brasil estréia no próximo dia 02
TV Brasil entra no ar daqui a um mês em São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão e DFA partir do dia 2 de dezembro, quem morar em São Paulo já poderá conferir a programação digital da nova televisão pública do país, a TV Brasil. O sinal será aberto, em canal que está sendo definido, transmitido em tecnologia digital e também analógica, possibilitando que todos tenham acesso à programação. O mesmo conteúdo será transmitido analogicamente para os estados do Rio de Janeiro e do Maranhão, além do Distrito Federal.A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que vai gerir a nova TV, foi oficialmente criada no último dia 31, em ato que deu posse à diretora-presidente, Tereza Cruvinel.
Despedaçando os silêncios cúmplices dos magnatas
Basta de edifícios de linguagem que já de nada nos servem para manifestar coisa alguma, que já nada abarcam, que já nada explicam, palavras vazias, de conferências e simpósios.Precisamos de falas que explodem ex abrupto, que interrompem e despedaçam os silêncios cúmplices dos ricos, que manifestem os olhos rebentados de fome, de infinitas dores, os gemidos. Que interrompam e despedacem a impostura e os escombros da linguagem velha. Queremos a linguagem nova. A beleza dos restos, a poesia dos escombros.À fogueira as falas velhas, o fedor de armadilha, de burla, de trampa, a falta de vergonha, o discurso da corrupção por todos os lados -- do Jabor, dos DES-jornalões, da DES-universidade. Precisamos da linguagem das patas do homens e mulheres do 17 de outubro. Dos índios de Morales que tanto escandalizam os brancos bolivianos. Construamos uma linguagem cheia de gritos, ex abrupto. Chávez é obsceno. Potência de novas palavras que detonam a linguagem que nada diz, de retórica bizarra e velha, que envelhece, avilta e dá vergonha em quem a ouça.Uma nova linguagem alegre potente, para um novo homem. Precisamos de muitas falas ex abrupto, para que nenhuma vida seja desperdiçada, para que não haja vidas subhumanas em nosso continente. Alarido. Barulhão. Agito. Confusão. Pauleira. O pau quebrando. Para isto precisamos muito de ti, querido Hugo Chávez, peleando sempre com a força da tua fala. Puro ex abrupto sempre. Que os burgueses e os terratenientes se escandalizem. Tu nos fazes sentir-nos invencíveis por um momento. As revoluções sociais sempre foram grandes repentes, grandes exabruptos. Escandalosas. A fala do escândalo, da impostura desmascarada.
A Tv digital vem aí... lálá lálá lalá.
O lançamento da TV digital no país está previsto para ocorrer às 20h do dia 2 de dezembro, em São Paulo. As redes de TV da capital paulista - entre elas Globo, Record, Bandeirantes, SBT e Gazeta - exibirão, em transmissão simultânea, um programa explicando o que é a TV digital e que benefícios ela trará ao País.
O Petróleo é nosso?
Com o mote "Leilão é privatização! Diga não à entrega do petróleo do Brasil", dezenas de lideranças dos movimentos sociais reunidas na última terça-feira (13), na sede do Sindipetro-RJ, decidiram convocar uma mobilização nacional contra a 9ª Rodada de Licitações de Blocos da ANP (Agência "Nacional" de Petróleo) no próximo dia 22, no Rio de Janeiro. Ainda sem local definido, o leilão está marcado para os dias 27 e 28.
Há um entendimento comum entre as entidades de que o leilão deve ser cancelado, pois sua efetivação representaria um crime de lesa-pátria, com a entrega a estrangeiros de um bem estratégico e finito, que tem sido inclusive motivo de guerras. O que está em jogo neste momento é a soberania nacional. Pois, a Petrobrás não pode ser destratada como se fosse mais uma empresa a ser oferecida na bandeja aos especuladores
A recente descoberta do campo gigante de Tupi - que se estende pelas Bacias do Espírito Santo, Campos e Santos - com uma faixa de 800 km de extensão por 200 km de largura - fez com que o governo determinasse à ANP que excluísse do leilão os 41 blocos petrolíferos localizados em suas proximidades, dos 271 previstos. As reservas descobertas, equivalentes a 8 bilhões de barris de petróleo, correspondem a mais da metade dos atuais 14 bilhões que o país tem comprovadamente. As novas reservas podem fazer do Brasil uma das dez maiores nações produtoras de petróleo do mundo.
Desde a aprovação por FHC da Lei 9.478/97, a ANP tem se dedicado a entregar ao cartel estrangeiro parcelas expressivas das nossas bacias, chegando ao cúmulo, como na rodada anterior, barrada pela Justiça, de tentar impedir que a Petrobrás participasse da disputa de vários campos. Infelizmente, a lógica privatista na área petrolífera se manteve durante o governo Lula, o que atenta contra o nosso desenvolvimento e a soberania nacional. A situação é tão absurda, que se cogita até de fazer a negociata bem longe do povo, na Bolsa de Londres, o que seria o cúmulo.
De acordo com a Federação Única dos Petroleiros, com os leilões que ocorreram entre 1998 a 2007, as multinacionais passaram a controlar mais da metade das áreas promissoras em petróleo e gás, conforme o JORNAL E&P de abril/maio, editado pela Petrobrás E&P". Conforme a Lei 9478/97, esclarece a FUP, "estas empresas poderão exportar todo o petróleo e todo o gás que produzirem. Portanto, é preciso suspender os atuais leilões das áreas promissoras em petróleo e gás, até que a lei seja adequada aos interesses do Brasil e dos brasileiros".
Há um entendimento comum entre as entidades de que o leilão deve ser cancelado, pois sua efetivação representaria um crime de lesa-pátria, com a entrega a estrangeiros de um bem estratégico e finito, que tem sido inclusive motivo de guerras. O que está em jogo neste momento é a soberania nacional. Pois, a Petrobrás não pode ser destratada como se fosse mais uma empresa a ser oferecida na bandeja aos especuladores
A recente descoberta do campo gigante de Tupi - que se estende pelas Bacias do Espírito Santo, Campos e Santos - com uma faixa de 800 km de extensão por 200 km de largura - fez com que o governo determinasse à ANP que excluísse do leilão os 41 blocos petrolíferos localizados em suas proximidades, dos 271 previstos. As reservas descobertas, equivalentes a 8 bilhões de barris de petróleo, correspondem a mais da metade dos atuais 14 bilhões que o país tem comprovadamente. As novas reservas podem fazer do Brasil uma das dez maiores nações produtoras de petróleo do mundo.
Desde a aprovação por FHC da Lei 9.478/97, a ANP tem se dedicado a entregar ao cartel estrangeiro parcelas expressivas das nossas bacias, chegando ao cúmulo, como na rodada anterior, barrada pela Justiça, de tentar impedir que a Petrobrás participasse da disputa de vários campos. Infelizmente, a lógica privatista na área petrolífera se manteve durante o governo Lula, o que atenta contra o nosso desenvolvimento e a soberania nacional. A situação é tão absurda, que se cogita até de fazer a negociata bem longe do povo, na Bolsa de Londres, o que seria o cúmulo.
De acordo com a Federação Única dos Petroleiros, com os leilões que ocorreram entre 1998 a 2007, as multinacionais passaram a controlar mais da metade das áreas promissoras em petróleo e gás, conforme o JORNAL E&P de abril/maio, editado pela Petrobrás E&P". Conforme a Lei 9478/97, esclarece a FUP, "estas empresas poderão exportar todo o petróleo e todo o gás que produzirem. Portanto, é preciso suspender os atuais leilões das áreas promissoras em petróleo e gás, até que a lei seja adequada aos interesses do Brasil e dos brasileiros".
Ámerica Latina renova esquerda mundial
Diretor do Le Monde Diplomatique, publicação mensal lançada em 1954 que se consagrou pela orientação de esquerda e analítica, o espanhol Ignacio Ramonet, acaba de fazer mais um de seus périplos pela América Latina. Ele esteve na Argentina, no Chile, em Salvador e em São Paulo, onde falou na última quinta no 1º Salão Nacional do Jornalista Escritor, promovido pela ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e que se encerra neste domingo (18) no Memorial da América Latina.
erisantoscastro um projeto duradouro
Nunca me dei conta disso, mas esse blog é o meu projeto mais antigo e mais duradouro. Siiim, exagero, né? Pois a única coisa que comecei e terminei até agora foi a escola, veja só você. É, pois é, tenho um desapego incomum e perigoso a conclusões de projetos. Mas eu sei (ou pelo menos acho que sei) quando estou conduzindo uma coisa do jeito certo - e o erisantoscastro é uma delas. Por mais insano, surtado, bizarro que seja esse blog, oras, também sou eu. Não dá pra negar, ele faz parte da minha vidinha totalmente. Reflito sobre muitas coisas e que coisas! Reparem: não tem nenhum post apagado. Nenhum, nem os que nada mais têm a ver comigo. Tudo o que eu escrevi aqui sou eu, para mais ou paraguaio menos, e não sou de negar minhas raízes. . Primeiro link, lá de baixo, corram antes que acabem os assentos e o vendedor de amendoim vá embora), isso vai acabar transparecendo nos meus textos, evidentemente. O que era divertido ficou tão brega e demodê quanto a palavra demodê, e infância bem-vivida agora é kitsch, é cult e style, viva os anos 80/90. Quase quatro meses aqui deram muito o que digitar. Mudei de gosto, de jeito, de idéias(várias vezes). Escrevi poesias ruins, textos bons (um ou dois). Encenei sucesso, ganhei amigos, amores e piadas internas, fiz minha cabeça. Dei indiretas, muitas, que valeram pouco a pena. Quis ser grande demais e descobri, de última hora, que faltou fermento. Fazer o quê, acontece. E sempre tive o blog pra amortecer e confortar, na hora da queda. :) Mas não, não tive só o blog não! Eu tive... Jesuuus, eu tive leitores. Gente que vinha aqui por causa das letrinhas, galera! Gente que me leu, apoiou, comentou, trocou link! Gente que virou amigo de faculdade, de esquina, de estrada, de todo dia. Por causa desse blog conheci pessoas fannntásticas - e, wow, pessoas fantásticas também me conheceram. erisantoscastro ajudando nas relações pessoais. Do mesmo banco, mesmas flores, mesmo jardim: só reformaram a praça. Até logo.
Mas lírios não se compram
Na vida
é preciso tanto seriedade
quanto delírio.
Se tivesse mais de um pão
venderia um
e compraria um lírio.
Mas, lírios não se compram.
12 de nov. de 2007
Enquanto São Luís realizou a sua 1ª feira do livro, Porto Alegre realiza a sua 52ª edição
Enquanto São Luís realizou a sua primeira feira do livro, diga -se com muito sucesso, a cidade de Porto Alegre realiza a sua 52ª feira. Que distância! Mas, São Luis sequirá em frente.
O acesso ao livro e a outras formas de leitura – como jornais, revistas e Internet – deve ser assegurado a toda a nação brasileira. Independentemente de credo, raça, faixa etária, necessidade especial, escolaridade ou condição econômica, todo brasileiro, como ser humano que é, deve ter garantido seu direito inalienável à leitura – como meio de transmissão do conhecimento, entretenimento, de desenvolvimento pessoal e profissional e, portanto, de cidadania.
Em um país como o Brasil – onde apenas um entre cada quatro habitantes está habilitado para a prática da leitura; onde nossas crianças ocupam os últimos lugares nos estudos internacionais sobre compreensão leitora; onde o índice nacional de leitura é de menos de 2 livros lidos por habitante/ano; e onde a maior parte dos milhões de alfabetizados nas últimas décadas tornou-se analfabeta funcional – a leitura precisa e deve ser tratada como uma prioridade nacional.
A Educação e a Cultura são áreas estratégicas dentro do projeto do desenvolvimento nacional e da cidadania. A escrita e a leitura constituem não só o mais forte amálgama entre elas como o caminho indispensável para a formação do cidadão crítico, emancipado, inserido em seu meio e capaz de modificá-lo. Embora não seja a via única de acesso ao conhecimento e à informação – o que compartilha com outras linguagens, como a visual e a eletrônica –, o livro continua a ser a maior invenção do último milênio e a ocupar um papel central na sociedade.
A leitura gera condições para decodificar, interpretar, compreender e se fazer entendido, criando, assim, as condições necessárias para o ser humano se comunicar com os seus iguais. De tal forma que, ao promover o seu desenvolvimento em todos os aspectos, o ato de ler o credencia a buscar maior participação social e política e a exercer sua cidadania em plenitude.
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O acesso ao livro e a outras formas de leitura – como jornais, revistas e Internet – deve ser assegurado a toda a nação brasileira. Independentemente de credo, raça, faixa etária, necessidade especial, escolaridade ou condição econômica, todo brasileiro, como ser humano que é, deve ter garantido seu direito inalienável à leitura – como meio de transmissão do conhecimento, entretenimento, de desenvolvimento pessoal e profissional e, portanto, de cidadania.
Em um país como o Brasil – onde apenas um entre cada quatro habitantes está habilitado para a prática da leitura; onde nossas crianças ocupam os últimos lugares nos estudos internacionais sobre compreensão leitora; onde o índice nacional de leitura é de menos de 2 livros lidos por habitante/ano; e onde a maior parte dos milhões de alfabetizados nas últimas décadas tornou-se analfabeta funcional – a leitura precisa e deve ser tratada como uma prioridade nacional.
A Educação e a Cultura são áreas estratégicas dentro do projeto do desenvolvimento nacional e da cidadania. A escrita e a leitura constituem não só o mais forte amálgama entre elas como o caminho indispensável para a formação do cidadão crítico, emancipado, inserido em seu meio e capaz de modificá-lo. Embora não seja a via única de acesso ao conhecimento e à informação – o que compartilha com outras linguagens, como a visual e a eletrônica –, o livro continua a ser a maior invenção do último milênio e a ocupar um papel central na sociedade.
A leitura gera condições para decodificar, interpretar, compreender e se fazer entendido, criando, assim, as condições necessárias para o ser humano se comunicar com os seus iguais. De tal forma que, ao promover o seu desenvolvimento em todos os aspectos, o ato de ler o credencia a buscar maior participação social e política e a exercer sua cidadania em plenitude.
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Hoje é dia de Augusto dos Anjos
Mesmo se situando como um poeta do pré-modernismo, Augusto dos Anjos difere e muito de outros poetas de seu tempo. Com uma obra cujas características não se situam propriamente em nenhuma escola literária, sua poesia cultiva desde as formas e estruturas ao gosto do parnasianismo até as imagens e tendências do simbolismo, além de outras correntes literárias e filosóficas presentes no final do século XIX e início do século XX. O poeta possui toda uma linguagem e um estilo personalizado, que a princípio choca o leitor. Nele está presente o que há de mais nojento, podre, e pessimista, com poemas que cantam desde a decomposição da matéria até a visão filosófica e ao mesmo tempo trágica da . Esta é vista como se fosse um nada, uma passagem cheia de dor, ressentimento e podridão que conduz a um único destino: a morte e a companhia dos vermes. Sentimentos como o amor, por exemplo, é tratado como um instinto, ou às vezes como uma espécie de veneno que corrompe a alma.
Seus poemas possuem toda uma gama de palavras de cunho científico, refletindo as leituras que Augusto dos Anjos fez das principais obras de Haekel e Darwin. As imagens distorcidas e fortes levam sempre a uma profunda reflexão em torno do encontro entre o poeta e o destino, numa ótica totalmente pessimista. Não é à toa que o seu único livro (ampliado posteriormente) recebe o nome de "Eu": o uso da primeira pessoa reafirma sempre a busca do poeta pelos mistérios que regem o universo, presente em toda as coisas, desde as infinitamente grandes até as infinitamente pequenas.
Seus poemas possuem toda uma gama de palavras de cunho científico, refletindo as leituras que Augusto dos Anjos fez das principais obras de Haekel e Darwin. As imagens distorcidas e fortes levam sempre a uma profunda reflexão em torno do encontro entre o poeta e o destino, numa ótica totalmente pessimista. Não é à toa que o seu único livro (ampliado posteriormente) recebe o nome de "Eu": o uso da primeira pessoa reafirma sempre a busca do poeta pelos mistérios que regem o universo, presente em toda as coisas, desde as infinitamente grandes até as infinitamente pequenas.
Os Machões não dançam
Norman Mailer - um dos ícones da produção literária norte-americana das últimas décadas - apresenta neste livro uma viagem pelos escuros recessos da psique americana. O enredo traz a história de um escritor em crise, vivendo numa névoa de cigarro e droga, tropeçando a cada momento em cadáveres. Um romance com óbvios toques autobiográficos de um autor que logo se mostrou um escritor polêmico, inovador e sempre em busca de novas formas de expressão. Mailer também levanta questões interessantes, como qual o novo papel de homens e mulheres no início deste milênio, sonho americano sobrevivendo ao dinheiro, poder e luxúria, e quem são os verdadeiros mocinhos no mundo atual.
Vem aí telefonia barata em troca de propaganda
Não são só as empresas de hardware, como a Nokia e a Intel, que querem a internet. Empresas de internet estão começando a se aventurar pela internet. Recentes boatos dão conta de dois serviços líderes em seus setores online que deverão se aventurar em telefones celulares próprios como maneira de estender suas participações para gadgets móveis sem necessariamente recorrer a parcerias com fabricantes.Há duas semanas, o New York Times disse com todas as letras que, "há dois anos, um grupo de engenheiros vem trabalhando no projeto secreto de um telefone". Até o final do ano, diz o jornal, o Google deverá revelar ao mundo seu software para celulares telefone junto a acordos com fabricantes para que vendam seus gadgets com a plataforma que se subsidia pelos anúncios online.Isto levaria a aparelhos mais baratos graças ao modelo de navegação subsidiada - paga-se menos, mas há anúncios do AdSense pela tela.Em visita ao Brasil, a VP de Ásia e AL se negou a falar sobre o suposto GPhone, mas defendeu um novo modelo de publicidade móvel antes de sua exploração em massa. Os discursos convergem na necessidade de se repensar a publicidade em celulares para conseguir lucrar com um mercado prestes a explodir.São elas as que mais temem a popularização de VoIP em telefones celulares, o que derrubaria suas receitas e implicaria em mudanças profundas em seus modelos de negócios.A matéria não relata especificações técnicas do telefone Skype, chamado de "white phone" - fica a dúvida o suporte a qual rede de telefonia e a quase certeza de que redes Wi-Fi deverão entrar na receita para que ligações pelo Skype sejam feitas com qualidade suficiente e preço bem abaixo das tarifas convencionais de voz.De um lado, o Google tenta encontrar uma fórmula de explorar com sucesso sua principal fonte de receita (e que receita!) na internet em um mercado ainda às moscas. Do outro, o combalido Skype tenta levar sua gigantesca base de usuários para a telefonia móvel com a certeza de que levará chumbo grosso de operadoras. A briga vai ser boa.
8 de nov. de 2007
Os dois lados da fidelidade
Nos últimos anos, o Poder Judiciário federal vem se destacando por decisões que alteram pontos importantes do sistema político brasileiro. Nem sempre com acerto. Em 2002, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu engessar o federalismo brasileiro e verticalizou as coligações. A medida teve como único efeito prático uma desidratação das coligações para a Presidência da República e, anos depois, foi tornada sem efeito por decisão do Congresso Nacional. Em 2006, o TSE considerou inconstitucional uma das raras propostas de reforma aprovadas pelo Congresso: a cláusula de desempenho de 5%. Pouco depois, como conseqüência da decisão tomada a respeito da cláusula, o TSE decidiu alterar as regras de distribuição do Fundo Partidário, estabelecendo uma distribuição mais igualitária dos recursos. A medida teria provocado aumento no número de microssiglas no país, fazendo a alegria de organizações sem nenhum lastro social e que sobrevivem no mercado eleitoral negociando vagas em lista e tempo de rádio e televisão. A interpretação do TSE não chegou a vigorar porque o Congresso, pressionado pelos grandes partidos, tratou de legislar sobre o tema.
Finalmente, entre março e outubro deste ano, o TSE decidiu que a leitura correta da Constituição permite sustentar a tese de que os mandatos, nos cargos proporcionais ou majoritários, pertencem aos partidos e não aos representantes eleitos. Nesse caso, não parece haver um desacordo substantivo entre os poderes Judiciário e Legislativo. Proposta de emenda constitucional (PEC) aprovada recentemente no Senado Federal aponta no mesmo sentido, sendo mais rigorosa no que se refere ao tratamento das exceções, embora mais leniente quanto à entrada em vigor da nova regra. A tese de que os mandatos pertencem aos partidos pode ser analisada sob dois ângulos. Quanto ao impacto sobre a troca de partido dos representantes eleitos, a decisão deve ser saudada. Na escala em que vinha ocorrendo desde 1985, a migração partidária não apenas abria espaço para transações pouco republicanas, envolvendo os mandatos conquistados nas urnas, como afetava de forma brutal a representatividade do sistema partidário no interior do Legislativo
Desde logo, cabe esclarecer que a troca de partido não se constitui necessariamente uma violação à vontade do eleitor, já que o sistema de lista aberta estimula uma escolha eleitoral personalizada. O quadro é outro, no entanto, quando analisamos o problema não mais sob a ótica de cada eleitor, mas em função do resultado do processo eleitoral. Nesse caso, as migrações no interior do Legislativo levam o sistema partidário parlamentar a se afastar do sistema partidário eleitoral de forma acentuada. Nas democracias contemporâneas, esse afastamento existe apenas em decorrência da aplicação do sistema eleitoral. No Brasil, esta distância continua a aumentar depois de transformados os votos em cadeiras e iniciada a legislatura, permitindo que a força de um partido no Legislativo deixe de guardar relação com seu desempenho nas urnas.
Por outro lado, a decisão de que os mandatos pertencem aos partidos acentua o contraste existente no Brasil entre o cenário eleitoral e o Legislativo. No primeiro, no curso das campanhas e até o momento em que se definem os mandatos, são os candidatos os grandes atores. São eles que se apresentam como os agentes capazes de representar o conjunto dos eleitores. O sistema eleitoral incentiva a relação personalizada à medida que sequer exige do eleitor que saiba a que partido pertence o candidato: para efeitos práticos esta é uma informação desnecessária. Mas quando passamos ao cenário legislativo, o poder dos candidatos - agora deputados - diminui sensivelmente, e são os partidos, por intermédio de seus líderes, que detêm a maior parte dos poderes de agenda e veto. No frigir os ovos, o eleitor brasileiro, em sua grande maioria, elege representantes que não têm poder de fato.
O que se tenta apontar aqui é que soluções ad hoc na política tendem a não dar conta de problemas sistêmicos. No nosso caso, ao domínio do cenário legislativo pelos partidos vem se somar o entendimento de que estes são também os donos dos mandatos. A pergunta a ser feita parece óbvia: por que não reforçar o papel dos partidos também no cenário eleitoral, abandonando o sistema de lista aberta e adotando outro, de listas pré-ordenadas?
Finalmente, entre março e outubro deste ano, o TSE decidiu que a leitura correta da Constituição permite sustentar a tese de que os mandatos, nos cargos proporcionais ou majoritários, pertencem aos partidos e não aos representantes eleitos. Nesse caso, não parece haver um desacordo substantivo entre os poderes Judiciário e Legislativo. Proposta de emenda constitucional (PEC) aprovada recentemente no Senado Federal aponta no mesmo sentido, sendo mais rigorosa no que se refere ao tratamento das exceções, embora mais leniente quanto à entrada em vigor da nova regra. A tese de que os mandatos pertencem aos partidos pode ser analisada sob dois ângulos. Quanto ao impacto sobre a troca de partido dos representantes eleitos, a decisão deve ser saudada. Na escala em que vinha ocorrendo desde 1985, a migração partidária não apenas abria espaço para transações pouco republicanas, envolvendo os mandatos conquistados nas urnas, como afetava de forma brutal a representatividade do sistema partidário no interior do Legislativo
Desde logo, cabe esclarecer que a troca de partido não se constitui necessariamente uma violação à vontade do eleitor, já que o sistema de lista aberta estimula uma escolha eleitoral personalizada. O quadro é outro, no entanto, quando analisamos o problema não mais sob a ótica de cada eleitor, mas em função do resultado do processo eleitoral. Nesse caso, as migrações no interior do Legislativo levam o sistema partidário parlamentar a se afastar do sistema partidário eleitoral de forma acentuada. Nas democracias contemporâneas, esse afastamento existe apenas em decorrência da aplicação do sistema eleitoral. No Brasil, esta distância continua a aumentar depois de transformados os votos em cadeiras e iniciada a legislatura, permitindo que a força de um partido no Legislativo deixe de guardar relação com seu desempenho nas urnas.
Por outro lado, a decisão de que os mandatos pertencem aos partidos acentua o contraste existente no Brasil entre o cenário eleitoral e o Legislativo. No primeiro, no curso das campanhas e até o momento em que se definem os mandatos, são os candidatos os grandes atores. São eles que se apresentam como os agentes capazes de representar o conjunto dos eleitores. O sistema eleitoral incentiva a relação personalizada à medida que sequer exige do eleitor que saiba a que partido pertence o candidato: para efeitos práticos esta é uma informação desnecessária. Mas quando passamos ao cenário legislativo, o poder dos candidatos - agora deputados - diminui sensivelmente, e são os partidos, por intermédio de seus líderes, que detêm a maior parte dos poderes de agenda e veto. No frigir os ovos, o eleitor brasileiro, em sua grande maioria, elege representantes que não têm poder de fato.
O que se tenta apontar aqui é que soluções ad hoc na política tendem a não dar conta de problemas sistêmicos. No nosso caso, ao domínio do cenário legislativo pelos partidos vem se somar o entendimento de que estes são também os donos dos mandatos. A pergunta a ser feita parece óbvia: por que não reforçar o papel dos partidos também no cenário eleitoral, abandonando o sistema de lista aberta e adotando outro, de listas pré-ordenadas?
Objetivos de desenvolvimento do milênio avança
O Google, o PNUD e a empresa de tecnologia Cisco lançaram, nesta quinta-feira, uma ferramenta que agrupa, em um único site, indicadores, mapas e análises sobre o desempenho de mais de 130 localidades nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM, uma série de metas socioeconômicas que os paises da ONU se comprometeram a atingir até 2015). As páginas trazem os dados mais recentes das Nações Unidas, por país, sobre temas como renda, saúde materna e infantil, educação e gênero.
Chamado MDG Monitor, o site visa divulgar o que tem sido feito para cumprir as metas da ONU. As informações estão disponíveis permanentemente para download na pagina do MDG Monitor, em inglês.
Basicamente, a ferramenta organiza os indicadores da Divisão de Estatísticas da ONU sobre os Objetivos do Milênio por país e em mapas. Além disso, recupera informações sobre os relatórios nacionais de acompanhamento dos ODM verificar se o desempenho de cada localidade é ou não suficiente para cumprir os oito objetivos. Também disponibiliza notícias de diferentes fontes sobre o assunto.
O site também poderá ser acessado pelo portal do Google Earth, programa que oferece aos internautas um modelo tridimensional do globo terrestre. Haverá, durante um período, um anúncio do MDG Monitor no site para que os cerca de 300 milhões de usuários do programa possam acessar os dados reunidos pelo PNUD.
A empresa Cisco ofereceu respaldo técnico e financeiro para o desenvolvimento do site e a agência Bontron & Co. criou, gratuitamente, o logotipo do portal.
Chamado MDG Monitor, o site visa divulgar o que tem sido feito para cumprir as metas da ONU. As informações estão disponíveis permanentemente para download na pagina do MDG Monitor, em inglês.
Basicamente, a ferramenta organiza os indicadores da Divisão de Estatísticas da ONU sobre os Objetivos do Milênio por país e em mapas. Além disso, recupera informações sobre os relatórios nacionais de acompanhamento dos ODM verificar se o desempenho de cada localidade é ou não suficiente para cumprir os oito objetivos. Também disponibiliza notícias de diferentes fontes sobre o assunto.
O site também poderá ser acessado pelo portal do Google Earth, programa que oferece aos internautas um modelo tridimensional do globo terrestre. Haverá, durante um período, um anúncio do MDG Monitor no site para que os cerca de 300 milhões de usuários do programa possam acessar os dados reunidos pelo PNUD.
A empresa Cisco ofereceu respaldo técnico e financeiro para o desenvolvimento do site e a agência Bontron & Co. criou, gratuitamente, o logotipo do portal.
6 de nov. de 2007
Filmes pra desentristecer a vida
Nestes últimos dias recorrir aos filmes para desentristecer a vida. Vai aí seis filmes que assistir antes da missa de sétimo dia do falecimento da minha mãe:
1) Desbravadores
Um garoto Viking é deixado para trás e criado pelos inimigos do seus pais.
2) O tango de Rasheuski
Família judia da Bélgica luta para manter suas tradições vivas.
3) Garçonete
Mulher grávida trabalha como garçonete para se livrar do seu marido opressor e conhece um estranho que pode mudar sua vida.
4) Renaissance
Animação no estilo Sin City leva as telas à Paris de 2054 e o sequestro de uma importante cientista.
5) Santiago
Documentarista revela a trajetória domordomo que trabalhava no casarão em que viveu na infância.
Por Frei Beto: a diferença entre direita e esquerda
Achei oportuno essas anotações e as reproduzir. Com a escrita Frei Beto:
Como endireitar um esquerdista
Ser de esquerda é, desde que essa classificação surgiu na Revolução Francesa, optar pelos pobres, indignar-se frente à exclusão social, inconformar-se com toda forma de injustiça ou, como dizia Bobbio, considerar aberração a desigualdade social. Ser de direita é tolerar injustiças, considerar os imperativos do mercado acima dos direitos humanos, encarar a pobreza como nódoa incurável, julgar que existem pessoas e povos intrinsecamente superiores a outros. Ser esquerdista – patologia diagnosticada por Lênin como “doença infantil do comunismo” – é ficar contra o poder burguês até fazer parte dele. O esquerdista é um fundamentalista em causa própria. Encarna todos os esquemas religiosos próprios dos fundamentalistas da fé. Enche a boca de dogmas e venera um líder. Se o líder espirra, ele aplaude; se chora, ele entristece; se muda de opinião, ele rapidinho analisa a conjuntura para tentar demonstrar que na atual correlação de forças...O esquerdista adora as categorias acadêmicas da esquerda, mas iguala-se ao general Figueiredo num ponto: não suporta cheiro de povo. Para ele, povo é aquele substantivo abstrato que só lhe parece concreto na hora de cabalar votos. Então o esquerdista se acerca dos pobres, não preocupado com a situação deles, e sim com um único intuito: angariar votos para si e/ou sua corriola. Passadas as eleições, adeus trouxas, e até o próximo pleito!Como o esquerdista não tem princípios, apenas interesses, nada mais fácil do que endireitá-lo. Dê-lhe um bom emprego. Não pode ser trabalho, isso que obriga o comum dos mortais a ganhar o pão com sangue, suor e lágrimas. Tem que ser um desses empregos que pagam bom salário e concedem mais direitos que exige deveres. Sobretudo se for no poder público. Pode ser também na iniciativa privada. O importante é que o esquerdista se sinta aquinhoado com um significativo aumento de sua renda pessoal.Isso acontece quando ele é eleito ou nomeado para uma função pública ou assume cargo de chefia numa empresa particular. Imediatamente abaixa a guarda. Nem faz autocrítica. Simplesmente o cheiro do dinheiro, combinado com a função de poder, produz a imbatível alquimia capaz de virar a cabeça do mais retórico dos revolucionários. Bom salário, função de chefia, mordomias, eis os ingredientes para inebriar o esquerdista em seu itinerário rumo à direita envergonhada – a que age como tal mas não se assume. Logo, o esquerdista muda de amizades e caprichos. Troca a cachaça pelo vinho importado, a cerveja pelo uísque escocês, o apartamento pelo condomínio fechado, as rodas de bar pelas recepções e festas suntuosas. Se um companheiro dos velhos tempos o procura, ele despista, desconversa, delega o caso à secretária, e à boca pequena se queixa do “chato”. Agora todos os seus passos são movidos, com precisão cirúrgica, rumo à escalada do poder. Adora conviver com gente importante, empresários, ricaços, latifundiários. Delicia-se com seus agrados e presentes. Sua maior desgraça seria voltar ao que era, desprovido de afagos e salamaleques, cidadão comum em luta pela sobrevivência. Adeus ideais, utopias, sonhos! Viva o pragmatismo, a política de resultados, a cooptação, as maracutaias operadas com esperteza (embora ocorram acidentes de percurso. Neste caso, o esquerdista conta com o pronto socorro de seus pares: o silêncio obsequioso, o faz de conta de que nada houve, hoje foi você, amanhã pode ser eu...).Lembrei-me dessa caracterização porque, dias atrás, encontrei num evento um antigo companheiro de movimentos populares, cúmplice na luta contra a ditadura. Perguntou se eu ainda mexia com essa “gente da periferia”. E pontificou: “Que burrice a sua largar o governo. Lá você poderia fazer muito mais por esse povo”.Tive vontade de rir diante daquele companheiro que, outrora, faria um Che Guevara sentir-se um pequeno-burguês, tamanho o seu aguerrido fervor revolucionário. Contive-me, para não ser indelicado com aquela figura ridícula, cabelos engomados, trajes finos, sapatos de calçar anjos. Apenas respondi: “Tornei-me reacionário, fiel aos meus antigos princípios. E prefiro correr o risco de errar com os pobres do que ter a pretensão de acertar sem eles”.
Frei Betto é escritor, autor de Calendário do Poder (Rocco), entre outros livros.
Ser de esquerda é, desde que essa classificação surgiu na Revolução Francesa, optar pelos pobres, indignar-se frente à exclusão social, inconformar-se com toda forma de injustiça ou, como dizia Bobbio, considerar aberração a desigualdade social. Ser de direita é tolerar injustiças, considerar os imperativos do mercado acima dos direitos humanos, encarar a pobreza como nódoa incurável, julgar que existem pessoas e povos intrinsecamente superiores a outros. Ser esquerdista – patologia diagnosticada por Lênin como “doença infantil do comunismo” – é ficar contra o poder burguês até fazer parte dele. O esquerdista é um fundamentalista em causa própria. Encarna todos os esquemas religiosos próprios dos fundamentalistas da fé. Enche a boca de dogmas e venera um líder. Se o líder espirra, ele aplaude; se chora, ele entristece; se muda de opinião, ele rapidinho analisa a conjuntura para tentar demonstrar que na atual correlação de forças...O esquerdista adora as categorias acadêmicas da esquerda, mas iguala-se ao general Figueiredo num ponto: não suporta cheiro de povo. Para ele, povo é aquele substantivo abstrato que só lhe parece concreto na hora de cabalar votos. Então o esquerdista se acerca dos pobres, não preocupado com a situação deles, e sim com um único intuito: angariar votos para si e/ou sua corriola. Passadas as eleições, adeus trouxas, e até o próximo pleito!Como o esquerdista não tem princípios, apenas interesses, nada mais fácil do que endireitá-lo. Dê-lhe um bom emprego. Não pode ser trabalho, isso que obriga o comum dos mortais a ganhar o pão com sangue, suor e lágrimas. Tem que ser um desses empregos que pagam bom salário e concedem mais direitos que exige deveres. Sobretudo se for no poder público. Pode ser também na iniciativa privada. O importante é que o esquerdista se sinta aquinhoado com um significativo aumento de sua renda pessoal.Isso acontece quando ele é eleito ou nomeado para uma função pública ou assume cargo de chefia numa empresa particular. Imediatamente abaixa a guarda. Nem faz autocrítica. Simplesmente o cheiro do dinheiro, combinado com a função de poder, produz a imbatível alquimia capaz de virar a cabeça do mais retórico dos revolucionários. Bom salário, função de chefia, mordomias, eis os ingredientes para inebriar o esquerdista em seu itinerário rumo à direita envergonhada – a que age como tal mas não se assume. Logo, o esquerdista muda de amizades e caprichos. Troca a cachaça pelo vinho importado, a cerveja pelo uísque escocês, o apartamento pelo condomínio fechado, as rodas de bar pelas recepções e festas suntuosas. Se um companheiro dos velhos tempos o procura, ele despista, desconversa, delega o caso à secretária, e à boca pequena se queixa do “chato”. Agora todos os seus passos são movidos, com precisão cirúrgica, rumo à escalada do poder. Adora conviver com gente importante, empresários, ricaços, latifundiários. Delicia-se com seus agrados e presentes. Sua maior desgraça seria voltar ao que era, desprovido de afagos e salamaleques, cidadão comum em luta pela sobrevivência. Adeus ideais, utopias, sonhos! Viva o pragmatismo, a política de resultados, a cooptação, as maracutaias operadas com esperteza (embora ocorram acidentes de percurso. Neste caso, o esquerdista conta com o pronto socorro de seus pares: o silêncio obsequioso, o faz de conta de que nada houve, hoje foi você, amanhã pode ser eu...).Lembrei-me dessa caracterização porque, dias atrás, encontrei num evento um antigo companheiro de movimentos populares, cúmplice na luta contra a ditadura. Perguntou se eu ainda mexia com essa “gente da periferia”. E pontificou: “Que burrice a sua largar o governo. Lá você poderia fazer muito mais por esse povo”.Tive vontade de rir diante daquele companheiro que, outrora, faria um Che Guevara sentir-se um pequeno-burguês, tamanho o seu aguerrido fervor revolucionário. Contive-me, para não ser indelicado com aquela figura ridícula, cabelos engomados, trajes finos, sapatos de calçar anjos. Apenas respondi: “Tornei-me reacionário, fiel aos meus antigos princípios. E prefiro correr o risco de errar com os pobres do que ter a pretensão de acertar sem eles”.
Frei Betto é escritor, autor de Calendário do Poder (Rocco), entre outros livros.
5 de nov. de 2007
De costas para o mundo
Em 'De costas para o mundo', a jornalista Åsne Seierstad constrói uma narrativa emocionante sobre as pessoas marcadas pelo mais sangrento conflito ocorrido no coração da Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial - a guerra da Bósnia, que devastou a Iugoslávia na década de 1990 e culminou em sua dissolução. Åsne nos descortina um país marcado pela diversidade religiosa e cultural, habitado por católicos ortodoxos e muçulmanos. Conta como vizinhos antes pacíficos encheram-se de ódio uns pelos outros, perpetrando uma sucessão de guerras. Como repórter, Åsne cobriu a guerra e os ataques aéreos da Otan contra o país. Alguns anos mais tarde, em 2000, movida pela curiosidade acerca de um povo que começou guerra após guerra, sem vencer jamais, ela retornaria a Iugoslávia. Através da vida de 13 sérvios - e com seu talento para capturar o cotidiano -, ela consegue transmitir a essência desse povo. São fazendeiros, jornalistas, negociantes do câmbio negro, religiosos e até mesmo artistas, todos parte do mosaico de uma realidade em formação, da desintegração de um país e de uma nova ordem mundial. Com um timing perfeito, Åsne desembarcou a tempo de testemunhar as manifestações contra Slobodan Milosevic. Naquele outubro, ela assistiu milhares tomarem Belgrado, o Parlamento e a emissora de TV estatal. Por meio de uma narrativa envolvente, quase literária, Åsne democraticamente dá voz a todos. Do partidário de Milosevic que anseia por uma nova ditadura até os que acreditam que jamais aconteceu uma limpeza étnica em relação aos albaneses.
2 de nov. de 2007
O coração é um caçador solidário
Numa cidadezinha do sul dos Estados Unidos, no final dos anos 1930, os efeitos da Grande Depressão ainda se fazem sentir. Personagens como Biff Brannon, dono do restaurante que nunca fecha na cidade; a garota Mick, forçada a passar abruptamente da infância à idade adulta; o agitador marxista Jake Blount; o médico negro Benedict Copeland, que atende de graça os pacientes pobres e luta pela emancipação racial, enfrentam, além da carência material, o flagelo da solidão e da incomunicabilidade. O centro desta narrativa, em que cada capítulo assume o ponto de vista de um personagem, é o mudo John Singer, um homem triste e solitário, que por sua serenidade enigmática é visto como um santo pela comunidade.
1 de nov. de 2007
O renascimneto da minha mãe.
MARITITE
NASCIMENTO 19.03.1933
RENASCIMENTO 30.10.2007
I
Inicia-se um novo ciclo.
Tão forte e profundo silêncio
é como uma vacuidade
origem de todas as plenitudes do mundo.
Funde-se agora o UNO e o VERSO: UNIVERSO
mistério é a sua unidade
eis em que consiste o saber supremo.
Funde, em uma só, todas as cores
unifica todas as diversidades
céu e terra radicam no seio da nossa mãe
são origem de todos que brotam da vida.
II
Quem se ergue às alturas
enche de esperança o coração.
Prestativa em se dar, sincera em falar,
suave no pensar e generosa no agir.
Quem conduziu a sua família com amor
renunciando a si própria
permite, agora, que ela mesma se harmonize
amparando-a em tempos calmos
e nas horas difíceis.
III
Termina um momento
e está sempre no princípio
e por isso a sua obra prospera.
"Mãe, entre tuas e minhas dores
teus filhos estão renascendo
não esqueças o limão nos nossos olhos
para o ácido dom de ver."1
Mãe, avó, filha, irmã, tia sogra...amiga
A luz é teu lar, agora podes luzir!
Amamos muito você!
1-trecho poema Bandeira Tribizzi.
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