27 de out. de 2007

Mãe: quando as pequenas obras tornam-se imensuráveis

Ainda pouco revir na lembrança minha mãe Maritite. As pequenas obras tornam-se imensuráveis quando as testemunhas rendem-se de joelhos diante da autoria. Rendo-me agrandiosidade da vida deuma mulher que renunciou a si própria para viver a vida de sua prole. Assim tem sido essa mulher até nos seus momentos que não diria final, pois não será o materialismo que impedirá a sua permanência entre nós. Felizcidades minha mãezinha, a senhora me ensinou ter coragem.

23 de out. de 2007

Por que a grande mídia esconde o filho de 8 anos de FHC com uma jornalista da globo?

Um importante aliado político do presidente Lula, Renan Calheiros, foi alvo de acusações múltiplas. A mídia fez seu trabalho. Expôs a vida pessoal e política de Renan. Embora ele negue autenticidade às acusações, deixou de ser o presidente do Congresso. O escândalo começou quando Renan foi acusado de ter uma repórter como ex-amante, e de ter tido uma filha com a jornalista, e de ter usado formas "pouco ortodoxas" para sustentá-las.
De acordo com a edição de abril de 2000 de uma revista brasileira chamada "Caros Amigos", um caso similar aconteceu com o então presidente Fernando Henrique Cardoso. Quando ele era senador, de acordo com a revista, FHC teve um filho com uma jornalista, uma repórter da TV Globo que eventualmente foi transferida para Barcelona, na Espanha. A reportagem nunca foi desmentida. Mas a mídia brasileira nunca perseguiu o caso, como fez recentemente com o senador Calheiros e "sua" repórter.
Por issoos brasileiros estamos confusos: o senador Fernando Henrique se tornou ministro da Fazenda, foi eleito duas vezes presidente da República mas a mídia brasileira nunca fez a ele uma pergunta simples: quem providenciou a transferência da repórter e do filho deles para a Europa? Quem pagou as contas?
como se diz: -Ah é? Pimenta no c... dos outros é refresco.

22 de out. de 2007

18 anos de assessoria do movimento sindical

Há exatamente 18 anos a imagem( nossa agência de publicidade) dirige grande parte da comunicação dos sindicatos filiados à CUT. Hoje, no Lítero, ocorre o lançamento da campanha salarial 2007 dos comerciários, com a participação de mais de 10 mil pessoas. Estarão presentes Augusto Lobato(Tesoureiro do PT), Julião Amim(Presidante do PDT) e Roberto Rocha(recém eleito Presidente do PSDB), além de diversas lideranças sindicais.

Uma revolução silenciosa acontece no Brasil

Recentemente ouvi uma expressão que me marcou profundamente. "No calor da batalha, não se tem a dimensão da revolução que está em curso", dizia Frei Beto. Pois me parece que é exatamente isto que está ocorrendo com os petistas.
No ambiente político belicista que vivem, mal percebem o tamanho da revolução social, cultural e econômica que o Brasil está empreendendo sob liderança especial de um retirante do sertão nordestino, que é também, para desconforto das elites, um operário metalúrgico que não tem a origem palatável dos seus antecessores mandatários da Nação, nos séculos de domínio dos poderosos ou de seus representantes.
Sem a farda dos militares, nem o fardão das academias, Lula produz uma revolução que impulsiona o país para outra realidade interna e outro patamar na América Latina e mesmo no cenário internacional onde é cada vez mais valorizada a política de relações externas do Brasil soberano que já não se abaixa mais diante do FMI.
É um país que bate recordes na economia, que diminui a miséria, que investe em programas sociais, que aposta na expansão do ensino, que aplica em políticas públicas para as minorias e que defende os direitos humanos, resgatando a parte mais sombria da História brasileira.
É este novo Brasil que os petistas, pouco vislumbram, quase cegos em meio à névoa dos embates ideológicos que os impõem os adversários, escudados pela mídia.
E são estes os conhecidos adversários, apavorados diante da possibilidade de perder benesses e privilégios, que enxergam com maior clareza o que ocorre a cada novo sucesso da gestão de Lula. Estes mesmos orientam uma estratégia bem definida e insistente: propagam problemas para esconder as mudanças, tecendo críticas repetidas e acusações recorrentes, querendo transformar o presidente Lula em responsável por qualquer mal do país.
O estardalhaço da mídia tem o objetivo supremo de desanimar a militância do partido. Sabem que a única possibilidade de derrotar as as mudanças não é apenas enganar os menos avisados mas também inocular a desconfiança no nosso militante.
Utilizam a desmoralização para desmotivar os militantes. Parte dos que ouvem apenas a versão do adversário esmorece. O desafio que temos pela frente, agora, é fazer um grande balanço para rejeitar esta falsa tese, além de defender e aprofundar as mudanças que o Brasil está vivendo.

21 de out. de 2007

Qual o legado dos Bolcheviques?

O colapso do socialismo no leste europeu, formalizado pela queda do muro de Berlim e o fim da URSS em 1991, associado à euforia da “vitória do neoliberalismo”, refutaram qualquer tentativa equilibrada de avaliar o significado nas relações mundiais da experiência da revolução russa de outubro de 1917, que completa 90 anos em 6 de novembro, pelo calendário gregoriano que acrescenta 13 dias à contagem juliana.
Os mais de 15 anos passados desde o fim formal daquele singular acúmulo, que combinou o comando dos Bolcheviques (vanguarda revolucionária à época) com os Sovietes (conselhos populares), não parecem ter sido suficientes para criar um ambiente dotado de rigor histórico para produzir um balanço criterioso, menos conservador e irracional, sobre o legado não só de um ”concreto pensado” mas, sobretudo, de um “concreto vivido” em sociedade.

Brasil perdoou US$1,25 bi em dívidas de países pobres, e os EUA?

O Brasil perdoou US$ 1,25 bilhão em dívidas de países pobres como forma de ajudá-los a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), segundo um relatório feito pelo governo brasileiro e por agências da ONU. A iniciativa é parte de uma série de ações que o Brasil tem tomado para contribuir com o oitavo Objetivo (estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento), que inclui ainda apoio técnico às nações do hemisfério Sul.Enquanto isso os EUA e outros países dito do primeiro mundo, aumentam taxas de juros de dívidas atrasadas dos países sub-desenvolvidos e emergentes.

Publicidade de A a Z

Claro que prática e técnica são irmãs gêmeas, e tenho aprendido muito sobre core business, cross selling, given e outras denominações que não sei aplicar com naturalidade, mas descobri que tenho conhecimentos interessantes em determinados elementos-chave do mercado. Divido com vocês a minha nomenclatura toda própria:

Criança - Criança quer brincar o tempo todo. Então ela vai querer brincar com a comida, no parque e no shopping para o qual foi arrastada, porque sua mãe, linda aos 30, precisa de um vestido e sapatos novos para lembrar do fato de que é linda na festa de casamento do ex, que ela vai para demonstrar despeito. É só dar à criança um mundo de fantasia, e pronto. Ela vai saber o que fazer com isso. Nunca a subestime.

Adolescente - Debaixo da camada de merda que eles fazem, existe uma vontade imensa de criar uma identidade. Respeite isso e dê a eles informação, conhecimento e formas de defesa contra o derretimento do cérebro por falta de bom uso.

Homem - Dado importante sobre os nascidos no Brasil: enquanto a venda da Playboy lá fora destina-se a garotos e adolescentes,o público brasileiro que compra a revista tem mais de 30 anos. Se essa informação não for suficiente para entendê-los, faça o seguinte: entre os dias 20 e 5 de qualquer final e troca de mês, sente-se num bar perto dos centros de trabalho, e observe como eles pisam mansos e barulhentos por ali, afrouxando a gravata e a alma na espuma de um bom chope. São poetas quixotes e andam em bandos. Jogam bola nos campos ou no computador com devoção e seriedade.

Mulher - Suas bolsas são gigantes porque elas portam 10 identidades diferentes, como os artistas. Não as entenda como falsas, e sim como geniais. Tem momentos de mãe, de tia, de madame, de operária, de puta, de dama, de atriz. Adoram luxo - não entenda nunca luxo como algo supérfluo, ainda mais quando o sujeito da frase for mulher. Entre em contato comigo urgentemente se você encontrar uma recepcionista ou servente que vá para casa com o uniforme do trabalho, ou qualquer mulher que veja o próprio reflexo numa superfície e não modifique sua postura para encontrar outro ângulo. Valorize tudo o que somos, se quiser nos vender alguma coisa.

Sem música a vida seria um erro

A Orquestra Sinfônica Brasileira fará uma apresentação em São Luis, no próximo dia 28, às 20, no memorial Maria Aragão. A OSB da cidade do Rio de Janeiro é o primeiro conjunto sinfônico brasileiro a realizar turnês, apresentações ao ar livre, concertos de formação de platéia e a excursionar no exterior. Em mais de 3500 concertos realizados, a OSB já lançou alguns dos maiores nomes da música brasileira, como Nelson Freire e Antônio Menezes, e têm recebido solistas e regentes de grande prestígio no Brasil e no contexto internacional. A OSB é mantida pela Companhia Vale do Rio Doce e pela Prefeitura do Rio.

19 de out. de 2007

DEUS PODE O IMPOSSÍVEL

A dor cura. Minha mãe está entre a vida e a morte. No segundo imediato ao nosso nascimento começamos a envelhecer, morrer. Mas não adimintimos porque a própria morte, a rigor, não existe.
De início ela se hospitalizou para combater uma obesidade no Centro Médico. Lá ela adquiriu ou desenvolveu uma infecção generalizada aparentemente do nada. Complicações no rins, pulmões... ela está em coma induzido agora na UTI da UDI. Penitenciu-me por não poder determinar que refloresça a sua vitalidade e por tantas vezes por ter sido um filho que não correspondesse às suas expectativas. Terrível ditadura biológica, essa imposição de um certo fim. Troco minha vida pela durabilidade da vida da minha mãe. Mas, DEUS PODE O IMPOSSÍVEL. A cura será por essa própria dor.
Querida mãezinha Maritite eu nunca sofri tanto como agora. Confesso-te que definitivamente sei o que é amor.Amo-te. A senhora vencerá mais essa dificuldade, aliais a senhora é uma vencedora. A vida florescerá por essa mesma dor.

17 de out. de 2007

A fome não espera, mata

A alimentação é reconhecida pela FAO (organismo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) como direito elementar e precedente a todos os outros. Uma concepção que representa um avanço na área e se coloca como um desafio a todos os governos do mundo: começa por defini-lo como direito e não como benesse, elevando-o ao patamar das políticas públicas. Para colocar esse direito em prática temos de estabelecer as devidas integrações entre políticas.
No Brasil, essa concepção se traduz na implementação do Fome Zero, estratégia do governo federal de integrar políticas para garantir acesso à alimentação, sobretudo aos mais pobres, implantando no país as bases de uma política nacional de segurança alimentar e nutricional.
Na mesma linha de promover integração das políticas, o governo federal produziu, junto com o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), o projeto de criação da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan), cuja importância foi amplamente reconhecida pelo Congresso Nacional, que a aprovou prontamente no ano passado. Ela prevê a criação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan).
A fome, como nos alertava o saudoso Herbert de Souza, o Betinho, não espera; mata. Isso justifica a proposta de combater a fome articulando, como propõe o Fome Zero, ações emergenciais e estruturantes, superando a falsa dicotomia entre dar o peixe e ensinar a pescar. Em muitos casos, para ensinar a pescar é necessário dar o primeiro peixe, porque, de barriga vazia, ninguém se sustenta em pé. Sem alimentação adequada, em quantidade e regularidade suficiente, não há saúde. A criança com fome, quando consegue ir à aula, não consegue aprender. Sem aprender, o adulto não consegue se posicionar no mercado de trabalho de maneira digna.

O massacre aos povos indíginas continua

O Exército e a Força Nacional de Segurança foram convocados para dar cobertura às ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na selva. A reserva biológica do Gurupi fica no Noroeste do Maranhão, divisa com o Pará.
No local, uma floresta com 340 mil hectares, é refúgio de animais ameaçados de extinção e espécies raras da Amazônia. A mata nativa, que deveria servir de estudos para cientistas e pesquisadores, virou domínio de madeireiros. Em clareiras abertas no coração da reserva, os fiscais acham a madeira cortada em toras e gigantescas.
Violência
A Polícia Federal investiga o ataque a um grupo de índios guajajaras na reserva Araribóia, em Amarante, no Maranhão. Exploradores de madeira são suspeitos de assassinar um índio e ferir outros dois durante o conflito com madeireiros da região de Buriticupu, na terça-feira (16). Outros dois índios, baleados, devem ser transferidos para Imperatriz.
A reserva indígena araribóia tem mais de 400 mil hectares e ocupa terras de cinco municípios. Nove mil índios vivem na região. A exploração ilegal de madeira já teria afetado mais de 80% das características originais da floresta.

Agenda Geral

Copom anuncia decisão sobre Selic
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia, no início da noite, sua decisão sobre a taxa básica (Selic) de juros, atualmente em 11,25% ao ano.
Lula/Agenda - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda em Johanesburgo, na África do Sul, onde participa da 2ª Cúpula do Foro de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS). No início da noite (horário local), Lula embarca para Luanda, em Angola.
Coutinho/BNDES - O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, fala, às 12h, no Rio, sobre o desempenho do banco no terceiro trimestre. Antes, às 10h, Coutinho participa do seminário "Perspectivas do desenvolvimento e inovação tecnológica no Brasil", promovido pelo Centro Celso Furtado.
Fiesp/Câmbio - O Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex) divulga, às 11h, estudo inédito mostrando que o "choque de importações" e a taxação das exportações surtem efeito marginal no câmbio.
Sebrae/Indicadores - O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) divulga, às 11 horas, no seu portal (www.sebraesp.com.br), a pesquisa Indicadores Sebrae-SP de outubro/2007, com resultados do desempenho dos pequenos negócios paulistas em termos de faturamento real, pessoal ocupado, gastos com salários, rendimento médio e expectativas em julho de 2007.
CPMF/Senado - O governo coloca em prática hoje uma segunda ofensiva para explicar a CPMF. Essa ofensiva começa com uma reunião, no gabinete do presidente interino do Senado, Tião Viana, com os líderes partidários e os presidentes de comissões, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e os secretários-executivos da Fazenda, Nelson Machado, e do Planejamento, João Bernardo. Depois disso, às 11h30, o presidente em exercício da República, José Alencar, fará uma visita a Tião Viana.
Renan/Conselho - A reunião de ontem do Conselho de Ética do Senado foi adiada para hoje à tarde. O Conselho deve se reunir para definir o cronograma de trabalho dos relatores de três processos que tramitam no colegiado contra o presidente licenciado da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de quebra do decoro parlamentar.

16 de out. de 2007

A vingança de Gaia e o sagrado

Acabo de ler e resenhar o livro “A Vingança de Gaia”, do cientista britânico James Lovelock. O que mais me impressionou não foi nem a visão apocalíptica sobre o aquecimento global que Lovelock conjurou, mas as várias aproximações intrigantes que ele fez entre sua concepção de Gaia como a Terra viva (um superorganismo que mantém o nosso planeta amigável a todas as formas de vida) e a crença religiosa. Ele nunca diz isso com todas as letras, mas chega muito perto de sugerir a adoração de Gaia como uma deusa de verdade como forma de enfrentar a terrível crise ambiental que vivemos.
Céticos de plantão, fiquem à vontade se quiserem me mandar praquele lugar (já posso ouvir gente dizendo “como é que deixam esse cara escrever?”). Mas, como católico, criado “aos pés de Nossa Senhora”, como se dizia antigamente, pra mim está mais do que claro a força que a imagem de uma Mãe Santa pode ter - independentemente do nome que usamos para designá-la.
A questão é a seguinte: a enormidade dos problemas globais é tamanha que talvez só o senso inato de sagrado das pessoas seja capaz de galvanizá-las para fazer alguma coisa. Deixou de ser um problema de números e contas faz tempo - mesmo porque, francamente, a maioria das pessoas não tem nem o saco nem a capacidade pra entender esses números e contas.
Gaia não precisa ser objeto de adoração - aliás, as fés monoteístas que dominam o mundo hoje provavelmente considerariam isso blasfemo -, mas a impressão que tenho é que não vamos vencer essa guerra se ela não for incorporada ao que as pessoas consideram sagrado. E rápido, de preferência.

Oscar Niemeyer apoia Hugo Chaves

Atacado por todos os lados, o presidente venezuelano Hugo Chávez tem um admirador ilustre. Em entrevista publicada nesta quarta-feira (10) no francês “Le Monde”, o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer revelou-se firme em seu discurso comunista, apontando Chávez e o cubano Fidel Castro como os dois líderes políticos que mais respeita na atualidade.
Prestes a completar cem anos, Niemeyer mantém um forte discurso político, e diz que seu único desejo continua sendo o de participar numa melhora na vida dos mais pobres, lembrando “uma União Soviética onde não vi miseráveis mendigando nas ruas”, disse.
Avesso à badalação, Niemeyer disse ao “Monde” que não liga para as homenagens pelo seu centenário. “No dia do meu aniversário, ninguém vai me encontrar.”

Hugo Chaves cantor

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, lançou um CD intitulado “Canciones de siempre”, que faz uma coletânea de ‘rancheras’ e outras músicas folclóricas venezuelanas que ele costuma interpretar em seu programa dominical “Alô, Presidente”.
O CD, cuja capa mostra o chefe de Estado usando um típico chapéu ‘charro’, será distribuído de graça na Venezuela.
Em seu programa dominical de rádio e TV, Chávez freqüentemente canta músicas tradicionais e encerra a transmissão apresentando um grupo musical, ao qual ele acompanha dançando.

Bush: acordo sobre Doha

“O melhor jeito de tirar as pessoas da pobreza é investir. Uma rodada sobre Doha favorável vem com uma ação para destruir barreiras alfandegárias . Estou otimista que podemos conseguir um acordo em Doha. Estamos abertos a dialogar”
“Juntos devemos trabalhar para combater a expansão das armas de destruição em massa. Mas as metas não podem ser atingidas do dia para noite”
“Estamos abertos para uma reforma do Conselho de Segurança (CS) e achamos que o Japão é uma nação que deveria ser considerada para o CS”“O melhor jeito de tirar as pessoas da pobreza é investir. Uma rodada sobre Doha favorável vem com uma ação para destruir barreiras alfandegárias . Estou otimista que podemos conseguir um acordo em Doha. Estamos abertos a dialogar”
“Juntos devemos trabalhar para combater a expansão das armas de destruição em massa. Mas as metas não podem ser atingidas do dia para noite”
“Estamos abertos para uma reforma do Conselho de Segurança (CS) e achamos que o Japão é uma nação que deveria ser considerada para o CS”

Consórcios e descentralização são alternativas para o desenvolvimento do MA

O governador Jackson Lago vai criar mais um importante consórcio intermunicipal, a exemplo do Consórcio de Produção e Abastecimento (Cinpra) criado por ele quando prefeito de São Luís. O anúncio da criação do novo consórcio que será firmado entre o governo e prefeituras municipais para manutenção, conservação e construção de estradas (Consórcio Intermunicipal de Transportes) foi feito pelo governador durante a solenidade de comemoração dos dez anos do Cinpra, realizada nesta segunda-feira, 15. “Essa tese do consórcio avança e no nosso governo, que tem a marca da descentralização, ela será fortalecida. Assumimos o compromisso de que nestes quatro anos o Governo do Estado vai deixar de ser algo distante, colonial e imperial, para ser apenas um instrumento coordenador do desenvolvimento econômico das diferentes regiões do Maranhão”, disse Jackson Lago.O governador informou que dentro do propósito de descentralização, o governo está firmando convênios com vários municípios para que o poder local seja uma realidade e os municípios caminhem com suas próprias pernas.

14 de out. de 2007

Memorias de minhas putas tristes

'No ano que completei noventa anos, quis presentear-me com uma noite de amor louco com uma adolescente virgem'. E é assim, sem rodeios, que Gabriel García Márquez nos apresenta a história deste velho jornalista que escolhe a luxúria para provar a si mesmo, e ao mundo, que está vivo. Primeira obra de ficção do autor colombiano em dez anos, 'Memória de Minhas Putas Tristes' desfia as lembranças de vida desse inesquecível e solitário personagem em mais um vigoroso livro de Gabriel García Márquez. O leitor irá acompanhar as aventuras sexuais deste senhor, narrador dessas memórias, que vai viver cerca de cem anos de solidão embotado e embrutecido, escrevendo crônicas e resenhas maçantes para um jornal provinciano, dando aulas de gramática para alunos tão sem horizontes quanto ele, e, acima de tudo, perambulando de bordel em bordel, dormindo com mulheres descartáveis, até chegar, enfim, a esta inesperada e surpreendente história de amor.

A cura de Schopennhauer

O diagnóstico de um câncer maligno força o renomado psiquiatra Julius Hertzfeld a fazer um balanço de sua vida e de seu trabalho. A depressão e a tristeza dão lugar à vontade de rever pacientes antigos e à pergunta - será que seu trabalho fez alguma diferença na vida dessas pessoas? Neste novo romance do psiquiatra e escritor de best-sellers Irvin D. Yalom, o leitor irá acompanhar um embate emocionante entre pacientes e terapeuta, em que cada um expõe seus medos, defesas e fraquezas e aprendem a ser mais humanos e felizes.
Neste feriadão fui à leitura. Como será que estão as pessoas que foram ao marafolia?

Ou os fazedores de pipas?


Como sabe qualquer pessoa que tenha lido O caçador de pipas, romance de grande sucesso de vendas, a primavera é recebida em Cabul com legiões de pipas, subindo, mergulhando e manobrando audaciosamente. Mas não estamos falando aqui das pipas que crianças empinam em preguiçosos piqueniques de final de semana. O que se vê nos céus são máquinas de voar altamente precisas, controláveis por meio de delicados movimentos das mãos de um mestre. O apego dos afegãos pela competição e (ainda que poucos o admitam) pelos jogos de azar significa que praticamente qualquer coisa oferece oportunidade para uma briga a uma aposta, de cachorros e galos a lesmas, carneiros, ovos cozidos e, claro, até mesmo pipas. O objetivo desse balé cruel é cortar a linha da pipa do oponente com a linha de sua pipa, e fazer com que a preciosa jóia de papel e bambu espirale sem controle até cair. Bandos de meninos pobres demais para comprar pipas correm para tentar capturar aquelas que caem depois dos duelos, para que possam eles mesmos participar da disputa. Eles são os caçadores de pipas.
Em um país no qual a maioria das histórias de sucesso envolve certa dose de fracasso - há 1,6 milhão de meninas matriculadas no sistema de educação, mas centenas de escolas foram incineradas pelos insurgentes -, mais ou menos o único setor que demonstra progresso incontestável hoje em dia é o de produção de pipas. Uma das decisões mais injustificadas do regime do Taleban, tão absurda quanto proibir que as pessoas ouvissem música e obrigar todos os homens a cultivar barbas, foi a proibição total à feitura e operação de pipas. Nos primeiros e entusiásticos dias depois da queda do Taleban, em dezembro de 2001, os homens fizeram a barba, os carros circulavam pelas ruas com o rádio a todo volume e pipas tomaram o céu da cidade. Para Noor Agha, o melhor dos fazedores de pipas de Cabul, os negócios estão em alta desde então.
Não que isso seja perceptível para quem vê sua casa. Agha vive em um túmulo. Os terrenos custam tão caro hoje em dia em Cabul que os mortos agora enfrentam a concorrência dos vivos na luta por espaço. Um imenso influxo de refugiados retomados do exílio depois da retirada do Taleban terminou por superlotar os bairros até então desertos em tomo do velho cemitério, e levou alguns moradores a procurar espaço em meio às tumbas. A oficina de Agha fica em sua sala de estar, onde ele comanda uma equipe formada por suas duas mulheres e 11 filhos, cortando, montando e colando os intrincados mosaicos de papel de seda que permitem que suas pipas se destaquem tanto por sua beleza quanto por sua manobrabilidade. O segredo está na cola, ele diz, exibindo um pote de uma pasta verde de cheiro horroroso. "Ninguém conhece minha receita por produzir cola que se mantém completamente lisa quando seca, sem causar rugas no papel", afirma. Os negócios vão tão bem hoje em dia que Agha teve de ensinar suas mulheres a fazer pipas. Ele orgulhosamente classifica uma delas como "a segunda melhor fazedora de pipas de Cabul", ainda que insista em que ela jamais será tão boa quanto ele. "Tenho 45 anos de experiência. Ela não conseguirá recuperar o atraso". Sua filha de seis anos talvez tenha mais chance. Ela já faz pipas para vender às crianças do bairro, cobrando um afegani (dois centavos de dólar) por peça.
Agha vem trabalhando febrilmente, produzindo centenas de pipas que serão usadas na filmagem da muito aguardada adaptação do romance O caçador de pipas, de Khaled Hosseini, em produção na China. Agha diz que trata cada pipa produzida para o filme como se fosse uma obra de arte, assinando-as com seu nome e com a marca do escorpião que caracteriza seu trabalho. Ainda que poucas delas devam ser usadas em competição, ele emprega as técnicas de produção que refinou ao longo dos anos de vôo e combate - curvando a estrutura de bambu de maneira precisa, moldando juntas invisíveis e criando uma forma de impregnar linhas de algodão com vidro moído, o que permite cortar mais facilmente as pipas dos oponentes.
A técnica usada para o vidro foi ensinada a Agha por seu pai. Fazer pipas é a profissão da família há quatro gerações. Para os fazedores de pipas, as linhas com vidro são o equivalente a evoluir do uso do arco e flecha para o das armas de fogo. No entanto, existe o risco de que as pipas estejam se tornando eficientes demais. Por algum tempo, elas passaram a ser guiadas com linhas de pesca paquistanesas, de nylon, que são quase invulneráveis a ataque. Depois, astutos comerciantes de armas começaram a importar arame fino e afiado, da China. A escalada de ameaças de destruição mutuamente assegurada, de acordo com Agha, que é reconhecido por todos como o melhor lutador de pipas da cidade, eliminou o aspecto artístico do esporte. "Agora é como uma briga de crianças", ele se queixa. "Sem técnica, sem habilidade". Por isso, Agha deixa as colinas de Cabul para a geração mais jovem, que encontrará novas maneiras de vencer. Hoje em dia, ele só participa de disputas, sempre intensas, com lutadores de pipas mais velhos, nas planícies de Shomali, ao norte da cidade. Toda sexta-feira, os veteranos do esporte se enfrentam até que só reste uma pipa no ar. Na maioria das vezes, é a de Agha. "Fazer pipas é meu trabalho", ele diz. "Lutar com elas é minha doença".

O Homem que via o trem passar

Certa vez Alfred Hitchcock ligou para a casa de Georges Simenon. A secretária do es­critor disse que ele não podia atender, pois estava escrevendo um romance. Hitchcock res­pondeu - 'Tudo bem, eu espero ele terminar'.
A anedota, verdadeira ou não, dá idéia da espantosa pro­dução do autor belga. Escrevia uma novela em cerca de 11 dias, datilografando um capítulo por dia numa média de 92 palavras por minuto. Publicou 420 vo­lumes em meio século de tra­balho, dos quais 84 casos do inspetor Maigret, seu mais fa­moso personagem. Apesar dessa produção in­sana, é considerado um dos maiores escritores de língua francesa. Henry Miller sintetiza o sentimento da crítica com a confissão - 'Eu não acreditava que alguém pudesse ser, ao mesmo tempo, tão popular e tão bom'. O relançamento daquela que é considerada a sua obra-prima, "O Homem que via o trem passar", publicada em 1938, confirma o espanto.
São duas as metáforas cen­trais do livro - o trem e o jogo de xadrez.
O trem representa o mo­vimento, a aventura e a in­certeza, por oposição à imobilidade, ao tédio e as certezas na vida de um burguês comum. Esse burguês, representado pe­lo protagonista Kees Popinga, não tem um nome comum, mas sua vida na casa e no trabalho é absolutamente burocrática. No entanto, nele hiberna um germe de revolta ou loucura, iden­tificado pela emoção que sente ao ver um trem passar - 'Enfim, se tivesse procurado em si mes­mo, pondo a mão na consciên­cia, um grão de loucura latente que pudesse predispô-lo a um futuro tumultuado, não lhe teria ocorrido pensar em certa emoção furtiva, quase vergonhosa, que o assaltava quando via um trem passar, um trem noturno, de preferência, com as cortinas baixadas sobre o mistério dos passageiros'. O germe desperta quando a empresa à qual ele tinha de­dicado a vida vai à falência por falcatruas do próprio dono. O narrador, como que colado às costas de Popinga, acompanha sua dissolução moral depois que ele toma o sonhado trem no­turno e larga toda a sua vida para trás. O leitor acompanha a transformação do protagonista pela sua própria perspectiva, vendo o burocrata se trans­formar em criminoso que de­ decidiu não prestar contas a mais ninguém - 'Não sou louco nem maníaco. Apenas, aos 40 anos, tomei a decisão de viver como me agrada, sem fazer mais caso das convenções ou das leis. Descobri - um pouco tarde, convenho - que ninguém as observa e que até agora eu vinha me deixando iludir'.
Uma das qualidades de toda a obra de Simenon se destaca nesse volume - como a narrativa não julga os personagens, o leitor é forçado a não julgá-los também, suspendendo pelo tempo da leitura seus códigos morais e suas certezas. Dessa maneira, tornam-se gritantes al­gumas perguntas fundamentais sobre a existência - vale a pena viver?; por que não morrer?; pior, por que não matar? Se o leitor ainda por cima já leu outros 'simenons', como são conhecidos os seus livros, espera ansiosamente pela inter­venção do inspetor de polícia, a talvez o próprio Maigret. Mas este não é um 'maigret'; o inspetor se chama Lucas (lembr­ando ironicamente as certezas do Evangelho), trabalha no mesmo distrito que Maigret mas se mantém à distância pelos movimentos do personagem e pelos truques do narrador.
Como o ex-burocrata e então criminoso foragido Kees Popinga é um exímio enxadrista, 54 seus movimentos parecem se realizar num tabuleiro, levando-nos à segunda metáfora fundamental. O xadrez é consi­derado o mais violento jogo de estratégia, apesar do silêncio e do ritual que o envolve. O xadrez realiza, no tabuleiro, o sonho do controle total. O xadrez é em princípio um jogo de governantes - brinca-se de governas, vale dizer, guerrear. As peças, representações humanas como o cavaleiro, o bispo, a rainha e mesmo os peões, comem/matam umas às outras. Faz parte intrínseca do jogo - e da política, como sa­bemos - sacrificar suas próprias peças. Cada lance envolve van­tagem e, ao mesmo tempo, al­guma desvantage. Apenas sa­bendo-se disso pode-se conse­guir realizar um lance-surpresa, conhecido como Zwischenzug.
A maior das emoções é sacrificar a peça mais poderosa, ou seja, a rainha, para arriscar um xeque-mate. Ora, Popinga sacrifica basicamente suas mulheres. Depois de um de seus crimes, o personagem vai para um bar jogar xadrez. Jogando duas partidas simultâneas com um francês louro e um japonês, naturalmente vence a ambos. Faz questão de lhes pagar uma bebida e de lhes dar uma aula do jogo - 'O importante é ter todas as peças na cabeça o tempo todo, não esquecer que o bispo guarda a rainha, que guarda o cavalo, que (...) é preciso manter o adversário em observação, descobrir-lhe o método, e não ter método próprio. Suponham que eu tivesse o meu - poderia bater um dos dois mas não os dois, porque o segundo teria percebido a minha tática, o que me poria em desvantagem'. 'Não ter método próprio' é também e precisamente o fa­moso método do inspetor Mai­sgret, misturando simpatia por qualquer ser humano com apre­ço pelo próprio inconsciente.
Enquanto comete suas transgressões e dribla a polícia, Popinga anota em um caderno as suas 'jogadas' e as do ins­petor, ao mesmo tempo em que escreve longas cartas aos jor­nais para protestar contra as matérias a seu respeito. As car­tas servem à polícia e a psi­quiatras que se esmeram em estudar aquele caso único, mas para o leitor elas são, ao mesmo tempo, divertidas, esclarecedo­ras e perturbadoras. Divertidas, por causa do contraste entre os crimes e o estilo ultra-formal do criminoso. Esclarecedoras, por­que veiculam uma espécie de 'poética moral' de Simenon. Perturbadoras, enfim, porque tornam lógico o ilógico, veros­símil o inverossímil, compre­ensível o inaceitável.
A narrativa reserva alguns lances-surpresa para o final. O inspetor Lucas conseguirá prender Kees Popinga? Nes­se caso, ele irá para a prisão ou para o hospício? E se... Ora, essas perguntas não se respondem na resenha de um livro como esse. Só podemos dizer que o final faz jus ao livro - principalmente a úl­tima frase. O sebo do riba, na praia grande, tem muitas preciosidades.Clique aqui para ver a sinopse do livro

13 de out. de 2007

A nova indústria cultural

Estamos vivendo o fim da industria cultural estabelecida a partir de Gutenberg. Uma outra está tomando, devagar, seu lugar. Que outra? E quando, e como?Andrew Keen, autor do polêmico A Cultura do Amador, fez um sumário do texto em dez pontos, uma espécie de manifesto anti-web2.0. O subtítulo do livro diz quase tudo: como a internet de hoje está matando nossa cultura. O primeiro ponto do decálogo é… o culto do amador é a ilusão mais sedutora da utopia digital... pois sugere, de forma enganosa, que todos têm alguma coisa a dizer. Lá no fim, o autor diz que a conseqüência do descontrole dos desenvolvimentos digitais será a vertigem social,... pois tudo estará em movimento e será apenas opinião. Theodor W. Adorno, o mais importante filósofo alemão do pós-guerra, escreveu um texto fundamental para o entendimento da “indústria cultural”, exatamente aquela que, segundo Keen, está sendo “destruída” pela internet. Segundo Adorno, a indústria havia limpado o “lixo” da cultura, domesticando, aperfeiçoando ou proibindo os amadores ou, na prática, a disseminação de sua produção. Ao mesmo tempo, a padronização, os estilos comuns e a massificação levariam, segundo o pensador, à comoditização da cultura, transformando-a em anúncio, ou quase. Era um pressentimento da primeira MTV. E no fim da Segunda Guerra, onde Adorno via também o fim do mercado livre.De lá pra cá, o mundo mudou, caíram cortinas e muralhas e -- até por causa disso -- apareceu a internet, a máquina de inovação que, entre tantas outras coisas, também publica. Muito, tudo e de todo mundo. Nem todo mundo, claro, tem alguma coisa relevante a dizer para todo o resto do mundo, no sentido da indústria jornalística. Ela, aliás, já não derruba presidentes ou inicia revoluções como no passado. Mas todo mundo tem alguma coisa a dizer para algum público, nem que seja sua família e amigos. Pelo menos por algum tempo.Nada é mais importante, em benefício do próprio futuro da indústria cultural, que quem queira se manifestar que o faça. Alto e bom som. E pra todo mundo. Quem quiser leia (veja, ouça…) e goste. Ou não. Problema de cada um. Só não venham limitar o nosso direito de dizer o que bem queremos.Estamos vivendo apenas mais um estágio da "indústria cultural", agora veiculada pela web, onde os mecanismos de refinamento que a cultura sempre teve, para selecionar e separar o que era "significativo" do que não era foram descontrolados. Como em um famoso cartoon do começo da internet, qualquer um pode ser relevante: no momento, basta ter audiência. Mas o momento muda e o refinamento acontece, passo a passo, à medida em que vamos entendendo o que e quem vale a pena ler, ver ou ouvir. E trata-se de um processo educativo para todos.A diferença, hoje, é que a prensa (virtual) de Gutenberg está em sua versão web 2.0, democratizando os meios de produção de informação a níveis nunca antes imaginados pela tal "indústria cultural". É isso que gera o caos "denunciado" por Keen em seu manifesto. Mas não há, nem precisa haver, desespero. Não estamos chegando no fim do mundo, mas no começo de um novo tempo. E o tempo, a prática, os processos de seleção natural, em conjunto, vão criar as novas relevâncias e restabelecer alguma ordem. Não, e nunca mais, toda a ordem que já existiu quando os donos de jornais e editores decidiam o que imprimir e distribuir. Assim como Gutenberg desorganizou o poder de reis, igreja e mosteiros com a prensa de tipos móveis, a indústria cultural está sendo modificada para sempre pela liberdade criada pela web. As empresas, suas estruturas e práticas organizacionais vão pela mesma estrada. Para sempre. Sem volta. Mas não estamos indo para o caos puro e simples, e sim para um mundo muito mais diverso, sofisticado e complexo… e mais, bem mais difícil de entender e administrar. Bem-vindos. É só mais uma parte do futuro começando…

Feriado com uma hora a menos

Horário de verão começa na virada de hoje para amanhã. Assim, o feriadão encurta em uma hora.

O enigma dos boicombustíveis

A produção de combustíveis a partir de plantas tem sido incentivada por representar uma oportunidade para se reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa na atmosfera, uma vez que substitui o uso de petróleo - um dos combustíveis que ao ser queimado emite CO2 e contribui enormemente para o aquecimento global.
O que se questiona agora é se todo o processo de elaboração dos biocombustíveis também é ecologicamente adequado. Em alguns casos, o processamento dos vegetais utiliza mais combustíveis fósseis do que as fontes de deveria substituir.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o etanol é produzido a partir do milho - cultivo que mais causa erosão no solo, além de exigir uso intenso de herbicidas e fertilizantes à base de nitrogênio. Além disso, grande parte das usinas dependem da queima de gás natural ou carvão na geração de vapor para a destilação.
A utilização de soja ao invés de milho é menos prejudicial, no entanto, ambientalistas temem o aumento de preço desses alimentos, o que pode incentivar a produção e o avanço sobre áreas de conservação.
Enquanto essas questões são levantadas, a produção agrícola para o processamento dos biocumbustíveis bate recordes. Os americanos estão prestes a colher a maior safra de milho desde a Segunda Guerra Mundial - e cerca de um quinto da colheita será destinado à produção de etanol, mais do que o dobro do usado há cinco anos.
Cientistas acreditam que a solução para a produção de biocombustíveius não ameaçarem o fornecimento de alimentos é desenvolver combustíveis a partir de matéria vegetal que não sirva de alimento, como caules, gramíneas, árvores de crescimento rápido e até mesmo algas.
Quadro mais animador
O Brasil se destaca na produção de etanol desde a década de 1920, com uma forte intensificação nos anos 70 - quando o governo criou um programa para se desvincular da importação de petróleo. Os incentivos para a geração de álcool combustível a partir da cana-de-açúcar foram retomados recentemente e o país vem sendo apontado como exemplo na produção de biocombustíveis pela comunidade internacional.
Ao contrário do que ocorre com o milho, no qual o amido contido no grão tem de ser transformado em açúcar com a ajuda de dispendiosas enzimas antes de ser fermentado, o próprio caule da cana-de-açúcar já é constituído por 20% de açúcar - e ela começa a fermentar logo depois de ser cortada. Um canavial produz de 5,7 mil a 7,6 mil litros de etanol por hectare, mais que o dobro do verificado com um milharal.
A maioria das usinas brasileiras não usa combustíveis fósseis nem eletricidade da rede convencional – as necessidades energéticas são supridas com a queima do bagaço da própria cana.
A opção brasileira, entretanto, não está isenta de problemas. Começando pela colheita manual, um trabalho pesado e opressivo que leva cortadores à morte por exaustão. A queima dos canaviais pré-colheita lança fuligem na atmosfera e libera metano e óxido nitroso – gases que contribuem para o efeito estufa. A expansão do plantio também é uma ameaça, pois pode acirrar o desmatamento principalmente de áreas de cerrado e da Amazônia.
Etanol de celulose
Para evitar o confronto entre produção de etanol e suprimento de alimento, pesquisadores procuram alternativas para os biocombustíveis. Usinas experimentais dos Estados Unidos já estão aproveitando as gramíneas perenes das pradarias americanas. Mas, apesar de o princípio por trás do etanol de celulose ser simples, produzi-lo com custo similar ao da gasolina ainda é um desafio.
Atualmente o processo utilizado recupera 45% do teor energético da biomassa sob forma de álcool – enquanto o aproveitamento energético do carbono bruto ao ser refinado é de 85%. Pesquisadores ainda buscam alternativas para tornar o etanol de celulose mais competitivo - para isso precisam desenvolver meios melhores de romper a celulose. Uma possibilidade são micróbios e enzimas geneticamente modificados e extraídos do intestino dos cupins - os processadores naturais da energia contida na celulose.
Algas salvadoras
Muitos dos cientistas que se debruçam sobre a questão acreditam que as algas são o agente que mais se aproxima da solução ideal. Elas se desenvolvem em água suja e até na água do mar, exigindo pouco além de luz do sol e CO2 para prosperar.
Um aempresa americana aperfeiçoou um processo no qual algas colocadas em sacos plásticos sugam o CO2 presente nas emissões das chaminés das usinas elétricas. Além de reduzirem os gases do efeito estufa, as algas absorvem outros poluentes emitidos pelas usinas.Algumas espécies produzem amido, que por sua vez pode ser transformado em etanol; outras geram minúsculas gotas de um óleo que, refinado, se torna biodiesel ou mesmo combustível para aviões a jato. O diferencial das algas é que elas podem dobrar de massa em poucas horas. Enquanto cada hectare de milho produz cerca de 2 500 litros de etanol por ano e 1 hectare de soja, cerca de 560 litros de biodiesel, teoricamente cada hectare de algas pode gerar mais de 45 mil litros de biocombustível no mesmo período. Outra vantagem em relação às plantações tradicionais é não depender de safra para serem colhidas – as algas estão disponíveis todos os dias.
Assim como no etanol de celulose, o maior desafio é reduzir o custo da alga-combustível, pois o negócio só se tornará viável quando ficar mais barato que o óleo diesel.
Fonte: National Geographic Brasil

Paulo Autram e o senhor liberdade

Paulo Autram morreu.O maior gênio do teatro brasileiro. O espetáculo "liberdade, liberdade" estreou em abril de 1965, numa produção do grupo Opinião e do teatro de arena de São Paulo. Essa peça se transformara em sucesso absoluto e trincheira da luta contra a ditadura militar. Paulo Autram era o senhor liberdade.
Em 85 anos de vida, dedicou 57 às artes, com atuações em teatro, cinema e televisão. É considerado um dos gênios do teatro brasileiro.
Sua estréia profissional ocorreu em 1949, após algumas encenações amadoras na época em que cursava a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP. Na peça Um Deus Dormiu Lá em Casa, de Guilherme Figueiredo, Autran dividiu o palco pela primeira vez com Tônia Carrero, com quem contracenou diversas vezes. Ao todo foram 90 peças, sendo a última O Avarento, de Molière.

9 de out. de 2007

Exercício amazônico: a indicação de 170 melhores escritores e poetas da minha quase metade vida

A indicação de livros acaba sendo um exercício de deserção. Pois, inúmeros livros excelentes não serão sugeridos porque, por um lado, quem se atreeve a fazer indicações não os leram ou, po potro lado, simplesmente o silêncio se fez presença. Perdoa-me os seus autores e principalmente os leitores. Tudo tem uma origem. Na cultura ocidental temos que lembrar dos autores teatrais da grécia antiga: Sófocles, Ésquilo e Eurípedes. E também dos filósofos:Sócrates, Platão e Aristóteles.
Sofri influência do maxismo tardio da Escola de Fankfurt(Adorno, Horkheimer, Benjamim, Habermas, Fromm e Marcuse) e da escola de Budapeste( Georg Lukács e István Mészáros)
A Poesia acredito que seja a forma mais instigante da escrita humana, inúmeros encontros mansos e revoltos, num ambiente super-povoado de possibilidades.
Fui quase irmão Marista, a biblia é literatura obrigatória. História e vir a ser de todos nós, no que pese as interpretações fundamentalistas. Leitores que melhoram a si mesmo já estarão melhorando o país e o mundo. Não precisam cair no fundamentalismo de sair por aí querendo converter os outros a suas leituras ou opiniões. Ler bem é ficar mais tolerante e mais humilde, aceitar a diversidade, dispor-se a tolerar a diferença e a divergência. Não o contrário.
Nenhuma dessas reflexões , porém, pressupõe a perda do prazer da leitura e do desejo. E esse desejo se confunde com o impulso narrativo que empurra para a frente e faz a ação avançar. Daí nossa sede de enredo e de busca do significado da história e do enigma do nosso futuro.
Os livros são os intermediários com o mundo e o mundo somos nós.
1)DOM QUIXOTE DE LA MANCHA, de Cervantes. Através do jogo dos espelhos, esta obra-prima denuncia o ridículo humano, sua infinita capacidade de iludir-se.
2)ODISSEIA, de Homero. Não sendo uma viagem iniciática, mas um empreendimento radical, conta-nos como Ulisses, de refinada astúcia, enfrenta as vicissitudes do destino sem renunciar à sua medida heróica, ao seu sentido de aventura.
3)CRIME E CASTIGO, de Dostoiévski. Sua estética acabrunha-nos, mas nos oferece a consciência moral em carne viva.
4)GUERRA E PAZ, 3V., de Tolstói. Um canvas extraordinário. Uma sociedade inteira apresenta-se a nós e passamos a ser para sempre parte dela.
5)EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO, de Proust. Memória e invenção associadas. O resultado é magnífico. O retrato da civilização ocidental da qual Balzac, igualmente, faz o registro civil.
6)SERMOES, de Antônio Vieira. Além do brilho portentoso, oferece-nos o esplendor da língua portuguesa.
7)MEMORIAS DE ADRIANO, de Marguerite Yourcenar. Lança-nos ao passado com limpidez e justeza. Ensina que o poder também teme morrer, que ele conhece o sentimento do desfalecimento.
8)SERMOES, de Antônio Vieira. Além do brilho portentoso, oferece-nos o esplendor da língua portuguesa.
9)Divina Comédia), Dante Aligheri: li todas as ilustrações da Divina Comédia e posso garantir que os versos são bem mais sádicos. Maquiavel não chega perto do inferno de Dante. Santo Agostinho é um ingênuo diante de seu paraíso.
10)Marcas Marinhas, Saint-John Perse. Poeta de puro espírito. Em Anábase,> ele canta o deserto e o exílio. Em Marcas Marinhas, canta o mar e os afazeres da espuma, os homens nos tombadilhos e as mulheres ancestrais. Um dos franceses piromaníacos, incendiário da linguagem como Rimbaud. "Um grande princípio de violência nos comandava os costumes". Ele tem razão, os hábitos nos violentam.
11)Sete Rosas mais tarde, Paul Celan. Escrita extremada, que não aceita suborno, chantagens, desconto. Um dos vôos mais altos da língua alemã. Ele adverte: "Não separes o Não do Sim". Sim, não, talvez. No final, a gente se dá conta de que concordar é realmente discordar.
12)Tabacaria, Fernando Pessoa. Simplesmente genial. Eu li esse poema aos 13 anos, me formei, me separei, encontrei um grande amor, tive dois filhos, mudei cinco vezes de emprego e ainda sei de cor.
13)Obra completa, João Cabral. Não adianta perder tempo escolhendo um livro apenas de João Cabral. Ele não desperdiça um chute. Criou o mais poderoso sistema anti-vírus da poesia brasileira. Todos que tentam o imitar acabam sendo denunciados.
14)Claro Enigma), Carlos Drummond de Andrade. Ele fez o poema mais perfeito da língua no século XX, Máquina do Mundo. É de ler com os olhos sentados. Descreve a vacilação de um homem diante de uma estrada pedregosa. A expectativa mínima já é esperança.
15)Muitas vozes, Ferreira Gullar. Um autor que sobreviveu a si mesmo e a sua geração. Não perdeu o pique. Poemas curtos, intensos e esmagadores sobre os óculos do pai ou impressões da maturidade. "Todos os movimentos do amor são noturnos mesmo quando praticados à luz do dia", quem diz isso merece respeito.
16)Romanceiro Gitano, Federico García Lorca. Teatro cantado, palco móvel, fábulas, poesia como dança. Federico tinha castanholas no lugar dos dentes.
17)Cartas de aniversário, Ted Hughes. Aconselhável para quem sofre de insônia ou pretende parar de roncar. O poeta inglês faz uma prestação de contas com sua ex-mulher Sylvia Plath, também poeta, que se matou aos 30 anos.
18)Belo belo (em Testamento de Pasárgada)Manuel Bandeira. Só com esse título já fico de bom humor. Nunca uma redundância deu tão certo. Ele lançou a teoria do poeta sórdido, "aquele em cuja vida há a marca suja da vida"
19)Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, uma obra que encanta crianças e adultos.
20)A metamorfose, de Franz Kafka, uma sombria parábola sobre a alienação.
21)O aleph, de Jorge Luis Borges, um fascinante desafio à imaginação.
22)A cavalaria vermelha, de Isaac Babel, com as histórias deste revolucionário e idealista escritor russo.
23)Dom Casmurro, de Machado de Assis, um primoroso estudo psicológico feito pelo mestre da literatura brasileira.
24)Grande Sertão – Veredas, de Guimarães Rosa, livro que inaugurou um novo rumo na literatura brasileira.
25)Ulisses, de James Joyce, obra que marcou o século 20.
26)A morte de Ivan Ilitch, de Leon Tolstói, uma dilacerante novela sobre doença e morte.
27)Obra completa, de João Cabral de Melo Neto, reunindo poemas deste denso, vigoroso e sensível poeta.
28)Vidas secas, de Graciliano Ramos, um pungente retrato do Nordeste, que, sob muitos aspectos, ainda corresponde à realidade.

29)Incidente em Antares, de Erico Verissimo - "A colocação do jogo do surreal com o real". Nesta obra, o autor utiliza o absurdo para fazer uma sátira divertida e inteligente dos problemas do nosso tempo.
30) Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis - "A complexidade da ironia". O narrador da obra, o defunto Brás Cubas, mostra sua visão distanciada da vida e dos sentimentos humanos, como se estivesse assistindo a um espetáculo.
31)Memorial de Aires, de Machado de Assis - "A sutileza da alma humana". O livro faz uma reflexão sobre situações, sentimentos e pensamentos idos e vividos.
32)Gabriela, cravo e canela, de Jorge Amado - "A graça e a sensualidade brasileiras". Um romance pitoresco, que tem como protagonista uma personagem inesquecível, representação típica da mulher brasileira: amorosa, sensual, alegre e espontânea.
33)Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos - "O encanto de uma criança descobrindo o mundo". As alegrias e desilusões de um garoto travesso de seis anos, pobre, inteligente, sensível e carente de afeto, que tem como confidente Xururuca, um pé de laranja lima.
34)Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato - "O mundo encantado das palavras que viram brincadeiras". No sítio de Dona Benta, vão morar todas as personagens do Mundo da Fábula: príncipes, princesas, heróis...
35)Diário de uma jovem, de Anne Frank - "Até onde vai a perversidade humana". O sensível relato de uma menina judia de 13 anos, durante os dois anos em que viveu fechada num esconderijo em Amsterdã com a família e alguns outros refugiados, até a Gestapo descobri-los.
36)Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos - "A frieza, o realismo quase jornalístico de um texto". Mais do que sua experiência pessoal durante o tempo em que ficou preso, o depoimento de Graciliano Ramos traça o retrato de uma das épocas mais sombrias que o país atravessou.
37)Asfalto selvagem, de Nelson Rodrigues - "Até onde vai a complexidade da alma humana". O romance conta os amores e pecados de Engraçadinha, uma das grandes personagens femininas da literatura brasileira.
38)Quarup, de Antonio Callado - "A profundeza do Brasil". O livro mostra as descobertas de um jovem padre a partir de sua convivência com os índios, em meio aos importantes acontecimentos políticos brasileiros das décadas de 50 e 60.

39) O vermelho e o negro, de Stendhal. Um romance magistral, um clássico da literatura universal, que penetra com profundidade no caráter e no íntimo dos personagens.
40)Um jogador, de Dostoiévski. O recente relançamento desta obra-prima é uma grande oportunidade de enriquecer a biblioteca de qualquer leitor com um dos livros indispensáveis para se conhecer o ser humano.
41)A ditadura envergonhada, A ditadura escancarada, A ditadura derrotada e A ditadura encurralada, de Elio Gaspari. Modelo exemplar de como um período de nossa história pode ser tão intensamente abordado, tão estupendamente narrado e tão cuidadosamente pesquisado.
42)Quase memória, de Carlos Heitor Cony. Dos mais divertidos livros entre os de grandes memorialistas do país. Acaba provocando no leitor uma forçosa necessidade de retroceder à sua infância e juventude.
43)O primo Basílio, de Eça de Queiroz. O mestre da língua portuguesa na descrição de cenas e personagens e na análise do caráter do ser humano.
44)Mar morto, de Jorge Amado. Um romance do Brasil do século XX recheado de tipos originais, numa narrativa que prende o leitor e o impulsiona a querer ler toda a obra do autor.
45)Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre. Entre os livros básicos que abordam o homem brasileiro sob o ponto de vista sociológico, como Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, este é imprescindível.
46)Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf. É um marco na literatura devido à forma como a autora desenvolve a narrativa descrevendo não os fatos, mas o que se passa na cabeça de quem deles participa.
47)Dom Casmurro, de Machado de Assis. Sua importância não tem paralelo na literatura brasileira. O caráter de sua obra é tão forte que ela atravessa os tempos, como se todas as cenas e personagens pertencessem aos dias atuais. Obrigatório ler na adolescência e na idade adulta para sentir a diferença..
48)Orgulho e preconceito, de Jane Austen. As romancistas inglesas do século 19 eram grandes mestras da narrativa, todas elas. Escolhi a Jane Austen por ser a primeira, nascida ainda no século 18. Orgulho e preconceito é um livro tecnicamente perfeito.
49)A letra escarlate, de Nathaniel Hawthorne. É um livro forte, inquietante e belíssimo. Deixou uma marca em mim, perene. Aquela menininha assombrada me acompanha com sua solidão, que parece a solidão de Perséfone.
50)Ela, de H. Rider Haggard. Mais conhecido como autor de As minas do rei Salomão, Rider Haggard é outro mestre da narrativa, também do século 19 (o grande século da literatura, para mim). Só que, por ter escrito histórias de aventuras, consideradas infanto-juvenis, é desprezado pelos cânones. Mas é delícia pura.
51)O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald. Foi um soco no estômago. Quando acabei de ler, fiquei sentada no sofá, sem conseguir me levantar.
52)O som e a fúria, de William Faulkner. Levei anos para tomar coragem e ler. Mas valeu a pena. Só um gênio conseguiria entrar na cabeça de um débil mental que sente o gosto das cores e fazer disso as primeiras 40 páginas do seu livro.
53)Lolita, de Vladimir Nabokov. Outro gênio, como Faulkner, que conseguiu penetrar na cabeça de um louco, um universo que me fascina e assombra.
54)De profundis, de Oscar Wilde. Um texto ímpar de Wilde, em que ele revela um lado mais humano, pungente. Foi escrito na cadeia, com lágrimas e sangue, e é um dos mais belos textos que já li.
55)As aves de Cassandra, de Per Johns. Um livro feito de camadas, com um ritmo encantatório. Para mim, Per Johns é um dos maiores escritores brasileiros vivos (e considero-o brasileiro, embora dinamarquês de nascença).
56)Carmen - Uma biografia, de Ruy Castro. Como mulher do Ruy, sei que sou suspeita ao incluí-lo. Mas acho, de verdade, que é a melhor biografia já publicada no Brasil.
57)Laços de família, de Clarice Lispector. Uma antologia de contos que é uma lição de vida. Uma vida que mora na inação, na falta de movimento externo, mas que se movimenta graças ao sentido epifânico da descoberta. Um arraso.
58)As cidades invisíveis, de Italo Calvino. Uma viagem por um mundo cheio de sensualidade, de poesia que bóia à flor da página. Inesquecível.
59)Contos completos, de Sergio Faraco. Um contista que faz a honra do gênero. Escritor de emocionar as pedras.
60)O livro de areia, de Jorge Luis Borges. Não dá para não ler. Aliás, tem de se ler todo o Borges.
61)O exército de um homem só, de Moacyr Scliar. Obra que reúne um sentido de humor maiúsculo sobre o judaísmo e sobre a vida.
62)Poesia completa, de Carlos Drummond de Andrade. Será que é preciso falar sobre Drummond?
63)Melhores poemas, de Mario Quintana. Poesia para encher os dias. Uma graça.
64)Written on the Body, de Jeanette Winterson. Livro belíssimo de uma escritora inglesa ainda jovem. Imperdível lição de como contar uma história de amor.
65)A metamorfose, de Franz Kafka. Prosa realista sobre o absurdo da vida. A tradução de 65)Modesto Carone é de se ler de joelhos.
66)A margem imóvel do rio, de Luiz Antonio de Assis Brasil. Uma lição de concisão, de essencialidade e de respeito à inteligência do leitor
67)Os contos de Edgar Allan Poe, inventor do policial, mestre do fantástico e dos contos de horror.
68)O estrangeiro, de Albert Camus, que balançou a minha adolescência.
69)A lua vem da Ásia, de Campos de Carvalho, outra leitura dos meus 17 anos. É uma leitura fascinante.
70)A vida/Modo de usar, de Georges Pérec. Uma visão múltipla e diferente do romance e da sociedade.
71)A montanha mágica, de Thomas Mann. Uma cidade-sanatório, metáfora da nossa cultura e sociedade.
72)As aventuras de Tarzan e de Sherlock Holmes, que despertaram em mim o prazer da leitura.
73)Fome de Paris, de A.J. Liebling. Saborosíssimo texto do consagrado crítico gastronômico da revista New Yorker.
74)Música para camaleões, de Truman Capote. Último livro concluído pelo requintado escritor norte-americano.
75)Brasil – Um século de futebol, de João Máximo, Leonel Kaz e Jayme Accioly. Ótimo texto e quase 200 fotos. Um livro literalmente da pesada. Quase dois quilos de emoções.
76)Bodies and Souls, de Isabel Vincent. A trágica história de três mulheres judias forçadas à prostituição nos EUA, narrada por essa jovem e talentosa jornalista canadense.
77)Os jornalistas, de Honoré de Balzac. Um Balzac colérico, analisando a imprensa do seu tempo.
78)Another Bullshit Night In Suck City, de Nick Flynn. Livro trágico e poético de um autor com enorme capacidade de rir de si próprio.
79)200 crônicas escolhidas, de Rubem Braga. Clássicos de um cronista brilhante. Incluindo a espetacular crônica Aula de inglês.
80)O século da canção, de Luiz Tatit. Magnífica avaliação e reavaliação da canção popular brasileira no século 20. O século do samba, da bossa nova e do tropicalismo.
81)Precisões sobre um estado presente da arquitetura, de Le Corbusier. Dez conferências sobre arquitetura e urbanismo feitas pelo genial arquiteto em Buenos Aires e um prólogo delicioso.
82)Paranóia, de Roberto Piva. Clássico da beat generation paulistana, publicado em 1963 e agora reeditado.
83)VIDAS SECAS e INFANCIA, de Graciliano Ramos.
84)LAVOURA ARCAICA e COPO DE COLERA, UM, de Raduan Nassar.
85)GRANDE SERTAO – VEREDAS e TUTAMEIA, de Guimarães Rosa.
86)BAU DE OSSOS, de Pedro Nava.
87)DESCOBERTA DO MUNDO, A, de Clarice Lispector.
88)MONTANHA MAGICA, A e MORTE EM VENEZA, A, de Thomas Mann.
89)PROCESSO, O, de Kafka.
90)RUMO AO FAROL, de Virginia Woolf.
91)TODOS OS HOMENS SAO MORTAIS, de Simone de Beauvoir.
92)EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO, 3V., de Marcel Proust.
93)O livro de aréia(sobre a sua cegueira), de Jorge Luis Borges.
94)POESIA COMPLETA, de Carlos Drummond de Andrade.
95)OBRA POETICA, de Fernando Pessoa.
96)OBRA POETICA COMPLETA, de Garcia Lorca.
97)POESIA REUNIDA, de Adélia Prado.
98)POESIA REUNIDA, de Nauro Machado.
99)Obra Poética, de Robreto Kenard.
100)O Nascimento da Tragédia, Nietzsche.
101)A mulher de trinta anos, Balzar.
102)O jogador, Dostoiévski.
103)Notas de um velho safado, Chales Bukowski.
104)Agosto, Rubem Fonseca.
105)A Bagagem do Viajante, José Saramago.
106)Quando fui outro, Fernando Pessoa.
107)Obra Poética, Jacques Prévert.
108)Poemas religiosos e alguns libertinos, Manuel Bandeira.
109)O segredo da pirâmide( por um jornalismo comprometido), Adelmo Genrro Filho.
110)Os Maias, Eça de Quiroz.
111)O mundo de Sofia, Jostein Gaarder.
112)71 contos, de Primo Levi.
113)Obra poética, de Pablo Neruda.
114)A alma do homem sob o socialismo, Oscar Wilda.
115)Liberdade, liberdade, de Milor Fernandes e Flávio Rangel.
116)Tristessa, de Jack Kerouac.
117)O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro.
118)obra poética, de Bandeira Tribuzi.
119))futuro do espaço\tempo, de Juan Miller Forgner,
121)Obra poética, de Paulo Lemisk.
122)O poder da Cabala, de Rabi Yehuda Berg.
123)O livro dos espíritos, de Alan Kardek.
124)O Principe, de Maquiavel.
125)A arte da guerra, de Sun Tzu.
126)Aberturas e armadilhas no xadrez, de Idel Beckere.
127)Obra poética, de Rimbaud.
128)Os Viventes, de Carlos Nejar.
130)Dialética do concreto, de Karel Kosik.
131)Obra filosófica e economia, de Karl Marx e Friedrik Engels.
132)Teoria do cativeiro e da libertaçõa, de Leonardo Boff.
133)A miséria da razão, de Carlos Nelson Coutinho.
134)Concepção dialética da história, de Antônio Gramsci.
135)O conceito de hegemonia em Gramsci, de Luciano Gruppi.
136)Histórias das sociedades, Eric Hobsbawm.
137)Admirável mundo novo, de Aldous Huxley.
138)Seis passeios pelo bosque da ficção, de Huberto Eco.
139)Mar de histórias(contos clássicos universais), organizados por Paulo Rónai e AurélioBuarque de Holanda.
139) Flores do mal, de Charles Boudelaire.
140)Os miseráveis, de Victo Hugo.
141)José e seus irmãos, de Thomas Mann.
142)Sonhos de uma noite de verão e obra completa,
de William Shakespeare.
143)Helena, José de Alencar.
144)O rouxinol e a rosa, de Oscar Wilde.
145)Alice no país das maravilhas, de Lewis Carrol.
146)O apanhador no campo de centeio, de J.D. Salinger.
147)Dialética do esclarecimento, de Max Horkheimer.
148Eclipse da razão, de Theodor Adorno.
149)Eros e civilização, de Hebert Marcuse.
150)Teoria e praxis, de Junger Habermas.
151)Quadro completo da primavera, de Vladimir Maiakóvski.
152) Os Lusíades, de Luís Vaz de Camões.
153)Poesia russa moderna, tradução de Haroldo, Augusto de campos e Boris Schnaiderman.
154)Os viventes, de Carlos Nejar.
155) O caçador de pipas, de Khaled Husseini.
156)Quando Nietzsche chorou e A cura de Schopenhauer, de Irvin D. Yalum.
157) Memórias de minhas putas tristes e cem anos de solidão, de gabriel garcia Marques.
158)O livreiro de Cabul, de Seierstad Asne.
159)Travessuras de uma menina má, de Mário Vargas Llosa.
160)Neve e Meu nome é vermelho, de Orhan Pamuk.
161)A menina que roubava livros, de Markus Zusak.
162)Anjos e demônios e O código da Vinci, de Dan Brown.
163)São Francisco de assis, o profeta da paz e da ecologia, de M.C. das Neves.
164)O Pequeno Principe, de Antoine de Saint-Exupéry.
165)As Cariocas, de Sérgio Porto.
166)Notas de um velho safado, de Charles Bukowski.
167)Camaleoa, de Maria Helena Sato. Poemas fantásticos.
168)O mundo de Sofia, de Jostein Gaarder.
169)Viagens no Scriptorium, de Paul Auster.
170)O desafio e o fardo do tempo histórico e A teoria da alienação em Marx, de István Mészáros.Vigoroso e criativo pensador do socialismo. Não admite as aparências das trevas, crítico árduo do capitalismo.
171)História da consciência de classe e o O Romance histórico, de Georg Lukács. Refez, em sua acidentada trajetória, o percurso da filosofia clássica Alemã: inicialmente umcrítico influenciado por Kant, depois o encontro com Hegel e finalmente, a adesão ao Marxismo. Contrapõe-se ao romance de Kafka e coloca-se a favor de Thomas Menn.
172)Os Meninos do Brasil e O Bebé de Rosimeire, de Ira Levin.
173)Grande sertão:veredas, de João Guimarães Rosa.
174)A Bíblia(novo e velho testamento), de autores diversos.

Americanos confirmam investimentos de R$500 milhões no MA

Em agenda articulada pelo ex-secretário das prefeituras petistas de Belém e Imperatriz, Neil Amstrong , representantes do governo do Maranhõa selam acordo com grupo americano, em Nova York.Júlio Noronha com empresários do Comanche Clean EnergyLiderados pelo grupo Comanche Clean Energy, representantes norte-americanos dos principais fundos de investimento do mundo, com interesse específico em bioenergia, anunciaram empreendimentos em etanol e biodiesel no Maranhão, na ordem de 500 milhões de reais, que devem ocupar uma área de 100 mil hectares. A produção deverá ser destinada ao mercado interno e externo. “O investimento da Comanche vem ratificar o ambiente favorável para negócios proporcionado pelo governo Jackson Lago”, observa o secretário de Indústria e Comércio, Júlio Noronha. Em evento fechado na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, o secretário da Indústria e Comércio explanou para um seleto grupo de investidores as potencialidades e oportunidades de investimentos no Estado do Maranhão, com ênfase no crescimento e desenvolvimento econômico e sustentável.

Drº Jackson e a Educação

Do Drº Jackson, quando do recebimento da medalha do mérito educacional, conferida pelo Conselho Estadual deEducação, na última segunda: "Eu recebo a homenagem mais como uma responsabilidade do que como uma honraria. Vejo como um estímulo, mas também como uma convocação ao trabalho e ao árduo desafio de mudar a atual realidade da educação em nosso estado. "

8 de out. de 2007

De Voltaire

Um livro aberto é um cérebro que fala;
Fechado, um amigo que espera;
Esquecido, uma alma que perdoa;
Destruído, um coração que chora.

Um novo modo de ler


Eis um fato que hoje pouco se comenta (ou que, na verdade, pouco se sabe): o livro não tinha maior importância na aurora do sistema de pensamento que veio a se chamar de Ocidente. Isto foi frisado por Heidegger. Pensar, para o antigo grego, era atividade pública e oral.
Em nossa modernidade, entretanto, a forma codex (escrita unidirecional, páginas organizadas em cadernos e costuradas), depois chamada livro, impôs-se aos usos e aos espíritos como locus do conhecimento centrado, da leitura que constitui pastoralmente a cidadania, da produção do sentido e do real medidos pela escala do humanismo. O livro é a melhor das metáforas para a educação, para o conhecimento que, no passado fordista, garantiu a ascensão social dos estratos mais pobres e sem o qual não se pode hoje conceber dinâmica de crescimento econômico. Tal é horizonte em que o livro foi olhado pelos pobres como tábua de salvação.Por isso, guardar o livro e estimular a sua circulação por políticas adequadas implicam preservar o fio condutor das idéias que garantem a transmissão intergeracional do sentido de povo e de Nação.Essa transmissão faz parte do segredo da cultura.Mas estamos inclinados a achar que o futuro humano dos modos de transmissão do saber depende não tanto da mera natureza técnica do dispositivo (bits ou papel), e sim da conquista de uma forma suscetível de nos oferecer abrigo contra os perigos de morte do sentido. Pensamos que, para isso, seria necessário termos como ponto de partida o fato que a leitura é, hoje, uma prática heterogênea ou plural.Ou seja, há novos modos de ler.De fato, o impresso (livro, revista, jornal, etc.) não é a única coisa que se lê. Basta atentarmos para todas as acepções da palavra latina interpretari, para nos darmos conta de que ela significa também “ler” –– e numa maior amplitude do que legere, que se consolidou com o sentido de recolher e juntar as letras dentro das regras da razoabilidade (o logos moderno) unidimensional e linear. Na verdade, nós estamos lendo quando interpretamos um anúncio publicitário, um outdoor, um videoclipe. E certamente lemos um hipertexto –– em que fazemos necessariamente conexões com uma textualidade diversa –– de maneira diferente de um livro.Há, portanto, uma diversidade de escritas, assim como uma diversidade de leituras.Essa diversidade é acelerada pelas tecnologias do virtual, essas mesmas que conformam uma nova ambiência comunicativa e formas novíssimas de existência. Trata-se do que vimos chamando de bios midiático, ou seja, uma nova forma de vida que implica indistinção entre tela e realidade –– realidade “tradicional”, bem entendido, uma vez que a realidade de hoje já se constitui dentro da integralidade do espetáculo ou da imagem a que aspira o virtual.Por conseguinte, as novas formas de escrita e de leitura circulam no mesmo contexto sócio-cultural dos modelos industriais que transformam a vida em sensação ou em entretenimento. É o contexto de uma economia poderosa voltada para a produção e consumo de filmes, programas televisivos, música popular, parques temáticos, jogos eletrônicos.Mas o importante a se notar aqui é que a diversidade de escritas e leituras implica o descentramento cultural do livro, isto é, a perda do monopólio clássico de manutenção da memória e transmissão da cultura. Este é um movimento irreversível, principalmente quando se considera que é a juventude o sujeito coletivo da apropriação dessas novas escritas e leituras.Em princípio, deveríamos nos rejubilar com essa verdadeira mutação cultural. Entretanto, somos levados a ponderar sobre a ausência de mediações ético-políticas para a relação que se estabelece entre esses jovens e as grandes organizações industriais, responsáveis pela produção e venda dos textos (letrados e imagísticos) que suscitam a diversidade de leituras. A única lógica aí predominante é a do mercado, e não da escola, esta forma de transmissão da cultura, baseada no livro, que vem criando os quadros das profissões e da cidadania desde o começo da modernidade européia.Ao Estado impõe-se certamente a obrigação de formular políticas públicas de cultura capazes de construir as mediações requeridas pela mutação tecnológica e cultural em andamento. O Ministério da Cultura e o Ministério da Educação são os braços do Estado que já movimentam ativamente neste sentido.

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Drº Jackson e Hugo Chaves

Bem que o Governador Jackson Lago poderia condecorar o Presidente da Venezuela, Hugo Chaves, com a medalha do Mérito Timbira e ainda assinar termo de cooperação e adesão à Rede Sulamericana de Televisão, com a criação da TV pública maranhense. O Governador Álvaro Dias, do Paraná, criou a TV pública paranaense e participa dos esforços da integração latina-americana.

deu no estadão: Grupo de Tasso disputará presidência do PT

"A candidatura do deputado José Eduardo Martins Cardozo à presidência do Diretório Nacional do PT, pela chapa Mensagem ao Partido, pode virar uma pedra no sapato para a corrente Construindo um Novo Brasil (antigo Campo Majoritário), favorita nas eleições internas do partido." Leia mais

Drº Leo e a medicina P4

Acabo de falar com meu irmão Dr Leo Santos Castro, candidato a prefeito de Pinheiro, que está nos EUA, onde participa de um congresso de bioinformática organizado pela Microsoft. Ali eles debatem, entre outras coisas, quais serão as aplicações médicas decorrentes da interação entre os avanços nas pesquisas genéticas, os processos biológicos e a bioinformática. Como será a medicina em 2020? Fique sabendo, caro internauta, que ela já tem um nome. É a medicina P4: Preditiva, Preventiva, Personalizada e Participativa. O que significa isso? Como isso será na prática? Você já ouviu falar muito do Projeto Genoma, mas talvez não saiba que as pesquisas agora focam outros “omas”: projeto transcriptoma (que estuda como os genes se expressam, ou seja, são ligados ou desligados), o proteoma (que estuda as proteínas produzidas por nossos genes) e o metaboloma (que analisa os metabólitos produzidos por nossas células). A nanotecnologia (a ciência do muito pequeno) permitirá examinar o que se passa dentro das células, isto é, quando algum produto defeituoso é secretado ou algum circuito vital interrompido e como isso pode ser descoberto através de um exame de sangue. E a bioinformática será fundamental para analisar todos os dados biológicos que estão acontecendo no nosso corpo. Depois de toda essa informação, que tal imaginar como poderá ser a medicina P4 com uma doença que todos conhecem, o câncer, por exemplo? Vamos lá? A medicina preditiva permitirá detectar no sangue a presença de células cancerosas e identificar de que tecido se originaram, antes mesmo de formar-se um tumor.O próximo passo será prevenir o câncer ou outras doenças através do tratamento adequado, a medicina preventiva. Mas, ao invés de tomarmos drogas aleatoriamente e esperar como será a nossa reação, testaremos antes os nossos genes, que interferem com o metabolismo de cada uma delas. Essa é a farmacogenômica ou a medicina personalizada, que nos dirá qual é o remédio adequado para cada um de nós e em que dose. E a partir de todas as informações, vamos interagir com o médico e participar da decisão do que achamos que é o melhor para nós. Será a medicina participativa. A boa notícia é que exames detestados por todos, como a mamografia ou exames de próstata, ficarão obsoletos e serão desnecessários. Uma outra vantagem para aqueles que têm a mania de se automedicar é que poderão fazê-lo com muito mais certeza e segurança. Ou mesmo descobrir sozinhos o seu diagnóstico?Por outro lado, como antever qual seria a reação do nosso corpo ou do nosso sistema imunológico ante a presença daquelas células cancerosas? Será que o nosso sistema imunológico não iria destruir aquelas células inimigas sem que tivéssemos que nos preocupar com isso? Quanta angústia nova será gerada antes de aprendermos como interpretar uma quantidade gigantesca de novas informações? Como reagirão os hipocondríacos? Teremos uma nova especialidade: o “psicop4”?Como se vê, toda descoberta tem suas vantagens e seus riscos. Basta pensar no exemplo da eletricidade e os inúmeros benefícios que ela nos trouxe. Mas quem também já não tomou um choque? É assim que caminha a ciência. O importante é você se manter informado sobre tudo o que há de mais novo no mundo científico, poder dar asas a sua imaginação e especular, como nós, como poderá ser o futuro.

Cientistas e poetas não são desligados, muito pelo contrário

Muita gente ainda pensa que cientista é aquele “ser
esquisito”, enfiado no laboratório, desligado ou desinteressado do mundo
exterior. Quanto aos poetas e curiosos (como eu), é ainda muito pior: “são
beberrões e irresponsáveis". E, na realidade, não é nada disso. Somos pessoas
iguais a todo mundo: amamos, rimos, sofremos, gostamos de ir ao cinema, brincar,
ter amigos... Até gostamos de fofocar! Mas, no lugar de
querer saber quem está namorando quem, ficamos excitadíssimos ao descobrir, por
exemplo, que quando a proteína X não interage com a Y, podemos ter uma doença
muscular. Ou, quando possível, gostamos de participar das decisões políticas --
que podem afetar tanto as pesquisas,a verba destinada para acultura quanto a população com um todo. O que nos move é
uma enorme curiosidade de tentar entender os fenômenos biológicos que se passam
o tempo todo no nosso corpo, a fim de descobrir coisas novas ou combinações de palavras que provocam o surgimentode idéias. Essa tríade
“curiosidade–fenômeno–possibilidade de descoberta” se torna um berçário de
questões -- e são elas que nos motivam a pesquisar, dia após dia. São dúvidas
que, confesso a vocês, freqüentemente nos perseguem também à noite ou nos fins
de semana. Trata-se de um processo sem fim; porque, a cada resposta, abre-se um
leque de novos questionamentos. É justamente esse o fascínio da pesquisa e do ato de criação de um texto , poesia.... Não
gostariam de saber para que serve toda essa pesquisa? De compreender como os
resultados desses novos avanços científicos, tão divulgados pela mídia (Projeto
Genoma Humano, clonagem humana, terapia celular com células-tronco, seleção de
embriões) irão afetar o nosso dia-a-dia?Para que servem os bancos de cordão
umbilical? Quais são suas aplicações médicas? E suas implicações éticas? Será
que o Projeto Genoma Humano irá responder algumas perguntas que nos
atormentam,como: por que ficamos doentes, engordamos, envelhecemos, morremos,
reagimos diferentemente a medicamentos? Ou quanto os nossos genes influenciam a
nossa personalidade e comportamento? Como funcionam a nossa memória, nossos
sentimentos, nossas emoções? E o mais importante: será possível, no futuro,
manipular tudo isso? Quais são os limites éticos? O que é verdade e o que é
ficção? - Quanto esses assuntos são debatidos em sociedade? - Muito pouco,
respondo. Infelizmente estão restritos a ambientes acadêmicos... Contudo, acho
que todos deveriam participar. Essa é exatamente a proposta dessa coluna.
Traduzir em linguagem acessível diversos assuntos não tão comuns. Queremos
auxiliá-los a compreender melhor esse meio e suas respectivas incógnitas; bem
como convidá-los a opinar, criticar, interagir conosco. Mais que isso: buscamos
principalmente estimulá-los e encorajá-los a participar de decisões políticas,
que dizem respeito a todos nós: cidadãos.